- Com esta série não é pretendido fazer história, mas sim é visado, ao lado das imagens, que poderão ser úteis aos leitores, a sintetizar em seus acontecimentos principais a vida no Brasil Império, antes e depois, inserida na História.

Não se despreza documentos oficiais ou fontes fidedignas para garantir a credibilidade; o que hoje é uma verdade amanhã pode ser contestado.

A busca por fatos, dados, informações, a pesquisa, reconhecer a qualidade no esforço e trabalho de terceiros, transformam o resultado em um caminho instigante e incansável na busca pela História.

Dividir estas informações e aceitar as críticas é uma dádiva para o pesquisador.

Este blog esta sempre em crescimento entre o Jornalismo, Crônicas, Causos e a História.

Haverá provavelmente falhas e omissões, naturais num trabalho tão restrito.

Qualquer texto, informação, imagem colocada indevidamente, dúvida ou inconsistência na informação, por favor, comunique, e, aproveito para pedir desculpas pela omissão ou inconvenientes.

(Consulte a relação bibliográfica e iconográfica)

- Quer saber mais sobre determinado tema, consulte a lista de assuntos desmembrados.

Leia, Navegue, consulte, viaje, me corrija, mas faça com PRAZER,

Com prazer é sempre melhor!

A Arte, Livro, Blog é uma troca, Contribua com Idéias.

Em História, não podemos gerar Dogmas que gerem Heresias e Blasfêmias e nos façam Intransigentes.

Acompanhe neste relato, que se diz singelo; a História e as Transformações do Brasil e do Brazil.

Poderá demorar um pouquinho para baixar, mas vale à pena

jpmcomenta@gmail.com

domingo, 8 de janeiro de 2012

Dom Pedro II - Parte II (em Montagem)


Dom Pedro II, resumo.


-Cronologia -
Segundo Reinado

Em 1826, com 1 ano de idade, o Príncipe Pedro perde sua mãe a Imperatriz Dona Leopoldina.

Em 07 de Janeiro de 1830, Dona Carlota Joaquina de Bourbon, esposa de Dom João VI de Portugal, falece em Queluz, Portugal, aos 55 anos.

Em 07 de abril de 1831, seu pai abdica do trono a seu favor, porém ele conta com apenas 5 anos de idade (completaria 6 anos em dezembro deste ano), A Constituição determinava neste caso que o país deveria ser governado por uma regência eleita pela Assembléia-Geral, visto que o príncipe herdeiro, Dom Pedro II era menor de idade desta forma ele é tutorado primeiramente por José Bonifácio de Andrada e Silva chamado de "O Patriarca da Independência".

Em 1831, o nome de José Bonifácio foi determinado por Pedro I para ser seu tutor do herdeiro Pedro.

Conta-se que quando seu pai abdicou ao trono Pedro estava a alguns quilômetros de distância do Rio de Janeiro, Bonifácio, foi ao seu encontro e anunciou solenemente que já fazia algumas horas ele passara a ser sua majestade o imperador do Brasil. No trajeto de volta ao Rio de Janeiro, começou a chover e Pedro uma criança correu até um casebre em busca de abrigo, bateu a porta, e uma velhinha gritou de dentro da casa:

- Quem está aí?

- Abra logo vovó, eu sou Pedro, João, Carlos, Leopoldo, Salvador, Bibiano, Francisco, Xavier, de Paula, Leocádio, Miguel, Gabriel, Rafael, Gonzaga, de Alcântara!

- Cruuuuzes! Como é que eu vou arranjar lugar aqui para tanta gente?!

Em 1833, José Bonifácio foi destituído sendo designado pela Assembléia-Geral do Império para substituí-lo Manuel Inácio de Andrade Souto Maior, o Marquês de Itanhaém que ficou sendo seu tutor de 1833 a 1840.

Em 15 de dezembro de 1833, José Bonifácio é acusado de tentar promover a volta de Dom Pedro I, com intuito de tornar-lo regente durante a adolescência de Dom Pedro II, conhecido como “Bonifácios”, foi preso e deportado para a Ilha de Paquetá.

Em 1834, morre em Portugal seu pai Dom Pedro I.

Em 1834, a condenação de José Bonifácio foi confirmada pela Assembléia Geral, sendo absolvido mais tarde, passando a residir na cidade de Niterói, província do Rio de Janeiro.

Entre 1835 e 1840, ocorreu no Pará a rebelião conhecida como Cabanagem.

Em 1835, aconteceu a insurreição Farroupilha no Rio Grande do Sul.

Em 1837, acontece a Sabinada na Bahia.

Em 1838, a Balaiada no Maranhão.

Em 06 de março de 1838, falece na cidade de Niterói (RJ) José Bonifácio, “Patriarca da Independência”.

Em 1838, no Rio de Janeiro é inaugurado o Colégio Pedro II.

Em 1840, adquire um aparelho de “daguerreotipia” (a futura máquina fotográfica), em março do mesmo ano, motivado pelas demonstrações que o abade francês Louis Compte lhe fizera em janeiro, quando introduzia a fotografia no Brasil, adquiriu seu próprio equipamento, oito meses antes que outros similares fossem finalmente comercializados no país sendo então o primeiro brasileiro a praticar fotografia. Também foi grande como mecenas e colecionador de fotografias, exercendo papel essencial para o florescimento da fotografia no Brasil. Como colecionador, constituiu o maior acervo privado das Américas durante o século XIX, a base para o estudo da história da fotografia no Brasil, reunindo ainda imagens de grandes pioneiros internacionais. Quando de seu exílio do país, após a Proclamação da República, doou seu acervo fotográfico para a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, que o preserva, desde 1892, com o título de Coleção Thereza Christina Maria.

Em 23 de julho de 1840, é proclamado maior de idade, encerrando longo processo de confrontos regenciais, o senado antecipou a Maioridade de Dom Pedro II ao proclamá-lo imperador aos 14 anos. Para uns, foi a reafirmação da “força do Parlamento”; para outros, uma manobra política – o “golpe da maioridade”.

Em 18 de julho de 1841, é coroado como Dom Pedro II – Imperador do Brasil, um ano depois de ser emancipado.

Desde 1841, e pelos próximos 48 anos, foi dotada a “renda” para a Família Imperial saída dos cofres públicos que seria de 67 contos de réis por mês.

Nota:
- Curiosamente, uma das primeiras medidas do Marechal Deodoro da Fonseca foi aumentar o salário do presidente da república (ou seja, ele mesmo) para 120 contos de réis por mês, quase o dobro do que recebia toda a Família Imperial.

Em 1841, é criado o “primeiro hospital psiquiátrico” do país, o Hospital Dom Pedro II, no Rio de Janeiro.

Em 1842, nomeou o português Padre Antônio Ferreira Viçoso para bispo de Mariana e o paulista Padre Antônio Joaquim de Melo para São Paulo, dois sacerdotes extremamente fiéis à monarquia, mas que tinham outra formação: - eram reformistas e fieis ao Papa.

Em 16 de Março de 1843, a Cidade de Petrópolis foi fundada pelo Imperador Dom Pedro II, o nome em sua homenagem – “Cidade de Pedro”.

Em 1843, o Brasil se tornou o segundo país a adotar um “Selo” como forma de taxa de serviço postal, uma invenção inglesa de 1840.

Em 30 de maio de 1843, casa-se por procuração com a princesa napolitana Teresa Cristina Maria Giuseppa Gaspare Baltassare Melchiore Gennara Francesca de Padova Donata Bonosa Andrea d’Avellino Rita Luitgarda Geltruda Venancia Taddea Spiridione Rocca Matilde de Bourbon, filha do rei Francisco I Rei das Duas Sicílias.
Tiveram quatro filhos, mas só sobrevivem Dona Isabel (Princesa Isabel) e Dona Leopoldina Teresa.

Bento Lisboa foi o encarregado de tratar do casamento de Dom Pedro II com o auxílio do futuro cunhado Luis, várias tentativas foram realizadas em busca de uma esposa, como na Áustria, Espanha e Rússia, mas não havia muitas princesas disponíveis a fim de vir morar no Brasil.

Alguns contemporâneos de Dom Pedro II contam da sua decepção diante da Imperatriz que veio na base de contrato da Europa e que em nada parecia com os retratos que foram enviados ao Brasil para a apreciação de Dom Pedro. Dona Teresa Cristina seria feia, baixa, gorda e mancava de uma perna, além disso quase 4 anos mais velha que ele. Sob o impacto do primeiro encontro (e se for verdade o que contam, bota impacto nisso) o jovem monarca desolado chorou nos braços de sua aia/professora, a Condessa de Belmonte. Ela, a condessa estava com 63 anos.

Teria dito a condessa ao imperador:
- “Cumpra seu dever, meu filho.”

Para esclarecer:
- O título oficial dela era Condessa de Belmonte, porém hoje em dia em ruas, praças e avenidas é mais comum encontrar Condessa Belmonte, sem a preposição.

Seu mordomo Paulo Barbosa teria dito:
- “Lembre-se da dignidade de seu cargo.”

Paulo Barbosa foi à pessoa que sugeriu o nome de “Petrópolis” para a cidade serrana da Província do Rio de Janeiro, cidade essa que a Família Imperial amava.

Em 1845, nasce seu primogênito, filho Dom Afonso.

Em 1845, no final da Guerra dos Farrapos, os liberais dominaram a situação, mas os conservadores logo reconquistaram a liderança e, em conseqüência de sua atuação, deflagrou-se a insurreição Praieira de 1848, em Pernambuco.

Em 1845, iniciou a construção da residência de verão da Família Imperial em Petrópolis Palácio Grão Pará (o atual Museu Imperial), um sonho de seu pai Pedro I.
Três anos depois, o imperador e sua família já desfrutavam os ares da serra. Mas só em 1860 o palácio foi concluído.
Depois da proclamação da República, em 1889, o Palácio de Verão foi alugado a colégios religiosos. Muito de sua rica mobília sumiu e, hoje, boa parte dos móveis que lá estão expostos são de outras residências do imperador.
Em 1943, Getúlio Vargas adquiriu o prédio e abriu o museu.

Em 1845, o imperador Dom Pedro II e a Imperatriz D. Tereza Cristina assistiram ao Primeiro Rodeio que se tem notícia no Brasil, nos alagados de Campinas em São José da Terra Firme, na província de Santa Catarina, onde Dom Pedro chegou até a dançar num fandango.

Em 1845, foi decretado pelo Imperador Dom Pedro II a lei “Regimento das Missões”, que criou os cargos de Diretores de Índios. Este cargo era administrado por um fazendeiro político, e aliado ao Imperador, deixando cada vez mais fácil o roubo das terras indígenas.

Em 30 de março de 1846, visita a Cidade de Jundiaí, na Província de São Paulo, com grande comitiva.

Em 1846, surgiu no extinto Largo do Valdetaro no Bairro do Catete (Rio de Janeiro), a “Sociedade Recreativa Dançante Cassino Fluminense”, lá havia bailes, e conta-se que o Imperador Dom Pedro II e a Imperatriz D. Tereza Cristina costumavam freqüentar, como se pode notar, eles não eram tão jovens assim como vários autores contam em seus livros, ele o imperador estava com 21 anos e a imperatriz com 25; inclusive já eram casados, dificilmente eles freqüentariam neste mesmo ano, pois a imperatriz estava grávida, ou seja eles provavelmente freqüentaram o local mais tarde entre uma gravidez e outra da imperatriz.

Às 18h26min da tarde do dia 29 de julho de 1846, os canhões do Morro do Castelo, no Rio de Janeiro, anunciaram o nascimento no palácio de São Cristóvão - Rio de Janeiro da Princesa Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança.
Ela viria a ser a primeira e única mulher que governou o Brasil.

As filhas de Dom Pedro, Isabel e Leopoldina, tiveram como professora Luisa Margarida Portugal de Barros a Condessa de Barral.

Em 20 de julho de1847, através do decreto 523 o Brasil teve o sistema Monárquico Parlamentar de governo elaborado e definido, criando o cargo de Presidente do Conselho de Ministros. O que seria hoje como o cargo de Primeiro Ministro.

Em 1847, faleceu seu filho príncipe herdeiro Dom Afonso.

Em 1847, é rompido o “acordo comercial” que vigorava desde 1810, que prendera o Brasil a Inglaterra.

Em 1847, nasce sua filha Dona Leopoldina Tereza.

Em 1848, nasce seu segundo filho Dom Pedro Afonso.

No mesmo ano de 1848, ocorreu a Insurreição Praieira, em Pernambuco.

Em janeiro de 1850, morre seu segundo filho varão o Príncipe Dom Pedro Afonso.

Com a morte do segundo varão, e sem chance de um novo filho, D. Pedro II declara a Princesa Isabel como “Princesa Imperial” herdeira do trono do Brasil.

Em 1850, D. Pedro II alterou sua posição. Depois de uma década, Pedro II assinou outro pacto com a Grã-Bretanha pelo qual se proibia o Tráfico Humano da África, Ásia ou outros continentes.

Em 1850, Dom Pedro II cria a província (hoje estado) do Amazonas.

Fundada em 1851, com a finalidade de servir como nova capital da Província do Piauí, a cidade de “Teresina”, foi oficializada como tal no ano seguinte e recebeu seu nome em homenagem à Imperatriz D. Teresa Cristina, mulher de Dom Pedro II.

Em 1851, o Imperador atribui o título de “Photographo da Casa Imperial” aos retratistas Louis Buvelot e Prat.
É a primeira vez que um soberano concede uma honraria a um fotógrafo!
Entre 1851 a 1889, ele concedeu esse título a mais de duas dezenas de fotógrafos.

Há 24 de outubro de 1854, a Câmara Municipal da Corte delibera, é homologado pelo Imperador Dom Pedro II a criação do quadro de Despachantes Municipais, assim é regulamentada a profissão de despachante, basicamente com as mesmas atribuições de hoje, inclusive a legalização de veículos.

Em 30 de abril de 1854, inaugura a Estrada de Ferro Petrópolis, fundada por Irineu Evangelista de Souza, Visconde e depois Barão de Mauá, patrono do Ministério dos Transportes. Foi no ato de inauguração da nossa primeira ferrovia que o Imperador Dom Pedro II batizou a primeira locomotiva a vapor do Brasil de “Baronesa”, em homenagem à esposa do Barão de Mauá, Dona Maria Joaquina, a Baronesa de Mauá. Após servir o Imperador Pedro II, por muitos anos, foi retirada de tráfego em 1884, voltando ao serviço algum tempo depois, para transportar um visitante ilustre, o Rei Alberto da Bélgica.

Em 1855, tem início à epidemia do “cólera-moubus”, que matou 200 mil brasileiros. O Imperador D. Pedro foi visitar e ver de perto as vítimas internadas no Rio de Janeiro.
A epidemia terminou em 1856.

Em 1856, manda importar dromedários e camelos para o Ceará, para servir como animal de carga como no oriente, coisa que não deu certo.

No dia 02 de outubro de 1857, um decreto emitido pelo Conselheiro Tolentino, por ordem do Imperador, Magé tornou-se cidade.

Em 1857, chega ao Brasil a convite do imperador o Padre Huet, um professor surdo que trouxe um método de ensino, fundando a primeira escola de surdos o INES - Instituto Nacional de Educação de Surdos, no Rio de Janeiro.

Em 1858, é inaugurada a Estrada de Ferro Dom Pedro II.
Saindo do cais do Rio de Janeiro, os passageiros iam de barca até o porto de Mauá, no fundo da Baia da Guanabara.
Daí partiam os trens que subiam a Serra da Estrela até Petrópolis, percorrendo 14 quilômetros de linha.

Entre os anos de 1859 e 1860, faz uma viagem antológica pelo nordeste brasileiro incluindo o Rio São Francisco. Atravessou grande parte do território nacional, do Rio de Janeiro à Paraíba, muitas vezes montado em lombo de burro ou a bordo embarcações rudimentares e frágeis. Quando passou pela Bahia, escreveu em seu diário:
“Na fazenda dos Olhos d’água fiquei mal acomodado na senzala – nome que convém à casa que aí há – mas sempre arranjei cama em lugar de rede e dormiria bem, apesar das pulgas, cujas mordeduras só senti outro dia de manhã, se não fosse o calor, e a falta de água que é péssima aí, tardando a de Vichy, que vinha na bagagem pela falta de condução.”

Em 1860, Dom Pedro II visita a Província do Espírito Santo.

Em 12 de janeiro de 1861, Dom Pedro II criou a casa de penhor Monte Socorro da Corte e a Caixa Econômica da Corte, duas instituições financeiras que acabaram se fundindo. Desde a época imperial, portanto, damas brasileiras e alguns nobres sem fortuna passaram a recorrer à essa modalidade de empréstimo; empenhando jóias.
Esta instituição, mais tarde se tornaria a Caixa Econômica Federal.

- A Caixa Econômica, teve como primeiro cliente do novo banco, garantido pela Corte de Dom Pedro II, Antônio Alvarez Pereira Coruja, o gaúcho, Comendador Coruja, que abriu poupança para seus filhos e virou nome de agência da Caixa Econômica no Rio Grande do Sul.
Desde o primeiro depósito do Comendador Coruja, a Caixa foi “sinônimo de garantia” por 129 anos consecutivos, até a chegada ao poder do presidente republicano Fernando Collor de Mello que confiscou os ativos financeiros de toda a população incluindo as cadernetas de poupança.

Em junho de 1861, o navio inglês “Prince of Wales” naufragou na costa do Rio Grande do Sul, sendo sua carga atirada à praia e pilhada pelos brasileiros. Houve inquérito, mas as autoridades brasileiras não puderam capturar os ladrões.
O governo inglês, através de seu representante no Brasil o diplomata William Christie, exigiu uma indenização de 3.200 libras esterlinas.

Em 1862, ordenou o replantio de toda a vegetação nativa onde hoje é a Floresta da Tijuca no Rio de Janeiro a maior floresta urbana do mundo.
Totalmente devastada em função do plantio de café, o que comprometeu as nascentes dos rios e alterou o equilíbrio climático da época.

Em junho de 1862, as coisas pioraram quando três indivíduos, embriagados e à paisana, foram presos por promoverem desordens com um sentinela de um posto policial.
Na manhã seguinte, quando se tornou conhecida a condição de oficiais da Marinha Britânica, foram libertados, sem maiores formalidades.
William Christie sentiu-se ofendido e exigiu satisfações com a punição dos policiais que os prenderam.
Tinha início nesse momento o episódio que ficou conhecido como a "Questão Christie".

Em 26 de junho de 1862, Dom Pedro II promulgava a Lei Imperial nº 1157 que oficializou em todo o território nacional, o Sistema Métrico Decimal Francês. O Brasil foi uma das primeiras nações a adotar o novo sistema, que seria utilizado em todo o mundo.

Em 05 de dezembro de 1862, a Inglaterra lançou um ultimato dando o prazo de 15 dias para o Brasil pagar a indenização pela carga, castigasse o sentinela que lutara com os oficiais britânicos, demitisse o alferes que os prendera, fizesse uma censura pública ao chefe de polícia da Corte e apresentasse um pedido oficial de desculpas.
A Inglaterra não estava acostumada a ser enfrentada. Dom Pedro aceitou indenizar os ingleses pelos prejuízos na pilhagem do navio inglês no litoral gaúcho. Mas, recusou-se a punir os policiais brasileiros.
No fim do prazo navios de guerra ingleses bloquearam o porto do Rio de Janeiro, Christie ordenou o aprisionamento de cinco navios brasileiros, o que gerou indignação e atitudes de hostilidade dos brasileiros em relação aos ingleses aqui radicados.
Nessa situação o imperador desceu ao Paço da Cidade (atual Praça XV) e falou ao povo reunido. Não cederia aos ingleses, e adotaria sérias represálias, ainda que isso lhe custasse a coroa. Imediatamente os artilheiros dos fortes de Copacabana prepararam-se para entrar em ação.
Christie não tinha intenção, nem possuía poderes para declarar guerra ao Brasil e teve que ceder e retirar-se. O incidente, contudo não estava encerrado. A atitude do embaixador irritara profundamente D. Pedro II.

Em 1863, através do ministro brasileiro em Londres, Barão de Penedo, reclamou satisfações da Rainha Vitória pela ação dos barcos britânicos.
De ofendida, a Inglaterra passara a ofensora e era convidada a reconhecer sua culpa, apresentando desculpas. Para os ingleses a situação era considerada insólita. Recusaram-se. As relações diplomáticas e comerciais entre Inglaterra e Brasil foram rompidas por iniciativa de Dom Pedro, sendo reatada dois anos mais tarde.

Em 1864, a Princesa Isabel casou, dizem, totalmente apaixonada com Luiz Felipe Gastão Orléans, o Conde d’Eu, ela contava com 18 anos.

Em 1864, Dona Leopoldina, casou com o Duque de Saxe, as duas irmãs trocaram de pretendentes na hora da apresentação, o que foi aceito pelo casal imperial, que acreditavam não na imposição, mas no amor.

Em fevereiro de 1864, Dom Pedro II inaugurou, no Bairro da Glória, a Estação Elevatória de Tratamento de Esgotos do Rio de Janeiro.

Em 1864, estoura a Guerra do Paraguai que se estende até 1870.

Em 07 de maio de 1865, após uma obra que se arrastou lentamente por 106 anos, foi inaugurado com a presença de Dom Pedro II e da Imperatriz D. Teresa Cristina a Igreja de São Francisco de Paula, no atual Largo de São Francisco pertencente a Venerável Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula fundada no Rio de Janeiro em 1752.

Em 23 de setembro de 1865, D. Pedro II na cidade de Uruguaiana, na Província do Rio Grande do Sul, no contexto da Guerra da Tríplice Aliança (Guerra do Paraguai), onde ele conseguira a rendição das tropas paraguaias, recebera o representante da Inglaterra em Buenos Aires o inglês Edward Thornton, que veio apresentar desculpas formais e pedir o reatamento das relações diplomáticas, diante do fortalecimento do Paraguai na região platina.
Que se retratou publicamente em nome da Rainha Vitória e do Governo Britânico devido à crise entre os dois impérios:
- “Estou encarregado de exprimir a V.M. Imperial o sentimento com que sua Majestade, a Rainha, viu as circunstâncias que acompanharam a suspensão das relações de amizade entre as duas Cortes do Brasil e da Inglaterra, e de declarar que o Governo de Sua Majestade nega de maneira a mais solene a intenção de ofender a dignidade do Império do Brasil, e que Sua Majestade aceita completamente e sem reserva a decisão de Sua Majestade o Rei dos Belgas, e será feliz em nomear um Ministro para o Brasil, logo que Vossa Majestade estiver pronto par renovar as relações diplomáticas.”

A Assembléia Nacional lhe propôs a construção de uma estátua eqüestre com sua figura. Ele rejeitou a proposta e preferiu usar o dinheiro para construir escolas.

Em 1866, um decreto imperial de Dom Pedro II autorizava o funcionamento da Companhia de Seguros Marítimos e Terrestres Garantia, que muito mais tarde após fusões e mudanças de razão social veio a se tornar o UNIBANCO. A seguradora se propunha a cobrir riscos marítimos e fluviais, de incêndios produzidos por raios e de inundações, mas a ênfase era sobre os seguros de navegação.

Em 1868, a Princesa Isabel resolveu fazer um milagroso tratamento a base de água mineral, a última novidade na Europa para tratamento de infertilidade, pois até então ela não havia engravidado o que abalava o seu casamento.
Viajou para Minas Gerais com seu marido o Conde d’Eu, o Dr. N. Feijó, e alguns amigos para experimentar as águas minerais da Cidade de Caxambu, ninguém sabe como, mas a cura chegou logo; pouco depois ela geraria três filhos para garantir a perpetuação dos Orléans e Bragança:
- Dom Pedro de Alcântara Príncipe de Grão Pará (titulo do herdeiro do trono imperial do Brasil), Dom Antonio e Dom Luiz, bonitos, corados e saudáveis.

Em 1870, fazendeiros, políticos, jornalistas e intelectuais lançam no Rio de Janeiro o Manifesto Republicano.

Também em 1870, foi redigido o Manifesto Republicano na cidade de Itu, na província de São Paulo.

No mesmo ano de 1870, a enfermeira Ana Néri (Ana Justina Néri) “heroína da Guerra do Paraguai”, recebe do imperador Dom Pedro II uma pensão vitalícia, com a qual educa quatro órfãos recolhidos no Paraguai.

Em 1870, surgiu o Partido Republicano, o Marques de São Vicente (José Antônio Pimenta Bueno) presidia o Conselho de Ministros, comentou com o imperador, não achar adequado que republicanos ocupassem cargos públicos Dom Pedro II falou ao ministro:
“O país que se governe como entender e dê razão a quem tiver.”
E, como Pimenta Bueno insistiu, encerrou a questão com a seguinte frase:
“Ora, se os brasileiros não me quiserem como imperador, irei ser professor.”

Em 1871, morre na Europa de tifo aos 24 anos de idade sua filha Dona Leopoldina Teresa.

Em 1871, promulga a Lei do Ventre Livre, lei que libertava os escravos recém nascidos a partir da data da promulgação. A lei é assinada pela Princesa Isabel, porém a promulgação historicamente é atribuída a Dom Pedro.

Em 1872, foi feito o “primeiro recenseamento no Brasil”, que contava com uma população total de 9.930.478 sendo:
- 5.123.869 de homens, 
- 4.806.609 de mulheres, 
- Cerca de 1.500.000 de escravos.
Os resultados não incluem 181.583 habitantes, estimados para 32 paróquias, nas quais não foi feito o recenseamento na data determinada. (dados do IBGE).

A 25 de maio de 1871, D. Pedro II faz sua “primeira viagem internacional”, não era muito simples para ele se ausentar do Brasil, ele tinha que pedir autorização a Câmara, e os políticos relutavam em conceder, pois temiam deixar o trono nas mãos da Princesa Isabel, que contava com apenas 24 anos.

Em 1872, Dom Vidal, Bispo de Olinda e Dom Macedo, Bispo de Belém, resolvem seguir as ordens do Papa Pio IX (não ratificadas pelo Imperador), punindo religiosos ligados à “maçonaria”.
As Irmandades punidas recorreram ao governo, houve recusa, D. Pedro II, decidiu intervir na Questão Religiosa, solicitando aos bispos que suspendessem as punições, estes se recusaram a obedecer ao imperador, foram julgados e condenados pelo Supremo Tribunal a quatro anos de prisão.
O Vaticano havia condenado a “Maçonaria”, mas no Brasil o Governo Imperial não deu aprovação à bula papal, já que a Igreja estava subordinada ao Estado.
A população católica achou muito severa a punição e abalou o apoio ao Imperador.

Em 26 de janeiro de 1873, falece Dona Amélia de Leuchtenberg, 2ª esposa de Dom Pedro I, Imperatriz do Brasil e Duquesa de Bragança em Queluz, Portugal, aos 61 anos.

Surgiu em 16 de abril de 1873, na Cidade de Itu - SP, o Partido Republicano Paulista (PRP).

Em 1874, foi inaugurado o “cabo submarino” entre o Brasil e a Europa. Utilizado nas comunicações telegráficas sendo instalado por iniciativa do Barão de Mauá.

- Na inauguração, D. Pedro II transmitiu mensagens ao Papa Pio IX, à Rainha Vitória (Inglaterra), ao Imperador Guilherme I (Alemanha), ao Rei Victor Manuel (Itália), ao general Mac-Mahon (França).

Em 1875, graças à intervenção do Duque de Caxias, Dom Vidal, Bispo de Olinda e Dom Macedo, Bispo de Belém receberam o perdão imperial e foram colocados em liberdade, problema resolvida pela Princesa Isabel, Regente do Império.
Contudo, o Império foi perdendo a simpatia da Igreja.

Em 1876, o artesão cervejeiro Henrique Kremer já como fornecedor oficial do Palácio Imperial, resolve batizar seu estabelecimento como Imperial Fábrica de Cerveja Nacional, o nome nunca “pegou”, sua cerveja sempre foi chamada de “Bohemia” pela população e Bohemia continua até hoje. Ninguém sabe por que o povo chamava esta cerveja de Bohemia.

Em 1876, fez a sua “segunda e mais longa das viagens ao exterior”, durou 18 meses, na Europa a Imperatriz Teresa Cristina teve problemas de saúde e foi atendida pelo famoso médico neurologista Jean Martin Charcot.

Em maio de 1876, Dom Pedro II compareceu na Exposição Internacional comemorativa ao Centenário da Independência dos Estados Unidos na Filadélfia (EUA).

Para anunciar a abertura da Exposição do Centenário, sinos soaram sobre toda a Filadélfia. Estava presentes à cerimônia o presidente dos Estados Unidos, Ulysses Grant e sua esposa e Dom Pedro II Imperador do Brasil com sua esposa.
A cerimônia terminou no pavilhão de máquinas e equipamentos com Grant e Dom Pedro dando a partida no motor a vapor Corliss Steam Engine que fornecia energia para a maioria dos outros equipamentos da Exposição.

Em 1877, o Telephono (telefone) chega ao Brasil, portanto um ano após a Exposição da Filadélfia (EUA), D. Pedro ficou fascinado com a invenção e encomendou alguns aparelhos de telefone direto com Gran Bell para poder se comunicar entre as suas residências.
Graham Bell fabricou o “primeiro aparelho” especialmente para D. Pedro II, que o instalou no Palácio Imperial de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista (atual Museu Nacional no Rio de Janeiro).
O espírito inovador e a grande visão futurista de D. Pedro II, no entanto, não deixariam o sonho esmorecer.

Entre 1877/1879 ocorre no Brasil a “Grande Seca”, nas províncias do Norte (como era conhecido o Nordeste) morreram 500 mil brasileiros, sendo que 200 mil cearenses. Isso ocorreu devido à falta de preparo das autoridades para enfrentar o problema da seca, o Nordeste enfrentou a maior estiagem de todos os tempos. A catástrofe sertaneja despertou o Governo Imperial para a necessidade de encontrar alternativas para evitar outros danos.
Esta grande seca levou as populações castigadas a procurarem trabalho na Amazônia: aumentado a mão de obra, aumentou também a produção e exportação da borracha brasileira.

Profissionais de engenharia do Instituto Politécnico do Rio de Janeiro se reuniram sob a presidência do genro de D. Pedro II, Conde d´Eu, e apresentaram várias sugestões.

Em 17 de março de 1877, o Brasil adere ao tratado de criação da União Postal Universal, selado em Berna, na Suíça, três anos antes.
A nova regra para a remessa de correspondência do Brasil para o exterior passou a vigorar a partir do dia 1º de julho de 1877.
Assim foi que o Brasil solicitou à American Bank Note Co. o selo de 260 réis “Dom Pedro II”.

Em 1º de dezembro de 1877, o aparelho de telephono (telefone) utilizado era uma verdadeira engenhoca pesada e incômoda, que não tardou a ser substituída por uma versão mais prática.
O “telephono”, desenvolvido em 1877, pela Western e Brazilian Telegraph Company.

Em 1º de janeiro de 1878, nasce Dom Luiz Maria Felipe Pedro de Alcântara Gastão Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orleans e Bragança, no Palácio da Princesa, Avenida Köeller, seu neto o “Príncipe Perfeito”, 2º filho e herdeiro da Princesa Isabel.

Em 28 de julho de 1878, com o equipamento de “telefhono” (telefone) mais leve e fácil de manejar, o invento de Graham Bell começa sua convivência entre os paulistanos, trazido para cá pelo engenheiro norte-americano Morris Kohn - figura conhecida no Rio de Janeiro pela instalação de uma linha de “bonds” e por ser sócio de Leon Rodde.

Em 1879, o Imperador decretou a Lei de Extinção dos Aldeamentos solicitada pela Câmara de Cimbres para resolver os conflitos gerados pelas invasões das terras indígenas.

Em 1880, o engenheiro Ernesto Cunha visitou diversos locais no interior da Província do Ceará e indicou o Boqueirão do Cedro como local selecionado, para construção de uma barragem.

Em 1880, o engenheiro britânico Jules Jean Revy confirmou a indicação do local para a construção da “Barragem do Cedro”.

Em 13 de outubro de 1880, nasce a “primeira companhia telefônica” do País, a Telephone Company of Brazil, que depois de passar por diversos proprietários, foi incorporada, em junho de 1889, à Brasilianische Elektrizitäts Gesellschaft, com sede em Berlim, que ganhou uma concessão de 30 anos.

Em 06 de setembro de 1881, o Imperador Dom Pedro II recebeu uma Comissão de Espíritas do Rio de Janeiro, pedindo o fim das perseguições e injustiças contra os seguidores desta religião, na presença deste, no Paço da Cidade, no mesmo tempo que lhe depunham em mãos uma exposição minuciosa dos fatos, com a respectiva defesa dos direitos e das liberdades dos espíritas no Brasil, ouviram da boca do Imperador esta frase frisante:
“Eu não consinto em perseguição.”

Quinze dias depois, a mesma comissão voltou ao palácio a fim de conhecer da resposta às considerações emitidas na exposição que fora entregue a D. Pedro II. Este, dizendo que mandara os papéis ao Ministro do Império para dar solução ao caso, tornou a afirmar, com certo ar de graça:
“Ninguém os perseguirá. Mas... não queiram agora serem mártires.”

Ante a reiterada promessa do Imperador a “Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade”, primeira no país, fundada por Bezerra de Menezes, continuou a funcionar, sabendo os seus membros que de uma noite para o dia todos eles poderiam ser presos e multados, pois que a ordem policial ainda estava de pé.
Na verdade, ela parece que nunca foi revogada, mas não há notícia de que fosse posta em execução, demonstrando ter sido sustada a sua aplicação, talvez por apadrinhamento direto do próprio D. Pedro II.

Em 10 de janeiro de 1882, finalmente, em oficio dirigido à S.M. Dom Pedro de Alcântara, Imperador do Brasil, a diretoria da Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade manifestava o seu jubilo “pelo começo da tolerância” em relação àquela Sociedade, “sinal evidente de que estão terminadas as perseguições encetadas contra o Espiritismo e os espíritas!”.

No ano de 1882, o primeiro projeto para a Barragem do Cedro foi feito pelo próprio Jules Revy que coordenou a realização de obras preliminares, como a construção de uma estrada de acesso e a instalação das máquinas. Às vésperas do início das obras, ocorre a proclamação da República e a conseqüente retirada de Revy.
Após modificações no projeto realizadas em 1889 pelo engenheiro Ulrico Mursa, da Comissão de Açudes e Irrigação (atual DNOCS), as obras foram finalmente iniciadas em 15 de novembro de 1890.
Sua conclusão, após várias interrupções, foi em 1906 já sob coordenação do engenheiro Bernardo Piquet Carneiro, que assumiu a direção da construção em 1900.
O período entre o primeiro projeto e a inauguração foi de 25 anos de obras.

Em 1883, Dom Pedro II inaugura os serviços da Estrada de Ferro Carangola, a cerimônia se realiza na Cidade de Itaperuna.

Em 1883, no Brasil os primeiros telefones já estão instalados no Rio de Janeiro, a cidade contava com 5 Centrais Telefônicas, cada uma com capacidade para 1.000 linhas, e também funcionava a primeira linha interurbana, ligando o Rio de Janeiro a Petrópolis. Nessa época, inicia-se a concessão para outros Estados.

Campinas na Província de São Paulo foi à “terceira cidade do mundo” a ter uma linha telefônica (logo após Chicago (EUA) e o Rio de Janeiro).

Em 09 de outubro de 1884, inaugura a Estrada de Ferro do Corcovado, no Rio de Janeiro, que foi a primeira ferrovia eletrificada do Brasil, e a primeira em todo o Brasil com fins exclusivamente turísticos.

Em 25 de outubro de 1884, a partir de um decreto do Imperador, a Odontologia brasileira tornou-se profissão de nível superior.

Pela primeira vez, no Art. 1º, vinha consignado que a Odontologia formaria um curso anexo. Assim:
-Art. 1º - Cada uma das Faculdades de Medicina do Império se designará pelo nome da cidade em que tiver assento; seja regida por um diretor e pela Congregação dos Lentes, e as comporá de um curso de ciências médicas e cirúrgicas e de três cursos anexos: o de Farmácia, o de Obstetrícia e Ginecologia e o de Odontologia.
Havia no Brasil apenas as Faculdades de Medicina do Rio de Janeiro e de Salvador.

Em 1885, foi instalado na cidade de Pelotas no Rio Grande do Sul o “serviço telefônico”, com a União Telefônica.

Entre 1880 e 1885, revezaram-se sete ministérios no poder, todos incapazes em resolver em definitivo o problema da escravidão.

Em 28 de setembro de 1885, é promulgada a Lei nº 3.270 Saraiva-Cotegipe (Lei dos Sexagenários), que torna livres os escravos com mais de 65 anos de idade.
Mesmo tendo pouco efeito prático, pois libertava somente escravos que, por sua idade, eram menos valorizados, houve grande resistência por parte dos senhores de escravos e de seus representantes na Assembléia Nacional.

Em 22 de outubro de 1886, Dom Pedro II e Dona Tereza Cristina inauguram o ramal ferroviário Cascavel - Poços de Caldas, da Estrada de Ferro Mogiana, na Villa de Poços de Caldas.

A 27 de junho de 1887, por decisão do Imperador Dom Pedro II, surgia a Imperial Estação Agronômica, mais tarde chamada de Instituto Agronômico, Imperial Estação Agronômica de Campinas (1887) - Instituto Agronômico do Estado de São Paulo (1897) - Instituto Agronômico.

Em 1887, sua “última viagem ao exterior” como Imperador do Brasil, com muitos problemas de saúde, devido à diabetes, partiu para a França, Alemanha e Itália.
Em Milão, foi acometido de uma pleurite (inflamação da pleura, tecido que envolve os pulmões) é levado para Aix-les-Bains, onde permaneceu em tratamento.

Em 13 de maio de 1888, antes de poder voltar ao Brasil, na sua ausência, a Princesa Isabel assinou a “Lei Áurea” que acabou com a escravidão no Brasil, a princesa contava com 42 anos de idade.

No dia 13 de maio de 1888, ao ouvir a notícia da assinatura da Lei Áurea, Dom Pedro disse:
- Grande Povo! Grande Povo!

Enviou um telegrama a filha Isabel:
- “Abraço a Redentora. Seu pai, Pedro.”

Em 1889, o Conselheiro e Ministro da Guerra Thomaz José Coelho de Almeida se empenhou em fundar um instituto militar.

Em 09 de março de 1889, pelo Decreto nº 10.202, assinado por Thomaz Coelho e com a rubrica do Imperador D. Pedro, criou o Imperial Colégio Militar.

Em 03 de maio de 1889, o Imperador Dom Pedro II dirige a última “Fala do Trono” para a nação, retomou a questão sob o viés institucional, propondo a criação do Ministério da Instrução e reforçando a diretriz constitucional (1824) da criação do Sistema Nacional de Instrução.

Em setembro de 1889, Deodoro da Fonseca, que servia em Mato Grosso, voltou ao Rio de Janeiro, no momento em que ocorria novos choques entre o governo do Presidente do Conselho Visconde de Ouro Preto e os militares.

Em 09 de novembro de 1889, a oficialidade do Rio de Janeiro, se reúne no Clube Militar, confiou a Benjamin Constant, alias seu fundador, a chefia do movimento destinado a combater as medidas governamentais do Affonso Celso de Assis Figueiredo, visconde de Ouro Preto, chefe do gabinete de ministros, considerados ofensivas ao exército.
Teria estado presente nesta reunião, um certo, Alferes Cardoso (alferes seria o equivalente ao posto de tenente nos dias de hoje) que ao aventarem a possibilidade do imperador se recusar a ir para o exílio ele teria dado a sugestão de fuzilar Dom Pedro II.

Detalhe:
- Este Alferes Cardoso era o avô do ex-presidente da república Fernando Henrique Cardoso.

Em 1889, o Visconde de Ouro Preto, além de ser o chefe do gabinete de ministros era um lançador de “modinhas”, ele é freqüentemente citado na história da música popular brasileira, principalmente nas origens do “choro” ou “chorinho”.

Em 09 de novembro de 1889, na noite, ocorre na Ilha Fiscal na Baía de Guanabara o último “Baile do Império”, com cerca de 3.000 convidados, promovido pelo Visconde de Ouro Preto.
O baile era homenagem do império aos tripulantes do couraçado chileno “Almirante Cochrane”.
O espaço não foi projetado para esta quantidade de pessoas e o aperto foi enorme, para dançar foi um sacrifício e ao final da festa ficaram ao chão muita coisa; segundo a Revista Ilustrada foram deixados para trás no assoalho do castelo e no solo da ilha os seguintes apetrechos:
“17 travesseiros, 6 almofadinhas, oito raminhos de corpete, 13 lenços de seda, 9 de linho, 15 de cambraia, 9 dragonas, 3 coletes de senhoras, 17 ligas, 8 claques, 16 chapéus de cabeça e grande quantidade de algodão em rama.”

Nas quatro grandes mesas montadas para a ceia do Baile da Ilha Fiscal, os convidados encontraram nove copos de diferentes tamanhos. Destinavam-se aos 39 tipos de vinhos oferecidos pelo Visconde de Ouro Preto, presidente do Conselho de Ministros e responsável pela festa.

O luxo e as extravagâncias que cercaram o desembarque do couraçado Almirante Cochrane, dando lugar a um período denominado "Festas Chilenas", incentivou a propagação dos ideais republicanos.
Em 10 de novembro de 1889, na noite, após uma longa discussão, Benjamin Constant convenceu o marechal Deodoro da Fonseca, então gravemente enfermo, a participar de uma conspiração para a deposição do Gabinete do Visconde de Ouro Preto, mas Deodoro recua.
É marcada a data de 17 de novembro para o Golpe.

Deodoro é novamente convencido, a contrário não derruba o Gabinete e proclama a República.

Em 15 de novembro de 1889, o Imperador Dom Pedro II foi deposto, com a Proclamação da República; o governo provisório deu-lhe 24 horas para deixar o país.

O Marechal Deodoro da Fonseca é proclamado presidente da República dos Estados Unidos do Brasil.

Em 17 de novembro de 1889, D. Pedro II foi para o Exílio com a Família Imperial para Portugal.

A proclamação da República, no entanto, não significou o fim das festividades em torno da tripulação do couraçado “Almirante Cochrane”.
Os republicanos aproveitaram para brindar com os chilenos o fim do Império, chegando até a afirmar que o fato de o Chile ser uma República foi um estímulo à sua proclamação.

Em 28 de dezembro de 1889, em um hotel da Cidade de Porto - Portugal morre de desgosto sua esposa a Imperatriz Teresa Cristina.

Em 1889, termina o livro Poesias de Sua Majestade O Senhor D. Pedro II.

De 08 de agosto a 05 de dezembro de 1890, foi realizado o infeliz Leilão de Arte do Paço de São Cristóvão, feito com os bens da Família Imperial durando 5 meses, ao todo, foram realizados 18 pregões, incluindo os três leilões efetuados na Fazenda Imperial de Santa Cruz, todos os bens leiloados foram avaliados em 190:000$000, esta quantia não era suficiente para comprar duas carruagens do Imperador.

Em novembro de 1891, uma ferida no pé fez com que não pudesse andar com facilidade e sair do hotel.

No final do mês de novembro de 1891, contraiu uma pneumonia.

Em 05 de dezembro de 1891, morre no exílio, em Paris, aos 66 anos, de pneumonia.

- Deu-lhe a França Funerais Régios”.
Dom Pedro II o Imperador do Brasil, faleceu no quarto número 18 no Hotel Bedford, antes de partir, pediu um travesseiro onde havia terra brasileira para servir de apoio a sua cabeça.

Em 1898, é publicado o livro “Sonetos do Exílio” de D. Pedro II.

Em 02.01.1908, visita do príncipe D. Luiz de Bragança ao Rio de Janeiro.

Em 1920, foi revogada a “Lei do Banimento” que impedia até mesmo o retorno de seus restos mortais para o Brasil, os despojos dos imperadores foram trazidos para o Brasil.

Em 1921, o Conde d'Eu retorna ao Brasil para trazer os “Restos Mortais” do casal dos Imperadores para serem depositados na Catedral do Rio de Janeiro.

Em 1925, os restos mortais foram transferidos para a Catedral de Petrópolis, cuja construção teve início sob o generoso patrocínio de Getúlio Vargas.

Em 1932, foram publicadas as “Poesias Completas” de Dom Pedro II.

Em 1939, suas Majestades Imperiais, foram definitivamente enterrados em cerimônia presidida pelo presidente da República Getúlio Vargas.

Fim da Cronologia



Do Império a República 


Com a República o Brasil só trocou de forma de governo e, Monarca – O Presidente


"Nenhum monarca desceu do trono com tanta dignidade e moral tão elevada quanto Pedro II. Foi um soberano inatacável, cultivava o direito, a justiça e a tolerância como pontos básicos de seu governo. Recusou uma pensão que a República lhe oferecera, jamais acusou aos que o traíam e nunca, no exílio, deixou um só momento de interessar-se pelos problemas da Pátria distante. Protetor das artes e das letras, fomentador da imigração, difusor da instrução pública, amigo do progresso, Pedro II ainda hoje merece o respeito e a admiração dos brasileiros.”

“Viva D. Pedro II"
Viva a sua Majestade o Imperador”

- A nação separa o menino do seu pai, deram-lhe uma esposa que ele não desejava, traçaram-lhe uma rotina de vida, o mantiveram em constante observação.
Agora, já envelhecido, Dom Pedro II, sem abandonar suas atribuições não se mostrava disposto a lutar, nem se entregava com inteira dedicação a política.
Crescia seu desinteresse pelas questões públicas, às quais estava preso desde os cinco anos.
E o “trono” balançava.

Em 1889, a crise política crescia, pois todos queriam o poder ou ter influência de manobra no governo.
Numa última tentativa, formou-se o ministério liberal, chefiado pelo presidente do Conselho de Ministros, Affonso Celso de Assis Figueiredo, o Visconde de Ouro Preto. Os militares, entretanto, conspiravam.


Baile da Ilha Fiscal
Luxo e ostentação antecederam o fim do Império
Em 09 de março de 1889, estava tudo preparado para a festa, inicialmente programada, quando chegou notícia da grave doença do Rei de Portugal – Dom Luis, sobrinho do Imperador, que faleceu no dia seguinte.

Em respeito ao luto, a comemoração – que reuniria a Família Imperial, membros do governo, o corpo diplomático, altas patentes militares e a nata da sociedade da Corte, foi transferida para 09 de novembro de 1889.

Em 09 de novembro de 1889, sábado, foi realizado o Baile da Ilha Fiscal, pelo Imperador Dom Pedro II e que marcou a transição da “Monarquia para a República”.
                                                                                                             
O baile foi em homenagem à tripulação do couraçado chileno “Almirante Cochrane”, ancorado no porto do Rio de Janeiro.
O Imperador Dom Pedro II, pela primeira e última vez na vida, decidiu convidar 3 mil pessoas para um baile – alguns registros republicanos falam em 5 mil.

O real objetivo do evento, que funcionou às avessas, era tentar revigorar a imagem do Império na opinião pública e sensibilizar a nobreza empobrecida pela abolição da escravatura para a preservação da Monarquia.

O local escolhido foi a Ilha Fiscal situada, por uma dessas ironias da história, em frente à atual Praça XV de Novembro.

Em abril de 1889, o Ministério da Fazenda concluíra a construção de um castelo em estilo neo-gótico, destinado à Alfândega. A transformação da Ilha Fiscal, um prédio de estilo mourisco a 200 metros do centro do Rio de Janeiro, em jardim das mil e uma noites. Esse prédio era na realidade, o posto de vigilância aduaneira do Império, conhecido popularmente na época como Ilha dos Ratos, devido à quantidade desses animais ali existentes.

Para transformar os quatro salões imperiais, foram gastos muito dinheiro, segundo o colunista Escragnolle Doria, da “Eu Sei Tudo”.
De acordo com o Jornal do Commercio em sua edição de 11 de novembro de 1889:
- “... a Ilha Fiscal e o cais Pharoux foram transformados num cenário encantado, onde demoiselles vestidas de fadas e sereias recepcionavam os convivas”.

O caís Pharoux, no centro do Rio de Janeiro, hoje é conhecido como Praça Quinze e apresenta, como resultado de escavações realizadas há cinco anos, as escadarias que foram utilizadas pela Corte para chegar aos ferry-boats.
No baile, o edifício ornamentado externamente com lanternas venezianas atraiu dezenas de embarcações para as proximidades. No cais em frente, o povo se dividia entre vaias e aplausos.

Abatido pela diabetes, o Imperador permaneceu afastado, quase anônimo, enquanto o presidente do Conselho de Ministros, Affonso Celso de Assis Figueiredo, o Visconde de Ouro Preto, fazia as honras da casa.
À meia noite, após o discurso com champanhe brindando a nação chilena, começou o baile.

As roupas das mulheres eram adquiridas nas lojas sofisticadas da Rua do Ouvidor, no centro do Rio.
Os cabelos, penteados por cabeleireiros franceses da Casa A Dama Elegante, no mesmo endereço.
Já os homens abusavam das brilhantinas inglesas da Fritz Marck and Co., nos cabelos e nos bigodes.
Apenas os homens da Corte e os militares tinham acesso aos barbeiros especializados em cortar bigodes à titlé (garoto esperto), chicard (chique), grognards (soldados da Guarda Napoleônica) e rostillon (cocheiro de carruagens de gala).
“Pelo bigode se podia conhecer a origem de um homem no Brasil Império.”

A carta de vinhos servidos aos privilegiados participantes daquele baile consumiu 12 mil litros de vinho.

A valsa e a polca foram as músicas predominantes no Baile da Ilha Fiscal, que reuniu 5 mil convidados. Na época, a execução dessas canções ficava por conta das bandas imperiais, em sua maioria militares.
Até mesmo o couraçado Almirante Cochrane tinha uma banda a bordo, para animar os convidados de suas festas.
As partituras eram editadas com requinte pela Casa Buschman e Guimarães, responsável pela publicação do Hino Chile-Brasil, composto por Francisco Braga, para saudar a tripulação do Almirante Cochrane e canção obrigatória nas festas chilenas, realizadas entre outubro e novembro de 1889.

Os cartões de dança das mulheres, que foram encontrados na Ilha Fiscal após o baile, junto com ligas e espartilhos, revelam que a “piéce de resistance” foi uma seqüência alternante em três tempos: fantasia, valsa, minuano, valsa, fantasia, valsa.
O som de fundo era feito com trechos de óperas de Verdi, Boccherini, Waldteufel, Metra e Auber.
Os cartões são uma das curiosidades guardadas no Arquivo Nacional. Neles, as damas anotavam os nomes dos cavalheiros com quem haviam se comprometido a dançar.

O cardápio servido nessa única noite, destacando a exuberância dos pratos, ornados com flores e frutas exóticas, que em tudo combinavam com o estilo mourisco da Ilha Fiscal.
Foram cometidos alguns excessos nas bebidas. As notícias dizem que foram consumidas 12 mil garrafas de vinhos de diversas procedências, prevalecendo os do Porto e Algarve.
Isso significa de duas a três garrafas para cada convidado, sem contar as 200 caixas de champagne francesa.

- Escândalo
A imprensa dividiu-se em seus relatos.
As peças íntimas que foram encontradas na ilha após a festa, foram motivo de escândalo quando noticiados pelos colunistas das revistas femininas do século XIX, entre essas revistas, a “Eu Sei Tudo” revelava que:
- “... a Coroa não era tão casta como pressupunham os seus súditos,”

O jornal Tribuna Liberal, na sua edição de 10 de novembro de 1889, falou do:
- “... brilho e o ruge-ruge das sedas, os colos salpicados de brilhantes, safiras, esmeraldas e os diademas rutilantes dos penteados,”

O colunista Desmoulins, do Correio do Povo, por sua vez, citou o mau gosto a que se entregaram muitos dos convidados. Criticou ainda os homens que, no salão, mantinham seus chapéus ingleses do Wellicamp e do Palais Royal enfiados na cabeça.

O cronista social da Gazeta de Notícias descreveu com detalhes 74 trajes das damas presentes, numa edição que bateu recordes de espaço e de tiragem.

- O jornal publicou também uma descrição detalhada da ceia, anunciada em um menu de 12 páginas, guarnecido com as cores das bandeiras brasileira e do Chile:
- “Nada menos que 11 pratos quentes, 15 pratos frios,12 tipos de sobremesas, 4 qualidades de champagne, 23 espécies de vinhos e 6 de licores, num total de 304 caixas destas bebidas e mais dez mil litros de cerveja. Os números da maior comilança de que o país tem notícia relacionam para o preparo de todas essas receitas, o consumo de nada menos que 18 pavões, 25 cabeças de porco, 64 faisões, 300 peças de presunto, 500 perus, 800 quilos de camarão, 800 latas de trufas, 1200 latas de aspargos, 1300 galinhas, além de 50 tipos de saladas com maionese, 2900 pratos de doces variados, 12 mil taças de sorvete, 18 mil frutas e 20 mil sanduíches.”

- E o cronista dedicou um espaço especial para as bebidas:
“Das 304 caixas de bebidas, 258 eram de vinhos e champagnes.
Ou seja: naquela noite, foram consumidas 3.096 garrafas desses maravilhosos fermentados, que compunham uma bateria de 39 rótulos diferentes, com destaque para Porto de 1834 - uma safra preciosíssima - Madeira, Tokay, Château D’Yquem, Château Lafite, Château Leoville, Château Beycheville, Château Pontet-Canet e Margaux.
A presença marcante do italiano Falerno, nas versões branco e tinto, era uma deferência à imperatriz”.
Os champagnes não podiam ser melhores:
“Cristal de Louis Roederer, Veuve Cliquot Ponsardin e Heidsieck.”
Dentre os vinhos alemães, destacavam-se o “Liebfraumilch e o famoso Johannisberg do Reno”.

Em 10 de novembro de 1889, na madrugada, os convidados deixam a Ilha Fiscal, estava terminado o último baile do Império.

Republicanos criticaram extravagância
Os Republicanos reclamaram da extravagância, mas estavam lá, aproveitando e tramando, hoje em dia seria considerado “Alta Traição”.

O luxo e a extravagância dos trajes e cabelos das convidadas do baile da Ilha Fiscal receberam, alfinetadas de republicanos que não faltaram ao baile e aplausos de monarquistas.

O desembarque no Brasil do couraçado chileno Almirante Cochrane, deu lugar a um período denominado “Festas Chilenas”, incentivou a propagação dos ideais republicanos.

A proclamação da República, no entanto, não significou o fim das festividades em torno da tripulação do couraçado Almirante Cochrane.
Os republicanos aproveitaram para brindar com os chilenos o fim do Império, chegando até a afirmar que o fato de o Chile ser uma República foi um estímulo à sua proclamação.


Fim do Baile e da Monarquia

A repercussão do Baile da Ilha Fiscal do dia 09 de novembro de 1889, sábado, não seguiu os caminhos imaginados pelos promotores: naquela mesma noite, militares republicanos estavam reunidos com Benjamin Constant Botelho de Magalhães, líder positivista, para decidir a data da proclamação da República.

Desde a abolição da escravatura - assinada pela Princesa Isabel no ano anterior - os interesses dos senhores de escravos, últimos aliados de Dom Pedro II e base de sustentação do governo ficaram muito abalados.

Começavam a chegar os primeiros imigrantes para substituir a mão de obra negra.

Seis dias depois do baile, no mesmo Cais Pharoux de onde partiam os ferry-boats para levar os convidados do Imperador para a Ilha Fiscal, o Marechal Deodoro da Fonseca proclamava a República e a Família Imperial embarcava para o “Exílio”.

Aliás, alguns dos destaques do novo regime estavam presentes ao Baile da Ilha Fiscal, como Rui Barbosa, Campos Salles e Benjamin Constant.

O Império caia, com “muita dignidade e nobreza e sem nenhuma queixa”, sete dias após o término do baile que entraria para a história.

Nota:
- Em 28 de setembro de 1992, o jornal paulista “O Estado de São Paulo” publicou a matéria, relatando o preparo de um livro sobre o evento do Baile da Ilha Fiscal que marcou a queda do Império no Brasil.
Na época da publicação dessa reportagem, o Brasil havia derrubado o presidente da República Fernando Collor de Mello e investigava os ilícitos cometidos por seu tesoureiro de campanha, Paulo César Farias, o PC, que seria depois encontrado morto em sua casa e se preparava para promover em 1993 o plebiscito nacional previsto na Carta Magna de 1988, que determinaria a forma de governo no País, “República” ou “Monarquia Parlamentarista”.


A Trama do Golpe de Estado
Em 09 de novembro de 1889, sábado, um grande número de oficiais se reuniu no Clube Militar, presidido por Benjamin Constant, e decidiu realizar o golpe de Estado para derrubar a monarquia.
Este era o desejo dos republicanos, mas o Marechal Deodoro da Fonseca queria só derrubar o Gabinete e o Presidente do Conselho Visconde de Ouro Preto.
Manobras e mentiras tiveram que ser levantadas para os republicanos terem o apoio das altas patentes do Exército e do contingente.
Dois dias depois, na casa de Rui Barbosa, alguns oficiais, incluindo Benjamin Constant e o Marechal Deodoro da Fonseca, além de outros dois civis, Quintino Bocaiúva e Aristides Lobo; foi confirmado a realização do golpe.
Foi à única reunião que contou com a participação dos republicanos civis e Deodoro não desejava a presença dos mesmos no que considerava um problema militar, Deodoro ainda hesitava e falou:
- “Eu queria acompanhar o caixão do Imperador, que está velho e a quem respeito muito.”
Mas acabou cedendo depois de pressionado por Benjamin Constant:
- “Ele (Benjamin Constant) assim o quer, façamos a República. Benjamin e eu cuidaremos da ação militar; o Sr. QuintinoBocaíva e seus amigos organizarão o resto.”

Na noite do dia 11 de novembro de 1889, segunda-feira, após uma longa discussão, Benjamin Constant convenceu o Marechal Deodoro, então gravemente enfermo, a participar de uma conspiração para a deposição do Gabinete do Visconde de Ouro Preto, mas Deodoro recua.
Na ocasião, foi acertado que o golpe seria dado na noite de 17 de novembro de 1889, domingo.


Da Monarquia a República
Em 14 de novembro de 1889, quinta-feira, as 23h00min, o Marechal Deodoro da Fonseca assumiu o comando de 600 homens, cuja maioria não sabia o que estava ocorrendo ou acreditava que iria se defender de um ataque da Guarda Nacional ou da Guarda Negra.
Alguns poucos republicanos deram “Vivas a República”, mas o Marechal Deodoro mandou-os calarem a boca.
O Presidente do Conselho de Ministros, Afonso Celso, Visconde de Ouro Preto, ao saber da revolta partiu com os demais ministros do Gabinete para o Quartel-General do Exército que se localizava no Campo de Santana, no coração da capital. As tropas supostamente leais eram maiores e melhores armadas que as rebeldes.
O Ajudante-geral (Comandante) do Exército, Coronel Floriano Peixoto garantiu ao Visconde de Ouro Preto a lealdade de suas tropas, mas era secretamente aliado dos revoltosos.
Floriano e o Ministro da Guerra Rufino Enéias, Visconde de Maracajú (primo de Deodoro) ignoravam as reiteradas ordens de Ouro Preto para que as tropas leais atacassem os rebeldes que se aproximavam do Quartel-General. Tentou convencê-los relembrando os atos de bravura dos militares brasileiros na Guerra do Paraguai, mas recebeu como resposta de Floriano:
- “Mas lá tínhamos em frente inimigos, e aqui somos todos brasileiros” e finalmente compreendeu o alcance da rebelião.

As tropas supostamente leais abriram os portões do Quartel-General para Deodoro e este gritou:
“Viva Sua Majestade o Imperador!”

Deodoro encontrou-se com Ouro Preto e afirmou que enviaria pessoalmente ao imperador uma lista com nomes que iria indicar para um novo gabinete. Para a decepção dos republicanos civis e militares, Deodoro não havia proclamado a República e dava a entender que iria apenas derrubar o Conselho.
Deodoro não tinha certeza de que deveria agir contra Pedro II e os próprios rebeldes não acreditavam na possibilidade de sucesso do golpe.
As poucas pessoas que presenciaram a movimentação de tropas, não sabiam o que estava ocorrendo e nas palavras do republicano Aristides Lobo, elas assistiram tudo “bestializadas”.
“Raramente uma revolução havia sido tão minoritária”.

Em 15 de novembro de 1889, sexta-feira, na manhã, D. Pedro II estava em Petrópolis, na serra do Rio de Janeiro, quando recebeu um primeiro telegrama do Visconde de Ouro Preto avisando da rebelião e da demissão do ministério o que o deixou contrariado.

Foi enviada uma carta/telegrama pelos republicanos através do tenente-Coronel Mallet exigindo seu exílio, abaixo um trecho da mesma:
- “... o governo provisório espera de vosso patriotismo o sacrifício de deixardes o território brasileiro, com a vossa família, no mais breve possível. Para esse fim se estabelece o prazo máximo de vinte e quatro horas que contamos não tentareis exceder.”

Uma curiosidade:
- Antes desta carta/telegrama enviada pelos republicanos o Visconde de Ouro Preto enviou um telegrama ao imperador, porém, o telegrama em que o Chefe do Gabinete de Ministros noticiava a Dom Pedro II o golpe de 15 de novembro foi “atrasado” nos Correios, por ordem do coronel Floriano Peixoto.
Mais tarde, no exílio sabendo deste fato Dom Pedro II declarou que se tivesse recebido no prazo correto o telegrama, teria saído de Petrópolis e ido para o Sul de Minas Gerais, e dali resistiria ao golpe.

O monarca recebeu um segundo telegrama as 11h00min da manhã quando saia da missa em homenagem aos 45 anos da morte de sua irmã Maria II e decidiu retornar ao Rio de Janeiro.
Sua esposa demonstrou preocupação e ele apenas respondeu, confortando-a:
- “Qual senhora, chegando lá isso acaba!” 

Viajou de trem, lendo jornais e revistas científicas, sem imaginar a gravidade da situação e chegou ao Paço da Cidade as 15h00min da tarde.
Corriam boatos desencontrados e a Corte não sabia exatamente o que estava acontecendo.
André Rebouças sugeriu que partisse para o interior para organizar a resistência.
O Marquês de Tamandaré pediu a permissão do imperador para liderar a Armada para atacar as tropas de Marechal Deodoro da Fonseca.
Ele simplesmente ignorava todos os pedidos para resistir e falou:
- “Isso é fogo de palha, conheço meus patrícios.”

Também perguntou ao senador conservador Manuel Francisco Correia o que achava da situação. Correia respondeu que acreditava que era o fim da monarquia.
Pedro II não demonstrou aflição.
Visconde de Ouro Preto chegou ao Paço às 16h00min da tarde e sugeriu a Pedro II que nomeasse o senador gaúcho Gaspar da Silveira Martins, que só chegaria à cidade dois dias mais tarde, como novo Presidente do Conselho.

A Câmara recém-eleita só se reuniria no dia 20 de novembro de 1889, e o Senado estava em recesso. Por tal razão, a Princesa Isabel insistia com o pai para que convocasse o Conselho de Estado para discutir a questão, mas sempre ouvia como resposta:
- “Mais tarde”.

A Princesa Isabel, por conta própria, chamou os conselheiros.
O Conselho de Estado reuniu-se às 11h00min da noite e após duas horas sugeriram a Pedro II que nomeasse Antonio Saraiva ao invés de Gaspar Silveira Martins. Antônio Saraiva aceitou o cargo e é homologado pelo Imperador.
Saraiva enviou um emissário para dialogar com Deodoro, que recebeu como resposta que era tarde demais.
Ao saber da notícia, Pedro II comentou:
- “Se assim for, será a minha aposentadoria. Já trabalhei muito e estou cansado. Irei então descansar”.

O Marechal Deodoro evitava encontrar-se pessoalmente com o Imperador Pedro II, mas ao saber que o imperador havia escolhido um inimigo seu para o cargo de Presidente do Conselho de Ministros decidiu-se finalmente pela instauração da República.

- A República inicia com uma Mentira Nº 1
Quando servia no Rio Grande do Sul, o Marechal Deodoro da Fonseca disputou com Gaspar Silveira Martins os favores de uma lindíssima gaúcha, e perdeu a parada.
Por isso nutria um ódio de morte por Silveira Martins.

Em 15 de novembro de 1889, a tarde, é que o Marechal Deodoro da Fonseca se dispôs a assinar o Decreto Nº 1 que implantava a República no Brasil, quando Benjamin Constant Botelho de Magalhães lhe segredou esta mentira:
- Que Dom Pedro II ia nomear Silveira Martins como Presidente do Conselho, em substituição ao Visconde de Ouro Preto.
Na verdade ia ser Antonio Saraiva e não Silveira Martins, Benjamin Constant já sabia a verdade, mas omitiu para forçar Deodoro.


Partida para o Exílio
Em 16 de novembro de 1889, sábado, a Família Imperial permaneceu no Paço, que foi cercado por um regimento de cavalaria.
Pedro II demonstrava calma todo o dia.

Às 03h00min, da tarde, o Major Frederico Solón Sampaio Ribeiro, comandante da cavalaria (pai de Ana de Assis a esposa de Euclides da Cunha) apareceu no Paço, e foi conduzido a presença do Imperador, e disse gaguejando:
- “Trago a Vossa Excelência..., trago a Vossa Alteza..., trago a Vossa Majestade da parte do Governo Provisório, entregar respeitosamente a Vossa Majestade essa mensagem.”

 - “Não tem Vossa Majestade uma resposta a dar?”

O documento dizia: - “Os sentimentos democráticos da nação há muito preparados, haviam agora  despertado.  Obedecendo, pois, às exigências do voto nacional, com todo o respeito à dignidade das funções públicas que acabais de exercer, somos forçados a notificar-vos que o Governo Provisório espera de vosso Patriotismo o sacrifício de deixardes o território brasileiro, com a vossa família, no mais breve prazo possível.”
Assinava a mensagem o Marechal Deodoro da Fonseca.
O Imperador olhou o emissário à sua frente e respondeu:
- “Por hora não tenho nenhuma resposta.”

Solón:
- “Então, posso me retirar?”

E por fim, Pedro II falou:
- “Pode.”

Os “republicanos não tiveram coragem para enfrentar face a face o Imperador, que intimamente admiravam” e, portanto enviavam oficiais subalternos para se comunicarem com Pedro II.

Dizem os relatos que a Imperatriz Thereza Cristina chorou caída sobre uma poltrona e que a Princesa Isabel ficou muda.
A notícia do banimento levou os presentes a chorarem, e se emocionarem, com a exceção de Pedro II, que permanecia sereno.

- Dom Pedro II escreveu um bilhete pedindo que lhe trouxessem um exemplar de “Os Lusíadas” que ganhara do Senador Mafra, este livro se encontrava no Palácio de São Cristovão. A obra era uma raridade; além de ser uma primeira edição, tinha um autógrafo de nada mais nada menos de Luís de Camões, que tinha sido proprietário do livro. Foi a única coisa que pediu que viesse de São Cristóvão (mais tarde já na Europa, ele mandou buscar alguns objetos pessoais e na iminência de ver documentos e livros importantes e raros serem leiloados ou destruídos ele doa tudo para a Biblioteca Nacional).

Dom Pedro ensaiou colocar as primeiras palavras no papel para a resposta.
A Princesa Isabel e o Conde D’Eu não sabiam o que fazer.
Finalmente o Imperador Dom Pedro II conseguia terminar a comunicação em resposta ao Marechal Deodoro da Fonseca:
- “À vista da representação escrita que me foi entregue hoje, às 3 horas da tarde, resolvo, cedendo ao império das circunstâncias, partir com toda minha família para Europa amanhã, deixando essa Pátria, de nós estremecidas, à qual me esforcei por dar constantes testemunhos de entranhado amor e dedicação durante quase meio século em que desempenhei o cargo de Chefe do Estado. Ausentando-me, pois eu com todas as pessoas da minha família, conservarei do Brasil a mais saudosa lembrança, fazendo ardentes votos por sua grandeza e prosperidade.”
Assinou: - Dom Pedro de Alcântara.
E datou: - Rio de Janeiro, 16 de novembro de 1889, “sexagésimo sétimo ano do Império”.

O monarca decidiu viajar na tarde do dia seguinte, e enviou uma mensagem escrita ao Governo Provisório avisando que aceitava partir do país.

Em 17 de novembro de 1889, domingo, o Governo republicano temia que no dia 17, durante o dia, ocorressem manifestações a favor do Imperador e do Império.

O tenente-Coronel Mallet foi enviado para avisar que a Família Imperial deveria partir imediatamente. No meio da noite, o Imperador, que teve que ser acordado.

Houve certa comoção até que Pedro II apareceu na sala e fez-se silêncio.

Ele perguntou:
- “Que é isto? Então vou embarcar a esta hora da noite?”

O tenente coronel Mallet respeitosamente respondeu que o Governo pediu para que embarcasse de madrugada. Então ocorreu um diálogo entre ambos e o imperador teve a confirmação de que Deodoro da Fonseca estava à frente no golpe e era o novo presidente, e exclamou por fim:
- “Então estão todos malucos!”

O tenente-Coronel Mallet exigiu que a Família Imperial embarcasse no meio da noite, o que provocou protestos de Dom Pedro II, que pretendia assistir à missa pela manhã, antes de partir:
- “Não sou negro fugido”.
- “Não embarco a essa hora!”

O tenente-Coronel Mallet buscou persuadir o Imperador Dom Pedro II alegando que estudantes republicanos fariam manifestações contra a sua pessoa.
O imperador revelou-se descrente:
- “Quem dá importância a estudantes?”

Neste exato momento, ouviram-se tiros do lado de fora. Mallet retirou-se do Paço para descobrir o que havia ocorrido. Cerca de quinze imperiais marinheiros tentaram desembarcar dando “Vivas ao Imperador”, mas foram rechaçados pelas tropas revoltosas e em seguida aprisionados. Mallet retornou ao prédio e afirmou a Pedro II que eram republicanos exaltados que tentavam atacar a ele e sua família. Assim, o imperador aceitou partir.

O Major Sólon Ribeiro evacuou o Paço Imperial que estava cheio de populares e a Família Imperial foi obrigada a embarcar em plena madrugada
Quando Pedro II saiu do Paço, os soldados do lado de foram apresentaram instintivamente as armas e ele correspondeu erguendo o seu chapéu.

Alguns amigos mais próximos partiram com a Família Imperial por vontade própria para o exílio, incluindo André Rebouças e Franklin Dória, Barão de Loreto. Pouquíssimas pessoas viram a partida. Foram trasladados para o vapor Parnaíba.

Em 17 de novembro de 1889, antes de viajar, Dom Pedro II escreveu uma mensagem para o “Povo Brasileiro”:
Cedendo o império as circunstâncias, resolvo partir com toda a minha família para a Europa amanhã, deixando esta pátria de nós estremecida, à qual me esforcei por dar constantes testemunhos de entranhado amor e dedicação durante quase meio século, em que desempenhei o cargo de chefe de estado. Ausentando-me, eu com todas as pessoas de minha família, conservarei do Brasil a mais saudosa lembrança, fazendo votos por sua grandeza e prosperidade”.

Antes de seguir definitivamente, Pedro II enviou uma mensagem curta ao seu fiel amigo Almirante Tamandaré, que permaneceu ao seu lado o tempo todo:
“O que está feito, está feito. Resta estabelecer a ordem e consolidar as vossas instituições.”

Em 18 de novembro de 1889, segunda-feira, 01h00min da madrugada, a “Família Imperial” é transferida para o navio Alagoas, de onde partiram para a Europa quase um dia depois.

Antes mesmo da chegada da Família à Europa diante da recusa de Dom Pedro em aceitar uma pensão de cinco mil contos, o governo baixou o Decreto 78A, banindo o ex-imperador com toda a sua Família Imperial do território nacional, com a proibição de ter bens no Brasil e dando-lhes um prazo para liquidar os que aqui possuíssem.

A Família Imperial exilada chegava a Lisboa, antes de desembarcar, o Imperador quis despedir-se de todos os oficiais de bordo, entregando uma lembrança pessoal aos três oficiais mais graduados, o resto da tripulação, presenteou com uma quantia em dinheiro, tendo tido o cuidado de mandar organizar uma lista com os nomes de todos os marinheiros e empregados de bordo.
Como sempre, nenhum detalhe escapou:
- Falta o homem que trata dos bois. Não o esqueça.

- A Lamentação dos Republicanos
Ao saber da partida, Benjamin Constant falou:
- “Está cumprido o mais doloroso dos nossos deveres.”

Depois, Rui Barbosa, relembrando o ocorrido, falou ao Major Carlos Nunes de Aguiar que estava ao seu lado assistindo de longe o navio levantar âncoras:
- “Você teve razão de chorar quando o imperador partiu”.


Era o fim da Monarquia, mas não do mito chamado Dom Pedro.


Palavras de Priscila Morales no “Novo Dicionário Dinâmico da Língua Portuguesa”:

- “Nenhum monarca desceu do trono com tanta dignidade e moral tão elevada quanto Pedro II.
Foi um soberano inatacável, cultivava o direito, a justiça e a tolerância como pontos básicos de seu governo.
Recusou uma pensão que a República lhe oferecera, jamais acusou aos que o traíam e nunca, no exílio, deixou um só momento de interessar-se pelos problemas da pátria distante.
Protetor das artes e das letras, fomentador da imigração, difusor da instrução pública, amigo do progresso, Pedro II ainda hoje merece o respeito e a admiração dos brasileiros.”


Viva o Imperador do Brasil
Vamos nos Orgulhar de nossa história e seus personagens,
- Todos!


Continua na Parte III

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