- Com esta série não é pretendido fazer história, mas sim é visado, ao lado das imagens, que poderão ser úteis aos leitores, a sintetizar em seus acontecimentos principais a vida no Brasil Império, antes e depois, inserida na História.

Não se despreza documentos oficiais ou fontes fidedignas para garantir a credibilidade; o que hoje é uma verdade amanhã pode ser contestado.

A busca por fatos, dados, informações, a pesquisa, reconhecer a qualidade no esforço e trabalho de terceiros, transformam o resultado em um caminho instigante e incansável na busca pela História.

Dividir estas informações e aceitar as críticas é uma dádiva para o pesquisador.

Este blog esta sempre em crescimento entre o Jornalismo, Crônicas, Causos e a História.

Haverá provavelmente falhas e omissões, naturais num trabalho tão restrito.

Qualquer texto, informação, imagem colocada indevidamente, dúvida ou inconsistência na informação, por favor, comunique, e, aproveito para pedir desculpas pela omissão ou inconvenientes.

(Consulte a relação bibliográfica e iconográfica)

- Quer saber mais sobre determinado tema, consulte a lista de assuntos desmembrados.

Leia, Navegue, consulte, viaje, me corrija, mas faça com PRAZER,

Com prazer é sempre melhor!

A Arte, Livro, Blog é uma troca, Contribua com Idéias.

Em História, não podemos gerar Dogmas que gerem Heresias e Blasfêmias e nos façam Intransigentes.

Acompanhe neste relato, que se diz singelo; a História e as Transformações do Brasil e do Brazil.

Poderá demorar um pouquinho para baixar, mas vale à pena

jpmcomenta@gmail.com

sábado, 28 de janeiro de 2012

Nomes do Brasil


Nomes do Brasil

- Uma das características da chegada de portugueses e espanhóis ao continente atualmente chamado de América foi a incerteza em relação à natureza da coisa.

Eram as Índias, era um mundo novo, uma ilha, um continente?

- Cristóvão Colombo achava que eram as Índias Ocidentais,
- Pedro Alvarez Cabral pensou que era uma ilha,
- Américo Vespúcio desconfiou que seria um continente novamente descoberto.

- A incerteza em relação ao todo reproduziu-se em relação às partes, sobretudo àquelas habitadas por povos nômades com baixo grau de organização social.

- Foi o caso da parte visitada por Pedro Alvarez Cabral em 1500.

- Ao longo dos séculos XVI e XVII, esta terra foi batizada com vários nomes. A disputa sobre como grafar “Brasil” estendeu-se até o século XX. E até hoje se discute a origem do nome.

- Difícil imaginar outro país com tão grande dificuldade de decidir até mesmo seu próprio nome.

- A nova terra era e foi denominada:
Pindorama (antes de 1500),
Ilha (Terra) de Vera Cruz (1500),
Terra de Santa Cruz (1501),
Terra Papagalli (1502),
Mundus Novus (1503),
América (1507),
Terra do Brasil (1507),
Índia Ocidental (1578),
Brazil (século XIX),
Brasil (século XX).

- Assim que chegaram ao território brasileiro em 1500, os viajantes portugueses estiveram diante de uma terra que inicialmente para eles era uma ilha. Após outras expedições e do reconhecimento territorial, os lusitanos perceberam que estavam diante de uma área de proporção continental. Iniciava-se, então, uma discussão simbólica e importante acerca do nome a ser dado para a terra recém-descoberta.

- Há uma polêmica entre historiadores quanto ao nome “Brasil”. Há uma interpretação tradicional que vincula este nome à árvore pau-brasil, largamente explorada no início da colonização por conta da pigmentação avermelhada de sua madeira, que era usada para tingir tecidos.

Aqueles que trabalhavam com a extração de pau-brasil foram chamados, desse modo, de "brasileiros".

- Entretanto, outras investigações apontam para uma antiga lenda medieval, que circula na Península Ibérica, que se referia à “Ilha Brasil”. Assim como a ilha perdida de Atlântida, a Ilha Brasil também era um lugar mitológico, que alimentava o imaginário medieval, e estaria situada no Atlântico, tendo sido representada diversas vezes em cartografias da Idade Média.

- A despeito da versão estritamente correta para o nome “Brasil”, o fato é que seu uso se tornou notório e se sobrepôs às outras denominações.

Outros nomes menos conhecidos atualmente também eram populares ao Brasil, como:

- Nova Lusitânia, se dando ao fato de ser a primeira terra de outro continente descoberta pelos lusitanos (portugueses),
- Cabrália, referente a Pedro Álvares Cabral.

- Outros navegadores ibéricos, como Vicente Yáñez Pinzón e Duarte Pacheco Pereira já realizaram expedições na costa da região hoje conhecida como "Brasil" antes de Pedro Alvarez Cabral, embora não tenham batizado especificamente.
Os nomes acima foram frequentemente utilizados no período pré-colonial.

- Sabemos que nem sempre o país teve o nome “Brasil”, e que esse já foi alvo de transformações gramaticais, como a mudança da grafia com “z” (Brazil) para o atual, com “s”, e a retirada de duas letras “ll” no final para uma letra “l”.


Hy Brazil
Pindorama do re-descobrimento

- Quando encontrado pelos portugueses em 1500, estima-se que a costa oriental da América do Sul era habitada por cerca de dois milhões de nativos, do norte ao sul.

- A população ameríndia era repartida em grandes nações indígenas compostas por vários grupos étnicos entre os quais se destacam os grandes grupos:
- Tupi-guarani,
- Macro-jê,
- Aruaque.


- Os primeiros eram subdivididos em guaranis, tupiniquins e tupinambás, entre inúmeros outros. Os tupis se espalhavam do atual Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte de hoje, sendo "a primeira raça indígena que teve contato com o colonizador e decorrentemente a de maior presença, com influência no mameluco, no mestiço, no luso-brasileiro que nascia e no europeu que se fixava".

- As fronteiras entre estes grupos e seus subgrupos, antes da chegada dos europeus, eram demarcadas pelas guerras entre os mesmos, oriundas das diferenças de cultura, língua e costumes. Guerras estas que também envolviam ações bélicas em larga escala, em terra e na água, com a antropofagia ritual sobre os prisioneiros de guerra.

- Embora a hereditariedade tivesse algum peso, a liderança era um status mais conquistado ao longo do tempo, do que atribuído em cerimônias e convenções sucessórias.

- A escravidão entre os índios tinha um significado diferente da escravidão européia, uma vez que se originava de uma organização socioeconômica diversa, na qual as assimetrias eram traduzidas em relações de parentesco.

1500

O chamado Descobrimento

Em 22 de abril de 1500, a terra a que Pedro Álvares Cabral aportou era chamada pelos habitantes com quem travou conhecimento de Pindorama ou Terra das Palmeiras. O capitão Cabral permaneceu por dez dias em terra. Viu gentes estranhas, nem pretas nem brancas, que caminhavam totalmente nuas pelas praias, tinham furos nos beiços em que enfiavam ossos, estavam armadas de arcos e flechas. Viu ainda muitos papagaios e uma terra cheia de palmeiras e outras árvores.

- Pero Vaz de Caminha, afirma em sua carta que mandou ao rei D. Manuel que Pedro Álvares Cabral inicialmente deu à terra o nome de Terra de Vera Cruz.

- No mesmo documento, corrige para Ilha de Vera Cruz, indicando a incerteza sobre a geografia da região, visto que os portugueses também acreditavam que a aquelas terras compunham parte de uma ilha que estava entreposta no Atlântico, separando a Europa das Índias.
Só não houve incerteza quanto ao termo “Vera Cruz”.

Nota:
- Pedro Álvares Cabral era cavaleiro da Ordem de Cristo, cuja bandeira trazia uma grande cruz. Essa bandeira lhe fora entregue por D. Manuel antes da partida da frota e mais tarde foi içada no mastro da nave principal e colocada ao lado do Evangelho durante a primeira missa celebrada em uma ilhota da nova terra.

Pindorama
- Esse nome foi mais usado no período anterior à chegada dos portugueses ao Brasil (1500).

- Os nativos – chamados de “índios” pelos portugueses –, denominaram aquela terra como “Pindorama”, que em língua tupi-guarani significa “terra das palmeiras”.

- Segundo Theodoro Sampaio, o termo da língua tupi pode ser traduzido como “o país das palmeiras”. A denominação continuou sendo usada pelos nativos, por muito tempo. Provavelmente, designava apenas parte do litoral do Nordeste.

Nota:
- O poeta modernista brasileiro Oswald de Andrade, um dos organizadores da Semana de Arte Moderna de 1922, em seu “Manifesto antropófago”, faz referência a essa denominação tupi com o objetivo de reabilitar a cultura indígena à identidade brasileira.

- Na Língua Guarani, uma língua oficial do Paraguai, o Brasil é chamado de "Pindorama". Este era o nome que os índios davam à região, significando "terra de palmeiras".

Nomes utilizados pelos Portugueses

- Os seguintes nomes foram utilizados inicialmente por Pedro Álvares Cabral e outros navegadores:

Monte Pascoal
- O primeiro nome concebido do Brasil, na ocasião desconhecido continente, quando avistaram terra firme pela primeira vez.

Ilha de Vera Cruz
- Denominação presente na Carta de Pero Vaz de Caminha ao Brasil, idealizado após os portugueses pisarem no continente,

Terra da Vera Cruz
Em 22 de abril de 1500, segundo a Carta de Pero Vaz de Caminha, esse foi o primeiro nome dado por Pedro Álvares Cabral.

Ilha de Vera Cruz
Em 01 de maio de 1500, nome usado por Pero Vaz de Caminha na assinatura de sua Carta.

Período Inicial (1501-1530)

Em 1501, o primeiro nome da terra durou pouco. Ao tomar conhecimento da descoberta, D. Manuel tratou de apressar seu casamento com a infanta de Espanha e enviou Gonçalo Coelho para confirmar o achado. Além de confirmar, Gonçalo Coelho informou que a nova terra era grande demais para ser uma ilha.

- Na volta, carregou o navio com pau-brasil e papagaios.

Em 29 de julho, D. Manuel escreveu aos reis católicos Fernando e Isabel, agora seus sogros, informando sobre a descoberta da terra a que Pedro Álvares Cabral dera o nome de Terra de Santa Cruz.

Nota:
- El-rei trocou Ilha por Terra e Vera Cruz por Santa Cruz. O novo nome foi logo adotado.

- Com a expedição de Gonçalo Coelho que os portugueses, tendo melhor conhecimento do tamanho do território, criaram outros nomes para a região, como “Terra dos papagaios” e “Terra de Santa Cruz”, sendo esta última nomenclatura criada pelo rei português D. Emanuel.   

Terra de Vera Cruz (de 1500 a 1501)
- Nome provisório de referência cristã.

Ilha da Cruz
No início de 1501, aparece no regimento de D. Manuel entregue a João da Nova, que deveria fazer escala no Brasil, à caminho da Índia.

- O mesmo nome, ou com variações como ylha da † ou ylha da Cruz, aparece em outros textos portugueses até 1507.
A cruz referida foi aquela erguida em Porto Seguro para a Segunda Missa.

Terra Nova (1501)

Terra dos Papagaios (1501)
- Essa denominação foi feita, principalmente por italianos, desde 1501, e depois na França. A denominação está em alguns mapas feitos até os anos 1520.

Terra de Santa Cruz ou simplesmente Santa Cruz (1501 a 1503)
- Nome concebido mais tarde, que reflete o contexto de propagação da fé cristã.

Em 29 de julho de 1501, esse nome foi registrado na carta, em espanhol, do rei Dom Manuel, que informou aos Reis Católicos a descoberta do Brasil.

Em 1505, o rei D. Manuel cita aos Reis Católicos de Espanha em outra carta:

"...á qual terra puz o nome de Santa Cruz: e isto foi porque na praia arvorou uma cruz muito alta. Outros chamam-lhe terra nova ou novo mundo".

Em 1640, o nome Terra de Santa Cruz continuava sendo usado, como indica o Atlas de João Teixeira Albernaz.

Terra Santa Cruz do Brasil (1505)

Terra do Brasil (1505)

Brazil (1503 a 1824)
- Sua origem é incerta, mas o nome era usado séculos antes da descoberta do Brasil.
Nome dado pelos portugueses em função da grande quantidade de árvores de pau-brasil existentes na região do litoral brasileiro.

- A palavra Brasil deriva de brasa, pois esta árvore possui uma seiva avermelhada, cor de brasa.

Brasil

- Não se sabe, ao certo, quando o nome “Brasil” começou a ser atribuído à “Santa Cruz”, designando as terras descobertas por Pedro Álvarez Cabral. Talvez, pelos primeiros mercadores da preciosa madeira.

- A referência de que uma carta de João Empoli, de 1504, tenha realizado essa conexão foi descartada por Afrânio Peixoto (História do Brasil, 1944), que observou erros de tradução.

- Clemente Brandenburger (em A nova Gazeta da terra do Brasil, 1922) também descarta uma referência de historiadores do século XIX de que um diário de bordo registrou Terra de Brazil, em 1505/6. O artigo original foi encontrado em 1895, em Augsburg, e data de 1514.

- Forram possivelmente os franceses que começaram a falar na “terre du brésil”. A partir de 1511, já se encontra alguns textos portugueses referindo-se à Terra do Brasil.

Em 1511, o primeiro mapa conhecido a colocar o nome Brasil, designando a América Austral, foi o Planisfério de Jerônimo Marini.

- Existiram também variações como: - Brasill, Brrasil, Brasyll, Brasyl e outras. As grafias Brasil e Brazil (com s e com z) foram usadas por portugueses e brasileiros até o início do século XX.

América

- O Brasil tem mais a ver com a origem desse nome do que qualquer outro país do Novo Mundo. Não foi erro de cartógrafo, como querem alguns.

Em 1507, ao confeccionar seu monumental planisfério, o alemão Martin Waldseemüller batizou uma parte da América do Sul em homenagem a Américo Vespúcio. O nome AMERICA foi colocado em cima do Brasil e era o único topônimo regional dessa parte do Continente. As terras descobertas por Cristóvão Colombo tinham outros nomes, dados pelos espanhóis.

- Após acompanhar a primeira expedição exploratória ao Brasil, em 1501, Américo Vespúcio publicou os primeiros textos conhecidos em que se afirma que aquelas terras seriam um “Novo Mundo” e não parte da Ásia (Índias), como se pensava até então. Para Martin Waldseemüller, Américo Vespúcio foi quem descobriu que se tratava de um novo continente e colocou o nome AMERICA ao lado dos levantamentos da expedição em que ele participou, quando chegou a essa conclusão, não por acaso, o Brasil.

- Após ler os textos de Américo Vespúcio sobre sua viagem na costa brasileira, Martin Waldseemüller colocou o nome AMERICA em cima do Brasil, em homenagem ao navegador florentino.

No século XVII, o nome “Brasil” já era usado para ser referir a tais terras, ainda que não oficialmente.

O nome “Brasil” só se consolidou no século XIX.

Período Colonial (1530-1815)

Colônia do Brazil do Reino de Portugal
A partir de 1530, quando o Brasil tornou-se uma colônia de Portugal, esse era seu nome mais comum.
Às vezes, Principado do Brazil e Vice-reino do Brazil também eram utilizados.

Província de Santa Cruz
- O português Pero de Magalhães Gandavo escreveu o primeiro livro de História do Brasil conhecido, com o título “Historia da Província Santa Cruz” a que vulgarmente chamamos “Brasil...”, publicado em 1576. Gandavo era um homem culto e provedor da Fazenda, em Salvador, com acesso à burocracia portuguesa.

- Entretanto, de 1572 a 1578, o Brasil estava dividido em dois, com duas capitais, o que torna a denominação de Província de Santa Cruz, para todo o Brasil, um tanto confusa.

Em 1548, não facilita o fato de que, Dom João III, em seu Regimento, dado a Thomé de Sousa, referia-se as Capitanias e povoações das terras do Brazil.
O nome Santa Cruz simplesmente não pegou.

Província / Estado

- Dos séculos XVI ao XVIII, o Brasil aparece ora como província, ora como estado, em textos da época. Parece que os reis de Portugal e os próprios brasileiros davam pouca importância aos nomes oficiais da América Lusitana.
Um bom exemplo está no Atlas de Albernaz, cartógrafo oficial de Portugal, que registrou no seu Atlas de (1640), que "Brazil" era o nome vulgar da Terra de Santa Cruz, sem indicar se era província ou estado.

- Rocha Pitta, em sua Historia da America Portugueza (1730) chamou de províncias as capitanias do Brasil, muito antes que elas assim fossem oficialmente chamadas no início do século XIX.

Em 03 de março de 1550, o Provedor-mor da Fazenda Antônio Cardoso de Barros registrou em uma provisão:

“...Villa da Victoria Provincia do Espirito Santo Capitania de Vasco Fernandes Coutinho...”

Província do Brasil
- Segundo Jaboatão, em seu Novo Orbe Seráfico Brasilico, ou Chronica dos Frades Menores da Província do Brasil, publicado em 1761, o nome Província de Santa Cruz foi mudado para Província do Brasil. Jaboatão observa desgostoso que "...a indiscreta politica dos homens, ou a sua imprudente ambição mudou depois em o de Provincia do Brasil, mostrando sem o querer, que fazia mais estimação do valor destes páos vermelhos, de que dependem os seus lucros temporaes, do que do inestimável preço daquelle sagrado Madeiro,..."

- Por Sagrado Madeiro, Jaboatão referia-se à grande “Cruz” levantada em Porto Seguro para a realização da Segunda Missa, em 1º de maio de 1500.

Estado do Brazil
Em 1548, em sua carta a Caramuru, Dom João III refere-se ao Estado do Brazyl.

Em 06 de outubro de 1612, a condição de estado para a América Lusitana tornou-se oficial com o Regimento passado a Gaspar de Sousa, nomeado Governador do Brasil. Essa condição também é atestada no Livro que dá Razão ao Estado do Brasil, um documento oficial publicado naquele ano, em Portugal.

Em 1621, o Brasil foi dividido em dois estados pela terceira vez:

- Estado do Maranhão (depois Estado do Maranhão e Grão-Pará), com capital em São Luís,
-Estado do Brasil, com capital em Salvador.

- Essa divisão ocorreu durante a União Ibérica, quando não havia mais preocupação com o Meridiano de Tordesilhas.

Em 1772, o Estado do Grão-Pará e Maranhão foi dividido em dois estados, ficando a América Lusitana com três estados.
1808
Chegada da Família Real, Rio de Janeiro

Chegada da Família Real Portuguesa

Em maio de 1808, entretanto, o primeiro livro da Imprensa Régia no Brasil, publicado, “Relação dos Despachos Publicados na Corte...”, faz referência, em sua folha de rosto, aos Estados do Brazil, dando a entender que o nome “Brazil” era usado para toda a América Lusitana. Era mesmo isso, Brasil era o nome genérico, informal, da América Lusitana e outros documentos o comprovam.

Reino do Brazil do Reino Unido de Portugal, Brazil e Algarves
- Após a transferência da nobreza portuguesa para o Brasil (1815-1822).

Em 1815, anos após a transferência da Família Real para o Rio de Janeiro, o Brasil foi elevado à condição de Reino, como parte do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, nome este é oficializado e passou a ser o nome frequentemente utilizado.

Independência do Brazil

Império (1822-1889)

Império do Brazil (1824 a 1891)
Em 1822, após a Independência do Brasil ser proclamada pelo Príncipe Regente Pedro de Alcântara (D. Pedro I) ordenou a elaboração de uma nova constituição.

Em 1824, promulgada a carta, ficou definido o novo nome do país, fazendo referência ao sistema imperial de governo e reconhecida em 1825.

- O Império do Brazil foi o primeiro estado brasileiro independente, e por consequência, o primeiro a ter um nome definitivamente oficial.

- Note que o nome é "Império do Brazil" e não "Império Brasileiro".

Proclamação da República

República (1889 em diante)

Estados Unidos do Brazil (1891 a 1969)
Em 1889, com a Proclamação da República, e com a primeira constituição republicana, de 1891, o nome passou a ser “Estados Unidos do Brazil” – pois era necessário retirar a referência ao sistema monárquico, mas com nítida inspiração nos Estados Unidos da América.

- A denominação do País, como república, dada na folha de rosto da Constituição promulgada em 24 de fevereiro de 1891. Em seu preâmbulo, o nome Republica (sem acento) é inserido, ficando “Republica dos Estados Unidos do Brazil”.

- A expressão "Estados Unidos" reforçava a unidade territorial e o sistema federativo.

República Federativa do Brasil (1967 até os dias de hoje)
Em 1967, com a constituição elaborada durante a Ditadura Militar, o nome passou a ser “República Federativa do Brasil”, por conta do sistema federativo então já consolidado.

- Este nome adotado antes da junta militar de 1969, assumir o poder foi por motivos desconhecidos.

Em 1988, o nome “República Federativa do Brasil” foi mantido pela constituição cidadã, reforçando assim o termo que faz referência ao sistema republicano.

Nomes que não foram oficialmente adotados

- Mesmo após a adoção do nome "Brasil", a denominação oficial do Estado brasileiro ainda mudou algumas vezes. Durante o período do Brasil Colônia, ainda foram usados os nomes "Principado do Brasil", "Vice-reino do Brasil" e "Reino do Brasil".

- Referidos por alguns historiadores:
Brasil Colônia,
Principado do Brasil e
Vice-Reino do Brasil.

Colônia

- O Brasil não era juridicamente uma colônia de Portugal. Essa denominação ganhou popularidade entre alguns historiadores no início do século XX, quando o mundo era repleto de colônias de países europeus. Portugal tinha colônias na África e na Ásia, resultado de uma redefinição política de seus domínios, no século XIX, quando o Brasil já era independente.

- No século XVI, o Brasil era uma província portuguesa e foi elevado à condição de Estado já no século XVII, sendo Estado até 1815, quando foi elevado a Reino. Os brasileiros eram também súditos do Rei, como os portugueses nascidos em Portugal. A história nos conta, entretanto, que existiam claras preferências dadas aos nascidos em Portugal, tanto no comércio, quanto nos cargos públicos. Além disso, existiam muitas restrições a atividades comerciais e intelectuais no Brasil, o que levou os brasileiros à Guerra da Independência.

Nos primeiros anos do século XVI, os demais países europeus não reconheciam a divisão do mundo feita por Portugal e Espanha. Em muitos casos adotavam seus próprios nomes às regiões descobertas.

Principado

De 1645 a 1815, o herdeiro da Coroa portuguesa recebia o título de “Príncipe do Brasil”. Parecido com o que ocorre no Reino Unido (Príncipe de Gales).

Vice-Reino

- O Brasil teve vice-reis, mas eram títulos nobiliárquicos ou administrativos. Não se conhece documentos oficiais que façam referência a um Vice-Reino do Brasil.

Etimologia

- As raízes etimológicas do termo "Brasil" são de difícil reconstrução. O filólogo Adelino José da Silva Azevedo postulou que se trata de uma palavra de procedência celta (uma lenda que fala de uma "terra de delícias", vista entre nuvens), mas advertiu também que as origens mais remotas do termo poderiam ser encontradas na língua dos antigos fenícios.

Brasileiro

- Na época colonial, cronistas da importância de João de Barros, frei Vicente do Salvador e Pero de Magalhães Gândavo apresentaram explicações concordantes acerca da origem do nome "Brasil". De acordo com eles, o nome "Brasil" é derivado de "pau-brasil", designação dada a um tipo de madeira empregada na tinturaria de tecidos. Na época dos descobrimentos, era comum aos exploradores guardar cuidadosamente o segredo de tudo quanto achavam ou conquistavam, a fim de explorá-lo vantajosamente, mas não tardou em se espalhar na Europa que haviam descoberto certa "ilha Brasil" no meio do oceano Atlântico, de onde extraíam o pau-brasil (madeira cor de brasa).

- Os habitantes naturais do Brasil são denominados “brasileiros”.

- Há ainda a possibilidade do uso do gentílico brasiliano para designar os naturais da República Federativa do Brasil.

Em 1706, o termo gentílico “brasileiro” é registrado em português e se referia inicialmente apenas aos que comercializavam pau-brasil.

- Passou depois a ser usado informal e costumeiramente para identificar os nascidos na colônia e diferenciá-los dos vindos de Portugal.

Em 1824, na primeira constituição brasileira, que o gentílico "brasileiro" passou legalmente a designar as pessoas naturais do Brasil.

Outros Gentílicos

- Há ainda a possibilidade do uso de outros gentílicos como:
- brasiliano,
- brasílico,
- brasílio, para designar os naturais do Brasil.
- brasiliense (esse último também atribuído aos habitantes de Brasília-DF).

Teorias

- Todas as tentativas de se buscar as raízes para o nome “Brasil”, são também especulativas.
O autor Edgardo Otero apresenta uma pesquisa que postula que existem três vertentes que procuram explicar a origem do nome Brasil.

Pau-brasil

- O nome proveniente da árvore Pau-brasil, chamado assim por causa de sua cor vermelha, que lembrava brasas de fogo; A origem derivada da madeira já era defendida na época colonial, onde cronistas da importância de João de Barros, Frei Vicente do Salvador e Pero de Magalhães Gandavo apresentaram explicações concordantes acerca da origem do nome "Brasil". De acordo com eles, o nome "Brasil" deriva de "pau-brasil", a designação de um tipo de madeira empregada na tinturaria de tecidos.

- Na época dos descobrimentos, era comum aos exploradores guardar cuidadosamente o segredo de tudo quanto achavam ou conquistavam, a fim de explorá-lo vantajosamente, mas não tardou em se espalhar na Europa que haviam descoberto certa "ilha Brasil" no meio do Atlântico, de onde extraíam o pau-brasil.
Essa teoria é oficial e ensinada nas escolas brasileiras e portuguesas.

- Os navegantes começaram a denominar o território de Brasil por causa dessa árvore que durante as três primeiras décadas foi o principal motivo de viagens dos portugueses à região encontrada por Cabral. Portanto, o nome Brasil fixou-se no imaginário dos viajantes e dos colonizadores e prevaleceu sobre as outras nomenclaturas. 

- O nome atribuído à madeira vermelha também é mais antigo que a descoberta da América Lusitana. Existem, por exemplo, variedades diferentes dessa árvore na África, na Ásia e na Oceania (o pau brasil do Brasil é a Caesalpinia echinata).

Em 1501, na descoberta pela expedição de Gonçalo Coelho, de pau brasil nas margens de um rio perto de Porto Seguro, batizado de “Rio de Brasil”. Acredita-se que seja algum rio entre Porto Seguro e Trancoso. Entende-se, assim, que o nome “brasil” já era associado à madeira vermelha, antes de ser associado à América Lusitana.

No início do século XX, a polêmica em relação ao nome do território que hoje se chama Brasil voltou à tona na escrita de alguns estudiosos após o processo de colonização da América Portuguesa, autores como Adolfo Varnhagen e Capistrano de Abreu contestaram a versão original de que o nome Brasil teria surgido em virtude da extração de pau-brasil.

- Na concepção de Capistrano, a origem do termo relaciona-se à existência de uma ilha imaginária na costa da Irlanda. Essa ilha irlandesa era um local cercado por misticismo e sua existência real não foi comprovada.

Ilha Brazil (Hy Brazil)

- O nome proveniente de uma ilha mítica chamada Brazil (com z). Essa lenda teria surgido entre os Celtas que diziam ser uma ilha no meio do oceano que pegava fogo constantemente. Esse local era cercado por mistérios e as tradições célticas afirmavam que o rei “Brasal” fixou moradia nela após sua morte. Dessa forma, poetas relatavam que essa ilha coberta de bruma não era de fácil acesso, e o simbolismo em volta dela continuava vivo.

- Por volta de 1339, muitos documentos da época mostram que já existia essa ilha no meio do Oceano Atlântico a oeste da ilha dos Açores, porém a localização exata variava entre galegos e germânicos.

Nota:
- O nome Brazil deu origem ao sobrenome de uma família na Idade Média e ainda hoje presente na Irlanda.

- Como os portugueses tinham a representação desta curiosa ilha em seus mapas, alguns escritores do século XX, como Gustavo Barroso, defenderam a tese de que o nome do Brasil estaria relacionado originalmente a esta ilha, e não à extração de pau-brasil como se acreditava.

Brasile

- O nome proveniente da derivação de "Balj ibn Bishr", primeiro chefe muçulmano a conquistar Andaluzia (na Espanha). Este famoso guerreiro teve seu nome pronunciado de diversas formas e, com o passar dos anos, seu nome ficou para a história como "Brasile".

Açores

- Estudos arqueológicos recentes demonstram que povos do Mediterrâneo estiveram em ilhas do arquipélago dos Açores, na Idade do Bronze. Inscrições em rochas indicam que as ocupações continuaram até, pelo menos, dois mil anos atrás, possivelmente por fenícios ou cartagineses. Os portugueses chegarem lá, no século XIV.

- Cartas do editor alemão Valentin Ferdinands, estabelecido em Lisboa, em 1495, indicavam o nome “Brasill” para a ilha Terceira do arquipélago dos Açores.
Nessa ilha existe o Monte Brasil, um vulcão extinto.

- O nome “brasil” deriva possivelmente de brasa, talvez como sinônimo de braseiro. Os Açores possuem 26 vulcões ativos. Também, no latim medieval, “brasile” significava ter aspecto de brasa, razão por que, os italianos chamam nosso “País de Brasile”.

- Mapas de 1325 e 1329 registravam ilhas no Atlântico com o nome de “Bracile”, que se acredita serem os Açores. Esses registros são posteriores aos primeiros empreendimentos portugueses no Atlântico, durante o reinado de Dom Dinis (1279-1325), quando se acredita que os Açores foram descobertos.

Antilhas

- Cristóvão Colombo, em sua segunda viagem (1493-1496), faz referência a “brasil”, como uma das riquezas trazidas das Índias. Américo Vespúcio, em carta de julho de 1500, relata que na Ilha dos Gigantes (Antilhas) a maioria das árvores eram de “brasil”.

- O Cantino, um mapa português anônimo de 1502, indica o “Río de brasil”, junto a Porto Seguro e o nome “Brasill” é atribuído a uma das Antilhas. A denominação foi seguida por Martin Waldseemüller, só que o cartógrafo alemão adotou apenas a grafia com um “l”.

O Rio

- O Cantino é o primeiro mapa do Brasil conhecido. O “Rio de Brasil” é o primeiro registro do nome Brasil em nosso território.

Outras denominações:

Em 07 de setembro de 1822, como Estado soberano, o "Reino Independente do Brasil" declara-se independente do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

Em 12 de outubro de 1822, o nome foi trocado para "Império do Brasil".

- Assim o Brasil ficou até a proclamação da República, quando a designação oficial passou a ser "República dos Estados Unidos do Brasil".

Em 24 de janeiro de 1967, data na qual a Constituição brasileira de 1967 foi votada, o atual nome "República Federativa do Brasil" foi escolhido e perdura na atualidade.

Como outros países chamam o Brasil:

Brazil (países de língua inglesa),
Brésil (países de língua francesa),
Brasile (Itália),
Brasilien (países de língua alemã, Dinamarca),
Brazylia (Polônia),
Brazilėjė (Lituânia),
Brazílie (República Tcheca),
Бразилия (Rússia),
ब्राज़िल (Índia),
巴西 (China).

Citações:

Para Martin Waldseemüller, o Brasil era também uma das ilhas das Antilhas, como mostrado em um outro mapa seu (fragmento embaixo, à esquerda). Nomenclatura parecida foi usada pelos portugueses no Cantino, em 1502 (fragmento, à direita), na Ilha do Brasill.


Carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei de Portugal


A Terra dos Papagaios.
No Cantino, as araras são o maior destaque ilustrativo do Brasil.
O Brasil foi referido, principalmente pelos italianos, como a Terra dos Papagaios nos primeiros anos após sua descoberta. Entretanto, era normalmente uma referência alegórica.


O Brasil no Planisfério de Jerônimo Marini (1511). Este é o primeiro registro conhecido em que a Terra de Santa Cruz recebe o nome da madeira vermelha. O sul está em cima e o autor ainda acreditava que o Brasil era parte da costa oriental da Ásia. Colombo, também acreditava que o Brasil estava nas Índias. No início do século XVI, alguns cartógrafos ainda confundiam o Brasil com a Austrália.


O Río de brasil, junto a Porto Seguro, registrado no Cantino, de 1502. A expedição de Gonçalo Coelho achou “pau brasil” em suas margens e o batizou com o nome de Rio de Brasil. Essa é a primeira associação conhecida da Terra de Santa Cruz com a madeira vermelha.


Descobrimento Brasil


Acima, cédula de 500 Reis, da época do Império do Brasil.


Cédula de dois mil Reis, de 1918, da República dos Estados Unidos do Brazil.
A grafia Brazil (com z) conviveu com a grafia com s desde o século 16.


A partir de 1920, as moedas passaram a adotar apenas a grafia de Brazil com "s".

Brazil o Paraíso na Terra

- São muitas as interpretações que, ao longo dos séculos, a Humanidade fez do texto bíblico do Gênesis, sobre a localização do Paraíso de que Adão e Eva foram expulsos. Todas coincidem em que seria um lugar muito difícil de atingir, mas não impossível, especialmente com a ajuda divina.

- Seria um lugar de agradabilíssimo e permanente clima temperado, situado no Oriente, talvez em lugar bem alto para que não fosse alcançado pelas águas do Dilúvio Universal, cercado por grande extensão de terra ou de água que dificultassem ao homem atingi-lo. Se situado em terra, dele sairiam quatro grandes rios (Fison, Gion, Heidequel e Eufrates), em direção aos pontos cardeais.

- Além de pássaros cantando durante o ano inteiro, árvores sempre carregadas de frutos existiriam grandes quantidades de minérios e pedras preciosas. Os quatro rios teriam origem comum em uma grande lagoa, que seria dourada por ali se depositar o ouro carregado dos terrenos vizinhos.

- Esse mito inicialmente situava o Paraíso Terrestre em algum ponto entre o centro da África e o Subcontinente Indiano, sendo o Nilo possivelmente um dos quatro famosos rios (o Gion), enquanto o Ganges (o bíblico Fison) seria a saída fluvial oriental do Paraíso - relacionando-se ainda com essa lenda os rios Tigre (que seria o bíblico rio Heidequel) e o Eufrates, que banham a Mesopotâmia.

- Um dos primeiros locais do Paraíso Terrestre ficaria em algum ponto desta foto, que mostra o Rio Nilo e o Egito em primeiro plano, tendo acima a Península do Sinai delimitada pelos golfos de Suez e Akaba (convergindo à  direita para o Mar Vermelho), e à esquerda o Mediterrâneo, sendo visíveis ainda a cidade do Cairo, o Canal de Suez. Na parte superior, vê-se o Mar Morto (entre Israel, Palestina e Jordânia), os desertos da Síria e do Noroeste do Iraque.

- O mito viaja para Oeste – Misturado com as epopéias gregas, com a história das colunas de Hércules (que seriam as laterais do Estreito de Gibraltar, por onde o Mediterrâneo se liga ao Atlântico) e da montanha de Atlas que sustentaria o céu, podendo ser vista de tais colunas, o Paraíso, já em forma insular, foi depois transportado para as Ilhas Canárias, não por acaso chamadas Ilhas Afortunadas, e que já seriam conhecidas desde o tempo dos primeiros navegadores fenícios que se aventuraram no Atlântico.

Por volta do século X, essa lenda começou a ganhar forma mais definida na Irlanda, e perduraria por mais 600 anos, com inúmeras versões, conhecidas principalmente como Navigatio Sancti Brandani, em que São Brandão noticia a existência de uma ilha povoada de aves falantes (e lembre-se que no Paraíso todas as aves falavam, emudecendo em conseqüência do Pecado Original).

Em 1467, como no mapa de André Benincasa, a mítica Ilha de São Brandão, por ele atingida após 40 dias e noites de navegação, aparece às vezes na forma de um arquipélago, que inclui certa ilha do Brasil ou Braçile, também referida em 1367 na carta marítima de Pizzigano, que inclui a Ysola de Braçir entre as chamadas ilhas Benaventuras.

- Tal ilha do Brasil, e toda a mitologia céltica de São Brandão, não teriam relação - segundo Sérgio Buarque de Holanda - com "a presença em certas ilhas atlânticas de plantas tais como a urzela ou o sangue-de-drago, que dão um produto tintorial semelhante, na cor purpurina, a outro que que, pelo menos desde o século IX, era conhecido no comércio árabe e italiano sob os nomes de brasil e verzino".

Continua o historiador:
- Segundo já o mostrou decisivamente Richard Hennig, aparenta-se o topônimo antes às vozes irlandesas Hy Bressail e O'Brazil, que significariam ilha afortunada. Essa, melhor do que outras razões, poderia explicar a forma alternativa de O brasil e Obrasil que aparece em vários mapas. Até em cartas portuguesas como a de Lázaro Luís, datada de 1563, vê-se essa designação obrasil atribuída à ilha mítica. Em outra, de Fernão Vaz Dourado - existente na Biblioteca Huntington e composta, segundo parece, pelo ano de 1570 -, já se transfere, sob a forma de O Brasil, encimando as armas de Portugal (...) para a própria terra que descobriu Pedro Álvares Cabral. Aliás, antes de 1568, em mapa do mesmo autor, incluído no atlas Palmela, temos o nome hobrasill, juntamente com o do cabo de Santo Agostinho, aplicado a terras compreendidas no Brasil atual. Curioso que a nova naturalização americana do designativo não impeça que, no referido atlas, continue esse obrasill a indicar uma ilha misteriosa localizada a Sudoeste da Irlanda e representada por um pequeno círculo vermelho atravessado de uma raia branca.

"Nascido de uma inspiração religiosa ou paradisíaca, esse topônimo, se não o mito que o originou, perseguirá teimosamente os cartógrafos, revelando uma longevidade que ultrapassa a da própria Ilha de São Brandão. Com efeito, representada pela primeira vez em 1330 (ou 1325) na carta catalã de Angelino Dalorto, ainda surge mais de cinco séculos depois, em 1853, numa carta inglesa de Findlay, com o nome de High Brazil Rocks, isto é, Rochedos do Brasil ou de Obrasil, tal como nos mapas medievais e quinhentistas", cita ainda Sérgio Buarque.

- O autor de Visão do Paraíso comenta, em outro ponto dessa obra, que "não há motivos para se pôr em dúvida que fenícios e cartagineses tivessem efetivamente alcançado alguma parte das Canárias atuais e do grupo da Madeira", relembrando comparações de vários pesquisadores de que a ilha citada por Aristóteles como situada para o ocidente das colunas de Hércules seria precisamente a Ilha da Madeira.

- Por outro lado, Richard Hennig, em sua antologia de viajantes antigos e medievais às terras desconhecidas, recolhe notícias da presença de certas matérias corantes raras nas ilhas atlânticas. A cidade de Tiro tinha célebre indústria de púrpura que possivelmente devia sua fama ao uso da urzela das ilhas Canárias.

- A vinculação histórica das Canárias com as Ilhas Afortunadas tem duas outras razões: para o historiador Kiepert, o nome de Makaron Nesoi, atribuído tardiamente pelos gregos ao arquipélago, correspondia literalmente à forma latina de Insulae Fortunatae, que seria uma deturpação fonética da primitiva designação fenícia do mesmo lugar (Ilha de Macário, ou seja, de Melkert, o deus local de Tiro). Lembre-se ainda que o Melkert fenício chegou a ser identificado com Hércules, a cuja história se prende a do pomo das Hespérides, que por sua vez se relaciona com as ilhas ocidentais.

- Humboldt aventa a hipótese de que o pico de Tenerife (que emerge do oceano, alcançando 3.710 metros de altitude) seria o primitivo monte Atlas citado por Homero, e que em dias claros pode ser visto desde o africano Cabo Bojador, sendo apontado como a mais ocidental das colunas que - segundo mitos egípcios - suportavam a abóbada celeste.

Paraíso sulamericano - Com o avanço dos descobrimentos marítimos ibéricos, e a percepção de que numa Terra redonda o Oriente bíblico poderia estar inclusive no Ocidente (ou as cartas geográficas poderiam ser desenhadas de ponta-cabeça, de forma que os locais imaginados para o Éden ficariam em posição nobre, na parte superior), aliada às maravilhas do Novo Mundo descritas pelos navegadores, o Paraíso Terrestre e todo o conjunto de lendas que o cerca foi rapidamente transportado para o interior da América do Sul.

- A nova localização reunia todas as características descritas no Éden: - clima temperado, vegetação luxuriante, fauna exuberante o ano todo (com muitas espécies desconhecidas e associáveis à mitologia paradisíaca), a aparente pureza de alma dos indígenas, os quatro rios (Orinoco, Amazonas, São Francisco e Prata). Espécimes da flora como a sensitiva, e da fauna como o louva-a-deus, o beija-flor e o colibri, a jibóia que troca de pele (associada à serpente bíblica), a anhuma (comparada ao unicórnio) apenas reforçavam a idéia da proximidade com as regiões paradisíacas.

- E os papagaios, além de terem também status de aves-do-paraíso (ao lado do rouxinol e da mítica fênix), apresentavam em alguns casos as mesmas cores dos até então só encontrados na Índia (o papagaio de coleira vermelha, que existia no famoso Reino cristão do Preste João - que seria próximo ao rio Ganges, antes de ser trasladado nos relatos portugueses para a Abissínia/Etiópia), o que Cristóvão Colombo usou como argumento para sua tese de que tinha alcançado tão distante região.

Em 1501, o Brasil já foi denominado Terra dos Papagaios e o fascínio dessas aves sobre os navegadores é bem demonstrado neste mapa elaborado por Cantino, em 1502 - aqui parcialmente reproduzido, com a região Nordeste e a linha conservado na Biblioteca Universitária de Modena, na Itália.

- A própria forma de coração do continente sulamericano, destacada pelo historiador e geógrafo Antonio de León Pinelo, conselheiro real de Castela, na obra El Paraíso en el Nuevo Mundo, provaria que os primeiros homens nasceram em seu interior, habitando a América do Sul até o Dilúvio Universal, quando Noé construiu sua arca na vertente ocidental da cordilheira dos Andes, com cedros e madeiras fortes. Segundo seu relato, Noé rumou em sua Arca diretamente dos Andes peruanos para a Ásia e, depois de propagar-se ali a nova espécie humana, voltou ao Novo Mundo.

- E se o Éden era cercado por ricas muralhas, não seriam novos indícios de sua proximidade o ouro, a prata e as pedras preciosas descobertos pelos espanhóis nos montes do Peru? - Peru que, nas descrições da época, quase chegava ao Atlântico e à Bacia do Prata, pouco espaço deixando ao Brasil dos portugueses em certas cartas geográficas. Como o cosmógrafo e matemático italiano João Batista Gésio, que define a América Portuguesa como "terra continuata con el Peru".

Fins do século XVI, num mapa, o de Arnoldus Florentinus, o Peru ocupava quase toda a América do Sul, com espaços mínimos para os vizinhos Chile, Castilla del Oro e Brasilia.

Em 1612, o Brasil também foi descrito no Livro que Dá Razão do Estado do Brasil,  como apenas a "parte oriental do Peru, povoada na costa do mar Etiópico".

Em 1545, na carta de mestre Pedro de Medina, o Peru já quase se confunde com toda a América do Sul, o mesmo ocorrendo na que Alonso Peres elaborou em 1640.

- Consultados os indígenas, a respeito dos caminhos para se chegar ao Eldorado, à Fonte da Juventude, à Lagoa Dourada, ao próprio Paraíso, estes acabaram reunindo um pouco de suas próprias lendas nativas às fantásticas histórias trazidas pelos navegadores. O mesmo São Tomé - que viveu e foi sepultado em Meliapor, na Índia - deixou assim pegadas e marcas de seu bastão gravadas em milagrosas rochas sulamericanas desde a Bahia até o Paraguai, sendo que seu caminho pela capitania de São Vicente até as terras do atual Paraguai é bastante citado nas crônicas da época.

- Porém, o que mais queriam os navegadores portugueses era estabelecer um caminho por terra entre o litoral brasileiro e as riquíssimas regiões peruanas, ainda mais após a descoberta espanhola das minas de Potosi, em 1545. Para maior controle da Coroa, uma vez que a capital da colônia estava em Salvador, as primeiras expedições partiram da Bahia. Com a transferência da sede administrativa para o Rio de Janeiro, novas expedições foram feitas a partir dessa região.

- Mas, bem antes de Martim Afonso se instalar em São Vicente, já era conhecido o caminho do Peabiru, que, com uma das ramificações partindo do litoral vicentino (outra delas começaria na Ilha de Santa Catarina), atingiria os contrafortes dos Andes - onde as montanhas nevadas, com certos efeitos luminosos causados pelo Sol sobre a neve, se transformavam facilmente em montanhas de encostas douradas, de ouro, confirmando assim os mitos do Paraíso Terrestre e da Lagoa Dourada.

- Desde São Vicente - Em sua obra Visão do Paraíso, toda ela dedicada à análise desses mitos especialmente na época dos Descobrimentos, conta Sérgio Buarque de Holanda que "a possibilidade de se acharem pelo caminho de São Paulo as mesmas riquezas que tinham sido procuradas a partir de Porto Seguro, do Espírito Santo e da Bahia ficara demonstrada, aliás, desde que Brás Cubas, conforme já foi notado, trouxera ou fizera trazer do sertão mostras de ouro, além de recolher pedras verdes de suas mesmas propriedades, que corriam, como se sabe, até o limite ocidental da demarcação lusitana, ou seja, até as raias do Peru. E, em 1574, segundo um documento divulgado por Jaime Cortesão (Pauliceae Lusitana Monumenta Historica, I, págs. XCLX e CI), certo Domingos Garrucho (ou Garocho?), morador na capitania de São Vicente, e possivelmente em Santos, onde devera ter conhecido Braz Cubas, recebeu patente de mestre de campo do descobrimento da lagoa do Ouro".

- Além das referências sobre caminhos possíveis para se chegar a esses lugares fantásticos, dadas pelos degredados e pelos indígenas, São Vicente tinha uma outra vantagem sobre os pontos litorâneos mais ao Norte: - a menor distância entre o litoral e os Andes, encurtando bastante a viagem. De fato, os antecessores dos primeiros bandeirantes teriam - mesmo com todas as adversidades - chegado por terra aos rios da Prata/Paraná e São Francisco, senão ao território inca peruano. Assim pensou Dom Francisco de Sousa, "nomeado capitão-general de São Vicente, Espírito Santo e Rio de Janeiro, ou melhor, quando ainda governador-geral do Brasil".

Em 1553, chegava a Lisboa a notícia levada por Tomé de Sousa, atribuída a certo mameluco do Brasil que o acompanhava, que pretendia ter andado no Peru, de onde tornara por terra à costa do Brasil e afirmava que tal percurso poderia ser feito em muito poucos dias. Em 1560 e no ano anterior, tinham-se realizado as expedições de Brás Cubas e Luís Martins, a partir do litoral vicentino, e "de uma delas há boas razões para presumir que teria alcançado a área do São Francisco, onde recolheu amostras de minerais preciosos. Marcava-se, assim, um trajeto que seria freqüentemente utilizado, no século seguinte, pelas bandeiras paulistas", refere Sérgio Buarque de Holanda.

- O historiador Capistrano de Abreu tentou identificar tal mameluco citado por Tomé de Sousa como sendo Diogo Nunes, provavelmente natural da capitania de São Vicente, que por volta de 1554 ofereceu a Dom João III curiosos Apontamentos sobre uma viagem ao Peru, relatando que seria possível "ir por São Vicente, atravessando pelas cabeceiras do Brasil, tudo por terra firme". Nesse ponto, contradiz outro historiador, Varnhagen, que acreditou ser o espanhol Diogo Nuñes de Quesada o autor de tal documento.

Antes de setembro de 1554, um documento aparentemente definitivo sobre o tema seria a relação que Martin de Orue escreveu (conservada no Arquivo de Índias de Sevilha), com o trecho "del peru vyno por el año pasado un pasajero natural portugues que se dize domyngo nunes natural de Moron ques Junto ala Raya de Castilla el qual trujo de veynte a treynta myll ducados este andando persuadiento al Rey por uma conquysta por el Brasil para por ally entrar a las espaldas de cuzcol [...]". Com as abreviaturas usadas na época e o pouco esmero de Orue na transcrição de nomes portugueses, não é difícil a Sérgio Buarque de Holanda apontar que Domingos e Diego sejam o mesmo prenome do viajante natural de Mourão (Moron), junto à raia de Castela, na Espanha.

- Sérgio Buarque cita por sua vez o Archivo de Indias (Sevilha), conforme cópia da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro:
"[...] traxo consigo vn ombre hijo de vn portugues ~q lo ubo de vna mujer del brasil el qual se crió por la tierra del brasil adelante y ~q el dho ombre dize que ha estado en d peru y ~q del peru vino alli al brasyl por tiérra y ~q esta muy çerca de aquello y ~q donde estan los portugueses en el peru y ~q creis ~qlo que este ombre dize deue ser en la demarcaçion de sua mag.de el brasyl em muy pocos dias por tierra yran y ~q ay mas mynas de oro e plata ~q en y tenesys por çierto que juntamente con los que alla tiene en el brasyl lleguen al cauo esto que dize ese ombre y tengoos en seruiº el aviso que dello nos days que ha sydo açertado [...]".

- Ele observa a respeito que "este ofício do príncipe, datado de Valladolid aos 17 de novembro de 1553, responde à carta de Luís Sarmiento de 8 do mesmo mês e ano." Luís Sarmiento de Mendoza era embaixador espanhol em Lisboa.

- São também citadas as narrativas de Anthony Knivet sobre como seria bem mais curto o trajeto do litoral vicentino (que abrangia Cananéia, um dos pontos de entrada dos expedicionários) ao Serro de Potosi. Outro inglês - Thomas Griggs, tesoureiro do navio Minion of London, mandado ao Brasil em 1580 por uma companhia londrina de aventureiros - informava que certa parte do Peru estaria situada "por água ou terra a doze dias apenas" da vila de Santos. Seu testemunho confirma as informações do compatriota John Whithall, então morador em Santos, que atraíra a atenção dos aventureiros londrinos.

- Não por acaso, Santos e São Vicente passaram subitamente a despertar grande interesse entre mercadores, navegantes e piratas ingleses, que pensaram em estabelecer na ilha vicentina um trampolim para a conquista das minas espanholas de Potosi, já que São Vicente era pouco fortificada e bastante abastecida de víveres que sustentariam "infinitas multidões" de conquistadores.

- Desinteresse - Enquanto isso, os paulistas estavam mais interessados na caça aos índios para escravização que na busca de riquezas minerais, e convencidos de que, se o ouro e as esmeraldas fossem encontrados, imediatamente a Metrópole reforçaria seu controle sobre São Paulo, tirando sua liberdade de ação. Assim, havia um amplo desinteresse, quando não um verdadeiro boicote, à busca dessas riquezas pelas terras paulistas.

No século XVI, a propósito, vale recordar que, os diamantes (incolores) eram considerados desinteressantes, tendo muito maior valor as esmeraldas, verdes, estas bem mais procuradas, pelo papel importante que tinham nas visões paradisíacas (eram encontradas no bíblico rio Fison), em que a tais pedras verdes eram atribuídas virtudes sobrenaturais, como a identificação de venenos e resistir a quaisquer malefícios, garantindo ainda a castidade de suas portadoras e sendo um símbolo da vida eterna.

- A cidade de Sabará foi fundada pelo bandeirante Borba Gato nas montanhas de Sabarabuçu

- O comércio de escravos indígenas era mais compensador que a busca de lendárias riquezas, e o insucesso de várias expedições ao Peru, algumas massacradas por indígenas hostis, não animavam muitas tentativas.

Em 1600, por volta, registram-se algumas entradas em busca dessas riquezas, especialmente da lendária lagoa dourada de Paraupeba ou Paraupava (nas montanhas de Sabarabuçu ou Sabaroasu - topônimo proveniente de Taberaboçu, forma corrompida do tupi Itaberaba e seu aumentativo Itaberabaoçu, significando "serra resplandecente", onde começariam importantes rios, como o São Francisco, o Prata e o Amazonas - que se acreditava estarem interligados a ela, pelo fato de serem rios caudalosos e perenes.

- Tal lagoa - que explicaria o fato desses rios serem ainda mais caudalosos no verão, quando se esperaria que secassem devido ao calor - estaria no território do atual estado de Goiás ou em Minas Gerais, onde inclusive existe ainda o assim denominado sítio de Paraopeba (e o Rio Paraopeba é um dos principais afluentes do alto curso do Rio São Francisco).

- Assim acreditava João de Laet, que reproduziu em sua obra as observações do compatriota Guilherme Glimmer "acerca de uma viagem que pudera empreender em 1601, quando morador na capitania de São Vicente, e que até hoje representa o único documento conhecido sobre o percurso da bandeira confiada ao mando de André de Leão. As origens dessa expedição prendem-se, de acordo com o testemunho de Glimmer, ao fato de ter recebido Dom Francisco de Sousa de certo brasileiro, pela mesma época, amostras de uma pedra de cor tirante ao azul, de mistura com grãos dourados. Submetida ao exame dos entendidos, um quintal dessa pedra chegara a dar nada menos do que trinta marcos de prata pura."

- A respeito, Sérgio Buarque cita a Historia Naturalis Brasiliae, pág. 263: "Is narrat eo tempore quo ipse in Praefectura S. Vicentii degeret, venisse ad illas partes à Praefectura Bahiae Franciscum de Sousa; acceperat enim à quodam Brasiliamo mettalum quoddam, è montibus Sabaroason, ut serebat, erutum, coloris cyanei sive caelestis arenulis quibusdam aurei coloris interstictum quod unu à minerariss esset provatum, in quintali triginta marcas puri argenti continere deprehensum fuit".

- Depois de aludir às expedições de Aleixo Garcia e do espanhol Cabeza de Vaca, pelo caminho iniciado em Cananéia, nos primeiros anos do século XIV, o autor de Visão do Paraíso observa ser "provável que a via de São Vicente a Assunção, aberta aparentemente pelo ano de 1552 ou pouco antes, fosse um dos galhos da mesma estrada. Não há prova de que antes da vinda dos europeus fosse correntemente usada, em todo o seu curso, pelos Tupi vicentinos. Ao menos em certa informação que, depois de 1554, escreveu do Paraguai Dona Mencia Calderón, a viúva de Juan de Sanabria, diz-se que 'de São Vicente se podia ir até Assunção por certo camiño nuevo que se habia descubierto'."

"Esse novo caminho - continua Sérgio Buarque -, descrito no livro do célebre aventureiro alemão Ulrico Schmidl, que em 1553 o percorreu de regresso ao Velho Mundo, foi largamente trilhado naqueles tempos, em toda a sua extensão, pelos portugueses de São Vicente, em busca dos Carijó, e ainda mais pelos castelhanos do Paraguai, que vinham à costa do Brasil ou pretendiam ir por ela à Espanha, até que os mandou cegar Tomé de Sousa no mesmo ano de 1553. Com alguma possível variante, deve ser uma das trilhas que no século seguinte percorrerão numerosos bandeirantes de São Paulo para seus assaltos ao Guairá".

Referências:

Adaptado por Jaime Muller
Me. Cláudio Fernandes,
Wikipédia,
SANTOS, Fabrício Barroso dos. "Origem do nome Brasil"; Brasil Escola. Disponível em . Acesso em 28 de novembro de 2015.

Mina de Prata em Potosi, na atual Bolívia, em estampa de Theodor de Bry e Matthäus Merian
Reprodução de Americae Praeterita Eventa, de Helmut Andrä e Edgard de Cerqueira Falcão,

Editora da Universidade de São Paulo, 1966, São Paulo/SP

Nenhum comentário:

Postar um comentário