- Com esta série não é pretendido fazer história, mas sim é visado, ao lado das imagens, que poderão ser úteis aos leitores, a sintetizar em seus acontecimentos principais a vida no Brasil Império, antes e depois, inserida na História.

Não se despreza documentos oficiais ou fontes fidedignas para garantir a credibilidade; o que hoje é uma verdade amanhã pode ser contestado.

A busca por fatos, dados, informações, a pesquisa, reconhecer a qualidade no esforço e trabalho de terceiros, transformam o resultado em um caminho instigante e incansável na busca pela História.

Dividir estas informações e aceitar as críticas é uma dádiva para o pesquisador.

Este blog esta sempre em crescimento entre o Jornalismo, Crônicas, Causos e a História.

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sábado, 19 de junho de 2010

José do Patrocínio

JOSÉ DO PATROCÍNIO
Jornalista, escritor, abolicionista: 1853 – 1905
Em Respeito ao grande patriota.
Por Fernando Correia da Silva

Escravidão é roubo!

QUANDO TUDO ACONTECEU...
1853: Em 9 de Outubro José Carlos do Patrocínio nasce em Campos dos Goitacazes (Província do Rio de Janeiro), filho natural do padre João Carlos Monteiro e de Justina, escrava africana.
1868: Patrocínio começa a trabalhar na Santa Casa de Misericórdia, no Rio de Janeiro. - 1871: É aprovada a Lei do Ventre Livre.
1874: Na Faculdade de Medicina, Patrocínio conclui o curso de Farmácia.
***
***
1875: Com Demerval Ferreira, publica o primeiro número do quinzenário satírico OS FERRÕES.
1877: Entra na GAZETA DE NOTÍCIAS, onde se encarrega de A Semana Parlamentar. 1879: Casa com Maria Henriqueta Sena, a Bibi. Inicia a campanha pela Abolição da escravatura.
1881: Ingressa na GAZETA DA TARDE, acabando por se tornar proprietário do periódico.
1882: A convite de Paula Nei desloca-se ao Ceará em campanha pró Abolição; dois anos mais tarde o Ceará será a primeira Província brasileira a dar a emancipação aos escravos.
1883: Patrocínio redige o Manifesto da Confederação Abolicionista.
1884: Publica o romance Pedro Espanhol.
1885: É aprovada a Lei dos Sexagenários. José do Patrocínio visita Campos, onde é saudado como um triunfador. No Rio de Janeiro o funeral de “tia” Justina, mãe de José do Patrocínio, transforma-se num grandioso comício de repúdio à escravidão.
1886: É eleito vereador da Câmara do Rio.
1887: Deixa a GAZETA DA TARDE, funda e passa a dirigir A CIDADE DO RIO. Publica o romance, Mota Coqueiro ou A pena de morte.
1888: A 13 de Maio a Princesa Isabel assina a Lei Áurea que extingue a escravidão no Brasil; José do Patrocínio beija as mãos da Princesa.
1889: Patrocínio publica o romance Os Retirantes. Incentiva e coordena a violenta ação da Guarda Negra do Isabelismo. A 15 de Novembro a República é implantada no Brasil.
1892: José do Patrocínio traz de França o primeiro automóvel que irá circular no Brasil. Por ter atacado, no seu jornal, o Marechal Floriano Peixoto, ditador de plantão, Patrocínio é desterrado para a Amazônia.
1893: Proibida a publicação do periódico A CIDADE DO RIO, Patrocínio fica na miséria.
1905: Numa homenagem a Santos Dumont, ao discursar, José do Patrocínio sofre uma hemoptise; falece pouco depois, a 30 de Janeiro.

A MÃE É ESCRAVA, O PAI É PADRE
Campos dos Goitacazes, perto do Rio de Janeiro, a Capital do Império brasileiro. Dona Emerenciana Ribeiro do Espírito Santo, senhora de terras e de escravos, é a proprietária de Justina, uma pretinha caçada em Mina, na costa de África. Dona Emerenciana empresta Justina ao Cónego João Carlos Monteiro. E tão carinhosamente o Cónego trata Justina que, aos 15 anos, ela dá à luz um mulatinho; o qual, na pia baptismal, recebe o nome de José Carlos do Patrocínio. Corre o ano de 1853.

O Cónego não reconhece a paternidade. Aliás, sem provocar escândalo, não poderia reconhecê-la. É axioma por todos aceite, embora nele ninguém acredite que um sacerdote é sempre um homem casto.

Mas se, por um lado, paternidade não reconhece, por outro o Cónego não empurra o filho para a senzala. Benza-o Deus, que ainda lhe sobram uns restos de ternura...

Zezinho passa a infância na fazenda paterna da Lagoa de Cima. Escravo não é, porém vai assistindo à penosa vida dos escravos e aos castigos que lhes são impostos. Sofre por eles, em surdina pragueja muito, revolta a germinar.

NO RIO DE JANEIRO
Patrocínio, depois de concluir o curso de Farmácia, dá aulas aos filhos do capitão Sena. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.

Em Campos, Zezinho aprende as primeiras letras, instrução primária. Aos 14 anos pede e o pai autoriza que vá para o Rio de Janeiro.

Na Capital, em 1868 arranja um emprego de servente de pedreiro na Santa Casa da Misericórdia. Transitará depois para um emprego na Casa de Saúde do Dr. Batista Santos. Seduzido pelo combate contra a doença, começa a estudar Farmácia, na Faculdade de Medicina. Ajudas poucas, do pai nenhuma; basicamente é ele quem paga o próprio estudo.

Terminado o curso em 1874, logo surge um tormentoso problema financeiro: dissolvida a “república” onde vivia com vários condiscípulos, José do Patrocínio terá de alugar moradia e dinheiro para isso não tem. Muito menos para se estabelecer como farmacêutico. O seu amigo e colega Pacheco Vilanova deita-lhe a mão: convida-o a morar no bairro de São Cristóvão, na casa de sua mãe que estava casada em segundas núpcias com o capitão Emiliano Rosa Sena, homem rico, dono de terras e imóveis. Para deixar Patrocínio à vontade, o capitão propõe-lhe hospedagem gratuita contra o trabalho de dar aulas particulares a seus filhos. Patrocínio respira fundo, aceita a proposta. E passa também a frequentar o “Clube Republicano” que funciona na casa do capitão, e do qual fazem parte homens que irão deixar marcas no tempo, tais como Lopes Trovão e Quintino Bocaiúva.

A MINHA FILHA VAI CASAR COM UM MULATO?
Entre uma lição e outra, José do Patrocínio apaixona-se por Maria Henriqueta, a Bibi, uma das filhas do capitão Sena. E é correspondido. Apaixonadamente, como ele quer e gosta, não sabe outra forma de estar na vida. Quem se opõe ao romance é o capitão Sena: “A minha filha vai casar com um mulato? Nem pense nisso!...” Contudo a impetuosa Bibi não desiste do matrimónio e José entretanto arranjara um outro emprego que lhes garantirá autonomia financeira. Mais não é preciso para casarem. E casam, em 1879 os apaixonados casam, escândalo, diatribes...

PATROCÍNIO E O JORNALISMO
Em três jornais, Patrocínio faz a campanha pró Abolição:

De 1 de Junho a 15 de Outubro de 1875, de parceria com Demerval Ferreira, Patrocínio escrevera e editara OS FERRÕES, quinzenário satírico.

Em 1877 Ferreira de Araújo, proprietário do jornal abolicionista GAZETA DE NOTÍCIAS, admite José do Patrocínio como redactor. A seu cargo fica a “Semana Parlamentar”, que assina com o pseudónimo Prudhome.

Em 1879 (o ano do casamento com Bibi...), na mesma gazeta inicia a sua campanha pela Abolição. Incêndio, vulcão verbal que reúne à sua volta jornalistas e tribunos, entre os quais Ferreira de Meneses (proprietário da GAZETA DA TARDE), Joaquim Nabuco, Teodoro Sampaio, Paula Nei e muitos outros. Todos da Associação Central Emancipadora, à qual Patrocínio adere e onde passa a trabalhar graciosamente, voluntariado.

Ferreira de Meneses morre em 1881 e José do Patrocínio assume a direção da GAZETA DA TARDE. Melhor dizendo: torna-se o novo proprietário do jornal. Como, se dinheiro não tem? - Mas dinheiro não falta ao sogro, com o qual se reconciliara recentemente. É quanto basta...

Escreve artigos vibrantes; mas, a partir da Redação, José do Patrocínio também trata de coordenar a campanha prática para a libertação dos negros, preparando e auxiliando a fuga de escravos e angariando fundos para as alforrias. Promove espetáculos ao vivo: comícios em teatros, manifestações em praça pública.

Ainda em 1881 Patrocínio funda a CONFEDERAÇÃO ABOLICIONISTA e redige o respectivo manifesto que André Rebouças e Aristides Lobo também assinam.

Em 1882, a convite de Paula Nei, Patrocínio visita o Ceará. É festejado como o grande líder dos oprimidos.

Em 1884 aquela será a primeira Província brasileira a conceder a emancipação completa aos escravos.

Em 1887 Patrocínio desiste da Gazeta da Tarde. Outra vez com o dinheiro do sogro funda e passa a dirigir A Cidade do Rio. Para o novo periódico conta com o apoio dos mais prestigiados jornalistas e oradores pró Abolição.

Patrocínio é também seduzido pela criação romanesca:

Em 1883 publicou o romance Pedro Espanhol.

Em 1887 publicou o romance Mota Coqueiro ou A Pena de Morte.

E em 1889 publicará o romance Os Retirantes, inspirado na inclemência da seca sobre cearenses e outros nordestinos.

A MORTE DE JUSTINA
Em 1885 José do Patrocínio visita Campos dos Goitacazes. Embora prossiga o combate pela Abolição, na sua terra natal o povo já o festeja como grande vencedor.
Patrocínio regressa ao Rio de Janeiro e consigo Justina, sua mãe, velha, exausta, adoentada. Pelo menos impede que, para sobreviver, ela continue a vender fruta pelas esquinas.
Em finais do mesmo ano, no Rio, morre a velha Justina do Espírito Santo. Funeral imponente, comentado em toda a Capital. Seguram as alças do caixão o Ministro Rodolfo Dantas, o jurista Rui Barbosa e dois futuros presidentes da República que será implantada um dia: Campos Sales e Prudente de Morais. Funeral que é um público repúdio à escravidão e homenagem ao grande abolicionista José do Patrocínio.
 ***
***
Verbo, Incêndio, Vulcão...
Em França, Proudhon, o teórico do anarquismo, afirmara:
- A propriedade é um roubo.

No Brasil, José do Patrocínio avança um passo:
- Se toda a propriedade é roubo, a propriedade escrava é um roubo duplo, contrária aos princípios humanos que qualquer ordem jurídica deve servir.

Condensa o seu pensamento no grito de guerra Escravidão é Roubo. Máxima que não se cansa de atirar à cara dos escravistas, infiltrados que eles andam pelos lugares mais inesperados.

Quem pensa encontrar apenas escravistas entre os conservadores, engana-se, pois entre eles surge um desassombrado abolicionista que é o Visconde de Rio Branco. Quem pensa encontrar apenas abolicionistas entre os liberais, também se engana, pois entre eles surgem empedernidos escravistas como Martinho Campos e racistas como Sílvio Romero. Algo de semelhante ocorre com monárquicos e republicanos. Alguém diz que a abolição é uma batata quente a saltar de mão em mão, e inesperadas são as mãos que a recebem e as mãos que a repudiam... Contudo, nas suas lutas, os abolicionistas foram conseguindo algumas vitórias. Em 1871 foi aprovada a Lei do Ventre Livre (iniciativa do Visconde de Rio Branco), que reconhece como livres as crianças nascidas de mães escravas. E em 1885 foi aprovada a Lei dos Sexagenários que concede a liberdade aos escravos com idade igual ou superior a 65 anos. Mas os abolicionistas não se contentam com migalhas, exigem a libertação total e imediata de todos os escravos, sem qualquer indenização aos escravocratas.

Nada consegue deter a enxurrada verbal de Patrocínio; nomeadamente contra a ilegal escravatura de africanos recém-chegados ao Brasil. Nem sequer a figura do seu pai o sustém (talvez até o atice mais):
- Agora mesmo (...) quis Deus que eu fosse vítima de uma dor profunda. Fui rever uma lista de africanos livres, confiados à guarda de pessoas da maior excepção; africanos que, tendo sido aprisionados, tinham pelo Estado garantida a sua liberdade. Não é a primeira vez que folheio este tristíssimo documento, em que estão os nomes de pessoas de grande vulto em nossa história. Mas um nome me havia escapado. Era o nome de um sacerdote de Jesus Cristo, de um cónego honorário e pregador da Capela Imperial, condecorado com as ordens da Rosa e do Cristo, vigário da vara de Campos, examinador sinodal do bispado do Rio de Janeiro e, na época, deputado provincial por esta província, o bacharel João Carlos Monteiro. Este é o nome do meu pai! Pois bem, eu declaro (...) que estes africanos foram reduzidos à escravidão. (...) Deles proveio a escravatura de meu pai, que subiu a 92 pessoas. Estes desgraçados, por morte do senhor, foram vendidos para pagar as dívidas do homem que os havia escravizado!

Patrocínio pretende ocupar uma tribuna de prestígio para dilatar a agitação dos seus discursos. Consegue-a: em 1886 é eleito vereador da Câmara do Rio, votação maciça no seu nome.
Comentário do seu contemporâneo Américo Palha:
- Patrocínio pode olhar para testemunhar e defender o sofrimento da raça crucificada. Só ele pode chamar, gritar, ameaçar. O sangue desta raça, derramado nas senzalas, exige solidariedade humana. Exige repressão, exige justiça. Patrocínio fala pelos mártires de sua cor.

Diz Carolina Nabuco:
- Ele não faz discursos, interpreta-os com uma força extraordinária, mas têm ardor comunicativo e espontaneidade vibrante, o que ameniza a dramatização exagerada...

Conclui Oswaldo Orico:
- Patrocínio é o Tigre da Abolição!

E Joaquim Nabuco reforça:
- Patrocínio é a própria revolução!

A LEI ÁUREA
Nos princípios de 1888 o Imperador D. Pedro II viaja até à Europa; a Princesa Isabel, sua filha, assume a Regência.

No Rio de Janeiro, a polícia reprime com violência vários comícios dos abolicionistas. Angustiada com as atrocidades cometidas, a Princesa força o Governo de Cotegipe a demitir-se.
A 7 de Março convida João Alfredo Corrêa de Oliveira a formar novo Governo.

Ferreira Viana, o recém-empossado ministro da Justiça, aceita reunir-se com líderes abolicionistas. Informa-os que a intenção do novo Gabinete é extinguir a escravidão sem qualquer indenização aos escravocratas. Entusiasmo, aplausos, correm lágrimas pelo rosto de Patrocínio.

A sessão parlamentar começa a 3 de Maio. Das janelas do Senado, Rui Barbosa, Rodolfo Dantas e José do Patrocínio discursam para a multidão que enche as ruas.

No dia 4 de Maio a Princesa convida 14 negros fugidos para almoçarem com a família imperial.

No dia 8 é apresentado no Parlamento o projeto final da Abolição. Resistência feroz dos parlamentares escravistas.

No dia 13 a oposição dos escravistas é vencida e a Lei Áurea (assim lhe chamam) é aprovada. Grande agitação na Capital. A Princesa vem de Petrópolis para assinar a Lei. No Paço, chuva de rosas que ela vai pisando lentamente. Começa a ser lido o texto:

- A princesa imperial regente em nome de Sua Majestade o imperador, o senhor D. Pedro II, faz saber a todos os súbditos do Império que a Assembléia Geral decretou e ela sancionou a lei seguinte:

Art. 1°: É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.

Art. 2°: Revogam-se as disposições em contrário. Etc.
 ***
Princesa Isabel
***
A Princesa assina a lei, gritos e vivas da multidão que enche as galerias. José do Patrocínio irrompe ninguém consegue detê-lo. Atira-se aos pés da Princesa, beija-lhe as mãos, declama:

- Minha alma sobe de joelhos nestes Paços.

A GUARDA NEGRA
José do Patrocínio diz-lhe um amigo, no dia seguinte, 14 de Maio:
- Ontem, assinando a Lei Áurea, a Princesa Isabel evitou a guerra civil.
- Ela é a Redentora da minha raça - responde Patrocínio -.

Sem reformas sociais e econômicas estruturais, como a distribuição de terras aos ex-escravos, a Princesa está a condená-los à miséria extrema.

- Os republicanos não mexeram uma palha pela Abolição e não assinaram a Lei Áurea. Quem mexeu e assinou foi a Princesa Isabel. Sou fiel à Redentora, ela pode contar comigo. Para sempre!

O Isabelismo passa a avassalar José do Patrocínio e também milhares de africanos recém-libertos. Vêem na Princesa a única e abnegada senhora que os redimira da escravidão. Arregimentados e orientados por José do Patrocínio, em várias cidades do Brasil organizam-se em Guarda Negra que dissolve, pela violência, comícios e manifestações de republicanos. Pensam mostrar assim eterna gratidão à Princesa...

O Isabelismo converte a razão apaixonada de José do Patrocínio em paixão irracional... Mas nada impede (nem sequer a Guarda Negra) que em 15 de Novembro de 1889 a República seja implantada no Brasil.

DECADÊNCIA
A CIDADE DO RIO é convertida em porta-voz da monarquia e José do Patrocínio é apontado como organizador da GUARDA NEGRA. Depois do15 de Novembro de 1889, seduzido pelas novas propostas de reestruturação da sociedade brasileira, outra vez tenta aderir aos ideais republicanos mas é enxotado pelos adeptos do regime recém-implantado. Ao mesmo tempo os monárquicos berram que ele é um troca-tintas.

Em 92 Patrocínio vai a França e traz o primeiro automóvel que irá circular no Brasil. Um automóvel a vapor, barulho a espantar os transeuntes...

No mesmo ano, na cidade do Rio de Janeiro, Patrocínio afronta o marechal Floriano Peixoto, ditador de plantão.
Em consequência é desterrado para Cacuí, na Amazônia.
Rui Barbosa ainda sai à público a defendê-lo, mas a ordem de desterro é mantida.
***
José do Patrocínio é o terceiro da esq. para a dir., em Cacuí na Amazônia
***
Em 1893 Patrocínio regressa discretamente ao Rio de Janeiro. O seu jornal tinha sido fechado pelo “Marechal de Ferro”. A miséria bate à porta de Patrocínio e ele muda-se para um barracão no subúrbio.

Desiludido com a política decide-se por uma nova carreira: a de inventor. Continua a querer subir alto, mas desta vez fisicamente, e dedica-se a tentar construir um dirigível de 45 metros de comprimento e 1200 quilos de peso, o “Santa Cruz”, que jamais levantará vôo.

Fome e, por arrasto, a tuberculose.
Nos primeiros dias de 1905, no Teatro Lírico, numa sessão de homenagem a Santos Dumont, ao iniciar o seu discurso de saudação ao aviador, José do Patrocínio sofre uma hemoptise e cai para o lado. Morrerá dias depois, a 30 de Janeiro de 1905.

A 13 de Maio de 1898, já depois de assinada a Lei Áurea, quando José do Patrocínio era delirantemente aclamado pela multidão, disse-lhe o seu amigo José Marques:

- Que belo dia para morreres, Patrocínio!

Mas se fosse um certeiro vaticínio poupar-se-iam 17 anos de inglório sofrimento a José do Patrocínio, o “Tigre da Abolição”.

Referências
↑ HOLANDA, Sérgio Buarque de. História Geral da Civilização Brasileira: Declínio e Queda do Império (2a. ed.). São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1974. p. 260.
↑ MAIA, Prado. A Marinha de Guerra do Brasil na Colônia e no Império (2a. ed.). Rio de Janeiro: Cátedra, 1975. p. 53.
↑ MAIA, Prado. A Marinha de Guerra do Brasil na Colônia e no Império (2a. ed.). Rio de Janeiro: Cátedra, 1975. p. 58-61.
↑ HOLANDA, Sérgio Buarque de. História Geral da Civilização Brasileira: Declínio e Queda do Império (2a. ed.). São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1974. p. 261.
↑ MAIA, Prado. A Marinha de Guerra do Brasil na Colônia e no Império (2a. ed.). Rio de Janeiro: Cátedra, 1975. p. 54-57.
↑ HOLANDA, Sérgio Buarque de. História Geral da Civilização Brasileira: Declínio e Queda do Império (2a. ed.). São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1974. p. 261.
↑ HOLANDA, Sérgio Buarque de. História Geral da Civilização Brasileira: Declínio e Queda do Império.


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