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domingo, 11 de julho de 2010

Dom Pedro II

O Imperador é o defensor perpétuo do Brasil
Dom Pedro II
Imperador do Brasil
O Magnânimo
Ordem:        2.º Imperador do Brasil
Cognome:     O Magnânimo
Início do Reinado:          7 de abril de 1831
Término do Reinado:      15 de novembro de 1889
Aclamação:                   18 de julho de 1841, Capela Imperial, Rio de Janeiro, Brasil
Predecessor:         D. Pedro I
Sucessor:            Nenhum
Proclamação da República do Brasil
Pai:   D. Pedro I
Mãe: D. Leopoldina de Áustria
Data de Nascimento:     2 de dezembro de 1825
Local de Nascimento:     Rio de Janeiro
Data de Falecimento:      5 de dezembro de 1891 (66 anos)
Local de Falecimento:     Paris
Consorte:                        D. Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias
Príncipe Herdeiro:         Princesa Isabel do Brasil (filha)
Dinastia:                       Bragança

Dom Pedro II do Brasil, nome completo:
- Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga; Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 1825 — Paris, 5 de dezembro de 1891),
Chamado O Magnânimo, foi o segundo e último Imperador do Brasil de facto.

D. Pedro II foi o sétimo filho de Dom Pedro I e da arquiduquesa Dona Leopoldina de Áustria. Sucedeu ao seu pai, que abdicara em seu favor para retomar a coroa de Portugal, à qual renunciara em nome da filha mais velha, D. Maria da Glória. Pelo lado paterno, era sobrinho de Miguel I de Portugal, enquanto, pelo lado materno, sobrinho de Napoleão Bonaparte e primo dos imperadores Napoleão II da França, Francisco José I da Áustria e Maximiliano I do México. Sendo o irmão mais novo de D. Maria da Glória, também fora tio de D. Pedro V e D. Luís I, reis de Portugal.
Pedro II governou de 1840, quando foi antecipada sua maioridade, até 1889 ano em que foi deposto com a proclamação da república brasileira. Além dos registros históricos e jornalísticos da época, Pedro II deixou à posteridade 5.500 páginas de seu diário registradas a lápis em 43 cadernos, além de correspondências, que nos possibilitam conhecer um pouco mais do seu perfil e pensamento.
Ele é, ainda hoje, um dos políticos mais admirados do cenário nacional, e é lembrado pela defesa à integridade da nação, ao incentivo à educação e cultura, pela defesa à abolição da escravidão e pela diplomacia e relações com personalidades internacionais, sendo considerado um príncipe filósofo por Lamartine, um neto de Marco Aurélio por Victor Hugo e um homem de ciência por Louis Pasteur e ganhando a admiração de pensadores como Charles Darwin, Richard Wagner, Henry Wadsworth Longfellow e Friedrich Nietzsche. Durante a sua administração como imperador, o Brasil viveu um período de estabilidade e desenvolvimento econômico e grande valorização da cultura, além de utilizar o patriotismo como força de defesa à integridade nacional. Apesar de, muitas vezes, demonstrar certo desgosto pelas intensas atividades políticas, o último imperador do Brasil construiu em torno de si uma aura de simpatia e confiança entre os brasileiros.
           
“Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro — Pedro II”

Príncipe Imperial
D. Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga nasceu no Paço de São Cristóvão, na capital brasileira, Rio de Janeiro, em 2 de dezembro de 1825, filho de D. Pedro I, imperador do Brasil e Dona Maria Leopoldina da Áustria, arquiduquesa da Áustria.

Seus avós paternos eram Dom João VI, rei de Portugal, Brasil e Algarve, e Dona Carlota Joaquina, infanta da Espanha, enquanto seus avós maternos eram Francisco I da Áustria, último sacro imperador romano-germânico, e Maria Teresa, princesa das Duas Sicílias.

O jovem príncipe era descendente dos reis de Portugal, tais como Afonso Henriques, Dom João I e Dom João IV, assim como os reis da França, como Hugo Capeto, Felipe IV, o Belo, São Luís e Luís XIV, o Rei Sol, também dos reis da Espanha, como Fernando II e Isabel, os Reis Católicos, e Filipe II, assim como dos Imperadores Romano-Germânicos, tais como Otto I, o Grande, Frederico Barbarossa e Carlos V, dos Imperadores Romanos do Oriente, como Aleixo I Comneno, João II Comneno, Isaac II Angelos, Miguel VIII Paleólogo, Leo VI e Constantino IX, dos reis da Inglaterra, como Guilherme, o Conquistador, Alfredo, o Grande e Eduardo III, dos reis dos Francos, como Meroveu, Clóvis, Pepino, o Breve e principalmente, de Carlos Magno, restaurador do Império Romano, e de todas as demais Casas Ducais, Reais e Imperiais da Europa.

Nascimento
Seu nascimento foi comemorado com festas durante três dias no Rio de Janeiro. Sendo o único filho homem do Imperador dom Pedro I a sobreviver à infância, tornou-se o herdeiro da coroa imperial do Brasil, com o título de Príncipe Imperial. Mas tornou-se órfão de mãe com pouco mais de um ano de idade o visconde de Barbacena considerou-o, na infância, um "menino magrinho e muito amarelo", que sofria constantemente de febres e ataques convulsivos. Do pai, recebeu carinho e afeto, revelando uma grande ternura pelo filho e dizia com orgulho:
"Meu filho tem sobre mim a vantagem de ser brasileiro".
Verdadeiramente, o pequeno príncipe era antes um símbolo, por ser considerado "genuinamente brasileiro".

Ascensão
Ao acordar no dia 7 de abril de 1831, Pedro II encontrou sobre sua cama a coroa imperial de seu pai, que já havia partido junto à madrasta. Com a ajuda de Mariana de Verna Magalhães Coutinho, escreveu uma carta de despedida ao pai. Pedro I, que se encontrava na fragata britânica Warspite, respondeu ao filho emocionado, chamando-o de "Meu querido filho, e meu Imperador".
Seu pai partiu somente no dia 13 de abril de 1831, mas não se viram e nem voltariam a se rever.
A distância dos filhos e a incerteza quanto às suas seguranças atormentava Pedro I. Dom Pedro, por sua vez, sofreria com a falta do pai e da madrasta, a quem considerava como mãe, e como consequência agravaria ainda mais o seu comportamento costumeiramente reprimido.
Além de Pedro II, ficaram no Brasil três irmãs:

Dona Januária Maria Joana Carlota Leopoldina Cândida Francisca Xavier de Paula Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Áustria, condessa d' Áquila, princesa Imperial do Brasil e infanta de Portugal (por seis meses) (Rio de Janeiro, 11 de março de 1822 — Nice, 13 de maio de 1901, 79 anos), era filha do imperador Dom Pedro I e da imperatriz Leopoldina de Áustria, Consorte Luís Carlos de Bourbon-Duas Sicílias,
 teve 4 filhos: Luiz, Maria Isabel, Felipe, Mário

Dona Paula Mariana Joana Carlota, princesa do Brasil, (Rio de Janeiro 17 de fevereiro de 1823 – Rio de Janeiro, 16 de janeiro de 1833, 9 anos), filha de D. Pedro I e da D. imperatriz Leopoldina.  

Dona Francisca Carolina Joana Leopoldina Romana Xavier de Paula Micaela Rafaela Gabriela Gonzaga de Bragança e Áustria – a irmã “Chica” (Rio de Janeiro, 2 de agosto de 1824 — Paris, 27 de março de 1898, 74 anos) foi a quarta filha do imperador D. Pedro I e da imperatriz D. Maria Leopoldina, consorte Francisco Fernando de Orléans, príncipe de Joinvile, teve 2 filhos      Francisca de Orléans, Pedro de Orléans.

Infância de D. Pedro
A aclamação oficial de Pedro II como novo Imperador brasileiro ocorreu em 9 de abril. Foi levado na carruagem ao lado de Mariana de Verna até o Paço da Cidade, em choque devido à ausência do pai e da madrasta e completamente aterrorizado com a multidão que o cercava e pelo barulho causado pelos tiros da artilharia. Um assustado Pedro II foi exibido ao lado das irmãs numa das janelas do paço sobre uma cadeira para que pudesse observar a sua aclamação pela multidão. Os brasileiros de todo o país simpatizavam "com a figura do pequeno órfão que deveria governá-la um dia". O espetáculo foi seguido por tiros de artilharia que assustaram ainda mais a criança de apenas cinco anos de idade e deste trauma infantil que provavelmente resultou em parte na aversão do monarca a pompa do poder.
Quando criança, dom Pedro recebeu uma grande influência por parte do pai e também de seus mestres quanto a sua visão em relação as demais etnias e culturas existentes no mundo. Em um período onde era comum o entendimento científico de que existia de fato uma separação racial entre brancos, negros e amarelos, o Imperador sempre demonstrou um profundo ceticismo quanto a tal teoria e nunca se deixou convencer pela tese de diferenciação racial.

A Regência
O período que se seguiu a aclamação foi provavelmente o mais conturbado da história do Brasil independente. Como não poderia exercer as prerrogativas reservadas somente ao Imperador constitucional até que atingisse a maioridade, uma regência foi criada para atuar em seu lugar. A primeira regência fora formada como um triunvirato, sendo um de seus membros o Brigadeiro Francisco de Lima e Silva, o mesmo homem que havia apresentado o bebê Pedro ao Governo. As lutas entre as facções políticas resultaram em uma regência instável e quase anárquica. Os liberais que haviam derrubado Pedro I logo se desmembraram em dois grupos: os liberais moderados (monarquistas constitucionais que mais tarde se tornariam o Partido Liberal e Conservador) e os republicanos (uma pequena minoria, mas extremamente radical e revoltosa). Havia também os restauradores que eram anteriormente conhecidos como Bonifacios.
Diversas rebeliões ocorreram pelo país durante a regência. As primeiras, como a Rebelião de Santa Rita (1831), a Revolta do Ano da Fumaça (1833) e a Cabanada (ou Guerra dos Cabanos, 1832-34) visavam o retorno de Pedro I ao poder, e contavam com a participação de pessoas comuns, inclusive ex-escravos e até mesmo escravos. A morte de Pedro I em 24 de setembro de 1834 eliminou as aspirações dos restauradores. Novas rebeliões ocorreram após a descentralização política e administrativa criada promulgação do Ato Adicional em 1834. Esta emenda constitucional acirrou os conflitos entre os grupos políticos, que sabiam que quem tivesse controle das províncias, teria poder sobre a máquina eleitoral e política. Os grupos que perdiam as eleições rebelavam-se e tentavam tomar o poder a força. Contudo, todas defendiam o trono de Pedro II, tais como a Cabanagem (1835-40), a Sabinada (1837-38), e a Balaiada (1838-41), apesar de algumas terem declarado a secessão das províncias como repúblicas independentes (enquanto Pedro II fosse menor). A exceção coube a Farroupilha (ou Guerra dos Farrapos, 1835-45), que iniciou-se como mais uma disputa entre grupos políticos na província de Rio Grande do Sul, mas logo evoluiu para uma rebelião separatista financiada pelo ditador Dom Manuel Rosas. Entretanto, a maior parte da sua população, assim como as maiores e mais prósperas cidades, permaneceu leal ao Império.

Maioridade
O período regencial, início do reinado de dom Pedro II, foi o período mais problemático na história do Brasil. Diversas rebeliões e tentativas de secessão ocorreram, e apesar do sucesso que o governo fora capaz de obter debelando-as, para muitos, inclusive para o povo brasileiro, a única forma de pôr fim definitivo ao caos e restaurar a ordem seria declarando dom Pedro II maior de idade antes do tempo.

Não acreditavam que um rapaz de apenas catorze anos de idade pudesse obter sucesso onde os mais experientes governantes fracassaram, apesar de toda a educação que recebeu. Entretanto, dom Pedro era considerado um símbolo vivo da unidade do país. Essa posição lhe dava, diante da opinião pública, uma autoridade maior do que a de qualquer regente. Uma demonstração clara do desejo de tornar imperador maior de idade foi o surgimento de uma quadrinha popular cantada pela população da cidade do Rio de Janeiro nessa época:
"Queremos Pedro II
Embora não tenha idade!
A Nação dispensa a lei
E viva a Maioridade!"
O regente, Araújo Lima, se viu sem opção a não ser aceitar o império das circunstâncias e se dirigiu ao paço imperial, onde explicou a dom Pedro a situação crítica pelo qual o país passava e perguntou quando desejaria tornar-se maior de idade. O jovem imperador teria respondido de forma direta e curta:
"Quero já!"
No entanto, tratava-se de uma invenção dos maioristas para tornar o ato simbólico e deixar claro aos brasileiros que o adolescente estava preparado para assumir o seu devido lugar. Dom Pedro de fato não proferiu tal frase, tão distante do seu caráter retraído e tímido. Limitou-se a pedir a opinião do regente e então aceitou a proposta. Posteriormente viria a negar diversas vezes ter dito a famosa frase e muito menos de ter sido partícipe do plano dos deputados maioristas.
A decretação oficial da maioridade de monarca foi recebida com enorme alegria pelo povo brasileiro. Pela segunda vez (a primeira, quando seu pai abdicou), dom Pedro foi aclamado por cerca de 8 mil pessoas que se reuniram no paço da cidade para saudá-lo. No dia de seu aniversário, em 2 de dezembro de 1840, alguns meses após ser declarado maior de idade, o evento ocorre sob grande manifestação popular, com direito a festas e cortejos. O mesmo ocorre no primeiro ano de aniversário da Maioridade. O imperador registrou em seu diário:
"Quanto me custa um cortejo, como mói! Mas ele é sinal de gratidão de meus amados súditos. Devo recebê-lo com boa cara."

Imperador do Brasil
Contrastando com o período conturbado da Regência, seu reinado foi de paz interna, uma vez encerrada a Guerra dos Farrapos, que se iniciara em 1835, e vencidas as Revoluções Liberal de 1842 em São Paulo e Minas Gerais e Praiana em 1848 de Pernambuco. Introduziram-se novas invenções e apoiou-se a cultura. Durante seu reinado, foi aberta a primeira estrada de rodagem, a União e Indústria; correu a primeira locomotiva a vapor; foi instalado o cabo submarino; inaugurado o telefone e instituído o selo postal.

Coroação e Sagração
A sagração e coroação de D. Pedro II foi marcada para 18 de julho de 1841. A cidade do Rio de Janeiro foi cuidadosamente embelezada para a cerimônia. As festas duraram muitos dias, encerrando-se no dia 24 de julho com um grande baile de gala no Paço da cidade.
Foi colocado no trono aos 15 anos, um jovem louro, alto e de olhos azuis. Os políticos disputavam o poder, ferozmente, achando que seria fácil dominá-lo. A princípio, seu governo representou o triunfo do Partido Liberal sobre o Conservador, mas, um ano depois, este voltou à carga, com medidas reacionárias que deixaram clara sua disposição de retomar a cúpula do poder — como a criação do Conselho de Estado e a reforma do código de processo criminal — e que suscitaram a Revolução Liberal de 1842, circunscrita a Minas Gerais e São Paulo.
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Casamento Arranjado
D. Pedro II se casou por procuração em Nápoles a 30 de maio de 1843 e em pessoa no Rio de Janeiro a 4 de setembro de 1843 com Teresa Cristina Maria de Bourbon-Duas Sicílias, nascida em Nápoles em 14 de março de 1822 e morta em 28 de dezembro de 1889 no Porto, estando sepultada em Petrópolis, no Brasil, desde 1925. Era filha caçula de Francisco, Duque da Calábria, futuro Francisco I das Duas Sicílias (1777-1830) e de sua segunda esposa Maria Isabel de Bourbon, quinta filha de Carlos IV rei da Espanha e portanto, irmã de Carlota Joaquina de Bourbon. D. Teresa Cristina trouxe um dote de dois milhões de francos. Tiveram quatro filhos.

O imperador casou-se com a princesa Teresa Cristina Maria, após outras negociações mal sucedidas junto às cortes da Áustria, Espanha e Rússia. Somente em 23 de julho a notícia chegou ao Rio de Janeiro. A primeira questão foi a da sucessão, pois as leis da sucessão davam o trono a uma mulher apenas na ausência de filho varão. Na década de 1840, poucas princesas européias estavam dispostas a se arriscar numa enorme viagem rumo ao Hemisfério sul. Enviaram-se emissários para a Europa com resultados pouco satisfatórios. Conseguiu-se afinal uma prima distante, do ramo napolitano da Casa real espanhola, onde reinavam como reis das Duas Sicílias. O bisavô de Pedro II, Carlos IV da Espanha, era irmão de Fernando I das Duas Sicílias, avô da princesa que se dispôs a se tornar imperatriz. Um ano depois eram pais de Afonso, nascido em 1845 (achado morto no berço em 1847, sem razão aparente) e em 1848 nasceria outro menino.
Depois de perder o segundo filho, o casal viu que não mais poderia ter outros. O imperador resignou-se e fez da filha primogênita, a Princesa Imperial, herdeira oficial. Reinava, porém sobre uma corte de poucas festas, trabalhadora, séria. Aboliu gradualmente muitas cerimônias que antes mostravam pompa, abriu a Família Imperial ao contato mais próximo com seus súditos.
O beija-mão, porém, perdurou por muito tempo, apesar de já abolido em outros países. Era tido, sobretudo no exterior, como governante liberal.

Amigos
Por ser um homem naturalmente tímido e avesso a intimidades, o monarca possuía poucos e sinceros amigos. Um deles se chamava Rafael, negro e veterano da Guerra da Cisplatina e trabalhava no paço como seu criado particular (e fora homem de confiança de Pedro I). Tendo tido uma infância solitária e triste, um dos atenuantes para Pedro II foi o carinho recebido por parte de Rafael, que servira de certa forma como um pai que o pequeno Bragança não tivera. A amizade de ambos viria a perdurar até o fim do regime monárquico e Rafael inclusive o acompanhou em uma de suas viagens ao exterior (Rafael, então um octagenário, viria a falecer em 15 de novembro de 1889, ao saber que Dom Pedro II seria exilado). Também são conhecidas suas relações com o veterano da guerra do Paraguai, Cândido da Fonseca Galvão, figura quase folclórica no Rio de Janeiro, líder da comunidade de negros livres da cidade, conhecido como Dom Obá II, da África. O engenheiro André Rebouças, também negro, tinha grande trânsito junto à Família Imperial, e, após a proclamação da República, auto exilou-se em solidariedade.

O Governo
Em 1845, no final da guerra dos Farrapos, os liberais dominaram a situação, mas os conservadores logo reconquistaram a liderança e, em conseqüência de sua atuação, deflagrou-se a insurreição praieira de 1848, em Pernambuco. Com 23 anos e já pai de Afonso, Isabel (que seria cognominada "a Redentora"), Leopoldina e Pedro (que morreu também criança, em 1850), D. Pedro II não era mais um mero observador dos acontecimentos: começara um amplo trabalho de conciliação política apartidária, nas nomeações dos integrantes do Conselho de Estado e dos presidentes de província. Encarnou esse espírito conciliador Honório Hermeto Carneiro Leão, mais tarde marquês de Paraná, que dobrou a resistência do Partido Conservador. Tal comportamento político propiciou, na década de 1860, a criação da Liga Progressista, que cindiu a ala conservadora e permitiu a Zacarias de Góis e Vasconcelos, à frente do Conselho de Ministros e realizar importantes reformas no final do período.

Dom Pedro II aos 29 anos de idade, 1855.
Sua visão quanto à escravidão e a própria condição do negro no mundo moderno fora afetada por sua criação. E assim percebera, não só como apreciador da ciência, mas também como cristão e governante, o grave erro que seria manter o regime escravocrata no Brasil. Entretanto, sabia perfeitamente que seria impossível abolir a escravidão de uma forma simples e direta, pois acreditava que tal ato viria a causar uma guerra civil semelhante a que ocorreu nos EUA em 1860 e desestabilizaria irremediavelmente a economia brasileira, levando o país ao colapso. Dessa forma, dom Pedro realizou um projeto de extinguir a escravidão por etapas, a iniciar por uma iniciativa pessoal sua, que ao ser declarado maior de idade recebeu como parte de sua herança pouco mais de quarenta escravos e mandou libertar todos.
O Imperador nunca escondeu do público a repulsa que possuía pelos traficantes de escravos e da própria escravidão. Inclusive, nem os interesses dos políticos, lavradores e proprietários de escravos pesaram de forma alguma em suas deliberações ou opiniões. Foi iniciativa sua aproveitar a crise com a Grã-Bretanha durante a década de 1840 e pressionar os políticos a extinguirem de fato o tráfico de escravos, chegando a ponto de ameaçar abdicar a ter que manter o comércio. Seu esforço revelou-se frutífero e em 4 de setembro de 1850 foi promulgada uma lei que tornou o tráfico ilegal. No início da década de 1860, o monarca manifestou o seu interesse em levar a cabo o seu projeto de abolição gradual da escravidão, pois obtivera sucesso em eliminar a principal fonte de novos escravos: a importação. Agora desejava extinguir outra fonte: o nascimento de novos escravos. E deixou claro em carta:
"A emancipação dos escravos, conseqüência necessária da abolição do tráfico [negreiro], não é senão uma questão de forma e de oportunidade. Quando as circunstâncias penosas [referia-se à Guerra do Paraguai] em que se encontra o país o permitirem, o Governo Brasileiro considerará objeto de primeira importância a realização daquilo que o espírito do Cristianismo há muito reclama do mundo civilizado".
De fato, a sua vontade de libertar os nascituros não fora proveniente do conflito contra o Paraguai, e sim grandemente retardada pelo mesmo. Revelou sua idéia publicamente na Fala do Trono de 1866, sendo duramente atacado não só pelos políticos, mas também pela sociedade em geral, que alegavam que tal ato seria um "suicídio nacional" como recordaria mais tarde Joaquim Nabuco. Mesmo assim, mais uma vez logrou sucesso e, terminado o conflito, uma nova lei foi promulgada em 18 de setembro de 1871, concedendo liberdade a todos os filhos nascidos de escravas a partir daquela data. Seu próximo projeto foi à libertação dos escravos sexagenários: tal idéia não fora concebida tendo em vista uma emancipação ampla, mas sim, concluir um trabalho longo que iniciara com a extinção do tráfico. Não havendo mais escravos a nascer, e os idosos sendo libertados, seria questão de tempo até que a escravidão deixasse de existir em território nacional, ao mesmo tempo em que não abalaria a economia e permitiria aos agricultores buscarem formas alternativas de mão-de-obra. Fora o Imperador quem escolheu Manuel Dantas e em seguida, após a queda deste, Antônio Saraiva, que conseguiu promulgar em 28 de setembro de 1885 a Lei dos Sexagenários.
Dom Pedro II não teve participação na promulgação da Lei Áurea ocorrida três anos depois por sua filha e herdeira, Dona Isabel, por estar em viagem a Europa. Mas ao ouvir a notícia da extinção completa da escravidão em solo brasileiro, um sonho alentado desde sua juventude, proferiu emocionado em seu leito de enfermo:
"Grande Povo! Grande Povo!
"Mesmo assim, tornou-se a figura mais popular do país com a abolição”.
O historiador Heitor Lyra em sua biografia acerca do imperador, "História de Dom Pedro II" v.3, asseverou:
"O inspirador da campanha [abolicionista], o estrategista dela, a alma do movimento, aquele que buscara o general [Presidente do Conselho de Ministros] e o colocara na frente das hostes [Assembléia Geral], que lhe armara o braço e o prestigiara na avançada, com uma decisão sempre firme, constante, fiél - fora o Imperador."
O papel de protagonista de dom Pedro II na campanha abolicionista seria, com o passar do tempo, praticamente esquecido em prol de sua filha mais velha, sendo o monarca relegado ao papel de coadjuvante, se não de um mero espectador dos acontecimentos.
A tolerância do Imperador não se restringia somente aos negros, mas também aos muçulmanos, pois acreditava que a paz mundial seria sempre uma utopia, enquanto não se estabelecesse uma sincera conciliação entre o Ocidente e o Oriente. O mesmo se estendia aos judeus, como na vez em que respondeu ao seu amigo Gobineau a razão de não existir leis no Brasil contra os mesmos:
"Não combaterei os judeus, pois de sua raça nasceu o Deus da minha religião".

Educação no seu governo
Dada a pequena estrutura educacional herdada da época em que seu avô, D. João VI, esteve no Brasil, Dom Pedro II criou e reformulou escolas e faculdades. Fundou em 21 de Outubro de 1838 o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro - IHGB, inspirado no Institut Historique de Paris.
O monarca nutria um profundo interesse pelas questões diretamente relacionadas ao desenvolvimento da Educação, especialmente a educação pública, em nosso país, tendo se detido em expor o tema, inúmeras vezes. Na última Fala do Trono, de 3 de maio de 1889 retomou a questão sob o viés institucional, propondo a criação do Ministério da Instrução e reforçando a diretriz constitucional (1824) da criação do Sistema Nacional de Instrução. Além disso, são várias as posturas e as falas em que encontramo-lo envolvido com a questão, como ressalta Lilia Moritz Schwarcz:
"Interessado na educação, o imperador freqüentava concursos nas escolas de Medicina, Politécnica, Militar e Naval. Isso sem falar do Colégio Pedro II, a grande predileção do monarca.
[…] era D. Pedro quem, em carta a José Bonifácio, o Moço, orgulhava-se de dizer:
"Eu só governo duas coisas no Brasil: a minha casa e o Colégio Pedro II."
[…] esse colégio, o único que de certa forma, escapava ao ensino excessivamente livresco, anti-científico e pouco abrangente da época. Com efeito, apesar de obrigatória, a instrução primária era insuficiente: as escolas, poucas, estavam quase todas centralizadas na corte. O monarca parecia, porém, desconhecer essa realidade e concentrar-se, sobretudo, no "seu colégio", como costumava dizer, onde assistia a provas, selecionava professores e conferia médias. Em seu diário escreveria D. Pedro II:
"Se não fosse imperador do Brasil quisera ser mestre-escola", uma opção que condizia ao menos com a representação que mais se divulgava."
Os primeiros republicanos legaram à historiografia brasileira uma imagem de D. Pedro II como um governante omisso em relação às questões educacionais. Neste particular, Rachel Aparecida Bueno da Silva faz um contraponto:
"Ainda realizando uma leitura da obra de Schwarcz (1999), não podemos deixar de nos ater a duas questões, que de certa forma se confrontam no tocante à instrução pública durante o império: se existia o interesse pessoal de D. Pedro II pela educação (demonstrado inclusive nas Falas do Trono), ao mesmo tempo, há o fato de que o sistema de governo era parlamentar e inexistia uma centralização e concentração absoluta de poder. Os primeiros republicanos – e mesmo a maior parte dos autores que estudam a transição do Império para a República – aludem a uma centralização política e um poder de decisão pessoal do monarca, expresso pela prerrogativa do uso do poder moderador, o qual é bastante relativo: não existiu uma constância na utilização das prerrogativas do trono e, no auge do império, o imperador foi bastante parcimonioso na utilização de seus poderes constitucionais.
Na verdade, passados mais de 100 anos da Proclamação da República, podemos nos questionar o quanto de ideológico existia nas colocações dos primeiros republicanos, imbuídos que estavam da vontade de consolidar um regime recém inaugurado e prover a devida justificativa teórica para a mudança da forma e do sistema de governo: de monárquico para republicano e de parlamentar para presidencialista."

Mesmo no exílio, Pedro II continuou a contribuir para a cultura nacional através da doação de sua coleção particular de documentos e peças de arte. O esforço educacional, embora prejudicado pelas inúmeras deficiências, trouxe resultados.
Em 1869, havia 3.516 escolas primárias no Império, frequentada por 115.735 crianças. A quantia era ainda pequena, considerando-se que naquela ocasião existiam 1.902.424 crianças livres em idade escolar, mas de qualquer modo as necessidades nacionais iam sendo suprimidas, formando-se paulatinamente uma camada de profissionais liberais e funcionários. É equivocado dizer que o Brasil naquela época não havia universidades, não havia sim a amplitude de oportunidades para o seu ingresso. Mas pode-se dizer que, pela ação de Dom João VI, fora criada a Faculdade de Medicina da Bahia, em 1792, em 1827 logo após a independência, deu-se a criação da Faculdade de Direito de Olinda e de São Paulo. Igualmente pode-se dizer que, até mesmo antes da chegada de seu avô Dom João VI, sua bisavó, Dona Maria I, ordenou a criação e instalação, na cidade do Rio de Janeiro, da Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho [o atual Instituto Militar de Engenharia (IME)], sendo esta a primeira escola de engenharia das Américas e a terceira do mundo.

Relação com a Ciência
Dom Pedro jurara fidelidade à Igreja Católica porque assim exigia a Constituição imperial de 1824. Porém, na verdade, "era ele um viajante em busca da resposta da vida”. Um livre pensador fascinado pela filosofia. Onde houvesse possibilidade de novos conhecimentos, viesse de onde viesse, lá estava o seu interesse. (...) Com a mesma facilidade com que participava com naturalidade e interesse, de festejos que envolviam crendices de africanos e mulatos, manifestava curiosidade pelos estudos iniciados da Maçonaria. Também manifestava interesse pelo Espiritismo, pela homeopatia, como igualmente pelo Judaísmo. É o que narra o livro "Dom Pedro II e a Princesa Isabel, Uma Visão Espírita-cristã do Segundo Reinado", publicação da Editora Lorenz.
Homem ilustrado, e particularmente apaixonado pelas inovações cientificas, Pedro II desde muito jovem foi sócio-correspondente de dezenas de instituições científicas, entre as quais o prestigiado Instituto da França.

Dom Pedro II aos 32 anos de idade, 1858.
Manteve correspondência com diversas personalidades proeminentes da época, tendo se encontrado com alguns durante suas viagens ao exterior, entre os quais Nietzsche e Emerson, além de escritores famosos, como Lewis Carrol, Júlio Verne e Victor Hugo, com quem teve um célebre encontro em Paris.
Hugo dizia ser ele um "neto de Marco Aurélio".

O poeta francês Lamartine o denominava "Príncipe filósofo" e Eça de Queiroz dizia que ele mostrava uma "rara ilustração".
Amigo de Camille Flammarion, um dos maiores astrônomos da época, empenhou-se em equipar e reorganizar o atual Observatório Nacional, tornou-se um destacado centro de pesquisas. Sua paixão pela astronomia, a ciência preferida, valeu-lhe constantes caricaturas na imprensa brasileira, ilustrando-o acompanhado de sua luneta.
Pedro II esteve na exposição de Filadélfia, Estados Unidos, em 1876, ocasião em que Alexander Graham Bell demonstrou a sua nova invenção: o telefone.
Provavelmente, Pedro II foi o primeiro brasileiro a usar um telefone.
Na ocasião, ele citou o clássico de William Shakespeare em Hamlet: Ser ou não ser, para em seguida exclamar: Esta coisa fala!
Consta que teve relevante participação na divulgação e no posterior financiamento do invento.
Foi o primeiro financista de Louis Pasteur, que o reconheceu com um "um homem de ciências". Admirava as pesquisas de Pasteur, muito antes que o cientista fosse reconhecido na França, tendo inclusive convidado-o para morar no Brasil.
Apaixonado pela arqueologia, visitou as ruínas de Tróia e as pirâmides do Egito, tendo sido recebido e conduzido nessas ocasiões pelos próprios Schliemann e Mariette.
Também foi amigo e protetor do famoso neurologista Jean Charcot, cujas teorias seriam a base para a psicanálise de Freud. Charcot, inclusive, foi quem assinou seu atestado de óbito.
O imperador ajudou na industrialização do país, sendo o responsável pela introdução do trem no Brasil, através da concessão dada ao Visconde de Mauá para a construção da primeira ferrovia brasileira, a Estrada de Ferro Dom Pedro II (que após a proclamação da república foi renomeada Estrada de Ferro Central do Brasil).
Pioneiro das preocupações ecológicas, pode-se citar a ordem que deu, em 1861, para o replantio com espécies nativas da Mata Atlântica da área da Floresta da Tijuca, devastada pelo cultivo de café.
Foi o fundador, mantenedor e incentivador de inúmeras instituições científicas no Brasil, entre as quais se destacam além do já citado Observatório Astronômico, o Instituto Baiano de Agricultura, o Instituto Agronômico de Campinas, o Museu Paraense, o Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, a Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional e a Escola de Minas de Ouro Preto. Critica-se o imperador pelo fato de seu apoio ter-se dado no plano do mecenato, tendo auxiliado estas instituições com seus recursos privados, sem procurar vinculá-las ao aparelho do estado, o que fez com que perdessem a continuidade com a sua deposição e somente muito mais tarde se recuperassem. Não se deve esquecer, entretanto, que tais iniciativas não tinham um segmento social que o apoiasse, diferentemente do caso dos Estados Unidos e da Europa.

Liberdade de Expressão
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Estátua a Pedro II, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte
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Segundo o historiador José Murilo de Carvalho, em seu D. Pedro II (Companhia das Letras: 2007), nunca o Brasil desfrutou de tanta liberdade de expressão quanto no Segundo Reinado. Até mesmo injúrias ao monarca eram publicadas, não admitindo ele que fossem punidas ou que os jornais que as divulgavam fossem processados ou fechados. Com efeito, no Brasil republicano proíbe-se o anonimato nos órgãos de imprensa, que era aceito no período imperial. Mas, de todo modo, assegura Carvalho, o imperador defendia a liberdade de imprensa por convicção e não por conveniência.

Republicanismo e a Liberdade do Império
O republicanismo como movimento constante surgiu no Brasil em dezembro de 1870 no Rio de Janeiro com o lançamento de um manifesto assinado por 57 pessoas e a criação do Clube Republicano. Era uma "minoria insignificante de letrados". Não constava no manifesto qualquer repúdio ou desejo de extinção da escravidão.
Em 1873 surgiu o Partido Republicano Paulista em São Paulo, que afirmava que a escravidão deveria ser tratada pelos partidos monarquistas. Boa parte dos republicanos paulistas eram fazendeiros proprietários de escravos. A maior parte dos republicanos tinha por objetivo esperar a morte de Pedro II e por meios pacíficos (como um plebiscito, por exemplo), impedir o reinado da Princesa Isabel. Os republicanos não desejavam qualquer "reajuste social" (como melhorar a condição de vida dos ex-escravos) e não "eram revolucionários no sentido profundo do termo". O movimento republicano "teve evolução lenta e irregular, concentrado nas províncias ao sul da Bahia", mais precisamente nas províncias de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Era "um grupo extremamente reduzido", com "precária a organização nas províncias" e "nenhuma coesão, sem a menor sombra de ligação". O único grupo republicano que possuía alguma notoriedade era o Partido Republicano Paulista, que conseguiu eleger apenas dois deputados gerais em 1884 e nenhum na última legislatura do Império em 1889. Na "década de 1880, angariou simpatizantes em número menor que o abolicionismo, e num ritmo mais lento". Seu número aumentou somente após 1888, com a adesão de fazendeiros donos de escravos que se sentiram injustiçados pela extinção da escravidão sem qualquer tipo de indenização. Ainda assim, em 1889 os "republicanos declarados eram provavelmente uma pequena minoria".
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Caricatura de Angelo Agostini ridicularizando o desinteresse de D. Pedro II pela política
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Como "os próprios republicanos reconheciam, o partido não tinha tamanho, organização e apoio popular suficientes para derrubar o regime monárquico". O republicanismo "não chegou, em tempo algum de seu desenvolvimento, a galvanizar a alma nacional. Jamais teve o condão de provocar um entusiasmo forte e de arregimentar todas as forças que se divorciavam do trono". Mesmo com uma propaganda radical e com a pouca interferência das autoridades, o Partido Republicano que atuava desde 1870 era pequeno. Sua propaganda louvava repúblicas como os Estados Unidos, a França e Argentina, mas convenientemente ignoravam monarquias progressistas como o Reino Unido e as nações escandinavas.
Em 1889, seus membros eram alguns "discursadores de praça pública e escrevinhadores de jornais. Estavam longe de poder desenvolver uma propaganda que pudesse abalar, os alicerces do trono". No "processo político do segundo império, o partido republicano tem um papel tão apagado e tão secundário que poderia mesmo ser esquecido, que não se alteraria a ordem de raciocínios em que se pretendesse explicar os motivos da desagregação do regime". Foi a crise entre os militares e o Governo, "de origem e evolução muito diversas" do republicanismo, que foi o principal fator para a queda do trono.
Pedro II, contudo, não se importou com o manifesto republicano de 1870. O Marquês de São Vicente, então Presidente do Conselho de Ministros, sugeriu ao Imperador que fosse proibido o ingresso de republicanos na carreira pública, prática comum nas monarquias. Pedro II respondeu: "Sr. São Vicente, o país que se governe como entender e dê razão a quem tiver." O presidente censurou o monarca: "Vossa Majestade não tem direito de pensar por este modo. A Monarquia é um dogma da Constituição, que Vossa Majestade jurou manter; ela não está encarnada na pessoa de Vossa Majestade".
Mas o Imperador não se importou e respondeu: "Ora, se os brasileiros não me quiserem para seu Imperador, irei ser professor!".
O Imperador sempre se recusou a proibir que republicanos tivessem cargos públicos e inclusive empregou Benjamin Constant como professor de matemática de seus netos. Permitia as manifestações de republicanos, fossem em jornais, comícios, reuniões ou partidos, e isentou os deputados republicanos de jurarem fidelidade a coroa. A "liberdade de Imprensa, que constituía uma das bases do regime, continuava a permitir as críticas mais ferozes, as caricaturas mais ignóbeis contra o regime e seus homens públicos". Pedro II era intransigente na defesa da irrestrita liberdade de expressão que existia no Brasil desde 1822. Era acusado de ser excessivamente tolerante em relação aos republicanos, mas "não deu atenção as varias advertências no sentido de que sua ação minava as bases políticas da monarquia".
Em 1889, Pedro II revelou a Saraiva que não se importaria se o país se tornasse uma república.
O indiferentismo do Imperador pela sorte do regime foi também um dos fatores que mais contribuíram para o desprestígio e, portanto, para a queda da Monarquia.

Terceira Viagem à Europa
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Dom Pedro II aos 61 anos de idade - 1887
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A saúde de Pedro II havia piorado consideravelmente e em 1887 os ataques de febre haviam se tornado comuns. Seus médicos pessoais sugeriram uma viagem a Europa para tratamento médico. Ao embarcar, foi saudado por uma multidão, que gritava:
“Viva Sua Majestade o Imperador do Brasil!”
Partiu em 30 de junho de 1887, com a esposa e o neto Pedro Augusto. Mais uma vez sua filha Isabel tornou-se regente em seu lugar. Permaneceu pouco tempo em Portugal e foi para Paris onde se hospedou como de costume no Grande Hotel.
Lá recebeu as visitas de Pasteur, Ambroise Thomas, Levaseur, François Coppée, Dumas Filho, Arsène Houssaye, Guerra Junqueira, de dois netos de Victor Hugo, dentre outros. Em uma conversa com Houssaye o imperador lamentou a coroa de espinhos que carregava.
Pedro II visitou seu velho amigo Michel Eugène Chevrel que estava então com 102 anos de idade.
O monarca foi examinado pelos médicos franceses Charles-Édouard Brown-Séquard, Jean-Martin Charcot e Michel Peter que recomendaram uma visita as estações de cura em Baden-Baden.
Permaneceu em Baden-Baden por 2 meses e lá encontrou-se com velhos conhecidos como Guilherme I da Alemanha e Leopoldo II da Bélgica. Também visitou o túmulo de sua filha Leopoldina em Coburgo.
Retornou a Paris em 8 de outubro de 1887, com a saúde aparentemente reabilitada e encontrou-se com suas irmãs Januária e Francisca.
De lá partiu para Itália onde foi convidado para um jantar com o rei da Itália, Vitoria da Inglaterra e a Rainha da Sérvia.
Em Florença inaugurou a obra Independência ou Morte do pintor brasileiro Pedro Américo na presença da Rainha da Inglaterra, da Rainha Sérvia e do Rei do Wurtemberg.
Em Milão encontrou-se com Cesare Cantù.
 A saúde do imperador piorou dramaticamente em Milão em 3 de maio de 1888, e passou duas semanas entre a vida e a morte, chegando a receber a extrema-unção. Chamaram Jean-Martin Charcot de Paris que ao chegar injetou na veia do monarca cafeína, resultando numa melhora de seu estado de saúde.
Apenas em 22 de maio de 1888, que recebeu a notícia de que a escravidão havia sido abolida no Brasil.
Estava deitado na cama extremamente fragilizado e com a voz fraca e lágrimas nos olhos falou:
“Grande povo! Grande povo!”
Pedro II retornou ao Brasil e desembarcou no Rio de Janeiro em 22 de agosto de 1888. O “país todo o recebeu com um entusiasmo jamais visto. Da corte, das Províncias, de toda parte, chegavam-lhe provas de carinho e de veneração. A emoção dos que o viram desembarcar, alquebrado, magro, o corpo curvado, as pernas fracas, foi a mais profunda”.
Os alunos da Escola Militar escalaram o Pão de Açúcar e colocaram uma faixa gigantesca onde estava escrito “Salve”.
Não se viu tal demonstração de entusiasmo popular dirigido ao imperador nem mesmo nas celebrações de sua maioridade em 1840, ou na Questão Christie em 1864, ou na partida para o Rio Grande do Sul em 1865 ou mesmo com a vitória na Guerra da Tríplice Aliança em 1870.
A julgar pelas manifestações gerais de simpatia que acolheram o Imperador e a Imperatriz por ocasião de sua chegada da Europa, nesse inverno de 1888, nenhuma instituição política podia pretender estar tão forte quanto a Monarquia no Brasil. Até mesmo os ex-escravos manifestavam lealdade a monarquia e se opunham veementemente aos republicanos, a quem chamavam de “os paulistas”.
A “Monarquia parecia estar no auge da popularidade”.
Pedro II havia atingido o ponto de sua maior popularidade entre os brasileiros.
O fim da escravidão resultou no apoio explícito dos ricos fazendeiros de café (que de fato detinham o poder político, econômico e social no país) ao republicanismo.
Apesar de não haver no Brasil qualquer desejo pela mudança na forma de governo, os republicanos passaram a pressionar o Exército e seu principal líder, o Marechal Deodoro da Fonseca, a derrubar a monarquia.
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Cronologia

Em 1826, com 1 ano de idade, perde sua mãe a Imperatriz Dona Leopoldina.
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Dona Leopoldina, imperatriz do Brasil
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Em 7 de Janeiro de 1830, Dona Carlota Joaquina de Bourbon, esposa de Dom João VI de Portugal, falece em Queluz, Portugal, aos 55 anos.
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Dona Carlota Joaquina
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Em 7 de abril de 1831, seu pai o Imperador Dom Pedro I, abdica do trono a seu favor, porém ele conta com apenas 5 anos de idade (completaria 6 anos em dezembro deste ano), A Constituição determinava neste caso que o país deveria ser governado por uma regência eleita pela Assembléia-Geral, visto que o príncipe herdeiro, Dom Pedro II era menor de idade desta forma ele é tutorado primeiramente por José Bonifácio de Andrada e Silva chamado de "O Patriarca da Independência".
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Abdicação de Dom Pedro I
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O nome de José Bonifácio foi determinado por Pedro I para ser seu tutor de 1831 a 1833.
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José Bonifácio de Andrada e Silva
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Conta-se que quando seu pai abdicou ao trono Pedro estava a alguns quilômetros de distância do Rio de Janeiro, Bonifácio, foi ao seu encontro e anunciou solenemente que já fazia algumas horas ele passara a ser sua majestade o imperador do Brasil.
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Dom Pedro com 5 anos
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No trajeto de volta ao Rio de Janeiro, começou a chover e Pedro uma criança correu até um casebre em busca de abrigo, bateu a porta e uma velhinha gritou de dentro da casa:

- Quem está aí?

- Abra logo vovó, eu sou Pedro, João, Carlos, Leopoldo, Salvador, Bibiano, Francisco, Xavier, de Paula, Leocádio, Miguel, Gabriel, Rafael, Gonzaga, de Alcântara!

- Cruuuuzes! Como é que eu vou arranjar lugar aqui para tanta gente?!

Em 1833, José Bonifácio foi destituído sendo designado pela Assembléia-Geral do Império para substituí-lo o Marquês de Itanhaém (Manuel Inácio de Andrade Souto Maior) que ficou sendo seu tutor de 1833 a 1840.
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Em 15 de dezembro de 1833, José Bonifácio é acusado de tentar promover a volta de Dom Pedro I, com intuito de tornar-lo regente durante a adolescência de Dom Pedro II, foi preso e deportado para a Ilha de Paquetá.
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Ilha de Paquetá
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Em 1834, morre em Portugal seu pai Dom Pedro I.
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Em 1834, a condenação de José Bonifácio foi confirmada pela Assembléia Geral, sendo absolvido mais tarde, passando a residir na Cidade de Niterói - RJ.
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Niterói - província do Rio de Janeiro
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Entre 1835 e 1840 ocorreu no Pará a rebelião conhecida como Cabanagem.

Em 1835 aconteceu a insurreição Farroupilha no Rio Grande do Sul.

Em 1837 acontece a Sabinada na Bahia.

Em 1838, a Balaiada no Maranhão.

Em 6 de março de 1838, falece na Cidade de Niterói (RJ) José Bonifácio, “Patriarca da Independência”.

Em 1838, no Rio de Janeiro é inaugurado o Colégio Pedro II.

Em 1840, adquire um aparelho de daguerreotipia (a futura máquina fotográfica), em março do mesmo ano, motivado pelas demonstrações que o abade francês Louis Compte lhe fizera em janeiro, quando introduzia a fotografia no Brasil.
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Paço Imperial - 1840
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Adquiriu seu próprio equipamento, oito meses antes que outros similares fossem finalmente comercializados no país sendo então o primeiro brasileiro a praticar fotografia. Também foi grande como mecenas e colecionador de fotografias, exercendo papel essencial para o florescimento da fotografia no Brasil. Como colecionador, constituiu o maior acervo privado das Américas durante o século XIX, a base para o estudo da história da fotografia no Brasil, reunindo ainda imagens de grandes pioneiros internacionais. Quando de seu exílio do país, após a Proclamação da República, doou seu acervo fotográfico para a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, que o preserva, desde 1892, com o título de Coleção Thereza Christina Maria.
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Em 23 de julho de 1840, é proclamado maior de idade, encerrando longo processo de confrontos regenciais, o senado antecipou a Maioridade de Dom Pedro II ao proclamá-lo imperador aos 14 anos. Para uns, foi a reafirmação da "força do parlamento"; para outros, uma manobra política – o "golpe da maioridade".
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Dom Pedro - Eu Quero!
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Em 18 de julho de 1841, é coroado como Dom Pedro II – Imperador do Brasil, um ano depois de ser emancipado.
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Desde 1841, e pelos próximos 48 anos, foi fixada a renda para a Família Imperial saída dos cofres públicos que seria de 67 contos de réis por mês.
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Casa dos Contos
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Nota: Curiosamente, uma das primeiras medidas do Marechal Deodoro da Fonseca foi aumentar o salário do presidente da república (ou seja, ele mesmo) para 120 contos de réis por mês, quase o dobro do que recebia toda a Família Imperial.

Em 1841, é criado o primeiro hospital psiquiátrico do país, o Hospital Dom Pedro II, no Rio de Janeiro.
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Em 1842, nomeou o português Padre Antônio Ferreira Viçoso para bispo de Mariana e o paulista Padre Antônio Joaquim de Melo para São Paulo, dois sacerdotes extremamente fiéis à monarquia, mas que tinham outra formação: eram reformistas e fieis ao Papa.

Em 16 de Março de 1843, a Cidade de Petrópolis foi fundada pelo Imperador Dom Pedro II.

Em 1843, o Brasil se tornou o segundo país a adotar um Selo como forma de taxa de serviço postal, uma invenção inglesa de 1840.

Em 30 de maio de 1843, casa-se por procuração com a princesa napolitana Teresa Cristina Maria Giuseppa Gaspare Baltassare Melchiore Gennara Francesca de Padova Donata Bonosa Andrea d’Avellino Rita Luitgarda Geltruda Venancia Taddea Spiridione Rocca Matilde de Bourbon, filha do rei Francisco I Rei das Duas Sicílias.
Tiveram quatro filhos, mas só sobrevivem Dona Isabel (Princesa Isabel) e Dona Leopoldina Teresa.

Bento Lisboa foi o encarregado de tratar do casamento de Dom Pedro II com o auxílio do futuro cunhado Luis, várias tentativas foram realizadas em busca de uma esposa, como na Áustria, Espanha e Rússia, mas não havia muitas princesas disponíveis afim de vir morar no Brasil.

Alguns contemporâneos de Dom Pedro II contam da sua decepção diante da Imperatriz que veio na base de contrato da Europa e que em nada parecia com os retratos que foram enviados ao Brasil para a apreciação de Dom Pedro. Dona Teresa Cristina seria feia, baixa, gorda e mancava de uma perna, além disso quase 4 anos mais velha que ele. Sob o impacto do primeiro encontro (e se for verdade o que contam, bota impacto nisso) o jovem monarca desolado chorou nos braços de sua aia/professora, a Condessa de Belmonte. Ela, a condessa estava com 63 anos.

Teria dito a condessa ao imperador:

"Cumpra seu dever, meu filho".

Só para esclarecer: O título oficial dela era Condessa de Belmonte, porém hoje em dia em ruas, praças e avenidas é mais comum encontrar Condessa Belmonte, sem a preposição.

Seu mordomo Paulo Barbosa teria dito:

"Lembre-se da dignidade de seu cargo".

Paulo Barbosa foi a pessoa que sugeriu o nome de Petrópolis para a cidade serrana do Estado do Rio de Janeiro, cidade essa que a Família Imperial amava.

Em 1845, nasce seu primogênito, filho Dom Afonso.

Em 1845, no final da guerra dos Farrapos, os liberais dominaram a situação, mas os conservadores logo reconquistaram a liderança e, em conseqüência de sua atuação, deflagrou-se a insurreição praieira de 1848, em Pernambuco.

Em 1845, iniciou a construção da residência de verão da Família Imperial em Petrópolis (o atual Museu Imperial), um sonho de seu pai Pedro I. Três anos depois, o imperador e sua família já desfrutavam os ares da serra. Mas só em 1860 o palácio foi concluído. Depois da proclamação da República, em 1889, o Palácio de Verão foi alugado a colégios religiosos. Muito de sua rica mobília sumiu e, hoje, boa parte dos móveis que lá estão expostos são de outras residências do imperador. Em 1943, Getúlio Vargas adquiriu o prédio e abriu o museu.

Em 1845, o imperador Dom Pedro II e a Imperatriz Tereza Cristina assistiram ao Primeiro Rodeio que se tem notícia no Brasil, nos alagados de Campinas em São José da Terra Firme, na província de Santa Catarina, onde Dom Pedro chegou até a dançar num fandango.

Em 1845, foi decretado pelo Imperador Dom Pedro II a lei "Regimento das Missões", que criou os cargos de Diretores de Índios. Este cargo era administrado por um fazendeiro político, e aliado ao Imperador, deixando cada vez mais fácil o roubo das terras indígenas.

Em 30 de março de 1846, visita a Cidade de Jundiaí, na província e São Paulo, com grande comitiva.

Em 1846, surgiu no extinto Largo do Valdetaro no Bairro do Catete (Rio de Janeiro), a "Sociedade Recreativa Dançante Cassino Fluminense", lá haviam bailes, e conta-se que o Imperador Dom Pedro II e a Imperatriz Tereza Cristina costumavam freqüentar, como se pode notar, eles não eram tão jovens assim como vários autores contam em seus livros, ele o imperador estava com 21 anos e a imperatriz com 25; inclusive já eram casados, dificilmente eles freqüentariam neste mesmo ano, pois a imperatriz estava grávida, ou seja eles provavelmente freqüentaram o local mais tarde entre uma gravidez e outra da imperatriz.

Às 18:26H da tarde do dia 29 de julho de 1846, os canhões do Morro do Castelo, no Rio de Janeiro, anunciaram o nascimento no palácio de São Cristóvão - Rio de Janeiro da Princesa Isabel (Dona Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança). Ela viria a ser a primeira e única mulher que governou o Brasil.

As filhas de Dom Pedro, Isabel e Leopoldina, tiveram como professora a Condessa de Barral (Luisa Margarida Portugal de Barros),

Em 20 de julho de1847, através do decreto 523 o Brasil teve o sistema Monárquico Parlamentar de governo elaborado e definido, criando o cargo de Presidente do Conselho de Ministros. O que seria hoje como o cargo de Primeiro Ministro.

Em 1847, faleceu seu filho Dom Afonso.

Em 1847, nasce sua filha Dona Leopoldina Tereza.

Em 1848, nasce seu segundo filho Dom Pedro Afonso.

No mesmo ano de 1848, ocorreu a Insurreição Praieira, em Pernambuco.

Em janeiro de 1850, morre seu segundo filho Príncipe Dom Pedro Afonso.

Em 1850, D. Pedro II alterou sua posição. Depois de uma década, Pedro II assinou outro pacto com a Grã-Bretanha pelo qual se proibia o Tráfico Humano da África, Ásia ou outros continentes.

Em 1850, Dom Pedro II cria a província (hoje estado) do Amazonas.

Fundada em 1851, com a finalidade de servir como nova capital da província do Piauí, a cidade de Teresina, foi oficializada como tal no ano seguinte e recebeu seu nome em homenagem à Imperatriz Teresa Cristina, mulher de Dom Pedro II.

Em 1851, o Imperador atribui o título de "Photographo da Casa Imperial" aos retratistas LOUIS BUVELOT e PRAT. É a primeira vez que um soberano concede uma honraria a um fotógrafo! Entre 1851 a 1889, ele concedeu esse título a mais de duas dezenas de fotógrafos...

Há 24 de outubro de 1854, a Câmara Municipal da Corte delibera, é homologado pelo Imperador Dom Pedro II a criação do quadro de Despachantes Municipais, assim é regulamentada a profissão de despachante, basicamente com as mesmas atribuições de hoje, inclusive a legalização de veículos.

Em 30 de abril de 1854, inaugura a Estrada de Ferro Petrópolis, fundada por Irineu Evangelista de Souza, Visconde e depois Barão de Mauá, patrono do Ministério dos Transportes. Foi no ato de inauguração da nossa primeira ferrovia que o Imperador Dom Pedro II batizou a primeira locomotiva a vapor do Brasil de "Baronesa", em homenagem à esposa do Barão de Mauá, Dona Maria Joaquina, a Baronesa de Mauá. Após servir o Imperador Pedro II, por muitos anos, foi retirada de tráfego em 1884, voltando ao serviço algum tempo depois, para transportar um visitante ilustre, o Rei Alberto da Bélgica.

Em 1856, manda importar dromedários e camelos para o Ceará, coisa que não deu certo.

No dia 2 de outubro de 1857, um decreto emitido pelo Conselheiro Tolentino, por ordem do Imperador, Magé tornou-se Cidade.

Em 1857, chega ao Brasil a convite do imperador o Padre Huet, um professor surdo que trouxe um método de ensino, fundando a primeira escola de surdos o INES - Instituto Nacional de Educação de Surdos, no Rio de Janeiro.

Em 1858, é inaugurada a Estrada de Ferro Dom Pedro II.

Entre os anos de 1859 e 1860, faz uma viagem antológica pelo nordeste brasileiro incluindo o Rio São Francisco. Atravessou grande parte do território nacional, do Rio de Janeiro à Paraíba, muitas vezes montado em lombo de burro ou a bordo embarcações rudimentares e frágeis. Quando passou pela Bahia, escreveu em seu diário:
“Na fazenda dos Olhos d’água fiquei mal acomodado na senzala – nome que convém à casa que aí há – mas sempre arranjei cama em lugar de rede e dormiria bem, apesar das pulgas, cujas mordeduras só senti outro dia de manhã, se não fosse o calor, e a falta de água que é péssima aí, tardando a de Vichy, que vinha na bagagem pela falta de condução.”

Em 1860, Dom Pedro II visita a província do Espírito Santo.

Em 1861, D. Pedro visitou visitou Juiz de Fora, na província de Minas Gerais, seguindo pelo estrada do Caminho Novo.
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Foto tirada do alto do morro do Imperador - 1915
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Mirante do Imperador
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Em 12 de janeiro de 1861, Dom Pedro II criou a casa de penhor Monte Socorro da Corte e a Caixa Econômica da Corte, duas instituições financeiras que acabaram se fundindo. Desde a época imperial, portanto, damas brasileiras e alguns nobres sem fortuna passaram a recorrer à essa modalidade de empréstimo; empenhando jóias. Esta instituição, mais tarde se tornaria a Caixa Econômica Federal.

- A Caixa Econômica, teve como primeiro cliente do novo banco, garantido pela Corte de Dom Pedro II, Antônio Alvarez Pereira Coruja, o gaúcho Comendador Coruja, que abriu poupança para seus filhos e virou nome de agência da Caixa Econômica no Rio Grande do Sul (por lá ele também tem nome de rua). Desde o primeiro depósito do Comendador Coruja, a Caixa foi sinônimo de garantia por 129 anos consecutivos, até a chegada ao poder de Fernando Collor de Mello que confiscou os ativos financeiros de toda a população incluindo as cadernetas de poupança.

Em 1861, o navio inglês Príncipe de Gales afundou na costa do Rio Grande do Sul, sendo sua carga pilhada pelos brasileiros. O governo inglês, através de seu representante no Brasil o diplomata William Christie, exigiu uma indenização de 3.200 libras esterlinas.

As coisas pioraram quando três oficiais ingleses, embriagados e à paisana, foram presos por promoverem desordens. William Christie exigiu a soltura dos oficiais e a punição dos policiais que os prenderam. Tinha início nesse momento o episódio que ficou conhecido como a "Questão Christie".

Dom Pedro aceitou indenizar os ingleses pelos prejuízos na pilhagem do navio inglês no litoral gaúcho e soltar os oficiais. Mas, recusou-se a punir os policiais brasileiros. Christie ordenou o aprisionamento de cinco navios brasileiros, o que gerou indignação e atitudes de hostilidade dos brasileiros em relação aos ingleses aqui radicados. As relações diplomáticas e comerciais entre Inglaterra e Brasil foram rompidas em 1863 por iniciativa de Dom Pedro, sendo reatadas dois anos mais tarde. O imperador aceitou receber o embaixador da Rainha Vitória, que veio apresentar desculpas formais e pedir o reatamento das relações diplomáticas, diante do fortalecimento do Paraguai na região platina.

Em 26 de junho de 1862, Dom Pedro II promulgava a Lei Imperial nº 1157 que oficializou em todo o território nacional, o Sistema Métrico Decimal Francês. O Brasil foi uma das primeiras nações a adotar o novo sistema, que seria utilizado em todo o mundo.

Também em 1862, ordenou o replantio de toda a vegetação nativa onde hoje é a Floresta da Tijuca no Rio de Janeiro a maior floresta urbana do mundo. Totalmente devastada em função do plantio de café, comprometeu as nascentes dos rios e alterou o equilíbrio climático da época.

Em 1864, a Princesa Isabel casou, dizem, totalmente apaixonada com Luiz Felipe Gastão Orléans, o Conde d’Eu, ela contava com 18 anos.

Em 1864, Dona Leopoldina, casou com o Duque de Saxe.

Em fevereiro de 1864, Dom Pedro II inaugurou, no Bairro da Glória, a Estação Elevatória de Tratamento de Esgotos do Rio de Janeiro. (leia um pouco mais sobre este assunto na página inicial do site, na coluna "Biografias Relacionadas com o Bairro", na biografia de Frederico Russel).

Em 1864, estoura a Guerra do Paraguai que se estende até 1870.

Em 7 de maio de 1865, após uma obra que se arrastou lentamente por 106 anos, foi inaugurado com a presença de Dom Pedro II e da Imperatriz Teresa Cristina a Igreja de São Francisco de Paula, no atual Largo de São Francisco pertencente a Venerável Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula fundada no Rio em 1752.

Em 1865, quando do retorno de D. Pedro II da cidade gaúcha de Uruguaiana, no contexto da Guerra da Tríplice Aliança, onde ele conseguira a rendição das tropas paraguaias e onde ainda recebera o embaixador britânico Edward Thornton, que se retratou publicamente em nome da Rainha Vitória e do Governo Britânico devido à crise entre os dois impérios, a Assembléia Nacional lhe propôs a construção de uma estátua equestre com sua figura. Ele rejeitou a proposta e preferiu usar o dinheiro para construir escolas.

Em 1866, um decreto imperial de Dom Pedro II autorizava o funcionamento da Companhia de Seguros Marítimos e Terrestres Garantia, que muito mais tarde após fusões e mudanças de razão social veio a se tornar o UNIBANCO. A seguradora se propunha a cobrir riscos marítimos e fluviais, de incêndios produzidos por raios e de inundações, mas a ênfase era sobre os seguros de navegação.

Em 1868, a Princesa Isabel resolveu fazer um milagroso tratamento a base de água mineral, a ultima novidade na Europa para tratamento de infertilidade, pois até então ela não havia engravidado o que abalava o seu casamento. Viajou para Minas Gerais com seu marido o Conde d’Eu, o Dr. N. Feijó, e alguns amigos para experimentar as águas minerais da Cidade de Caxambu, ninguém sabe como, mas a cura chegou logo; pouco depois ela geraria três filhos para garantir a perpetuação dos Orléans e Bragança: Dom Pedro de Alcântara Príncipe de Grão Pará (titulo do herdeiro do trono imperial do Brasil), Dom Antonio e Dom Luiz, bonitos, corados e saudáveis.

Em 1870, fazendeiros, políticos, jornalistas e intelectuais lançam no Rio de Janeiro o Manifesto Republicano.

Também em 1870, foi redigido o Manifesto Republicano na cidade de Itu, na província de São Paulo.

No mesmo ano de 1870, a enfermeira Ana Néri (Ana Justina Néri) recebe do imperador Dom Pedro II uma pensão vitalícia, com a qual educa quatro órfãos recolhidos no Paraguai.

Em 1870, surgiu o Partido Republicano, o Marques de São Vicente (José Antônio Pimenta Bueno) presidia o Conselho de Ministros, comentou com o imperador, não achar adequado que republicanos ocupassem cargos públicos Dom Pedro II falou ao ministro:
"O país que se governe como entender e dê razão a quem tiver". E, como Pimenta Bueno insistiu, encerrou a questão com a seguinte frase:
"Ora, se os brasileiros não me quiserem como imperador, irei ser professor".

Em 1871, morre de tifo aos 24 anos de idade sua filha Dona Leopoldina Teresa.

Em 1871, promulga a Lei do Ventre Livre, lei que libertava os escravos recém nascidos a partir da data da promulgação. A lei é assinada pela Princesa Isabel, porém a promulgação historicamente é atribuída a Dom Pedro.

Em 1872, foi feito o primeiro recenseamento no Brasil, que contava com uma população total de 9.930.478 sendo:
5.123.869 de homens,  
4.806.609 de mulheres,  
cerca de 1.500.000 de escravos.
Os resultados não incluem 181.583 habitantes, estimados para 32 paróquias, nas quais não foi feito o recenseamento na data determinada. (dados do IBGE).

A 25 de maio de 1871, faz sua primeira viagem internacional; não era muito simples para ele se ausentar do Brasil, ele tinha que pedir autorização a Câmara, e os políticos relutavam em conceder, pois temiam deixar o trono nas mãos da Princesa Isabel, que contava com apenas 24 anos.

A 12 de junho de 1871, quando desembarcou em Lisboa, ocorreu o seguinte episódio, havia a necessidade de quarentena para todos os viajantes provenientes das Américas, ele foi informado que essa medida não se aplicava a ele, então teria dito:
Porque não? a ordem não é para todos? E assim ele ficou sob quarentena como todos os demais passageiros.

Entre 1871 e 1887, faz várias viagens ao exterior visitando América do Norte, a Rússia, a Grécia e vários outros países da Europa, sempre pagando suas próprias despesas.

Em Alexandria, Egito, existe uma Igreja Greco-Melquita Católica (Rito Bizantino) dedicada a São Pedro, construída por um emigrante libanês no Egito, Conde Miguel Debbane (1806-1872) e Cônsul Honorário do Brasil em Alexandria. A igreja foi construída em 1868 em honra de Dom Pedro II, e em 1871 o Imperador visitou Alexandria e a igreja. Ainda nos dias de hoje são celebradas missas em memória do Imperador e do Conde Miguel Debbane.

Em 1872, mandou prender os bispos Dom Vital e Dom Macedo Costa, por desafiarem o poder real no episódio conhecido como "Questão Religiosa". Julgados e condenados pelo Supremo Tribunal (1875), depois foram anistiados pelo imperador.

Em 1872, foi feito o primeiro recenseamento no Brasil, que contava com uma população total de 9.930.478 sendo:
5.123.869 de homens 
4.806.609 de mulheres 
cerca de 1.500.000 de escravos.
Os resultados não incluem 181.583 habitantes, estimados para 32 paróquias, nas quais não foi feito o recenseamento na data determinada. (dados do IBGE).

Em 26 de janeiro de 1873, falece Dona Amélia de Leuchtenberg, 2ª esposa de Dom Pedro I, Imperatriz do Brasil e Duquesa de Bragança em Queluz, Portugal, aos 61 anos.

Surgiu em 16 de abril de 1873, na Cidade de Itu - SP, o Partido Republicano Paulista (PRP).

Em 1874, foi inaugurado o cabo submarino entre o Brasil e a Europa, usado nas comunicações telegráficas.

Em 1876, o artesão cervejeiro Henrique Kremer já como fornecedor oficial do Palácio Imperial, resolve batizar seu estabelecimento como Imperial Fábrica de Cerveja Nacional, o nome nunca "pegou", sua cerveja sempre foi chamada de Bohemia pela população e Bohemia continua até hoje. Ninguém sabe porque o povo chamava esta cerveja de Bohemia.

Em 1876, fez a sua segunda e mais longa das viagens ao exterior, durou 18 meses, a Imperatriz Teresa Cristina teve problemas de saúde e foi atendida na Europa pelo famoso médico neurologista Jean Martin Charcot, que foi professor de Freud. Nessa mesma viagem, Dom Pedro II aproveitou para passear pelos Estados Unidos, onde se encantou com os arranha-céus, os trens e o desenvolvimento da agricultura; esteve na companhia do presidente americano Rutherford Hayes e escreveu no seu diário:
“Seu aspecto é grosseiro. Pouco fala. A nora é muito amável. A mulher feia e vesga faz o que pode para ser amável. O filho parece rapaz muito inteligente.”
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Presidente Ulysses Grant e família
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Nessa mesma viagem visitou Rússia, Criméia, Constantinopla e Atenas. Visitou também o Líbano, Síria e Palestina, a bordo do navio de bandeira brasileira "Aquiíla Imperial"; mesmo estando com uma comitiva de cerca de 200 pessoas, não foi gasto um centavo do dinheiro público. Segundo o livro "Líbano - Guia Turístico e Cultural”, em sua estada no Líbano, de 11 a 15 de novembro de 1876 em Beirute ficou hospedado no hotel "Hotel Belle Vue".
Pedro o Imperador escreveu a seu amigo, o Embaixador francês Joseph Gobineau, que ficara em Atenas, Grécia:
“Tudo vai bem... A partir de hoje começa um mundo novo. O Líbano ergue-se diante de mim com seus cimos nevados, seu aspecto severo, como convém a essa sentinela da Terra Santa...”
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Convento que a comitiva brasileira visitou em 1876: um labirinto de cavernas, câmaras e galerias no meio do deserto, século XIX.
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Trecho do diário de viagem D. Pedro II à Palestina, em 29/11/1876
           
 “Saí as 5 ½ (5h30). A Imp.(Imperatriz), como não podem ir as liteiras a S. Sabbas e mesmo não entram Sras. no convento, segue o caminho de antes de ontem partindo mais tarde... O caminho daí até perto de S. Sabbas é terrível, atravessando-se gargantas horrivelmente pitorescas... Ao chegar ao convento caminha-se ao longo do Cedrón, cujas ribanceiras de pedra têm centenas de pés de altura... Os edifícios do convento estão agarrados à ribanceira direita do rio que se lança no Mar Morto... Receberam-me com repiques desde que me avistaram, e à entrada com duas tochas acesas. Os frades, que são 60, estavam me esperando. O que mais me agradou no convento, cuja regra é a de S. Basílio – são gregos cismáticos –, foi como os melros, que se abrigam nos buracos da ribanceira oposta, vêm comer na mão dos frades.

Num pequeno quarto, havia manuscritos dos Evangelhos e Sermões... Custou a obter do frade que falava francês, que deixasse o Henning examinar a outra coleção de livros de uma torre onde ele achou alguns manuscritos, apesar do frade asseverar que só existiam impressos. Tal repugnância poder-se-á explicar pela vergonha que eles tenham de não haverem aproveitado, por ignorância, as riquezas literárias que possuam... O convento é, por assim dizer, um meschakid de edifícios aproveitando as grutas do rochedo... Num canto mais abençoado, levanta-se uma palmeira bastante alta, mas que se curva para trás como que precisando de encosto na parede. Os frades deram-me doce, água e café e à 1 ¾ (13h43) parti. O caminho daí em diante não é tão pitoresco. Às 3 ¼ (15h30) já via Jerusalém, subia sempre mais ou menos atravessando diversas vezes o Cedrón, ou seguindo para dentro do seu leito até Jerusalém.”


Uma curiosidade: Durante 127 anos nenhum outro chefe de estado brasileiro esteve no Oriente Médio, só em 2003 o Presidente da República Luis Inácio Lula da Silva esteve por lá para viagens para acordos comerciais.
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Constantinopla - Turquia - 1876
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Exposição Universal de 1876
“International Exhibition of Arts,
Manufactures and Products of the Soil and Mine”
Em maio de 1876, Dom Pedro compareceu na Exposição Internacional Comemorativa ao Centenário da Independência dos Estados Unidos na Filadélfia (EUA), comprou passagem em navio de linha regular, como sempre fazia quando viajava; recusava o cruzador como escolta que o Parlamento lhe oferecia, e viajava em navio de passageiros.
Quando o navio se aproximou das águas territoriais norte-americanas, uma esquadra americana o esperava, para escoltá-lo até o porto.
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Dom Pedro em traje de almirante - 1870
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D. Pedro era convidado oficial do Governo Americano.
O presidente americano Ulysses Grant fez questão de que o Imperador brasileiro cortasse junto com ele a fita de abertura, inaugurando a exposição.
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Presidente Ulysses Grant
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Visitando a exposição foi até a mesa onde estava o professor Graham Bell e seu invento, uma coisa chamada telefone. Dom Pedro II começou a fazer perguntas sobre a novidade, assim ele conseguiu despertar interesse e aceitação dos juízes do concurso de invenções da exposição para o aparelho. (não é claro, mas parece que Dom Pedro era um dos juízes).

Ele já conhecia o professor, tendo assistido uma palestra sobre surdos-mudos ministrada por Graham Bell.
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Grahan Bell
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Os juízes da exposição (que ao final auferiam prêmios aos vencedores), começaram a se interessar.
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O telefone foi examinado. Graham Bell estendeu um fio de um lado a outro da sala, e colocou Dom Pedro na extremidade onde ficava a parte receptora do aparelho e dirigiu-se ao transmissor, após um momento de total silêncio o Imperador do Brasil que tinha o receptor ao ouvido exclamou de repente:

- Meu Deus, isto fala!

Ficou fascinado e encomendou alguns aparelhos para poder se comunicar entre as suas residências.
Na Cidade de Petrópolis (Região Serrana do Rio de Janeiro) existe, um pouco antes de se chegar ao centro da cidade, uma ponte chamada de "Ponte Fones" este nome existe em função de Dom Pedro ter mandado instalar ali uma caixa com um aparelho telefônico rudimentar.
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Modelo de telephone do Palácio da Quinta da Boa Vista
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Livro de Ouro
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Livro de visitas ilustres da exposição, vê-se a assinatura de Dom Pedro
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No dia 10 de Maio de 1876, abre, em Filadélfia, Pensilvânia, a primeira Exposição Mundial dos EUA, para comemorar o centenário da assinatura da declaração de independência que aconteceu em 1776, também em Filadélfia.
Foi montada em Fairmount Park, ao longo do rio Schuylkill. As instalações foram projetadas por Hermann Schwarzmann. Contou com de 9 milhões de visitantes (quando a população dos EUA era de 46 milhões) na época, entretanto os visitantes foram contados novamente a cada vez que entraram na mostra.
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Oficialmente chamada “International Exhibition of Arts, Manufactures and Products of the Soil and Mine”, a exposição era absolutamente gloriosa. Foram construídos mais de 200 edifícios novos no interior de um recinto que media mais de quatro quilômetros de comprimento. No interior dos edifícios os visitantes podiam ver enormes máquinas a vapor em funcionamento, animais exóticos e objetos vindos de todo o mundo (participaram 44 países). Juntamente com uma celebração do poder científico e industrial, um mundo já globalizado mostrava-se e deixava-se tocar no seu esplendor. Para ter uma idéia, baste pensar que o edifício principal, uma elegante estrutura em ferro e vidro, tinha 580 metros de cumprimento e cobria uma área de 81.000 metros quadrados.
Bananas foram oficialmente apresentados ao público americano em 1876 na Exposição do Centenário. Embrulhadas em papel de alumínio, eram consideradas um tratamento exótico e vendido por 10 centavos.
Antes dessa data, bananas vieram para a América no convés de navios com os marinheiros levaram algumas hastes para casa depois viajar no Caribe.
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The Philadelphia Centennial Exposition, 1876, ten years after the close of the American Civil War, and during the second term of President Ulysses S. Grant was intended to celebrate the centennial of the Declaration of Independence in the city of our nation’s birth. It also charted the course for rapid American industrial expansion. In the great hall of industry, visited by many thousands, a single huge Corliss Steam engine ran 13 acres of through more than a mile of shafts.
The engine had a 44 inch bore, 10 foot stroke, was more than 45 feet tall, had a fifty-six ton, thirty foot diameter, twenty-four inch face flywheel, and produced 1,400 Horse Power at 36 RPM.
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Para anunciar a abertura da Exposição do Centenário, sinos soaram sobre toda a Filadélfia. Estava presentes à cerimônia o presidente dos Estados Unidos, Ulysses Grant e sua esposa e Dom Pedro II Imperador do Brasil com sua esposa. A cerimônia terminou no pavilhão de máquinas e equipamentos com Grant e Dom Pedro dando a partida no motor a vapor Corliss Steam Engine que fornecia energia para a maioria dos outros equipamentos da Exposição.
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Corliss Steam Engine
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Dom Pedro e o presidente Grant
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Alguns dos produtos mostrados ao público pela primeira vez na exposição de Filadélfia foram:
Alexander Graham Bell e o telefone
Remington tipográficas Machine (máquina de escrever)
Ketchup Heinz e o katchup
Wallace-Farmer Dynamo Electric, precursor (luz elétrica),
Entre outros.
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A Participação do Brasil na
Exposição Universal da Filadélfia de 1876 nos EUA

Além de D. Pedro II a obra, A Primeira Missa no Brasil, de Victor Meirelles, após participar da exposição em Paris, o quadro foi um dos escolhidos para representar o Brasil na Exposição Universal da Filadélfia, em 1876. “As duas viagens foram seguramente a causa da primeira restauração da obra, já em 1878.
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A Primeira Missa no Brasil, Victor Meireles - 1861
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O Telephono
chega no Brasil em 1877
D. Pedro ficou fascinado e encomendou alguns aparelhos de telefone para poder se comunicar entre as suas residências. Na Cidade de Petrópolis (Região Serrana do Rio de Janeiro) existe, um pouco antes de se chegar ao centro da cidade, uma ponte chamada de "Ponte Fones" este nome existe em função de Dom Pedro ter mandado instalar ali uma caixa com um aparelho telefônico rudimentar.
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O telefone chega ao Brasil, portanto um ano após a Exposição da Filadélfia.
Bell fabricou o primeiro aparelho especialmente para Pedro II, que o instalou no Palácio Imperial de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, hoje Museu Nacional, no Rio de Janeiro.
O espírito inovador e a grande visão futurista de d. Pedro II, no entanto, não deixariam o sonho esmorecer.

Foi justamente por isso que já em 1877, acontecia a primeira experiência telefônica em solo brasileiro, por conta do comerciante Leon Rodde. Ele instalou um telefone na O Grande Mágico, loja de sua propriedade na Província do Rio de Janeiro. Na ocasião, o resto do mundo contava com nada menos que 3 mil aparelhos funcionando, enquanto surgiam entre os norte-americanos propagandas sobre a última novidade tecnológica.

O aparelho utilizado era uma verdadeira engenhoca pesada e incômoda, que não tardou a ser substituída por uma versão mais prática:
O telephono, desenvolvido em 1877, pela Western e Brazilian Telegraph Company.
A imprensa recebeu a inovação como:
"o instrumento transmissor e ao mesmo tempo receptor de sons, tendo meio palmo de comprimento e constando de um pequeno cubo de madeira de cerca de uma polegada de diâmetro e três de extensão, com uma rodela de duas a três polegadas de diâmetro" (A Província de São Paulo, de 1º de dezembro de 1877).

Com esse equipamento mais leve e fácil de manejar, o invento de Bell começa sua convivência entre os paulistanos, trazido para cá pelo engenheiro norte-americano Morris Kohn - figura conhecida no Rio de Janeiro pela instalação de uma linha de "bonds" e por ser sócio de Leon Rodde:
"Hoje às 10 horas da manhã, no Grande Hotel, o sr. Morris Kohn propõe-se a fazer uma experiência pública. Diz ele que pretende fazer com o seu telephone uma experiência maior e mais notável entre esta capital e algumas cidades a que estejamos ligados por um fio telegraphico, sendo talvez Sorocaba a cidade escolhida" (publicava A Província de São Paulo, do dia 28 de julho).
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A Grande Seca no Nordeste
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Grande Seca do Ceará - 1877
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Na grande seca de 1877-1879, nas províncias do Norte (como era conhecido o Nordeste) morreram 500 mil brasileiros, sendo que 200 mil eram cearenses. Isso ocorreu devido à falta de preparo das autoridades para enfrentar o problema da seca, o Nordeste enfrentou a maior estiagem de todos os tempos. A catástrofe sertaneja despertou o Governo Imperial para a necessidade de encontrar alternativas para evitar outros danos.
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Vapor Isabel no rio Jipovura
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Profissionais de engenharia do Instituto Politécnico do Rio de Janeiro se reuniram sob a presidência do genro de D. Pedro II, Conde D´Eu, e apresentaram várias sugestões.
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Barragem do Cedro
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Em 17 de março de 1877, o Brasil adere ao tratado de criação da União Postal Universal, selado em Berna, na Suíça, três anos antes.
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Este selo serviu para o envio de qualquer carta simples até 15 g. para qualquer país filiado ao Tratado de Berna
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Envelope para o pai do Conde D'Eu com 260 réis formados por 10+50+200 réis da emissão Dom Pedro II, "percé".
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Envelope de 1879 (antes da UPU que fixava a tarifa de 200 réis) para Lyon na França com um selo de 260 réis.
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A nova regra para a remessa de correspondência do Brasil para o exterior passou a vigorar a partir do dia 1º de julho de 1877.
Assim foi que o Brasil solicitou à American Bank Note Co. o selo de 260 réis Dom Pedro II.

Em 1º de janeiro de 1878, nasce Dom Luiz Maria Felipe Pedro de Alcântara Gastão Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orleans e Bragança, no Palácio da Princesa, Avenida Köeller, seu neto o Príncipe Perfeito, 2º filho e herdeiro da Princesa Isabel.
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Dom Luiz
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Em 1879, o Imperador decretou a Lei de Extinção dos Aldeamentos solicitada pela Câmara de Cimbres para resolver os conflitos gerados pelas invasões das terras indígenas.
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Em 1880, o engenheiro Ernesto Cunha visitou diversos locais no interior da província e indicou o Boqueirão do Cedro como local selecionado, para construção de uma barragem.
Em 1880, o engenheiro britânico Jules Jean Revy confirmou a indicação.
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 Açude do Cedro e o morro da Galinha Choca ao fundo.
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No ano de 1882, o primeiro projeto para a Barragem do Cedro foi feito pelo próprio Jules Revy que coordenou a realização de obras preliminares, como a construção de uma estrada de acesso e a instalação das máquinas. Às vésperas do início das obras, ocorre a proclamação da república e a conseqüente retirada de Revy. Após modificações no projeto realizadas em 1889 pelo engenheiro Ulrico Mursa, da Comissão de Açudes e Irrigação (atual DNOCS), as obras foram finalmente iniciadas em 15 de novembro de 1890. Sua conclusão, após várias interrupções, foi em 1906 já sob coordenação do engenheiro Bernardo Piquet Carneiro, que assumiu a direção da construção em 1900.
O período entre o primeiro projeto e a inauguração foi de 25 anos e suas obras

Em 13 de outubro de 1880, nasce a primeira companhia telefônica do País, a Telephone Company of Brazil, que depois de passar por diversos proprietários, foi incorporada, em junho de 1889, à Brasilianische Elektrizitäts Gesellschaft, com sede em Berlim, que ganhou uma concessão de 30 anos.
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Em 6 de setembro de 1881, o Imperador Dom Pedro II recebeu uma comissão de espíritas do Rio de Janeiro, pedindo o fim das perseguições e injustiças contra os seguidores desta religião, na presença deste, no paço da Corte, no mesmo tempo que lhe depunham em mãos uma exposição minuciosa dos fatos, com a respectiva defesa dos direitos e das liberdades dos espíritas no Brasil, ouviram da boca do Imperador esta frase frisante:
"Eu não consinto em perseguição".

Quinze dias depois, a mesma comissão voltou ao palácio a fim de conhecer da resposta às considerações emitidas na exposição que fora entregue a D. Pedro II. Este, dizendo que mandara os papéis ao Ministro do Império para dar solução ao caso, tornou a afirmar, com certo ar de graça:
"Ninguém os perseguirá. Mas...não queiram agora ser mártires."

Ante a reiterada promessa do Imperador a "Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade", primeira no país, fundada por Bezerra de Menezes, continuou a funcionar, sabendo os seus membros que de uma noite para o dia todos eles poderiam ser presos e multados, pois que a ordem policial ainda estava de pé. Na verdade, ela parece que nunca foi revogada, mas não há notícia de que fosse posta em execução, demonstrando ter sido sustada a sua aplicação, talvez por apadrinhamento direto do próprio D.Pedro II...

Finalmente, em oficio datado de 10 de janeiro de 1882, dirigido à SM. D. Pedro de Alcântara, Imperador do Brasil, a diretoria da Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade manifestava o seu jubilo "pelo começo da tolerância" em relação àquela Sociedade, "sinal evidente de que estão terminadas as perseguições encetadas contra o Espiritismo e os espíritas".
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Francisco Leite de Bittercourt Sampaio
Mentor Espiritual Obreiros de Jesus
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Em 1883, Dom Pedro II inaugura os serviços da Estrada de Ferro Carangola, a cerimônia se realiza na Cidade de Itaperuna.
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Estação de Itaperuna
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Em 1883, no Brasil os primeiros telefones foram instalados no Rio de Janeiro, a cidade contava com 5 Centrais Telefônicas, cada uma com capacidade para 1000 linhas, e também funcionava a primeira linha interurbana, ligando o Rio a Petrópolis.
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Campinas foi a terceira cidade do mundo a ter uma linha telefônica (logo após Chicago e o Rio de Janeiro).
No Rio Grande do Sul o serviço telefônico foi instalado em 1885, em Pelotas, com a União Telefônica.
Foi instalado aparelho telefônico no Paço de São Cristóvão (Quinta da Boa Vista), a mando de Dom Pedro II, um dos primeiros aparelhos de telefone do mundo.

Em 9 de outubro de 1884, inaugura a Estrada de Ferro do Corcovado, no Rio de Janeiro, que foi a primeira ferrovia eletrificada do Brasil, foi a primeira em todo o Brasil com fins exclusivamente turísticos.
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Subida da estrada de ferro, acima o mirante
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Os engenheiros João Teixeira Soares e Francisco Pereira Passos recebem de D. Pedro II no ano de 1882 a permissão para construírem e explorarem a Estrada de Ferro do Corcovado, a mesma foi inaugurada com a presença da Família Real, seu percurso inicial era entre o Cosme Velho e as Paineiras da Estrada de Ferro do Corcovado, nesse mesmo momento inaugura-se também o Hotel das Paineiras. No ano seguinte é inaugurado o trecho entre as Paineiras e o Corcovado, seu trajeto final passou então a ter 3.800 metros de extensão.
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Mirante em ferro fundido do Corcovado ainda sem o Cristo Redentor
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Descrição: "Parte da Rua do Cosme Velho, sobe pelo lado direito do vale do Silvestre e à esquerda do Morro do Inglês, transpõe o mesmo vale sobre um viaduto com três vãos, cruza na cota de 218 metros o caminho da Carioca (Silvestre) e desenvolve-se pela encosta da margem direita do ri de mesmo nome, atravessa dois ou três vales secundários em pontes de 20 metros de vão cada uma. Atinge as Paineiras na cota de 465 metros, segue pelo dorso do Corcovado e, finalmente, atinge a cota dos 60 metros, tendo o seu ponto terminal à esquerda do cume desse morro".
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Trajeto
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Em 25 de outubro de 1884, a partir de um decreto do Imperador, a Odontologia brasileira tornou-se profissão de nível superior.

Pela primeira vez, no art. 1º, vinha consignado que a odontologia formaria um curso anexo. Assim:

-Art. 1º - Cada uma das Faculdades de Medicina do Império se designará pelo nome da cidade em que tiver assento; seja regida por um diretor e pela Congregação dos Lentes, e as comporá de um curso de ciências médicas e cirúrgicas e de três cursos anexos: o de Farmácia, o de Obstetrícia e Ginecologia e o de Odontologia.
Havia no Brasil apenas as Faculdades de Medicina do Rio de Janeiro e de Salvador.
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Mulher escovando os dentes - séc. XIX
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Em 28 de setembro de 1885, é promulgada a Lei nº 3.270 Saraiva-Cotegipe (Lei dos Sexagenários), que torna livres os escravos com mais de 65 anos de idade.
Mesmo tendo pouco efeito prático, pois libertava somente escravos que, por sua idade, eram menos valorizados, houve grande resistência por parte dos senhores de escravos e de seus representantes na Assembléia Nacional.
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Em 22 de outubro de 1886, Dom Pedro II e Dona Tereza Cristina, inauguram o ramal Cascavel - Poços de Caldas, da Estrada de Ferro Mogiana, na villa de Poços de Caldas.
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Antiga Estação de Poços de Caldas
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Sua construção inscreve-se na história da expansão da cultura do café em direção ao interior da então Província de São Paulo, constituindo-se, inicialmente, por um simples prolongamento da ferrovia então existente, até Mogi-Mirim e de um ramal para Amparo, com um seguimento até às margens do rio Grande. A proposta original, entretanto, de estender seus trilhos até Goiás, ao norte, nunca ocorreu.
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Estação Poços de Caldas
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1 - Bento Quirino dos Santos, um dos fundadores da Cia. Mogiana.
2 - Manuel José Gomes, visc.de Soutello.Foi diretor da Cia. Mogiana por mais de 20 anos. Foi vice-consul de Portugal em Amparo.
3 - Joaquim Francisco C. Andrade, br. de Ibitinga, Diretor da Cia. Mogiana.
4 - Antonio de Queiroz Telles, cd de Parnaiba.Pioneiro fundador da Cia.Mogiana, sendo presidente de 1873 a 1886.

A 27 de junho de 1887, por decisão do Imperador Dom Pedro II, surgia a Imperial Estação Agronômica, mais tarde chamada de Instituto Agronômico, Imperial Estação Agronômica de Campinas (1887) - Instituto Agronômico do Estado de São Paulo (1897) - Instituto Agronômico.
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Captas frutas vinus
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A sede da instituição começou a ser construída, ainda em 1887, em um terreno comprado pelo Governo Imperial, localizado no bairro do Guanabara, em Campinas. A Imperial Estação Agronômica de Campinas inaugurou seus trabalhos em 1º de novembro de 1888 com a implantação do laboratório de análises
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Prédio Dom Pedro II, em frente a estátua de Dafert
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Para organizar a Estação Agronômica foi contratado o químico austríaco Franz Josef Wilhelm  Dafert, que apresentou em julho de 1887, ao Governo Imperial, a proposta de um modelo de  estabelecimento, na qual afirmava que instituições como esta "se ocupam de investigações no domínio da agricultura, sob o ponto de vista químico, não se limitando só a isto sua atividade" (Relatório apresentado ao Ministro da Agricultura, Commercio e Obras Públicas por F.W. Dafert- 1888. Apud MELONI, 1999, p.46).
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Estufa
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Em 1887, sua Última Viagem como Imperador, com muitos problemas de saúde, devido a diabetes, partiu para a França, Alemanha e Itália.
Em Milão, foi acometido de uma pleurite (inflamação da pleura, tecido que envolve os pulmões) é levado para Aix-les-Bains, onde permaneceu em tratamento.
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Em 13 de maio de 1888, antes de poder voltar ao Brasil, na sua ausência, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea que acabou com a escravidão no Brasil, a princesa contava com 42 anos de idade.
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Princesa Isabel - 1888
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Isabel envia um telegrama ao seu Pai  Imperador na Europa:
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No dia 13 de maio de 1888, ao ouvir a notícia da assinatura da Lei Áurea, Dom Pedro disse:
Grande Povo! Grande Povo!

e enviou um telegrama a filha:

"Abraço a Redentora. Seu pai, Pedro".

José do Patrocínio, orador popular da libertação, escreveu em seu livro:

"Os reis criam princesas. O imperador criou uma mulher".

Em 1889, o Conselheiro e Ministro da Guerra Thomaz José Coelho de Almeida se empenhou em fundar um instituto militar. O Decreto nº 10.202 de 09 de março de 1889, assinado por Thomaz Coelho e com a rubrica do Imperador D. Pedro, criou o Imperial Colégio Militar.
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Imperial Colégio Militar
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Em setembro de 1889, Deodoro da Fonseca, que servia em Mato Grosso, voltou ao Rio de Janeiro, no momento em que ocorria novos choques entre o governo e os militares.
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Marechal Deodoro da Fonseca
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Em 9 de novembro de 1889, a oficialidade do Rio de Janeiro, se reunia no Clube Militar, confiou a Benjamin Constant, alias seu fundador,  a chefia do movimento destinado a combater as medidas governamentais do Visconde de Ouro Preto (Affonso Celso de Assis Figueiredo) chefe do gabinete de ministros, considerados ofensivas ao exército.
Teria estado presente nesta reunião, um certo, Alferes Cardoso (alferes seria o equivalente ao posto de tenente nos dias de hoje) que ao aventarem a possibilidade do imperador se recusar a ir para o exílio ele teria dado a sugestão de fuzilar Dom Pedro II.

Detalhe: - Este Alferes Cardoso era o avô do ex-presidente da república Fernando Henrique Cardoso.
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Monumento em homenagem ao Pai da Pátria
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Benjamin Constant Botelho de Magalhães
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O Visconde de Ouro Preto, além de ter sido o chefe do gabinete de ministros era um lançador de "modinhas", ele é freqüentemente citado na história da música popular brasileira, principalmente nas origens do "choro" ou "chorinho".
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Visconde de Ouro Preto
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Na noite de 9 de novembro de 1889, ocorre na Ilha Fiscal na Baía de Guanabara o último “Baile do Império”, com cerca de 3.000 convidados. O baile era homenagem do império aos tripulantes do couraçado chileno Almirante Cochrane. O espaço não foi projetado para esta quantidade de pessoas e o aperto foi enorme, para dançar foi um sacrifício e ao final da festa ficaram ao chão muita coisa; segundo a Revista Ilustrada foram deixados para trás no assoalho do castelo e no solo da ilha os seguintes apetrechos:
"17 travesseiros, 6 almofadinhas, oito raminhos de corpete, 13 lenços de seda, 9 de linho, 15 de cambraia, 9 dragonas, 3 coletes de senhoras, 17 ligas, 8 claques, 16 chapéus de cabeça e grande quantidade de algodão em rama".
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Nas quatro grandes mesas montadas para a ceia do Baile da Ilha Fiscal, os convidados encontraram nove copos de diferentes tamanhos. Destinavam-se aos 39 tipos de vinhos oferecidos pelo Visconde de Ouro Preto, presidente do Conselho de Ministros e responsável pela festa.

Baile da Ilha Fiscal
Luxo e ostentação antecederam o fim do Império
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O prédio em estilo mourisco teve quatro salões decorados como jardins para receber 5 mil convidados
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Bilhete de Acesso
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O Baile da Ilha Fiscal, realizado no dia 9 de novembro de 1889 pelo imperador Dom Pedro II e que marcou a transição do Império para a República.

Tudo estava preparado para a festa, inicialmente programada para 19 de outubro de 1889, quando chegou a notícia da grave doença do rei de Portugal – Dom Luis, sobrinho do Imperador, que faleceu no dia seguinte.

Em respeito ao luto, a comemoração – que reuniria a Família Imperial, membros do governo, o corpo diplomático, altas patentes militares e a nata da sociedade da corte, foi transferida para 9 de novembro de 1889.

O baile foi em homenagem à tripulação do couraçado chileno Almirante Cochrane, ancorado no porto do Rio de Janeiro.
O imperador Dom Pedro II, pela primeira e última vez na vida, decidiu convidar 3 mil pessoas para um baile – alguns registros republicanos falam em 5 mil.

O real objetivo do evento, que funcionou às avessas, era tentar revigorar a imagem do Império na opinião pública e sensibilizar a nobreza empobrecida pela abolição da escravatura para a preservação da Monarquia.

O local escolhido foi a Ilha Fiscal situada, por uma dessas ironias da história, em frente à atual Praça XV de Novembro.
Em abril de 1889, o Ministério da Fazenda concluíra a construção de um castelo em estilo neo-gótico, destinado à Alfândega. A transformação da Ilha Fiscal, um prédio de estilo mourisco a 200 metros do centro do Rio de Janeiro, em jardim das mil e uma noites. Esse prédio era na realidade, o posto de vigilância aduaneira do Império, conhecido popularmente na época como Ilha dos Ratos, devido à quantidade desses animais ali existentes.
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Ilha Fiscal
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Para transformar os quatro salões imperiais, foram gastos muito dinheiro, segundo o colunista Escragnolle Doria, da “Eu Sei Tudo”.
De acordo com o Jornal do Commercio em sua edição de 11 de novembro de 1889:
“... a Ilha Fiscal e o cais Pharoux foram transformados num cenário encantado, onde demoiselles vestidas de fadas e sereias recepcionavam os convivas”.

O caís Pharoux, no centro do Rio de Janeiro, hoje é conhecido como Praça Quinze e apresenta, como resultado de escavações realizadas há cinco anos, as escadarias que foram utilizadas pela Corte para chegar aos ferry-boats.
No baile, o edifício ornamentado externamente com lanternas venezianas atraiu dezenas de embarcações para as proximidades. No cais em frente, o povo se dividia entre vaias e aplausos.
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Dom Pedro II
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Abatido pela diabetes, o Imperador permaneceu afastado, quase anônimo, enquanto o presidente do Conselho de Ministros, Affonso Celso de Assis Figueiredo, o Visconde de Ouro Preto, fazia as honras da casa.
À meia noite, após o discurso com champanhe brindando a nação chilena, começou o baile.
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Sofisticação: capa do menu daquela festa
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As roupas das mulheres eram adquiridas nas lojas sofisticadas da Rua do Ouvidor, no centro do Rio. Os cabelos, penteados por cabeleireiros franceses da Casa A Dama Elegante, no mesmo endereço.
Já os homens abusavam das brilhantinas inglesas da Fritz Marck and Co. nos cabelos e nos bigodes.
Apenas os homens da Corte e os militares tinham acesso aos barbeiros especializados em cortar bigodes à titlé (garoto esperto), chicard (chique), grognards (soldados da Guarda Napoleônica) e rostillon (cocheiro de carruagens de gala).
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"Pelo bigode se podia conhecer a origem de um homem no Brasil Império"
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A carta de vinhos servidos aos privilegiados participantes daquele baile consumiu 12 mil litros de vinho.
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A valsa e a polca foram as músicas predominantes no Baile da Ilha Fiscal, que reuniu 5 mil convidados. Na época, a execução dessas canções ficava por conta das bandas imperiais, em sua maioria militares. Até mesmo o couraçado Almirante Cochrane tinha uma banda a bordo, para animar os convidados de suas festas.
As partituras eram editadas com requinte pela Casa Buschman e Guimarães, responsável pela publicação do Hino Chile-Brasil, composto por Francisco Braga, para saudar a tripulação do Almirante Cochrane e canção obrigatória nas festas chilenas, realizadas entre outubro e novembro de 1889.

Os cartões de dança das mulheres, que foram encontrados na Ilha Fiscal após o baile, junto com ligas e espartilhos, revelam que a piéce de resistance foi uma seqüência alternante em três tempos: fantasia, valsa, minuano, valsa, fantasia, valsa.
O som de fundo era feito com trechos de óperas de Verdi, Boccherini, Waldteufel, Metra e Auber.
Os cartões são uma das curiosidades guardadas no Arquivo Nacional. Neles, as damas anotavam os nomes dos cavalheiros com quem haviam se comprometido a dançar.

O cardápio servido nessa única noite, destacando a exuberância dos pratos, ornados com flores e frutas exótica, que em tudo combinavam com o estilo mourisco da Ilha Fiscal.
Foram cometidos alguns excessos nas bebidas. As notícias dizem que foram consumidas 12 mil garrafas de vinhos de diversas procedências, prevalecendo os do Porto e Algarve.
Isso significa de duas a três garrafas para cada convidado, sem contar as 200 caixas de champanhe francesa.

Escândalo
A imprensa dividiu-se em seus relatos.
As peças íntimas que foram encontradas na ilha após a festa, foram motivo de escândalo quando noticiados pelos colunistas das revistas femininas do século XIX, entre essas revistas, a “Eu Sei Tudo” revelava que:
"a Coroa não era tão casta como pressupunham os seus súditos".

O jornal Tribuna Liberal, na sua edição de 10 de novembro de 1889, falou do:
"brilho e o ruge-ruge das sedas, os colos salpicados de brilhantes, safiras, esmeraldas e os diademas rutilantes dos penteados".

O colunista Desmoulins, do Correio do Povo, por sua vez, citou o mau gosto a que se entregaram muitos dos convidados. Criticou ainda os homens que, no salão, mantinham seus chapéus ingleses do Wellicamp e do Palais Royal enfiados na cabeça.

O cronista social da Gazeta de Notícias descreveu com detalhes 74 trajes das damas presentes, numa edição que bateu recordes de espaço e de tiragem.

- O jornal publicou também uma descrição detalhada da ceia, anunciada em um menu de 12 páginas, guarnecido com as cores das bandeiras brasileira e do Chile:
"Nada menos que 11 pratos quentes, 15 pratos frios,12 tipos de sobremesas, 4 qualidades de champagne, 23 espécies de vinhos e 6 de licores, num total de 304 caixas destas bebidas e mais dez mil litros de cerveja. Os números da maior comilança de que o país tem notícia relacionam para o preparo de todas essas receitas, o consumo de nada menos que 18 pavões, 25 cabeças de porco, 64 faisões, 300 peças de presunto, 500 perus, 800 quilos de camarão, 800 latas de trufas, 1200 latas de aspargos, 1300 galinhas, além de 50 tipos de saladas com maionese, 2900 pratos de doces variados, 12 mil taças de sorvete, 18 mil frutas e 20 mil sanduíches".

- E o cronista dedicou um espaço especial para as bebidas:
"Das 304 caixas de bebidas, 258 eram de vinhos e champagnes.
Ou seja: naquela noite, foram consumidas 3.096 garrafas desses maravilhosos fermentados, que compunham uma bateria de 39 rótulos diferentes, com destaque para Porto de 1834 - uma safra preciosíssima - Madeira, Tokay, Château D’Yquem, Château Lafite, Château Leoville, Château Beycheville, Château Pontet-Canet e Margaux.
A presença marcante do italiano Falerno, nas versões branco e tinto, era uma deferência à imperatriz.
Os champagnes não podiam ser melhores:
“Cristal de Louis Roederer, Veuve Cliquot Ponsardin e Heidsieck”.
Dentre os vinhos alemães, destacavam-se o “Liebfraumilch e o famoso Johannisberg do Reno".

Republicanos criticaram extravagância
Os Republicanos reclamaram da extravagância, mas estavam lá, aproveitando e tramando, hoje em dia seria considerado "Alta Traição".
Rio de Janeiro - O luxo e a extravagância dos trajes e cabelos das convidadas do baile da Ilha Fiscal receberam, alfinetadas de republicanos que não faltaram ao baile e aplausos de monarquistas.

O luxo e as extravagâncias que cercaram o desembarque do couraçado Almirante Cochrane, dando lugar a um período denominado "Festas Chilenas", incentivou a propagação dos ideais republicanos.

A proclamação da República, no entanto, não significou o fim das festividades em torno da tripulação do couraçado Almirante Cochrane.
Os republicanos aproveitaram para brindar com os chilenos o fim do Império, chegando até a afirmar que o fato de o Chile ser uma República foi um estímulo à sua proclamação.


Madrugada de 10 de novembro de 1889, os convidados deixam a Ilha Fiscal, terminado o último baile do Império
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Fim do Baile e da Monarquia
A repercussão do baile não seguiu os caminhos imaginados pelos promotores: naquela mesma noite, militares republicanos estavam reunidos com Benjamin Constant Botelho de Magalhães, líder positivista, para decidir a data da proclamação da República.

Desde a abolição da escravatura - assinada pela Princesa Isabel no ano anterior - os interesses dos senhores de escravos, últimos aliados de Dom Pedro II e base de sustentação do governo ficaram muito abalados.
Começavam a chegar os primeiros imigrantes para substituir a mão de obra negra.
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Seis dias depois do baile, no mesmo Cais Pharoux de onde partiam os ferry-boats para levar os convidados do Imperador para a Ilha Fiscal, o Marechal Deodoro proclamava a República.
Ainda se recuperando da ressaca, a Corte percebeu que o Imperador tinha sido deposto e era hora de saudar a República com outras festas.
Aliás, alguns dos destaques do novo regime estavam presentes ao Baile da Ilha Fiscal, como Rui Barbosa, Campos Sales e Benjamin Constant.

O Império caia, com muita dignidade e nobreza e sem nenhuma queixa, sete dias após o término do baile que entraria para a história.

Um baile sem fiscal, no fim da Monarquia
Nota: Em 28 de setembro de 1992, o jornal paulista “O Estado de São Paulo” publicou a matéria, relatando o preparo de um livro sobre o evento do Baile da Ilha Fiscal que marcou a queda do Império no Brasil.
Na época da publicação dessa reportagem, o Brasil havia derrubado o presidente Fernando Collor de Mello e investigava os ilícitos cometidos por seu tesoureiro de campanha, Paulo César Farias, que seria depois encontrado morto em sua casa e se preparava para promover em 1993 o plebiscito previsto na Carta Magna de 1988, que determinaria a forma de governo no País, República ou Monarquia Parlamentarista.

Em 9 de novembro de 1889, um grande número de oficiais se reuniu no Clube Militar, presidido por Benjamin Constant, e decidiu realizar o golpe de Estado para derrubar a monarquia. Dois dias depois, na casa de Rui Barbosa, alguns oficiais, incluindo Benjamin Constant e o Marechal Deodoro da Fonseca, além de outros dois civis, Quintino Bocaiúva e Aristides Lobo, foi confirmada a realização do golpe. Foi à única reunião que contou com a participação dos republicanos civis e Deodoro não desejava a presença dos mesmos no que considerava um problema militar. Deodoro ainda hesitava e falou:
"Eu queria acompanhar o caixão do Imperador, que está velho e a quem respeito muito".
Mas acabou cedendo depois de pressionado por Benjamin Constant:
"Ele [Benjamin Constant] assim o quer, façamos a República. Benjamin e eu cuidaremos da ação militar; o Sr. Quintino e seus amigos organizarão o resto".

Às 23 horas do dia 14 de novembro de 1889, Deodoro assumiu o comando de 600 homens, cuja maioria não sabia o que estava ocorrendo ou acreditava que iria se defender de um ataque da Guarda Nacional ou da Guarda Negra. Alguns poucos republicanos deram vivas a república, mas Deodoro mandou-os calarem a boca.
O Presidente do Conselho de Ministros, Afonso Celso, Visconde de Ouro Preto, ao saber da revolta partiu com os demais ministros do Gabinete para o Quartel-General do Exército que se localizava no Campo de Santana, no coração da capital. As tropas supostamente leais eram maiores e melhores armadas que as rebeldes. O Ajudante-geral [Comandante] do Exército, Marechal Floriano Peixoto garantiu a Ouro Preto a lealdade de suas tropas, mas era secretamente aliado dos revoltosos. Floriano e o Ministro da Guerra Rufino Enéias, Visconde de Maracajú (primo de Deodoro) ignoravam as reiteradas ordens de Ouro Preto para que as tropas leais atacassem os rebeldes que se aproximavam do Quartel-General. Tentou convencê-los relembrando os atos de bravura dos militares brasileiros na Guerra do Paraguai, mas recebeu como resposta de Floriano de "mas lá tínhamos em frente inimigos, e aqui somos todos brasileiros" e finalmente compreendeu o alcance da rebelião. As tropas supostamente leais abriram os portões do Quartel-General para Deodoro e este gritou:
"Viva Sua Majestade o Imperador!"

Deodoro encontrou-se com Ouro Preto e afirmou que enviaria pessoalmente ao imperador uma lista com nomes que iria indicar para um novo gabinete. Para a decepção dos republicanos civis e militares, Deodoro não havia proclamado a República e dava a entender que iria apenas derrubar o Conselho. Deodoro não tinha certeza de que deveria agir contra Pedro II e os próprios rebeldes não acreditavam na possibilidade de sucesso do golpe. As poucas pessoas que presenciaram a movimentação de tropa não sabiam o que estava ocorrendo e nas palavras do republicano Aristides Lobo, elas assistiram tudo "bestializadas".
"Raramente uma revolução havia sido tão minoritária".
Na manhã do dia 15 de novembro de 1889, Pedro II estava em Petrópolis quando recebeu um primeiro telegrama de Ouro Preto avisando da rebelião, mas não deu importância ao fato. O monarca recebeu um segundo telegrama as 11 da manhã quando saia da missa em homenagem aos 45 anos da morte de sua irmã Maria II e decidiu retornar ao Rio de Janeiro. Sua esposa demonstrou preocupação e ele apenas respondeu: "Qual senhora, chegando lá isso acaba!"
Viajou de trem, lendo jornais e revistas científicas, sem imaginar a gravidade da situação e chegou ao paço da cidade as 3 da tarde. André Rebouças sugeriu que partisse para o interior para organizar a resistência. O Marquês de Tamandaré pediu a permissão do imperador para liderar a Armada para atacar as tropas de Deodoro. Ele simplesmente ignorava todos os pedidos para resistir e falou:
"Isso é fogo de palha, conheço meus patrícios".
Também perguntou ao senador conservador Manuel Francisco Correia o que achava da situação. Correia respondeu que acreditava que era o fim da monarquia. Pedro II não demonstrou qualquer sentimento, como se não se importasse.
Ouro Preto chegou ao paço às 4 da tarde e sugeriu a Pedro II que nomeasse o senador Gaspar da Silveira Martins, que só chegaria à cidade dois dias mais tarde, como novo Presidente. Deodoro evitava encontrar-se pessoalmente com Pedro II, mas ao saber que o imperador havia escolhido um inimigo seu para o cargo de Presidente do Conselho de Ministros decidiu-se finalmente pela instauração da República. A Câmara recém-eleita só se reuniria no dia 20 e o Senado estava em recesso.
Por tal razão, a Princesa Isabel insistia com o pai para que convocasse o Conselho de Estado para discutir a questão, mas sempre ouvia como resposta:
"Mais tarde".
A princesa, por conta própria, chamou os conselheiros. O Conselho de Estado reuniu-se às 11 da noite e após duas horas sugeriram a Pedro II que nomeasse Antonio Saraiva ao invés de Gaspar Silveira Martins. Saraiva aceitou o cargo e enviou um emissário para dialogar com Deodoro, que recebeu como resposta que era tarde demais.
Ao saber da notícia, Pedro II comentou:
"Se assim for, será a minha aposentadoria. Já trabalhei muito e estou cansado. Irei então descansar".
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D. Pedro II e família em Petrópolis, em foto de Otto Hees, a última antes do fim do Império.
Da esquerda para a direita: a imperatriz, D. Antonio, a princesa Isabel, o imperador, D. Pedro Augusto (filho da irmã da princesa Isabel, d. Leopoldina, duquesa de Saxe), D. Luís, o conde D'Eu e D. Pedro de Alcântara (príncipe do Grão-Pará)
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A Trama contra o Imperador
Na noite do dia 10 de novembro de 1889, após uma longa discussão, Benjamin Constant convenceu o marechal Deodoro, então gravemente enfermo, a participar de uma conspiração para a deposição do Gabinete do Visconde de Ouro Preto, mas Deodoro recua.
Na ocasião, foi acertado que o golpe seria dado na noite de 17 de novembro de 1889.
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A República inicia com uma Mentira
Quando servia no Rio Grande do Sul, o Marechal Deodoro da Fonseca disputou com Gaspar Silveira Martins os favores de uma lindíssima gaúcha, e perdeu a parada.
Por isso nutria um ódio de morte por Silveira Martins.
E, só se dispôs a assinar o Decreto Nº 1 que implantava a República no Brasil, na tarde de 15 de novembro de 1889, quando Benjamin Constant Botelho de Magalhães lhe segredou (era tudo mentira) que Dom Pedro II ia nomear Silveira Martins como Primeiro-Ministro, em substituição ao Visconde de Ouro Preto.

Dom Pedro II foi deposto a 15 de novembro de 1889 com a Proclamação da República; o governo provisório deu-lhe 24 horas para deixar o país.

Em 17 de novembro de 1889, foi com a Família Imperial para Portugal.

Foi enviada uma carta/telegrama pelos republicanos através do Coronel Mallet exigindo seu exílio, abaixo um trecho da mesma:
"... o governo provisório espera de vosso patriotismo o sacrifício de deixardes o território brasileiro, com a vossa família, no mais breve possível. Para esse fim se estabelece o prazo máximo de vinte e quatro horas que contamos não tentareis exceder".
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Família Imperial em Petrópolis
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Mesmo depois de proclamada a República, ninguém quis levar o telegrama (carta) com a notícia para Dom Pedro II, que estava em seu palácio, em Petrópolis. No meio da noite, o Major Sólon Ribeiro (Frederico Sólon Sampaio Ribeiro, pai de Ana de Assis a esposa de Euclides da Cunha), foi ao encontro do imperador, que teve que ser acordado.
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Dom Pedro recebe o telegrama de Sólon - tarde de 15.11.1889
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Dizem os relatos que a Imperatriz Tereza Cristina, chorou, que a Princesa Isabel ficou muda e que o imperador apenas desabafou:
"Estão todos loucos".

O Coronel Mallet exigiu que a família imperial embarcasse no meio da noite, o que provocou protestos de Dom Pedro II, que pretendia assistir à missa pela manhã, antes de partir:
“Não sou negro fugido”.
“Não embarco a essa hora!”

Mas, de nada adiantou, o Major Sólon Ribeiro evacuou o Paço Imperial que estava cheio de populares e a Família Imperial foi obrigada a embarcar em plena madrugada.

Antes de viajar, no dia 17 de novembro, Dom Pedro II escreveu uma mensagem para o Povo Brasileiro:
"Cedendo o império as circunstâncias, resolvo partir com toda a minha família para a Europa amanhã, deixando esta pátria de nós estremecida, à qual me esforcei por dar constantes testemunhos de entranhado amor e dedicação durante quase meio século, em que desempenhei o cargo de chefe de estado. Ausentando-me, eu com todas as pessoas de minha família, conservarei do Brasil a mais saudosa lembrança, fazendo votos por sua grandeza e prosperidade".
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Uma curiosidade: - Antes desta carta/telegrama enviada pelos republicanos o Visconde de Ouro Preto enviou um telegrama ao imperador, porém, o telegrama em que o Chefe do Gabinete de Ministros noticiava a Dom Pedro II o golpe de 15 de novembro foi “atrasado” nos correios, por ordem do coronel Floriano Peixoto.
Mais tarde, no exílio sabendo deste fato Dom Pedro II declarou que se tivesse recebido no prazo correto o telegrama, teria saído de Petrópolis e ido para o Sul de Minas, e dali resistiria ao golpe.
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Camões
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Dom Pedro II escreveu um bilhete pedindo que lhe trouxessem um exemplar de “Os Lusíadas” que ganhara do Senador Mafra, este livro se encontrava no Palácio de São Cristovão. A obra era uma raridade; além de ser uma primeira edição, tinha um autógrafo de nada mais nada menos de Luís de Camões, que tinha sido proprietário do livro. Foi a única coisa que pediu que viesse de São Cristóvão (mais tarde já na Europa, ele mandou buscar alguns objetos pessoais e na iminência de ver documentos e livros importantes e raros serem leiloados ou destruídos ele doa tudo para a Biblioteca Nacional).

Antes mesmo da chegada da família à Europa diante da recusa de Dom Pedro em aceitar uma pensão de cinco mil contos, o governo baixou o decreto 78A, banindo o ex-imperador com toda a sua família do território nacional, com a proibição de ter bens no Brasil e dando-lhes um prazo para liquidar os que aqui possuíssem.

De 8 de agosto a 5 de dezembro de 1890, foi realizado o infeliz Leilão de Arte do Paço de São Cristóvão, feito com os bens da Família Imperial durando 5 meses, ao todo, foram realizados 18 pregões, incluindo os três leilões efetuados na Fazenda Imperial de Santa Cruz, todos os bens leiloados foram avaliados em 190:000$000, esta quantia não era suficiente para comprar duas carruagens do Imperador.

A Família Imperial exilada chegava a Lisboa, antes de desembarcar, o Imperador quis despedir-se de todos os oficiais de bordo, entregando uma lembrança pessoal aos três oficiais mais graduados, o resto da tripulação, presenteou com uma quantia em dinheiro, tendo tido o cuidado de mandar organizar uma lista com os nomes de todos os marinheiros e empregados de bordo.
Como sempre, nenhum detalhe escapou:

- Falta o homem que trata dos bois. Não o esqueça.

O ex-Imperador e sua Família foram exilados e mudaram-se inicialmente para Portugal onde assistiram às exéquias do rei Luís I, falecido em 19 de outubro de 1889, à cerimônia de aclamação de seu filho e herdeiro Carlos I, bem como à de batismo do infante D. Manuel, Duque de Beja e filho segundo do monarca português, nascido exatamente no dia da sua deposição, e do qual viria a ser padrinho de batizado e a seguir viaja para a França.

Em 28 de dezembro de 1889, em um hotel da Cidade de Porto - Portugal morre a Imperatriz Teresa Cristina. Nos seus últimos instantes de vida, confidenciou à Baronesa de Japurá:

- Maria Isabel, eu não morro de doença. Morro de dor e de desgosto.

Após a morte da esposa, 40 dias após chegar a Europa vive então entre Cannes, Versalhes e Paris, onde freqüentava concertos, conferências e o Instituto de França, ao qual se associara.

Passou a viver no Hotel Bedford em Paris - França, com o tempo, foi se acostumando a sua nova vida de Sr. Alcântara como passou a ser chamado e também se acostumou à cidade, adquirindo um hábito; saía do hotel e alugava um coche, seguia até próximo à universidade. Ali ficava na Biblioteca Nacional Nazarino, que se tornou seu recanto preferido na cidade. Nesta biblioteca passou por um pequeno contra tempo, necessitou preencher a ficha de sócio da biblioteca que lhe daria direito ao empréstimo de livros, nela devia declarar seu nome e sua profissão, porém seu nome era comprido demais e não cabia na pequena ficha. Quanto à profissão, era difícil explicá-la.

Em 1889, termina o livro Poesias de Sua Majestade O Senhor D. Pedro II.

Em novembro de 1891, uma ferida no pé fez com que não pudesse mais sair do hotel. No final do mês, contraiu uma pneumonia.

Morto no exílio dia 5 de dezembro de 1891, em Paris, aos 66 anos, de pneumonia.

Deu-lhe a França “Funerais Régios”
Dom Pedro II o Imperador do Brasil, faleceu no quarto número 18 no Hotel Bedford, antes de partir, pediu um travesseiro onde havia terra brasileira para servir de apoio a sua cabeça.

Em 1898, é publicado o livro Sonetos do Exílio de D. Pedro II.
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Em 02.01.1908, visita do príncipe D. Luiz de Bragança ao Rio de Janeiro.

Em 1920, foi revogada a Lei do Banimento que impedia até mesmo o retorno de seus restos mortais para o Brasil, os despojos dos imperadores foram trazidos para o Brasil.

Em 1921, o Conde D'Eu retorna ao Brasil para trazer os restos mortais do casal de ex-imperadores para serem depositados na Catedral do Rio de Janeiro depois foram transferidos para a Catedral de Petrópolis em 1925, cuja construção teve início sob seu generoso patrocínio.

Em 1932, foram publicadas as Poesias Completas de Dom Pedro II.

Em 1939, suas Majestades Imperais, foram definitivamente enterrados, em cerimônia presidida pelo presidente Getúlio Vargas.
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Transcrevo aqui as palavras de Priscila Morales no Novo Dicionário Dinâmico da Língua Portuguesa:
"Nenhum monarca desceu do trono com tanta dignidade e moral tão elevada quanto Pedro II. Foi um soberano inatacável, cultivava o direito, a justiça e a tolerância como pontos básicos de seu governo. Recusou uma pensão que a República lhe oferecera, jamais acusou aos que o traíam e nunca, no exílio, deixou um só momento de interessar-se pelos problemas da pátria distante. Protetor das artes e das letras, fomentador da imigração, difusor da instrução pública, amigo do progresso, Pedro II ainda hoje merece o respeito e a admiração dos brasileiros."


O ilustre governante passou à história como um intelectual, apreciador da ciência, das artes e da liberdade de informação e como homem tolerante, aberto ao diálogo e às transformações da vida social.

O Dia a Dia do Imperador
- No primeiro sábado de cada mês recebia todo o corpo diplomático.

- Aos sábados, concedia audiência pública recebendo a todos, ricos, pobres, nobres e plebeus.

- Todas às quintas-feiras o Imperador tinha o hábito de jantar com a Princesa Isabel, no Palácio Guanabara (no Bairro das Laranjeiras, Rio de Janeiro), para onde seguia com a Imperatriz às 4 horas da tarde, escoltado pela guarda imperial.

- Não era previsto no protocolo que os guardas seriam alimentados pela cozinha do palácio, acontece que o Imperador desconhecia este fato.

- Certo dia, um soldado da guarda estava com fome e resolveu arranjar alguma coisa para comer. Foi aos fundos do palácio e entrou na sala de jantar. Pegou umas bananas, e quando ia apanhar também uma garrafa de vinho deu de cara com o Imperador. Colocou sobre a mesa as bananas, fez continência e disse:

- Vossa Majestade me perdoe. Estava com fome, vi estas bananas e não me contive.

- Por que não esperou o jantar, seu guarda?

- Saiba Vossa Majestade que aqui não nos fornecem jantar, e os que não têm dinheiro para comprar alguma coisa passam fome.

O Imperador ficou consternado, mas nada disse. Pouco depois veio o jantar do palácio para os guardas, e daí em diante nunca mais isto se repetiu.

O Segundo Reinado
Foi marcado por transformações de ordem social e econômica, decisivas para a história do país, tais como a guerra do Paraguai e a Abolição da escravidão.
No governo de Pedro II prevaleceu a tentativa freqüente de manter o poder e a ordem frente à crise social, agravada a partir de meados do século XIX, quando passou a enfrentar o descontentamento de grupos sociais oposicionistas que pregavam a derrocada da monarquia.

Desejava tornar o Brasil uma nação representativa internacionalmente no cenário político e cultural. Foi um dos colaboradores na fundação do Instituto Pasteur em Paris, em que Pasteur trabalhou para solucionar os problemas de surto, como a raiva. Foi um dos colaboradores na construção do teatro de Wagner em Bayreuth. Parte do seu ordenado era destinado ao patrocínio dos estudos de muitos brasileiros, como Carlos Gomes - o grande compositor brasileiro, autor da célebre ópera “O Guarani" - em Milão.

Pedro II deu ao Brasil 49 anos de paz interna, prosperidade e progresso. Durante o seu reinado foi aberta a primeira estrada de rodagem, a União e Indústria; correu a primeira locomotiva a vapor; foi instalado o cabo submarino; inaugurado o telefone e instituído o selo postal.

A partir de 1887, quando sua diabetes se agravou, acarretando outros problemas de saúde, D. Pedro II afastou-se aos poucos do poder.

Em determinado momento, seu governo entrou em conflito com os elementos mais conservadores da sociedade. Naquela época, as forças sociais mais importantes e que davam sustentação ao Império eram a aristocracia rural, formada pelos senhores de escravos, o exército e a Igreja.

As dificuldades da economia, agravadas com os gastos decorrentes da Guerra do Paraguai e, principalmente, a abolição da escravatura, colocaram a aristocracia rural contra o Imperador.

As forças liberais que o apoiavam passaram a achar que ele já estava velho e ultrapassado, e que não era mais capaz de promover rapidamente as reformas que o país almejava.

Deposto foi prisioneiro do paço da Cidade, para onde viera, descendo de Petrópolis, na esperança de sufocar o movimento republicano.
O governo provisório deu-lhe 24 horas para deixar o país, e assim o fez, deixou o país e foi com a família para Portugal (17/11/1889), chegando a Lisboa - Portugal em 7 de dezembro e seguindo para a cidade do Porto, onde a Imperatriz morreu no dia 28.

O Imperador magnânimo e mecenas, ao cabo de proveitoso reinado, recebe a República como um movimento natural da evolução brasileira, deixando a pátria estremecida, formulando "ardentes votos por sua grandeza e prosperidade".
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Ele, um Brasileiro
Mesmo no exílio, Dom Pedro II continuou a contribuir para a cultura nacional através da doação de sua coleção particular de documentos e peças de arte.

Descrito por Monteiro Lobato como sósia moral de um sábio imperador romano, Marco Aurélio, assim era o nosso D. Pedro II, nascido em 1825. Um dos maiores homens da história brasileira ocupou o cargo de chefe de Estado durante quase 50 anos de Paz, Prosperidade e avanços importantes.

D. Pedro II nos ensina a amar o Brasil acima de tudo. Punia exemplarmente os políticos e funcionários corruptos, usando dos poderes que a Constituição lhe garantia para removê-los de seus cargos. Venceu importantes disputas diplomáticas, inclusive chegando a desafiar a toda poderosa Grã-Bretanha. Zeloso que era com as verbas públicas, recusou sucessivas propostas de aumento de seu salário, trabalhando durante meio século com o mesmo pagamento, ainda que, durante seu reinado, a economia brasileira tenha crescido dez vezes. Quanto às suas poucas viagens, custeava-as com seu próprio dinheiro.

A causa da abolição era outra luta do monarca brasileiro. O Paraguai invadiu o Brasil em 1865, iniciando a Guerra da Tríplice Aliança, vencida a guerra pelo Brasil em 1870, o imperador determinou que seu genro, o Conde d’Eu, requisitasse ao governo do Paraguai que abolisse a escravatura, pedido que foi atendido. Não pode existir prova mais evidente de que D. Pedro II não tolerava a escravidão.

As preocupações imperiais, porém, não se resumiam à solução de problemas característicos do Brasil do Século XIX. Sua visão era muito mais avançada, estendendo-se a preocupações que ainda hoje afligem os brasileiros. Valorizava, acima de tudo, a importância da educação para o progresso do Brasil.
O Imperador escreveu:
“Se eu não fosse imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro”.

O patriotismo do imperador era tamanho que, em suas anotações, escrevia sempre “imperador” e “Brasileiro”, sempre com ênfase à sua qualidade de cidadão do Brasil e não na sua posição como monarca.

Consta que seu único pedido ao deixar o país foi levar um travesseiro cheio da terra brasileira, para repousar sua cabeça na hora da morte. Não aceitou a indenização de cinco mil contos de réis, equivalente a 4.500kg de ouro, que lhe foi oferecida pelos insurgentes.
“Não sei com que autoridade esses senhores dispõem dos dinheiros públicos” – disse o monarca

Tal era seu prestígio internacional que o governo francês deu-lhe honras de Chefe de Estado e membros da realeza européia e do corpo diplomático das mais diversas nações compareceram ao cortejo fúnebre.
Somente o embaixador do Brasil, por despeito do governo republicano diante de tantas homenagens ao monarca, não compareceu. Não é de hoje que nossas autoridades ignoram e desprezam as grandes figuras de nossa História.
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A rígida Educação de Dom Pedro II
O Imperador Pedro I escolheu três pessoas para cuidar de seus filhos ao partir do país. A primeira foi José Bonifácio, a quem nomeou tutor de seus filhos, posição esta confirmada em seguida pela Assembléia Geral. A segunda foi Mariana de Verna que já ocupava o cargo de aia desde o nascimento de Pedro II. A terceira foi o afro-brasileiro Rafael, veterano da Guerra da Cisplatina, empregado no Paço de São Cristóvão e homem de confiança de Pedro I, a quem pediu para que tomasse conta do filho, e de fato o fez, até o fim de sua vida.Começou a estudar sob a orientação da camareira-mor D. Mariana Carlota de Verna Magalhães Coutinho, mais tarde condessa de Belmonte.

Manteve os mesmos professores que já lecionavam a Pedro II e suas irmãs quando José Bonifácio era tutor. A exceção coube ao Frei Pedro de Santa Mariana que foi nomeado para ocupar o lugar Frei Antônio de Arrábida (que também educou Dom Pedro I na infância). Frei Pedro Mariana atuou como um diretor geral dos estudos de Pedro II e também lhe ensinou latim, religião e matemática. Foi uma das poucas pessoas além de sua família que Pedro II nutriu uma grande afeição. Itanhaém e Frei Pedro Mariana educaram Pedro II para que considerasse todos os seres humanos como iguais, para que fosse imparcial e justo, para que fiscalizasse os funcionários públicos, inclusive os ministros, que não tivesse favoritos e que sempre se preocupasse com o bem público. Ambos tinham como objetivo:
"formar um monarca humano, sábio, justo, honesto, constitucional, pacifista, tolerante. Isto é, um governante perfeito, dedicado integralmente as suas obrigações, acima das paixões políticas e dos interesses privados".

Sendo um monarca constitucional, sua educação era acompanhada atentamente pela Assembléia Geral que exigia por parte de Itanhaém relatórios acerca de seu progresso nos estudos. Enquanto isto, Pedro II era mantido completamente alheio ao que se passava fora do palácio, inclusive quanto a questões políticas e a anarquia generalizada.

A educação de Pedro II começou quando ainda era herdeiro do trono, quando já sabia ler e escrever em português aos cinco anos de idade. Seus primeiros professores foram Mariana de Verna e frei Antonio de Arrábida.

Com diversos mestres ilustres de seu tempo, o jovem imperador instruiu-se em português e literatura, francês, inglês, alemão, geografia, ciências naturais, música, dança, pintura, esgrima e equitação.
Mais tarde, adulto estudou muitas outras disciplinas como hebraico e astronomia e posteriormente estudou grego, árabe, tupi, sânscrito, hebraico e provençal.

Ao tornar-se Imperador já possuía vários mestres. Dentre eles, estavam Félix Taunay e Luís Alves de Lima e Silva (filho do regente Francisco de Lima e Silva), professores de francês e esgrima, respectivamente, pelos quais teria uma amizade e admiração que perduraria por toda a vida. Pedro II passava o dia inteiro estudando e apenas duas horas eram destinadas a diversão. Acordava as seis e meia da manhã e começava os estudos as sete e continuava até as dez da noite, quando iria para cama.

O carmelita Frei Pedro de Santa Mariana e Souza mais tarde Bispo de Crisópolis, que ensinou-lhe a doutrina católica, latim e matemática. Às vezes Frei Pedro tinha que apagar a luz para impedir que Pedro ficasse lendo a noite toda.

Seu professor de Francês era o Padre Renato Boiret. De Alemão era Roque Schuch. De Inglês era Nathaniel Lucas. De Dança foram Joseph Lacombe e Lourenço Lacombe. Desenho e Pintura respectivamente Simplício Rodrigues de Sá e Félix Émile Taunay e de esgrima, nada mais nada menos que o Duque de Caxias!

Cândido José de Araújo Viana, professor de português e literatura. Mais tarde ele se tornaria o Marques de Sapucaí, titulo conhecidíssimo em virtude da avenida de mesmo nome na qual se realizam os desfiles das Escolas de Samba no carnaval do Rio de Janeiro.
Pedro II foi uma figura ímpar, o rei-filósofo era um monarca fora dos padrões daquela época.
Amado e elogiado, criticado e censurado, o imperador do Brasil era um homem extremamente culto, uma personalidade singular que merece um lugar de destaque na galeria dos grandes vultos do século XIX.

Na opinião do escritor Victor Hugo, Dom Pedro era "o neto de Marco Aurélio", ou seja, a perfeição dos imperadores; e para o primeiro-ministro da Inglaterra vitoriana, sir William Gladstone:
"Dom Pedro II é um modelo para todos os soberanos do mundo, pelo seu zelo no cumprimento dos seus altos deveres..., é o que definiríamos como um bom soberano, um exemplo e uma bênção para sua nação".

O compositor Carlos Gomes, autor da ópera O Guarani (1870), certa vez admitiu publicamente:
"se não fosse o imperador, eu não seria Carlos Gomes".

É grande a lista de personalidades que o reverenciaram a figura de Dom Pedro II.
Basta apenas citar os nomes do biólogo Charles Darwin, do escritor americano Henry Longfellow, do cientista Louis Pasteur, do músico e compositor Richard Wagner e do poeta italiano Alexandre Manzoni, entre os que o elogiaram.
Para entender melhor quem foi este homem, achamos por bem irmos à base de tudo na vida de uma pessoa, que entendemos, será a estrutura Familiar e a sua Educação.

Lia Homero e Horácio no original. Discursava em grego e latim, e ainda entendia a língua dos nossos índios (tupi-guarani) e o provençal. Também estudou hebraico e árabe. Seus conhecimentos eram algo de incomum, pois gostava de matemática, biologia, química, fisiologia, medicina, economia, política, história, egiptologia, arqueologia, arte, helenismo, cosmografia e astronomia.

Veja as determinações do Marques de Itanhaém para a educação de Dom Pedro II:

"Instruções para serem observadas pelos Mestres do Imperador em sua Educação Literária e Moral"

Artigo 1
Conhece-te a ti mesmo. Esta máxima... Servirá de base ao sistema de educação do Imperador, e uma base da qual os Mestres deverão tirar precisamente todos os corolários que formem um corpo completo de doutrinas, cujo estudo possa dar ao Imperador idéias exatas de todas as coisas, a fim de que Ele, discernindo sempre do falso o verdadeiro, venha em último resultado a compreender bem o que é a dignidade da espécie humana, ante a qual o Monarca é sempre homem, sem diferença natural de qualquer outro indivíduo humano, posto que sua categoria civil o eleve acima de todas as condições sociais.

Artigo 2
Em seguimento, os Mestres, apresentando ao Seu Augusto Discípulo este planeta que se chama terra, onde nasce, vive e morre o homem, lhe irão indicando ao mesmo tempo as relações que existem entre a humanidade e a natureza em geral, para que o Imperador, conhecendo perfeitamente a força da natureza social, venha a sentir, sem o querer mesmo, aquela necessidade absoluta de ser um Monarca bom, sábio e justo, fazendo-se garbo de ser o amigo fiel dos Representantes da Nação e o companheiro de todas as influências e homens de bem do País.

Artigo 3
Farão igualmente os Mestres ver ao Imperador que a tirania, a violência da espada e o derramamento de sangue nunca fizeram bem a pessoa alguma...

Artigo 4
Aqui deverão os Mestres se desvelar para mostrarem ao Imperador palpavelmente o acordo e harmonia da Religião com a Política, e de ambas com todas as ciências; porquanto, se a física estabelece a famosa lei da resistência na impenetrabilidade dos corpos, é verdade também que a moral funda ao mesmo tempo a tolerância e o mútuo perdão das injúrias, defeitos e erros; essa tolerância ou mútuo perdão, sobre revelar a perfeição do Cristianismo, revela também os quilates das almas boas nas relações de civilidade entre todos os povos, seja qual for sua religião e a forma do seu governo...

Artigo 5
Lembrem-se, pois os Mestres que o Imperador é homem; e partindo sempre dessa idéia fixa, tratem de lhe dar conhecimentos exatos e reais das coisas, sem gastarem o tempo com palavras e palavrões que ostentam uma erudição estéril e prejudicial, pois de outra forma virá o seu discípulo a cair no vicio que o Nosso Divino Redentor tanto combateu no Evangelho, quando clamava contra os doutores que invertiam e desfiguravam a lei, enganando as viúvas e aos homens ignorantes com discursos compridos e longas orações, e se impondo de sábios, embora sendo apenas uns pedantes faladores.

Artigo 6
Em conseqüência os Mestres não façam o Imperador decorar um montão de palavras ou um dicionário de vocábulos sem significação, porque a educação literária não consiste decerto nas regras da gramática nem na arte de saber por meio das letras; em conseqüência os Mestres devem limitar-se a fazer com que o Imperador conheça perfeitamente cada objeto de qualquer idéia enunciada na pronunciação de cada vocábulo...

Artigo 7
Julgo, portanto inútil dizer que as preliminares de qualquer ciência devem conter-se em muito poucas regras, assim como as evidencias e doutrinas gerais. Os Mestres não gastem o tempo com teses nem mortifiquem a memória do seu discípulo com sentenças abstratas; mas descendo logo às hipóteses, classifiquem as coisas e idéias, de maneira que o Imperador, sem abraçar nunca a nuvem por sonho, compreenda bem que o pão é pão e o queijo é queijo.
Assim, por exemplo, tratando das virtudes e vícios, o Mestre de Ciências Morais deverá classificar todas as ações filhas da soberba distinguindo-as sempre de todas as ações opostas que são filhas da humildade. E não basta ensinar ao Imperador que o homem não deve ser soberbo, mas é preciso indicar-lhe cada ação, onda exista a soberba, pois se assim não o fizer, bem pode acontecer que o Monarca venha para o futuro a praticar muitos atos de arrogância e altivez, supondo mesmo que tenha feito ações meritórias e dignas de louvor, e isto por não ter, em tempo, sabido conhecer a diferença entre a soberba e a humildade.

Artigo 8
Da mesma sorte, tratando-se das potências e das forças delas, o Mestre de ciências físicas fará uma resenha de todos os corpos computando os grãos de força que tem cada um deles, para que venha o Imperador a compreender que o poder monárquico se limita ao estudo e observância das leis da Natureza... e que o Monarca é sempre homem e um homem tão sujeito, que nada pode contra as leis da Natureza feitas por Deus em todos os corpos, e em todos os espíritos.

Artigo 9
Em seguimento ensinarão os Mestres ao Imperador que todos os deveres do Monarca se reduzem a sempre animar a Indústria, a Agricultura, o Comércio, as Artes e a Educação; e que tudo isto só se pode conseguir estudando o mesmo Imperador, de dia e de noite, as ciências todas, das quais o primeiro e principal objeto é sempre o corpo e a alma do homem; vindo, portanto a achar-se a Política e a Religião no amor dos homens. E o amor dos homens é que é o fim de todas as ciências; pois sem elas, em vez de promoverem a existência feliz da humanidade, ao contrário promovem a morte.

Artigo 10
Entendam-me, porém os Mestres do Imperador. Eu quero que o meu Augusto Pupilo seja um sábio consumado e profundamente versado em todas as ciências e artes e até mesmo nos ofícios mecânicos, para que ele saiba amar o trabalho como principio de todas as virtudes, e saiba igualmente honrar os homens laboriosos e úteis ao Estado. Mas não quererei decerto que Ele se faça um literato supersticioso para não gastar o tempo em discussões teológicas como o Imperador Justiniano; nem que seja um político frenético para não prodigalizar o dinheiro e o sangue dos brasileiros em conquistas e guerras e construção de edifícios de luxo, como fazia Luís XIV na França, todo absorvido nas idéias de grandeza; pois bem pode ser um grande Monarca o Senhor D. Pedro II sendo justo, sábio, honrado e virtuoso e amante da felicidade de seus súditos, sem ter precisão alguma de vexar os povos com tiranias e violentas extorsões de dinheiro e sangue.

Artigo 11
Sobretudo, recomendo muito aos Mestres do Imperador, hajam de observar quanto Ele é talentoso e dócil de gênio e de muita boa índole. Assim não custa nada encaminhar-lhe o entendimento sempre para o bem e verdade, uma vez que os Mestres em suas classes respectivas tenham, com efeito, idéias exatas da verdade e do bem, para que as possam transmitir e inspirar ao seu Augusto Discípulo.
Eu não cessarei de repetir aos Mestres que não olhem para os livros das Escolas, mas tão somente para o livro da Natureza, corpo e alma do homem; porque fora disto só pode haver ciência de papagaio ou de menino de escola, mas não verdade nem conhecimento exato das coisas, dos homens, e de Deus.

Artigo 12
Finalmente, não deixarão os Mestres do Imperador de lhe repetir todos os dias que um Monarca, toda a vez que não cuida seriamente dos deveres do trono, vem sempre a ser vitima dos erros, caprichos e iniqüidades dos seus ministros, cujos erros, caprichos e iniqüidades são sempre a origem das revoluções e guerras civis; e então paga o justo pelos pecadores, e o Monarca é que padece, enquanto que seus ministros sempre ficam rindo-se e cheios de dinheiro e de toda sorte de comodidades. Por isso cumpre absolutamente ao Monarca ler com atenção todos os jornais e periódicos da Corte e das Províncias e, além disto, receber com atenção todas as queixas e representações que qualquer pessoa lhe fizer contra os ministros de Estado, pois só tendo conhecimento da vida pública e privada de cada um dos seus ministros e Agentes é que cuidará da Nação. Eu cuido que não é necessário desenvolver mais amplamente estas Instruções na certeza de que cada um dos Mestres do Imperador lhe adicionará tudo quanto lhe ditarem as circunstâncias à proporção das doutrinas que no momento ensinarem. E confio grandemente na sabedoria e prudência do Muito Respeitável Senhor Padre Mestre Frei Pedro de Santa Mariana, que devendo ele presidir sempre a todos os atos letivos de Imperador como seu Primeiro Preceptor, seja o encarregado de pôr em prática estas Instruções, uniformizando o sistema da educação do Senhor Dom Pedro II, de acordo com todos os outros Mestres do Mesmo Augusto Senhor".
Paço da Boa Vista no Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 1838.

Marquês de Itanhaém
Tutor da Família Imperial
Foi senador do Império do Brasil de 1844 a 1867 e tutor da Família Imperial Brasileira, tendo sido o responsável pela educação de Dom Pedro II desde o início de sua adolescência.

Bem, não é necessária dizer que estas instruções estão atualizadíssimas, e que deveriam ser passadas para cada mestre de nosso País, e que cada criança deveria ser educada para ser um homem de bem, ou melhor, um monarca do bem.
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Assim era Dom Pedro II
Muito se tem a falar de grande personagem de nossa historia, por hora, uma pequena síntese do apaixonado cidadão por nosso país e pela cultura. D. Pedro II foi sem dúvida um intelectual. Desejava tornar o Brasil uma nação representativa, internacionalmente, no cenário político e cultural e muito mais:

A Educação
Lia Homero e Horácio no original. Discursava em grego e latim e ainda entendia a língua dos nossos índios (tupi-guarani) e o provençal. Também estudou hebraico e árabe. Seus conhecimentos eram algo de incomum, pois gostava de matemática, biologia, química, fisiologia, medicina, economia, política, história, egiptologia, arqueologia, arte, helenismo, cosmografia e astronomia.
Em seu diário escreveria D. Pedro II:
“Se não fosse imperador do Brasil quisera ser professor".

Para se ter uma idéia, o Colégio D. Pedro II - a única Instituição a realizar os exames que possibilitavam o ingresso nos cursos superiores - era mantido com recursos próprios pelo Imperador, e ele mesmo também selecionava os professores, assistia às provas e conferia as médias.

Apesar de seus esforços em promover a cultura - como é bem retratado com as instituições no Rio de Janeiro:
Colégio Pedro II, o Imperial Observatório, o Museu Nacional, o Arquivo Público, a Biblioteca Nacional, o Laboratório do Estado, o Jardim Botânico e a Academia Imperial de Belas Artes - de resto, a desatenção com a educação era a realidade encarada pela maior parte do país, no qual parecia não haver interesse por parte dos dirigentes das províncias (estados) na formação de um povo esclarecido.

O Fotógrafo
Nas suas viagens pelo exterior, a maioria de estudo e pesquisa, levava consigo uma comitiva de especialistas nos temas locais e também um fotógrafo, responsável por registrar sua passagem pelos diversos locais que visitava. Foi assim que o imperador começou a se interessar pela fotografia.
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  Foto de Louis Compte, Rio de Janeiro - 1840
1º Daguerreótipo tirado na América do Sul
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A fotografia chegou no Brasil no dia 16/01/1840, pelas mãos do abade LOUIS COMPTE, capelão de um navio-escola francês (corveta franco-belga L’Orientale) que aportou de passagem pelo Rio de Janeiro. Ele trouxe a novidade de Paris para a cidade, introduzindo a DAGUERREOTIPIA no país. Realizou 3 demonstrações do funcionamento do processo e apresentou o daguerreótipo ao imperador D. Pedro II.
Foi a primeira demonstração no Brasil e na América Latina!
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Em 21/01/1840, D. Pedro II (aos 14 anos de idade), entusiasmado com a nova invenção apresentada por Compte, encomenda um equipamento de DAGUERREOTIPIA em Paris.
Em março de 1840, adquiriu um aparelho, comprando-o diretamente de Felicio Luzaghy, por 250 mil réis, possivelmente a primeira máquina desta arte em mãos brasileiras.
Em 1840, adquire um aparelho de daguerreotipia (a futura máquina fotográfica), em março do mesmo ano, motivado pelas demonstrações que o abade francês Louis Compte lhe fizera em janeiro, adquiriu seu próprio equipamento, oito meses antes que outros similares fossem finalmente comercializados no país sendo então o primeiro brasileiro a praticar fotografia.

Tornou-se assim, o primeiro fotógrafo brasileiro com menos de 15 anos de idade! Mais tarde já um grande colecionador, e um verdadeiro mecenas dessa arte, atribuiu títulos e honrarias aos principais fotógrafos atuantes no país. Promoveu a arte fotográfica brasileira e difundiu a nova técnica por todo o país.

Também foi grande como mecenas e colecionador de fotografias, exercendo papel essencial para o florescimento da fotografia no Brasil. Posteriormente foi o primeiro soberano do mundo a conceder uma honraria a um fotógrafo, ao atribuir o título de Photographos da Casa Imperial à dupla Buvelot e Prat, em  8 de março de 1851.

O maior e mais diversificado acervo de fotografia oitocentista constituído por um particular é, justamente, a coleção que foi reunida durante vários anos pelo Imperador D. Pedro II. Oficialmente, ele é considerado o primeiro deguerreotipista brasileiro; fazia imagens de paisagens e de pessoas.

Como colecionador, constituiu o maior acervo privado das Américas durante o século XIX, a base para o estudo da história da fotografia no Brasil, reunindo ainda imagens de grandes pioneiros internacionais.
Quando de seu exílio do país, após a Proclamação da República, doou seu acervo fotográfico para a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, que o preserva, desde 1892, com o título de Coleção Thereza Christina Maria.

Uma pequena explicação sobre a Coleção Tereza Cristina:
A coleção fotográfica mencionada no parágrafo acima é uma coisa, outra coisa é a "Coleção Tereza Cristina" exposta quase permanentemente no Museu Nacional (Museu Nacional/UFRJ - Quinta da Boa Vista, São Cristóvão - Rio de Janeiro), esta coleção foi organizada no século XIX a partir de duas origens distintas:

- Uma parte do acervo veio do Real Museo Borbonico (hoje Museo Nazionale DI Napoli), com peças presenteadas pelo irmão da imperatriz Tereza Cristina, Fernando II Rei das Duas Sicílias.
- Outra parte veio da própria Imperatriz que financiou e promoveu escavações arqueológicas na localidade de Veio, outrora município romano de origem etrusca.

O Egiptólogo
O estudo pelo antigo Egito foi objeto de fascínio dos dois imperadores brasileiros. Motivado pelo interesse pessoal e pelos objetos deixados pelo pai, que até adquiriu uma múmia rara da região de Tebas, D. Pedro II, um poliglota e estudioso, foi o primeiro governante brasileiro a viajar ao Egito na época de 1870.
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Em seu acervo constavam três múmias femininas, sendo uma delas, a sacerdotisa Sha-Amon-em-su (a cantora sagrada de Amon), que é uma das oito do mundo que se encontra com os braços enrolados separados do corpo, e seu sarcófago ainda está lacrado. Graças a um exame de tomografia, foi constatado que a múmia possui todos os amuletos de ouro, incluindo o escaravelho azul.

A imperatriz Dona Teresa Cristina trouxe como dote mais de 700 itens, distribuídos entre vasos de cerâmica, lamparinas e estatuetas de terracota, objetos de bronze, esculturas em pedra, frascos de vidro e outros, a coleção Grego-romana.

Outros elementos da coleção, como os vasos etruscos, foram encontrados durante as escavações arqueológicas promovidas pela própria Imperatriz em suas terras, integrando seu dote de casamento.  As peças datam de um período histórico que se estende do Séc. VII a.C. ao Séc. III d.C.

Foi por intermédio dela que, em 1853, seu irmão Fernando II, Rei das Duas Sicílias, mandou para o Brasil peças de vários sítios arqueológicos da Itália, a maioria de Herculano e Pompéia.

O Imperador contribuiu com diversas peças de arte egípcia, fósseis e exemplares botânicos, entre outros itens, obtidos por ele em suas viagens.
Desta forma, o Museu Nacional se modernizou e tornou-se o centro mais importante da América do Sul em História Natural e Ciências Humanas.

Protetor da Cultura
A presença ativa do Imperador estava em todos os assuntos relacionados com a ciência, a tecnologia e a educação. Fazendo o papel de mecenas, o interesse de Dom Pedro II pelas ciências o levou a buscar a companhia de cientistas, tanto no Brasil como no exterior, e a participar de todos os acontecimentos culturais e científicos mais importantes do país.

Ajudou de várias formas, o trabalho de vários cientistas como Martius, Lund, Agassiz, Derby, Glaziou, Seybold.... Financiou ainda vários profissionais como agrônomos, arquitetos, professores, engenheiros, farmacêuticos, médicos, pintores, etc.
Um exemplo famoso é o de Guilherme Schuch, futuro Barão de Capanema. D. Pedro II enviou-o, em 1841, para a Áustria, a fim de estudar engenharia, pagando a viagem, roupas, e destinando uma mesada regular até terminar seus estudos no Instituto Politécnico.

Apreciador da literatura e das artes incentivou a criação das Escolas Normais, dos Liceus de Artes e Ofícios, do Conservatório Dramático Brasileiro e Conservatório Imperial de Música.
Criou e coordenou o Instituto Histórico Brasileiro e apoiou os estudos de Artes Plásticas com doações de bolsas e prêmios, financiados pelo próprio soberano, de viagem à Europa para os alunos da Academia Imperial de Belas Artes.

Foi um dos colaboradores na fundação do Instituto Pasteur em Paris, em que Pasteur trabalhou para solucionar os problemas de surto como a raiva.

Foi um dos colaboradores na construção do teatro de Wagner em Bayreuth.

Parte do seu ordenado era destinado ao patrocínio dos estudos de muitos brasileiros, como Carlos Gomes - o grande compositor brasileiro, autor da célebre ópera "O Guarani" - em Milão, Itália, graças a intervenção junto ao imperador da Condessa de Barral, é que Carlos Gomes conseguiu matrícula no Conservatório de Música de Francisco Manuel da Silva o compositor do Hino Nacional Brasileiro, este conservatório é que deu origem a atual Escola Nacional de Música.
 

O Desbravador
Em 30 de abril de 1854, inaugurou a Estrada de Ferro Petrópolis, fundada por Irineu Evangelista de Souza, Visconde e depois Barão de Mauá, patrono do Ministério dos Transportes. A primeira locomotiva a vapor do Brasil foi batizada de "Baronesa”, em homenagem à esposa do Barão de Mauá, Dona Maria Joaquina.
A Estrada de Ferro Mogiana.

D. Pedro decretou a construção das primeiras Linhas Telegráficas do país.

Introduziu a Produção Cafeeira, o que promoveu o crescimento da economia brasileira.

Em 1876, um escocês que vivia nos Estados Unidos apresentou aparelho para se falar à distância na Exposição Internacional de Filadélfia.
Ninguém deu atenção ao professor e pesquisa dor de métodos de dicção. Nem mês mo os juízes responsáveis por escolher os melhores inventos. Pensativo e solitário diante do aparelho, o inventor ficou surpreso ao ouvir saudação tão calorosa:
“Meu caro professor Bell, folgo muito em reencontrá-lo.”
Alexander Graham Bell era o nome do inventor. E quem o cumprimentava era um monarca estrangeiro, Pedro II, que Bell havia conhecido dias antes, durante visita oficial do imperador do Brasil à escola onde lecionava para surdos-mudos. O interesse de Pedro II, cercado de assessores, final­mente chamou atenção para o invento de Bell. Pedro II tinha deixado o Brasil em 26 de março de 1876, para visitar a Exposição. Depois seguiria para Canadá, Europa, Palestina; e Egito, onde queria aprofundar seus conhecimentos de egiptologia.
Entusiasmado, Bell convida o visitante ilustre para testar o invento. Estende o fio de um canto a outro da sala. Pedro II fica numa extremidade. Na outra, Bell. Segundos de silêncio. Todos aguardam a reação. De repente, ouvindo chama do de Bell, Pedro II teria exclamado:
“Meu Deus, isto fala!”
Um ano depois, Bell e seu sogro fundavam nos Estados Unidos a primeira companhia telefônica do mundo.
O Imperador fez uma encomenda de 100 aparelhos para o Brasil, tornando o Brasil o segundo país do mundo a empregar o Telefone.

De espírito liberal, não só ajudou a cultura, criando e reformando várias escolas e faculdades, mas incentivou a industrialização do país, participando pessoalmente da seleção de pedidos de privilégio industrial, e ainda aboliu a escravidão, através de sua filha a princesa Isabel.

Encantado com a vista panorâmica do alto do morro, de onde se pode avistar inclusive a belíssima Lagoa Rodrigo de Freitas, D. Pedro II sugeriu um caminho para facilitar o acesso ao local, a Estrada de Ferro do Corcovado, sendo esta a primeira obra construída para o turismo da América Latina.
E, contrariando a maior parte da população, que achava mais confiável ir no lombo de um cavalo, o imperador redigiu um decreto autorizando a construção da ferrovia, em janeiro de 1882. Apesar do trecho curto, 3.829 metros (na época era a menor via férrea da América Latina), o projeto demorou dois anos para ficar pronto.
A construção foi feita em duas etapas: primeiro ficaram prontas as estações Cosme Velho e Silvestre, inauguradas em 1884; em seguida, Paineiras e Alto do Corcovado, entregues em 1885, e inauguradas pelo próprio imperador, que fez a primeira viagem acompanhado pela princesa Isabel e sua comitiva.

O Liberal
Embora não seja reconhecido, Dom Pedro II contribuiu bastante para a liberdade de imprensa. No reinado de Dom Pedro II não havia presos políticos, nem censura à imprensa.
A liberdade era tanta, que circulava até um jornal pregando a derrubada da monarquia.
Mesmo assim, Pedro II fez questão de manter a liberdade de imprensa, apesar de freqüentemente choverem caricaturas ridicularizando-o com certo "desinteresse" quanto a assuntos administrativos.

Em entrevista com o jornalista imigrante alemão Carl Von Koseritz (Jornalista e político alemão, naturalizado brasileiro, lutou pela abolição da escravidão e por uma política adequada de colonização), o Imperador fez a seguinte declaração:
"Senhor Koseritz, aproveito a ocasião para dizer-lhe que o estimo, pois sei que o senhor é um homem esforçado que trabalha pelo bem desse país, mas gostaria que o senhor não fosse mais injusto comigo. Não penso em levar a mal as críticas sobre os meus atos. As censuras são úteis e necessárias, mas com justiça, porque eu posso errar como qualquer homem. Somente as injustiças pessoais devem ser evitadas"

A imprensa sofreu as conseqüências do chamado “Decreto Rolha”, considerado por alguns historiadores como a primeira lei de segurança nacional do país no início da República. O decreto 295 de 29 de março de 1890, decorrente do primeiro, aplicava-se a “todos aqueles que derem origem a falsas notícias e boatos dentro ou fora do país ou concorram pela imprensa, por telegrama ou por qualquer modo, para pô-los em circulação.”

O Ecologista
Em 1862, ordenou o replantio de toda a vegetação nativa do maciço da Tijuca, atual Floresta da Tijuca no Rio de Janeiro, a maior floresta urbana do mundo.
Totalmente devastada em função do plantio de café, comprometeu as nascentes dos rios e alterou o equilíbrio climático da época.
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Cascata Taunay - 1885
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Muito preocupado com a ecologia, construiu um Jardim Botânico na cidade de Manaus, na província do Amazonas.

Museu Botânico de Manaus
Foi fundado em 1883, tendo como seu único diretor e administrador o naturalista João Barbosa Rodrigues. A região já era conhecida dele desde 1872, quando começou as suas primeiras pesquisas na Amazônia reunindo e classificando plantas e objetos indígenas como os muiraquitãs. Consta que a verdadeira fundadora do Museu Botânico foi a Princesa Isabel, de quem Barbosa Rodrigues contava com seu apoio e admiração. Barbosa Rodrigues, embora republicano, nunca deixou de ser apoiado pelo Governo Imperial. D. Pedro II, segundo consta, o admirava, também, tanto que muitas vezes esteve presente durante suas conferências. O Museu, infelizmente, teve vida efêmera. Sete anos depois (1889) Barbosa Rodrigues era destituído do cargo e o Museu extinto por ordem do governador do Amazonas, o Capitão Augusto Ximeno de Valleroy. O Museu chegou a ter sua própria revista denominada Vellosia, que cessou de ser publicada no quarto volume. No último relatório da instituição, feito pelo seu genro, Campos Porto, e publicado na revista Vellosia, consta que Barbosa Rodrigues deixou, ao sair de Manaus, um herbário com 10.000 exsicatas e 1.260 objetos indígenas amazônicos diversos. Infelizmente, não se sabe até hoje o destino dessa preciosa coleção. Foi jogado fora ou, então, acabou se decompondo por falta de cuidado, o que não ocorreu com sua Biblioteca, que foi melhor conservada e transferida para o Colégio Estadual do Amazonas. O acervo dessa Biblioteca era de grande valor científico. Contava com obras raras como a Flora brasiliensis de Martius, Viagem de D'Orbigny, as coletâneas de Linnaea, Buffon, Adansonia, Castenaux, Prodromus de Candolle e outras obras clássicas mais de interesse para o estudo da flora amazônica. Esse precioso acervo encontra-se, hoje, no INPA. Na lombada de alguns livros encadernados ainda se pode ver o nome da instituição impresso com o título nominativo "MUSEU".

A Primeira Expedição à Antártica
Fato pouco conhecido é que financiou a primeira expedição brasileira à Antártida, em 1882, em que

Primeira Atividade Científica Nacional fora do País: duas expedições brasileiras iriam observar a passagem de Vênus pelo disco solar: uma, chefiada pelo Capitão-de-Fragata Antonio Luiz von Hoonholtz, na região equatorial; outra, com a Corveta Parnayba, na região subantártica, sob o comando do Capitão-de-Fragata Luiz Filippe de Saldanha da Gama, levando o astrônomo Luiz Cruls e baseada em Punta Arenas, no Chile, a corveta Parnayba atingiu os arredores do estreito de Drake, com propósitos de coletar informações científicas, o que causou grande protesto da imprensa e de diversos políticos. Como conseqüência dessa expedição, o Brasil passou a ser membro consultivo do Tratado da Antártica. E realizou a primeira carta náutica brasileira da Região Antártica.

Repartição Hidrográfica
O ano de 1876, é auspicioso para a Hidrografia Brasileira. Por decreto do Governo Imperial, no dia 2 de fevereiro, é criada a Repartição Hidrográfica, que tem como primeiro Diretor o Capitão-de-Fragata Antonio Luiz von Hoonholtz – Barão de Teffé – sendo Ministro da Marinha o Conselheiro Luiz Antonio Pereira Franco.

Poucos dias antes (26 de janeiro), havia sido criada a Repartição de Faróis que, mais tarde, seria integrada à Repartição Hidrográfica.
Em 4 de abril de 1888, é criada a Repartição Central Meteorológica.
Em 7 de novembro de 1891, são reunidas as três Repartições em uma única, a Repartição da Carta Marítima.
O período que vai de 1876 a 1891, é marcado pela elaboração de esboço de plano de levantamento da costa brasileira idealizado pelo Barão de Teffé, pelo levantamento do porto de Santos (Barão de Teffé), pela publicação, no Rio de Janeiro, do Tratado de Geodésia, do Capitão-Tenente José Cândido Guillobel, pela determinação da posição de Cabo Frio, a cargo do Capitão- Tenente Francisco Calheiros da Graça, sendo empregado, pela primeira vez, em nossa Marinha, o telégrafo elétrico, na transmissão de sinais horários.

Serviço Metereológico
Em 1896, tendo início no Império, a Repartição de Hidrografia passa a chamar-se Superintendência da Carta Marítima.
Em 12 de abril de 1898, o Capitão-Tenente Américo Brazílio Silvado elabora as primeiras Instruções Meteorológicas da Diretoria de Meteorologia da Superintendência da Carta Marítima, que marcou as atividades de nosso primeiro serviço meteorológico nacional, sistemático. Ainda nesse ano, são elaboradas as primeiras cartas isobáricas de superfície.

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Ilha Fiscal
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O Poeta
Sua obra poética, filiada à estética romântica, constitui-se dos livros Poesias de S. M. O Senhor D. Pedro II (1889) e Sonetos do Exílio (1898).
Em 1932, foram publicadas suas Poesias Completas.
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O Astrônomo
O Imperador mantinha contato estreito com muitos nomes ilustres da época, como Camille Flamarion e Victor Hugo, com os quais dividia a paixão pela Astronomia. Fundou bibliotecas, museus, observatórios astronômicos e meteorológicos em várias partes do país, algumas vezes, mantendo-os com recursos pessoais.

O Imperial Observatório do Brasil havia sido criado por decreto de D. Pedro I em 1827, no Rio de Janeiro, mas só começara a funcionar quase vinte anos depois. D. Pedro II deu forma e alma a instituição, cedendo os próprios instrumentos que utilizava em seu observatório particular na Quinta da Boa Vista, para que o Imperial Observatório pudesse iniciar suas atividades.

Sua Majestade ansiava por desenvolver um observatório astronômico moldado nos mais modernos, como o famoso observatório de Nice, onde foi descoberto o asteróide 293, chamado Brasília, em homenagem ao Imperador, quando do seu exílio em Paris.
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O Imperial Observatório trouxe-lhe muitas realizações
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Em Janeiro de 1887, o próprio Imperador, bom em matemática, fez estimativas do comprimento da cauda de um cometa, como ficou registrado na revista francesa "L’astronomie", publicada até hoje.
D. Pedro II estava sempre em contato com os astrônomos do Imperial Observatório e discorria com rara competência sobre diversas questões científicas. Ele tinha um apartamento privativo neste observatório, onde passava várias noites fazendo observações junto com esses astrônomos.
Em fins de 1889, um grande telescópio por ele encomendado e pago, como sempre do seu próprio bolso, sequer chegou a ser desembarcado no porto do Rio de Janeiro, por ordem dos republicanos, após o grande golpe de 15 de novembro de 1889. Foi um mergulho ao mundo das trevas. O que seria o maior telescópio da América do Sul e mapearia os céus do Hemisfério, foi enviado de volta para a Europa.

Contudo, a dedicação do imperador foi recompensada: o dia de seu nascimento, 2 de dezembro, se tornou Dia Nacional da Astronomia.

Secas - Transposição do Rio São Francisco
Durante o reinado de Dom Pedro II, foi concebido o primeiro projeto de transposição do Rio São Francisco, visando a minimizar os efeitos do clima semi-árido no Sertão Nordestino.

Barragem do Cedro
O Açude co Cedro, está localizado no Boqueirão do Cedro, município de Quixadá, estado do Ceará, a cerca de 180 km de Fortaleza.
Este projeto foi a primeira iniciativa governamental no Brasil contra o fenômeno das prolongadas secas.
D. Pedro II foi quem deu a ordem de realização. Porém a conclusão deu-se no período Republicano.

As Críticas ao Imperador
Critica-se o Imperador pelo fato de seu apoio ter-se dado no plano do mecenato, tendo auxiliado essas instituições com seus recursos privados, sem procurar vinculá-las ao aparelho do Estado, o que fez com que perdessem a continuidade com a sua deposição, e somente muito mais tarde se recuperassem. Não se deve esquecer, entretanto, que tais iniciativas não tinham um segmento social que o apoiasse, diferentemente do caso dos Estados Unidos e da Europa da época, pois não tinha e não recebia apoio político para a melhoria da cultura de nosso povo.
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Concepções Raciais
Por ser um homem naturalmente tímido e avesso a intimidades, o monarca possuía poucos e sinceros amigos. Um deles se chamava Rafael, negro e veterano da Guerra da Cisplatina e trabalhava no paço como seu criado particular (e fora homem de confiança de Pedro I). Tendo tido uma infância solitária e triste, um dos atenuantes para Pedro II foi o carinho recebido por parte de Rafael, que servira de certa forma como um pai que o pequeno Bragança não tivera.

A amizade de ambos viria a perdurar até o fim do regime monárquico e Rafael inclusive o acompanhou em uma de suas viagens ao exterior (Rafael, então um octagenário, viria a falecer em 15 de Novembro de 1889, ao saber que Dom Pedro II seria exilado). Também são conhecidas suas relações com o veterano da guerra do Paraguai, Cândido da Fonseca Galvão, figura quase folclórica no Rio de Janeiro, líder da comunidade de negros livres da cidade, conhecido como Dom Obá II, da África. O engenheiro André Rebouças, também negro, tinha grande trânsito junto à família imperial, e, após a proclamação da República, auto exilou-se em solidariedade.

Sua visão quanto à escravidão e a própria condição do negro no mundo moderno fora afetada por sua criação. E assim percebera, não só como apreciador da ciência, mas também como cristão e governante, o grave erro que seria manter o regime escravocrata no Brasil. Entretanto, sabia perfeitamente que seria impossível abolir a escravidão de uma forma simples e direta, pois acreditava que tal ato viria a causar uma guerra civil semelhante a que ocorreu nos EUA em 1860 e desestabilizaria irremediavelmente a economia brasileira, levando o país ao colapso.

Dessa forma, dom Pedro realizou um projeto de extinguir a escravidão por etapas, a iniciar por uma iniciativa pessoal sua, que ao ser declarado maior de idade recebeu como parte de sua herança pouco mais de quarenta escravos e mandou libertar todos.

O Imperador nunca escondeu do público a repulsa que possuía pelos traficantes de escravos e da própria escravidão. Inclusive, nem os interesses dos políticos, lavradores e proprietários de escravos pesaram de forma alguma em suas deliberações ou opiniões. Foi iniciativa sua aproveitar a crise com a Grã-Bretanha durante a década de 1940 e pressionar os políticos a extinguirem de fato o tráfico de escravos, chegando a ponto de ameaçar abdicar a ter que manter o comércio. Seu esforço de revelou frutífero e em 4 de Setembro de 1850 foi promulgada uma lei que tornou o tráfico ilegal.

No início da década de 1960, o monarca manifestou o seu interesse em levar a cabo o seu projeto de abolição gradual da escravidão, pois obtivera sucesso em eliminar a principal fonte de novos escravos: a importação. Agora desejava extinguir outra fonte: o nascimento de novos escravos. E deixou claro em carta:

"A emancipação dos escravos, conseqüência necessária da abolição do tráfico [negreiro], não é senão uma questão de forma e de oportunidade. Quando as circunstâncias penosas [referia-se à Guerra do Paraguai] em que se encontra o país o permitirem, o Governo Brasileiro considerará objeto de primeira importância a realização daquilo que o espírito do Cristianismo há muito reclama do mundo civilizado."

De fato, a sua vontade de libertar os nascituros não fora proveniente do conflito contra o Paraguai, e sim grandemente retardada pelo mesmo. Revelou sua idéia publicamente na Fala do Trono de 1866, sendo duramente atacado não só pelos políticos, mas também pela sociedade em geral, que alegavam que tal ato seria um "suicídio nacional" como recordaria mais tarde Joaquim Nabuco. Mesmo assim, mais uma vez logrou sucesso e, terminado o conflito, uma nova lei foi promulgada em 18 de setembro de 1871, concedendo liberdade a todos os filhos nascidos de escravas a partir daquela data.

Seu próximo projeto foi à libertação dos escravos sexagenários: tal idéia não fora concebida tendo em vista uma emancipação ampla, mas sim, concluir um trabalho longo que iniciara com a extinção do tráfico. Não havendo mais escravos a nascer, e os idosos sendo libertados, seria questão de tempo até que a escravidão deixasse de existir em território nacional, ao mesmo tempo em que não abalaria a economia e permitiria aos agricultores buscarem formas alternativas de mão-de-obra. Fora o Imperador quem escolheu Manuel Dantas e em seguida, após a queda deste, Antônio Saraiva, que conseguiu promulgar em 28 de setembro de 1885 a Lei dos Sexagenários.

Dom Pedro II não teve participação na promulgação da Lei Áurea ocorrida três anos depois por sua filha e herdeira, Dona Isabel, por estar em viagem a Europa. Mas ao ouvir a notícia da extinção completa da escravidão em solo brasileiro, um sonho alentado desde sua juventude, proferiu emocionado em seu leito de enfermo:
"Grande Povo! Grande Povo!"
Mesmo assim, tornou-se a figura mais popular do país com a abolição. O historiador Heitor Lyra em sua biografia acerca do imperador, "História de Dom Pedro II" v.3, asseverou:
"O inspirador da campanha [abolicionista], o estrategista dela, a alma do movimento, aquele que buscara o general [Presidente do Conselho de Ministros] e o colocara na frente das hostes [Assembléia Geral], que lhe armara o braço e o prestigiara na avançada, com uma decisão sempre firme, constante, fiél - fora o Imperador."

O papel de protagonista de dom Pedro II na campanha abolicionista seria com o passar do tempo, praticamente esquecido em prol de sua filha mais velha, sendo o monarca relegado ao papel de coadjuvante, se não de um mero espectador dos acontecimentos.

- Das inúmeras viagens por todo o território nacional que o imperador fez, a propósito de suas posições sobre a escravidão, registro aqui a seguinte passagem:

Numa viagem ao interior de Minas Gerais, o Imperador observou, no meio da multidão que o cercava, uma negra que fazia grande esforço para se aproximar dele, mas as pessoas à sua volta não deixavam. Compadecido, ordenou que a deixassem passar.

- Meu senhor, meu nome é Eva, uma escrava fugida, e vim aqui pedir a Vossa Majestade a minha liberdade.

O Imperador mandou tomar nota dos dados necessários, e prometeu que a libertaria quando regressasse a corte. E realmente mandou entregar à negra o documento de alforria.

Algum tempo depois, estando em uma das janelas do Palácio de São Cristóvão, viu um guarda tentando impedir que uma negra idosa entrasse. Sua memória incrível reconheceu imediatamente a ex-escrava mineira, e ordenou:

- Entre aqui, Eva!

A negra seguiu, entrou, e entregou ao imperador um saco de abacaxis, colhidos na roça que plantara depois de liberta.

A tolerância do Imperador não se restringia somente aos negros, mas também aos muçulmanos, pois acreditava que a paz mundial seria sempre uma utopia, enquanto não se estabelecesse uma sincera conciliação entre o Ocidente e o Oriente. O mesmo se estendia aos judeus, como na vez em que respondeu ao seu amigo Gobineau a razão de não existir leis no Brasil contra os mesmos:
"Não combaterei os judeus, pois de sua raça nasceu o Deus da minha religião".
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A Amante
Muitos pesquisadores consideram o grande e verdadeiro amor do imperador. Além de cartas de amor com referências a "noites especialíssimas" os dois trocavam seus diários entre si. Infelizmente só sobraram os textos escritos pelo imperador, os da condessa desapareceram e admite-se a hipótese de terem sido queimados por Dom Pedro. Nunca houve identificação intelectual entre o imperador e a imperatriz, já com a Condessa de Barral era diferente, ambos eram amantes das artes e letras, algumas vezes Pedro escrevia a ela em francês e a condessa fazia correções nos textos do imperador.

Registrando em seu diário, a primeira vez em que viu a condessa, e se referindo a forma como ela fez a reverência a frente dele, Pedro diz:
"...ela fez a reverência de forma soberanamente submissa... transformava a reverência em obra de arte"
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Condessa de Barral
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A Condessa de Barral, Condessa da Pedra Branca por parte de pai, Marquesa de Monferrat por casamento, era baiana, porém foi criada na Europa, filha do diplomata Domingos Borges de Barros (Visconde de Pedra Branca) e no Brasil foram famosas suas festas e saraus regados a boa música e conversas intelectuais.

Foi casada com o fidalgo francês Chevalier de Barral que também era Visconde de Barral, filho do Conde de Barral que também era o Marquês de Monferrat; casou por amor, pois já havia recusado um casamento por conveniência arranjado pela família.

Provavelmente só após a morte do marido, em 1868, que a condessa se tornou amante do imperador. Até então, o tom das cartas mostra um relacionamento platônico.

Em sua casa na Rue D'Anjou em Paris freqüentaram grandes nomes da cultura, dentre eles nada mais nada menos que Frederic Chopin.

Dom Pedro II no Brasil trocava correspondência com Louis Pasteur, Alexander Graham Bell, Richard Wagner dentre outros, ou seja a afinidade entre eles era enorme.

Esta relação entre Dom Pedro e a Condessa de Barral, rendeu uma peça teatral chamada Os Olhos Verdes do Ciúme, texto de Caio de Andrade; e Jô Soares utiliza Dom Pedro e a condessa como argumento histórico para o livro e o filme O Xangô de Baker Street. (no livro e no filme ele trata a personagem como Maria Luiza e lhe atribui o título de baronesa).
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O Diário do Imperador

O Afér
Registrando em seu diário, a primeira vez em que viu a condessa, e se referindo a forma como ela fez a reverência a frente dele, Pedro diz:
"...ela fez a reverência de forma soberanamente submissa... transformava a reverência em obra de arte"

Viagens
Das inúmeras viagens por todo o território nacional que o imperador fez, a propósito de suas posições sobre a escravidão, registro aqui a seguinte passagem:

- Numa viagem ao interior de Minas Gerais, o Imperador observou, no meio da multidão que o cercava, uma negra que fazia grande esforço para se aproximar dele, mas as pessoas à sua volta não deixavam. Compadecido, ordenou que a deixassem passar:
- Meu senhor, meu nome é Eva, uma escrava fugida, e vim aqui pedir a Vossa Majestade a minha liberdade.

O Imperador mandou tomar nota dos dados necessários, e prometeu que a libertaria quando regressasse a corte. E realmente mandou entregar à negra o documento de alforria.

Algum tempo depois, estando em uma das janelas do Palácio de São Cristóvão, viu um guarda tentando impedir que uma negra idosa entrasse. Sua memória incrível reconheceu imediatamente a ex-escrava mineira, e ordenou:
- Entre aqui, Eva!
A negra seguiu, entrou, e entregou ao imperador um saco de abacaxis, colhidos na roça que plantara depois de liberta.

Viagem ao Nordeste
Entre os anos de 1859 e 1860, o Imperador faz uma viagem antológica pelo nordeste brasileiro incluindo o Rio São Francisco. Atravessou grande parte do território nacional, do Rio de Janeiro à Paraíba, muitas vezes montado em lombo de burro ou a bordo embarcações rudimentares e frágeis. Quando passou pela Bahia, escreveu em seu diário:
“Na fazenda dos Olhos d’água fiquei mal acomodado na senzala – nome que convém à casa que aí há – mas sempre arranjei cama em lugar de rede e dormiria bem, apesar das pulgas, cujas mordeduras só senti outro dia de manhã, se não fosse o calor, e a falta de água que é péssima aí, tardando a de Vichy, que vinha na bagagem pela falta de condução.”

Nos Estados Unidos
Em 1876, Dom Pedro II aproveitou para passear pelos Estados Unidos, onde se encantou com os arranha-céus, os trens e o desenvolvimento da agricultura; esteve na companhia do presidente americano Rutherford Hayes e escreveu no seu diário:
“Seu aspecto é grosseiro. Pouco fala. A nora é muito amável. A mulher feia e vesga faz o que pode para ser amável. O filho parece rapaz muito inteligente.”

Ser Outra Pessoa
Dom Pedro chegou mesmo a declarar, em seu diário:
Que nascera para consagrar-se "às letras e às ciências e, a ocupar posição política, preferiria a de presidente da república, ou ministro, à de imperador".
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A Apinéia do Imperador
De acordo com os pesquisadores, D. Pedro II era bastante obeso e naquela época não havia muita preocupação em controlar a obesidade, já era sabedor que tinha diabetes. A pesquisa aponta que o imperador dormia durante o dia em inúmeras situações, como no teatro e em palestras, o que teria ocorrido com grande freqüência e durante muitos anos.
Naquela época não se conheciam as doenças que levam à sonolência diurna excessiva, uma vez que o conhecimento desse tipo de distúrbio ocorreu na segunda metade do século XX com o avanço da tecnologia. Havia, portanto, uma causa orgânica para a sonolência excessiva do imperador. Esse achado contraria a versão mais usada na época pelos opositores de D. Pedro II que diziam, e publicavam em inúmeras charges, que ele dormia demais por não se importar com o Brasil.
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Charge sobre a sonolência do Imperador
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O Falecimento

Á noite de 5 de dezembro de 1891, falecia no exílio, em Paris na capital francesa, o deposto Imperador Dom Pedro II.
Sua morte ocorria no modesto quarto nº 18 do Hotel Bedford, que era o que suas posses permitiam.
Duas vezes recusara indenizações do governo republicano:
ao ser proclamada a república; e quando a primeira Assembléia Constituinte de 1891 votou uma pensão equivalente ao ordenado do próprio presidente da república.
Sobre a oferta do Governo Provisório, e depois de recusá-la, solicitando que se tornasse pública sua recusa, comentou:
“Não sei com que autoridade esses senhores dispõem dos dinheiros públicos”.

Dom Pedro II ia viver de suas escassas poupanças, durante os 49 anos de reinado Pedro II sempre recusara aumento de sua dotação anual, embora o orçamento do Império tenha se manipulado algumas vezes, sem inflação e sem desvalorização da moeda-padrão da época que se mantinha paritária à Libra Esterlina, empregando ainda boa parte dela no patrocínio de bolsas para jovens brasileiros promissores.
No exílio continuou a ser o que sempre foi – um padrão de moralidade, de vida pública e particular inatacável, sempre primado pela honradez e compostura.
Obrigado a viver fora do país, amealhou o mínimo possível para viver com dignidade.
A Imperatriz Teresa Cristina já tinha falecido em Portugal, ao serem expulsos do Brasil.
A Princesa Isabel e filhos iam ficar por conta do Conde D’Eu, possuidor de algum patrimônio no seu país de origem.

O Imperador fizera questão de levar consigo somente um travesseiro com terra do Brasil, para repousar sua cabeça quando do último suspiro. Alguns amigos dedicados, inclusive o engenheiro André Rebouças, o grande abolicionista, haviam feito questão de acompanhar a Família Imperial ao exílio. Rebouças, quando da morte de Dom Pedro II, recusou-se a voltar ao Brasil, dizendo que o desaparecimento do Imperador representara o término das possibilidades de alguém da sua cor – negra – vir a ser personalidade exponencial no país. No exílio, Dom Pedro II não gastou o tempo em mundanismos, nem a freqüentar saraus e recitais – dedicou seu tempo final ao Instituto Pasteur e à Academia Francesa, convivendo com sábios do porte de Pasteur.
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A Morte - 1891
Em 23 de Novembro de 1891, Pedro II compareceu a Academia de Ciências pela última vez para participar de uma eleição. Na manhã seguinte anotou friamente em seu diário a notícia de que o ditador Deodoro da Fonseca havia renunciado:
"10:30. O Deodoro demitiu-se."
Realizou logo mais um longo passeio pelo Sena em carruagem aberta, apesar da temperatura extremamente baixa. Ao retornar para o hotel Bedford à noite, sentiu-se resfriado. A doença evoluiu nos dias seguintes até tornar-se uma pneumonia.
Não houve celebração em seu aniversário no dia 2 de dezembro, com a exceção de uma simples missa, onde ficou acamado e teve apenas a companhia da filha, genro e netos. Contudo, recebeu a visita de diversos franceses e brasileiros que residiam em Paris que foram cumprimentá-lo.

Seu estado de saúde piorou repentinamente na manhã do dia 3 de dezembro.
Outros parentes e amigos foram visitá-lo após saberem da gravidade da situação.
No dia 4 de dezembro recebeu os últimos sacramentos do abade Rébours, vigário de Madeleine.
Entrou em agonia na noite do mesmo dia e faleceu as 0:35 da manhã do dia 5.

Suas últimas palavras foram:

"Deus que me conceda esses últimos desejos – paz e prosperidade para o Brasil…"

Estava tão enfraquecido que não sofreu qualquer tipo de dor.
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O Último Imperador Dorme
Estavam ao seu lado sua filha Isabel, o Conde d´Eu, os netos Pedro, Luís, Antonio, Pedro Augusto e Augusto e suas irmãs Januária e Francisca, acompanhada de seus esposos.

Segundo o atestado de óbito a causa mortis foi uma pneumonia aguda do pulmão esquerdo.

Pedro II faleceu sem abdicar de sua coroa e sua filha Isabel tornou-se a herdeira do trono do Império brasileiro. Ela beijou solenemente as mãos do pai e em seguida todos os demais presentes, inclusive dezenas de brasileiros que já se encontravam no local, beijaram sua mão, reconhecendo-a como a Imperatriz de jure do Brasil.
O Barão de Rio Branco, que estava presente, escreveu mais tarde:
"Os brasileiros presentes, trinta e tantos, foram desfilando um a um, lançando água benta sobre o cadáver e beijando-lhe a mão. Eu fiz o mesmo. Despediam-se do grande morto".
O senador Gaspar da Silveira Martins chegou logo após o falecimento e, ao ver o corpo do velho amigo, chorou convulsivamente.
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Foi dispensada a autopsia e o corpo do Imperador foi embalsamado as 9 horas do dia 5 de Dezembro de 1891, após injetarem seis litros de cloridrato de zinco e de alumínio em sua carótida.
 Também foi feita uma máscara mortuária.

Pedro II foi vestido como o uniforme de Marechal do Exército, representando sua posição como Chefe das Forças Armadas brasileiras.
Em seu peito foram colocadas as fitas das diversas ordens de que fazia parte e em suas mãos, um crucifixo de prata enviado pelo Papa Leão XIII.
Duas bandeiras brasileiras foram colocadas em suas pernas para cobri-las. Enquanto preparavam o corpo de Pedro II, o Conde d´Eu encontrou no quarto um pacote lacrado e uma mensagem escrita pelo próprio Imperador:
"É terra de meu país, desejo que seja posta no meu caixão, se eu morrer fora de minha pátria".
O pacote que continha terra de todas as províncias brasileiras foi colocada dentro do caixão.
Foram utilizados três caixões:

Um de chumbo forrado de cetim branco com uma tampa de cristal, onde depositaram o corpo, e outros dois que revestiram o primeiro: um carvalho envernizado e outro de carvalho recoberto de veludo negro.
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Sr. Alcântara
Dom Pedro II
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O Funeral
Poucas horas após a morte de Pedro II, milhares de pessoas compareceram ao hotel Bedford, dentre elas, o Presidente do Conselho, Freycinet e os ministros da Guerra e da Marinha.
Em apenas um dia, mais de 2 mil telegramas haviam sido enviados para o hotel com mensagens de condolências.

O presidente francês Sardi Carnot, que estava em viagem pelo sul do país, enviou todos os membros da Casa Militar para prestarem homenagens ao falecido monarca. A princesa Isabel desejava realizar uma cerimônia discreta e íntima para o enterro de Pedro II. Contudo, aceitou o pedido do Governo francês de realizar um funeral de Chefe de Estado. Para evitar incidentes políticos, o Governo decidiu que o enterro seria oficialmente realizado pelo fato do Imperador ser grã-cruz da Legião de Honra, mas com as pompas devidas a um monarca. Todos os pedidos feitos pelo governo republicano brasileiro para não se realizar qualquer tipo de funeral oficial ou de apresentar publicamente a bandeira imperial foram simplesmente ignorados pelo governo francês.

Os caixões contendo o corpo de Pedro II saíram do hotel Bedford na noite de 8 de Dezembro com destino a Igreja da Madeleine. Oito militares franceses transportaram os caixões, cobertos pela bandeira imperial, sendo assistidos por mais de cinco mil pessoas. A carruagem utilizada fora à mesma dos enterros do cardeal Morlot, do Duque de Morny e de Adolphe Thiers.

No dia seguinte, milhares de personalidades compareceram a cerimônia realizada em Madeleine. Além da família de Pedro II, estavam:
Amadeo, ex-rei da Espanha, Francis II, ex-rei das Duas Sicílias, Isabella II, ex-rainha da Espanha, Philippe, Conde de Paris, e diversos outros membros da realeza européia. Também estavam presentes o General Joseph Brugère, representando o Presidente Sadi Carnot, os presidentes do Senado e da Câmara, assim como senadores, deputados, diplomatas e outros representantes do governo francês. Quase todos os membros da Academia Francesa, do Instituto de França, da Academia de Ciências Morais e da Academia de Inscrições e Belas-Artes também participaram.

Entre os presentes, estavam:
Eça de Queiroz, Alexandre Dumas, fils, Gabriel Auguste Daubrée, Jules Arsène Arnaud Claretie, Marcellin Berthelot, Jean Louis Armand de Quatrefages de Bréau, Edmond Jurien de la Gravière, Julius Oppert, Camille Doucet e outros. Representantes de outros governos, tanto do continente americano, quanto europeu se fizeram presentes, além de países longínquos como Turquia, China, Japão e Pérsia, com a exceção do Brasil.

Em seguida os caixões foram levados em cortejo até a estação de trem, de onde partiria para Portugal. Apesar da chuva incessante e da temperatura extremamente baixa, entre 200 mil a 300 mil pessoas assistiram ao evento. As tropas militares francesas que fizeram parte do cortejo eram compostas por 80 mil homens. Duas carruagens levavam quase 200 coroas de flores.
Nelas, estavam escritas mensagens homenageando o Imperador, tais como:
"A D. Pedro, Vitória R.I.",
"Dos Voluntários da Pátria ao grande Imperador por quem se bateram Caxias, Osório, Andrade Neves e tantos outros heróis.",
"Um grupo de brasileiros estudantes em Paris.",
"Tempos felizes em que o pensamento, a palavra e a pena eram livres, que o Brasil libertava povos oprimidos…" (enviada pelo Barão de Ladário, Marquês de Tamandaré, Visconde de Sinimbu, Rodolfo Dantas, Joaquim Nabuco e Taunay),
"Ao grande brasileiro benemérito da Pátria e da Humanidade. Ubique Pátria Memor." (enviada pelo Barão do Rio Branco),
"Os Rio-Grandenses ao rei liberal e patriota." e
"Um negro brasileiro em nome de sua raça".
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Funeral de Pedro II em Paris - 1891
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A viagem prosseguiu até a Igreja de São Vicente de Fora, próximo a Lisboa, onde o corpo de Pedro II foi depositado no Panteão dos Braganças em 12 de dezembro, entre os de sua madrasta Amélia e de sua esposa, Teresa Cristina. Em todos os locais que os caixões passaram, tanto na França, quanto como na Espanha, e por último, em Portugal, foram realizadas homenagens. Como sempre, com a exceção do Governo brasileiro republicano.
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Funeral de Pedro II em Lisboa - 1891
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Repercussão a Morte de Dom Pedro II no Brasil
Os membros do governo republicano brasileiro, "temerosos da grande repercussão que tivera a morte do imperador", negaram a possibilidade de qualquer manifestação oficial. Contudo, o povo brasileiro não ficou indiferente ao falecimento de Pedro II, a "repercussão no Brasil foi também imensa, apesar dos esforços do governo para abafar. Houve manifestações de pesar em todo o país: comércio fechado, bandeiras a meio pau, toques de finados, tarjas pretas nas roupas, ofícios religiosos". De acordo com o dr. João Mendes de Almeida, em artigo escrito em 7 de Dezembro de 1891:
"A notícia do passamento de S. M. o Imperador D. Pedro II vem pôr à prova os sentimentos da nação brasileira com a dinastia Imperial. A consternação tem sido geral".
Foram realizadas "missas solenes por todo o país, seguidas de pronunciamentos fúnebres em que se enalteciam D. Pedro II e o regime monárquico", de maneira que a "República se calou diante da força e do impacto das manifestações".

A polícia foi enviada para impedir manifestações públicas de pesar, "provocando sérios incidentes enquanto o povo se solidarizava com os manifestantes".
Uma reunião popular com o objetivo de homenagear o falecido imperador foi realizada no dia 9 de Dezembro 1891, tendo sido organizada pelo Marquês de Tamandaré, Visconde de Ouro Preto, Visconde de Sinimbu, Barão de Ladário, Carlos de Laet, Alfredo d'Escragnolle Taunay, Rodolfo Dantas, Afonso Celso e Joaquim Nabuco.

Até mesmo os antigos adversários políticos de Pedro II elogiaram o monarca deposto, mesmo que "criticando sua política, ressaltavam sempre seu patriotismo, honestidade, desinteresse, espírito de justiça, dedicação ao trabalho, tolerância, simplicidade".
Quintino Bocaiúva, um dos principais líderes republicanos, falou:
"O mundo inteiro, pode-se dizer, tem prestado todas quantas homenagens tinha direito o Sr. Dom Pedro de Alcântara, conquistadas por suas virtudes de grande cidadão".
Alguns "membros de clubes republicanos protestaram contra o que chamaram de exagerado sentimentalismo das homenagens, vendo nelas manobras monarquistas. Foram vozes isoladas".
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No Exterior
A reação no exterior foi igualmente simpática ao monarca:

New York Times do dia 5 de dezembro elogiou Pedro II, considerando-o "o mais ilustrado monarca do século" e afirmando que "tornou o Brasil tão livre quanto uma monarquia pode ser".

The Herald escreveu: "Numa outra era, e em circunstâncias mais felizes, ele seria idolatrado e honrado por seus súditos e teria passado a história como ‘Dom Pedro, o Bom’".

The Tribune afirmou que seu "reinado foi sereno, pacífico e próspero".

The Times publicou um longo artigo: "Até novembro de 1889, acreditava-se que o falecido Imperador e sua consorte fossem unanimemente adorados no Brasil, devido a seus dotes intelectuais e morais e seu interesse afetuoso pelo bem-estar dos súditos […] Quando no Rio de Janeiro ele era constantemente visto em público; e duas vezes por semana recebia seus súditos, bem como viajantes estrangeiros, cativando a todos com sua cortesia".

Weekly Register, por sua vez: "Ele mais parecia um poeta ou um sábio do que um imperador, mas se lhe tivesse sido dada a oportunidade de concretizar seus vários projetos, sem dúvida teria feito do Brasil um dos países mais ricos do Novo Mundo".

O periódico francês Le Jour afirmou que "ele foi efetivamente o primeiro soberano que, após nossos desastres de 1871, ousou nos visitar. Nossa derrota não o afastou de nós. A França lhe saberá ser agradecida".

Sobre o monarca, o The Globe asseverou que ele "era culto, ele era patriota; era gentil e indulgente; tinha todas as virtudes privadas, bem como as públicas, e morreu no exílio".
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Post Mortem
A monarquia "caiu quando atingia se ponto mais alto de popularidade" entre a maior parte da população brasileira. Indiferentes aos novos heróis republicanos, como Tiradentes, os brasileiros se mantinham apegados a figura do Imperador popular, pois o consideravam "um herói da gente [povo], um filho da terra".
Pois, pelo "físico, pelo temperamento, pelas circunstancias, ninguém estava mais apto do que D. Pedro II a encarnar o tipo simbólico de pai do povo". Esta imagem era ainda maior forte perante a população afro-descendente que acreditava que a monarquia "continuava estranhamente a representar, mesmo que metaforicamente, a libertação". Os afro-brasileiros demonstravam o seu sentimento de lealdade ao monarca de maneiras sutis, através de tatuagens da coroa imperial no corpo.

Para os brasileiros, o Imperador Pedro II é a representação típica da figura paterna sábia, benevolente, austera e honesta.
Pelas cidades do país eram cantadas músicas populares que refletiam o sentimento geral:
"Saiu D. Pedro Segundo/ Para o reino de Lisboa./ Acabou-se a monarquia/ O Brasil ficou a toa", assim como".
A mãe do Deodoro disse:
"Este filho já foi meu/ Agora tá amaldiçoado/ De minha parte e de Deus".
Pois entre "os grandes – e poucos – nomes de nossa história que têm espaço no imaginário popular, está certamente a figura de Dom Pedro II. Sua imagem é a de um governante sábio, benevolente, austero e honesto".
Era "como se uma nova mística se abatesse sobre a população, vinculando a má sorte da República, e os problemas de ordem política e econômica, à partida de d. Pedro II.
" Pedro II era visto como um herói popular, e aos poucos seria "reintroduzido lentamente como um herói oficial".

Surpreendentemente, entre os republicanos surgiu um forte sentimento de culpa, "que se tornava mais e mais evidente após a morte de Dom Pedro". Na "memória, a monarquia estava ainda viva, assim como um certo sentimento de remorso". Os republicanos "reconsideravam o longo banimento e ponderavam sobre a severidade da atitude".

Acreditavam que Pedro II merecia ter tido um fim melhor. Ocorreu que muitos "homens responsáveis pela República passaram a ver nos tempos do Império a época feliz, a idade de ouro, para sempre acabada". Surgiu "um sentimento de que houve um tempo em que o Brasil era mais respeitável, mais honesto, mais poderoso". Havia uma "estranha insistência em elogiar D. Pedro II e o regime monárquico" em "vários políticos republicanos", inclusive os "de maior projeção". Não que desejassem a restauração, mas acreditavam que a República brasileira poderia aprender com os acertos do regime deposto.
Assim, Pedro II "se tornava, paradoxalmente, um modelo dos ideais republicanos".
Para "os republicanos, Dom Pedro aparecia como o melhor deles; para os monarquistas o elogio era, claro, outro".

Após a morte do monarca, os apelos pelo retorno de seu corpo ao país se tornaram comuns ao longo dos anos.
O jornal A Cidade do Rio afirmou que "o Brasil é tão grande que não pode lhe negar os minguados palmos de um pedaço de terra" e exigiu:
"Mandem-no buscar".
A Gazeta da Tarde afirmou que Pedro II merecia um funeral oficial no país.
Em 1895, Afonso Celso escreveu no Comércio de São Paulo:
"Os despojos de D. Pedro não podem continuar a jazer em território estrangeiro".
Em 1906 Olavo Bilac demandou:
"A pátria reclama o teu corpo e há de tê-lo".
O Jornal do Comércio, por outro lado, acreditava que "um dia talvez, quando as paixões tiverem perdido a sua agudez, hão de descansar aqui os seus restos mortais".
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O Translado dos restos mortais dos Imperadores
Três décadas depois, em 1920, se desfez um grande erro jurídico-institucional, foi anulado o decreto que bania a Família Imperial do território Brasileiro e a enviava para o exílio. Como conseqüência desta anulação ocorreu a luta para que já em 1921, os restos de D. Pedro II e D. Tereza Cristina fossem trazidos do Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa, para o Rio de Janeiro, sendo então alojados na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro. Era presidente de Portugal no período Antônio José de Almeida, que passava por processo semelhante de transição de regime político e que visitou o Brasil no mesmo ano.
O processo de transferência que se fazia acompanhar ao decreto de anulação do banimento foi demorado e desgastante de choque entre os republicanos que desfilaram discursos na Liga da Defesa Nacional, onde até mesmo Rui Barbosa, único sobrevivente dos signatários do decreto de banimento tornou-se grande defensor da reabilitação de D. Pedro (Gonçalves, João Felipe).
"O traslado dos despojos dos imperadores Pedro II e Tereza Cristina para o Rio, em 1921. Fez-se então uma festa impressionante, ocorrida no seio de um processo de reabilitação de Pedro II como herói nacional. Foi marcada por verdadeiro delírio popular no centro do Rio, com cenas de velhos súditos desmaiando e chorando diante dos corpos de seus venerados imperadores, que passaram a ficar em exposição numa capela da Catedral" (Gonçalves)
Somente em 1925, os restos foram transferidos para a sacristia da catedral de Petrópolis, e em 1932, pelo Decreto nº 21270, o Presidente da Republica, Getúlio Vargas,  abre o crédito especial de Cr$ 300.000,00 para a construção do mausoléu dos Imperadores do Brasil na Catedral de Petrópolis.
Finalmente, em 05 de dezembro de 1939, o presidente Getúlio Vargas e outras autoridades inauguraram o Mausoléu Imperial, para onde foi transferido definitivamente o sarcófago do Imperador e da Imperatriz.
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Chegada dos restos mortais do Casal Imperial a Petrópolis - RJ
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Mausoléu dos Imperadores – Uma obra de arte
Petrópolis - RJ
O Mausoléu Imperial, uma capela localizada à direita da entrada, é um dos grandes atrativos históricos da catedral. No centro há um sarcófago duplo com os restos do Imperador D. Pedro II e da Imperatriz Tereza Cristina. O túmulo foi esculpido em mármore de Carrara cerca de 1925 pelo francês Jean Magrou, autor dos jacentes, e pelo brasileiro Hildegar do Leão Veloso, autor dos relevos das laterais. As janelas da capela tem vitrais coloridos com poemas escritos por D. Pedro II durante o exílio, em que o Imperador deixa transparecer a saudade que sentia do seu país natal. O altar da capela, esculpido em mármore e com uma cruz de granito da Tijuca, contém relíquias dos santos São Magno, Santa Aurélia e Santa Tecla, trazidas de Roma.
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Catedral de Petrópolis
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Mausoléu do Casal Imperial
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O Descanso dos Imperadores
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Em 13 de maio de 1971, também foram sepultados no mausoléu a Princesa Isabel e seu marido, o Conde D'Eu. A Princesa Isabel, havia falecido em Paris em 14 de novembro de 1921, data da transferência dos restos de seus pais, bem como de seu marido, o Conde d´Eu, falecido em 1922 a bordo do navio que o trazia de volta ao Brasil. O conde já estivera no Rio e em Petrópolis com seu filho em 1920, quando da anulação do decreto.
Os túmulos da Princesa Isabel e seu marido, o Conde D'Eu, foram esculpidos pelo brasileiro Humberto Cozzo.
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Missa solene com a presença dos restos mortais da Princesa Isabel, catedral de Petrópolis - 1971
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Posteridade
De sua mulher, Teresa Cristina de Bourbon, princesa das Duas Sicílias (1822-1889).

Seu filho, Afonso de Bragança e Bourbon, príncipe imperial do Brasil (1845-1847).

Sua filha, Isabel de Bragança e Bourbon, princesa do Brasil (1846-1850), princesa imperial do Brasil (1850-1921), casou-se com Gastão de Orleans, Conde d'Eu.

Sua filha, Leopoldina de Bragança e Bourbon, princesa do Brasil (1847-1871), casou-se com o príncipe Augusto de Saxe-Coburg-Gotha.

Seu filho, Pedro de Bragança e Bourbon, príncipe imperial do Brasil (1848-1850).

Ascendência
Ancestrais de Pedro II do Brasil

Títulos
1825-1831: Sua Alteza Imperial - O Príncipe Imperial do Brasil dom Pedro de Alcântara
1831-1889: Sua Majestade Imperial, dom Pedro II, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil.
1889-1891: Passou a assinar sempre como "dom Pedro de Alcântara" – Sr. Alcântara.

Representações na Cultura
Dom Pedro II já foi retratado como personagem no cinema e na televisão, interpretado por:
Marcelo Picchi na novela Helena (1987),
Philippe Noiret no filme O Jovem Toscanini (1988),
Carlos Kroeber nas minisséries Abolição (1988) e República (1989),
Cláudio Corrêa e Castro na novela Sangue do Meu Sangue de 1969 e por Sylvio Band no remake de 1995 no SBT,
Antonio Pedro no filme Policarpo Quaresma, Herói do Brasil (1998),
Rodrigo Penna no filme Mauá - O Imperador e o Rei (1999),
Cláudio Marzo no filme O Xangô de Baker Street (2001),
Ricardo Pavão na novela Bang Bang (2005), e Guillermo Hundadze (na infância) e Sérgio Britto (na velhice), no especial de fim de ano da TV Globo O Natal do Menino Imperador (2008).

Na literatura, merece destaque:
O romance do francês Jean Soublin, Je suis l´empereur du Brésil (1996), traduzido no Brasil Dom Pedro II, o Defensor Perpétuo do Brasil.
Memórias Imaginárias do Último Imperador, em que o ex-imperador, exilado na França, rememora filosoficamente passagens de sua vida.
Foi retratado sob o nome de Jean Theodore, príncipe erudito mas entediado com as cerimônias do poder, no romance Les Pléiades, do conde de Gobineau (1875).
Também se diz que inspirou um personagem de Julio Verne, o rei de Malecarlie, da obra A ilha à hélice (1895), que abandonara o poder para se dedicar à astronomia. Também faz uma breve aparição no romance de Machado de Assis, Dom Casmurro (1899).
Mais recentemente apareceu no romance humorístico de Jô Soares, O Xangô de Baker Street (1995).
Também teve sua efígie impressa nas notas de Cr$ 100 (cem cruzeiros), de 1949, nas de Cr$ 10 (dez cruzeiros), de 1970, e cunhada no verso das moedas de réis em circulação no Brasil entre 1840 e 1889.

The Imperial Family of Brazil
Casa de Bragança
Nascimento: 2 de dezembro de 1825; Morte: 5 de dezembro de 1891
Precedido por D. Maria da Glória      
Príncipe Imperial do Brasil como D. Pedro de Alcântara
1825–1831     
Sucedido por D. Januária Maria
Precedido por D. Pedro I       
Imperador do Brasil como D. Pedro II do Brasil
1831–1889     
Sucedido por Nenhum
Precedido por Período regencial         
Segundo Reinado1841 — 1889         
Sucedido por República Velha

Família Imperial Brasileira
Precursores: D. João VI de Portugal | D. Carlota Joaquina
1.ª geração: D. Pedro I | D.Leopoldina de Áustria | D. Amélia de Leuchtenberg
2.ª geração: D. Pedro II | D. Teresa de Duas Sicílias | D. Januária Maria | D. Paula Mariana | D. Francisca Carolina | D. Maria II de Portugal | D. Maria Amélia
3.ª geração: D. Isabel Leopoldina | D. Luís Gastão d'Eu | D. Afonso Pedro | D. Leopoldina Teresa | D. Pedro Afonso
4.ª geração: D. Luísa Vitória | D. Pedro de Alcântara | D. Luís Maria Filipe | D. Antônio Gastão
5.ª geração em diante: Ramo de Vassouras | Ramo de Petrópolis | Ramo de Saxe-Coburgo e Bragança

A Justiça da História

Homem ponderado e sábio, Dom Pedro II, previu um futuro em que a Monarquia podia voltar. Isso aconteceu quando alguns amigos visitaram, em Paris, em 1890, e lhe deram conta de que a república estava recebendo muitas adesões. Com voz branda, Dom Pedro II observou:
“Isso que ora se dá em nossa Pátria, sempre se deu e se há de dar em todos os séculos e em todas as nações. Que sol nascente deixou jamais de produzir calor e movimento? Deve-se julgar os homens pelo que eles são realmente, e não pelo que desejamos pó sonhamos que sejam. Feliz a consciência onde a recordação de todos os atos de um simples dia, calmo e normal, não projetar alguma sombra de dúvida! O novo regime surgiu revestido de aparato, apoiado na força pública, rico de recursos que lhe deixemos, fértil em esperanças e valiosa promessas. O modo inopinado como a mudança se efetuou, feriu as imaginações, atribui-lhe foros de maravilhoso. Daí o magnetismo que ele exerce, perfeitamente explicável. Lamentamos apenas a ilusão em que se acham, e meditemos sobre a contingência das situações humanas. Virá em seguida o arrependimento. Se a monarquia voltar, de adesões não há de sentir falta, e igualmente espontâneas, com idêntico entusiasmo e verdade.”

Morto no exílio, Dom Pedro II tinha plena consciência de haver sido fiel à sua missão, como se vê nos versos de sua autoria:
“Não maldigo o rigor da iníqua sorte,/por mais atroz que seja e sem piedade,/arrancando-me o Trono e a majestade,/quando a dois passos só estou da morte.

É ver da mão fugir, à extrema hora,/a mesma boca lisonjeira e ingrata/ que tantos beijos nela pôs outrora!

E entre visões de paz, de luz, de glória,/sereno aguardarei no meu jazigo/ a justiça de Deus na voz da História!”.

Nas colocações anteriormente citadas, até mesmo os republicanos convictos, como Rui Barbosa, que serviu de célebre intelectual ao movimento republicano, arrependeu-se dos feitos realizados na fatídica data, que completa 120 anos. Nem mesmo Deodoro da Fonseca pretendia depor o Imperador, a quem admirava muito. Fomos vítimas, enquanto cidadãos, de um golpe mal organizado, sujo e perverso, que desde o início se apoiou em esquemas nebulosos e mesquinhos, sem nenhum compromisso com o país e muitos menos com seu povo. Não fomos vítima de um idealismo frenético e ativo, mas sim da inveja, da revolta e da trapaça de poucos.

José Pedro Galvão de Souza, em seu livro Raízes históricas da crise política no Brasil. Editora Vozes, Petrópolis – 1965, no capítulo 1 – O apriorismo político no Brasil, na página 16 e 17, diz:
“Os propagandistas da República não nos deixaram uma só obra em que tivessem justificado de forma convincente, à vista da situação do país, as vantagens de uma alteração na forma de governo. Rui Barbosa, batendo-se pela Federação, reclamava-a “com ou sem Coroa”, deslocando a questão da forma de governo para a da forma de Estado, quando na verdade a mudança desta não era incompatível com a manutenção daquela.”
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Festa Republicana, na praça XV de Novembro - Rio de Janeiro - 1889
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O Porque do Golpe?
- A república no Brasil foi apenas um capricho. Servimos, então, de cobaia para os que sonhavam com um regime importado, com aspirações a Revolução Francesa. Fomos cobaia para aqueles que achavam que não poderíamos ser exceção na América, para aqueles que achavam que teríamos que passar por regimes opressores como o da América espanhola, ou ainda sermos tal qual os Estados Unidos, com uma Constituição que não condizia com nossa realidade. Enfim, fomos cobaia daqueles que admiravam os países do exterior, mas nunca admiraram o Brasil.

Em uma monarquia o Monarca é o símbolo vivo da Nação onde não há espaço para aventureiros, para o "recebendo que se dá", para negociatas, corrupção, nepotismo e onde a ordem prevalece, um monarca é educado desde criança para reinar, e nunca somos pegos de surpresas por novos governantes.

O nosso Imperador D. Pedro II sempre se destacou pela diplomacia, sendo árbitro em vários países, a nossa marinha era a 2º marinha de guerra do mundo, o Brasil era tido como um país de 1º mundo junto com a Inglaterra, Estados Unidos, França e Alemanha.
Por esses e vários motivos que começamos a entender que mudamos sim, da Monarquia para a Anarquia organizada.
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Deus Abençõe o Brasil!

Bibliografia

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CALMON, Pedro, A vida de D. Pedro II, o rei filósofo, Biblioteca do Exército Editora, Rio de Janeiro, 1975.
Carvalho, José Murilo de. Os Bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.
CARVALHO, José Murilo de - D. Pedro II, Companhia das Letras, 2007 ISBN 9788535909692
DOLHNIKOFF, Mirian - O pacto imperial: Origens do federalismo no Brasil do século XIX, Editora Globo, ISBN 8525040398
DORATIOTTO, Francisco - Maldita Guerra: nova história da Guerra do Paraguai, Cia das Letras, ISBN 8535902244
JANOTTI, Maria de Lourdes Mônaco. Os Subversivos da República. São Paulo: Brasiliense, 1986.
LACOMBE, Lourenço Luis & LEMOS, Renato - Viagens pelo Brasil: Bahia, Sergipe e Alagoas - 1859, Editora Letras & Expressões e Bom Texto, ISBN 8587723324
LOEWENSTAMM, , Kurt - Imperador D. Pedro II: O hebraísta no trono do Brasil, 1825–1891, Centauro, ISBN 8588208253
MARKUN, Paulo. Anita Garibaldi: uma heroína brasileira. 4. ed. São paulo: Senac, 2000
MARTINS, Luís. O patriarca e o bacharel. 2.ed. São Paulo: Alameda, 2008.
OLIVIERI, Antonio Carlos - Dom Pedro II, Imperador do Brasil, Callis Editora, ISBN 8586797197
NABUCO, Joaquim, Um Estadista do Império, Companhia Editora Nacional, 1936.
RIOS FILHO, Adolfo Morales de los - O Rio de Janeiro Imperial, Universidade Editoria, ISBN 8574750166
Salles, Ricardo. Nostalgia Imperial. Rio de Janeiro: Topbooks, 1996.
SCANTIMBURGO, João de - A crise da República Presidencial, Livraria Pioneira Editora
SCANTIMBURGO, João de - Tratado Geral do Brasil, Companhia Editora Nacional
SCHWARCZ, Lilia Moritz - As Barbas do Imperador, Cia das Letras, ISBN 8571648379
TORRES, João Camilo de Oliveira, A Democracia Coroada, José Olympio, 1952.
VAINFAS, Ronaldo - Dicionário do Brasil Imperial, Objetiva, ISBN 8573024410


Fotografia no Brasil
Henry Wadsworth Longfellow (poeta norte-americano, amigo do imperador)

Queda
Em 9 de novembro de 1889, um grande número de oficiais se reuniu no Clube Militar, presidido por Benjamin Constant, e decidiu realizar o golpe de Estado para derrubar a monarquia. Dois dias depois, na casa de Rui Barbosa, alguns oficiais, incluindo Benjamin Constant e o Marechal Deodoro da Fonseca, além de outros dois civis, Quintino Bocaiúva e Aristides Lobo, foi confirmada a realização do golpe. Foi à única reunião que contou com a participação dos republicanos civis e Deodoro não desejava a presença dos mesmos no que considerava um problema militar. Deodoro ainda hesitava e falou:
"Eu queria acompanhar o caixão do Imperador, que está velho e a quem respeito muito".
Mas acabou cedendo depois de pressionado por Benjamin Constant:
"Ele [Benjamin Constant] assim o quer, façamos a República. Benjamin e eu cuidaremos da ação militar; o Sr. Quintino e seus amigos organizarão o resto".
Às 23 horas do dia 14 de novembro, Deodoro assumiu o comando de 600 homens, cuja maioria não sabia o que estava ocorrendo ou acreditava que iria se defender de um ataque da Guarda Nacional ou da Guarda Negra. Alguns poucos republicanos deram vivas a república, mas Deodoro mandou-os calarem a boca.
O Presidente do Conselho de Ministros, Afonso Celso, Visconde de Ouro Preto, ao saber da revolta partiu com os demais ministros do Gabinete para o Quartel-General do Exército que se localizava no Campo de Santana, no coração da capital. As tropas supostamente leais eram maiores e melhores armadas que as rebeldes. O Ajudante-geral [Comandante] do Exército, Marechal Floriano Peixoto garantiu a Ouro Preto a lealdade de suas tropas, mas era secretamente aliado dos revoltosos. Floriano e o Ministro da Guerra Rufino Enéias, Visconde de Maracajú (primo de Deodoro) ignoravam as reiteradas ordens de Ouro Preto para que as tropas leais atacassem os rebeldes que se aproximavam do Quartel-General. Tentou convencê-los relembrando os atos de bravura dos militares brasileiros na Guerra do Paraguai, mas recebeu como resposta de Floriano de:
"mas lá tínhamos em frente inimigos, e aqui somos todos brasileiros" e finalmente compreendeu o alcance da rebelião.
As tropas supostamente leais abriram os portões do Quartel-General para Deodoro e este gritou: "Viva Sua Majestade o Imperador!"
Deodoro encontrou-se com Ouro Preto e afirmou que enviaria pessoalmente ao imperador uma lista com nomes que iria indicar para um novo gabinete. Para a decepção dos republicanos civis e militares, Deodoro não havia proclamado a República e dava a entender que iria apenas derrubar o Conselho. Deodoro não tinha certeza de que deveria agir contra Pedro II e os próprios rebeldes não acreditavam na possibilidade de sucesso do golpe. As poucas pessoas que presenciaram a movimentação de tropa não sabiam o que estava ocorrendo e nas palavras do republicano Aristides Lobo, elas assistiram tudo "bestializadas". "Raramente uma revolução havia sido tão minoritária".
Na manhã do dia 15 de novembro de 1889,  Pedro II estava em Petrópolis quando recebeu um primeiro telegrama de Ouro Preto avisando da rebelião, mas não deu importância ao fato. O monarca recebeu um segundo telegrama as 11 da manhã quando saia da missa em homenagem aos 45 anos da morte de sua irmã Maria II e decidiu retornar ao Rio de Janeiro.
Sua esposa demonstrou preocupação e ele apenas respondeu: "Qual senhora, chegando lá isso acaba!" 
Viajou de trem, lendo jornais e revistas científicas, sem imaginar a gravidade da situação e chegou ao paço da cidade as 3 da tarde.
André Rebouças sugeriu que partisse para o interior para organizar a resistência. O Marquês de Tamandaré pediu a permissão do imperador para liderar a Armada para atacar as tropas de Deodoro. Ele simplesmente ignorava todos os pedidos para resistir e falou: "Isso é fogo de palha, conheço meus patrícios".
Também perguntou ao senador conservador Manuel Francisco Correia o que achava da situação. Correria respondeu que acreditava que era o fim da monarquia. Pedro II não demonstrou qualquer sentimento, como se não se importasse.
Ouro Preto chegou ao paço às 4 da tarde e sugeriu a Pedro II que nomeasse o senador Gaspar da Silveira Martins, que só chegaria à cidade dois dias mais tarde, como novo Presidente. Deodoro evitava encontrar-se pessoalmente com Pedro II, mas ao saber que o imperador havia escolhido um inimigo seu para o cargo de Presidente do Conselho de Ministros decidiu-se finalmente pela instauração da República.
A Câmara recém-eleita só se reuniria no dia 20 e o Senado estava em recesso. Por tal razão, a Princesa Isabel insistia com o pai para que convocasse o Conselho de Estado para discutir a questão, mas sempre ouvia como resposta: "Mais tarde".
A princesa, por conta própria, chamou os conselheiros. O Conselho de Estado reuniu-se às 11 da noite e após duas horas sugeriram a Pedro II que nomeasse Antonio Saraiva ao invés de Silveira Martins. Saraiva aceitou o cargo e enviou um emissário para dialogar com Deodoro, que recebeu como resposta que era tarde demais.
Ao saber da notícia, Pedro II comentou:
"Se assim for, será a minha aposentadoria. Já trabalhei muito e estou cansado. Irei então descansar".

Partida para o exílio

Monograma de D. Pedro II.
No dia 16 de novembro de 1889, um sábado, a Família Imperial permaneceu no paço, que foi cercado por um regimento de cavalaria. Pedro II demonstrava calma o dia inteiro.
Às 3 da tarde, o major Frederico Solón Sampaio Ribeiro apareceu no paço para informar a Família Imperial de que a República havia sido proclamada e de que deveria partir em 24 horas para o exílio. Os "republicanos não tiveram coragem para se enfrentar face a face com o Imperador, que intimamente admiravam" e, portanto enviavam oficiais subalternos para se comunicarem com Pedro II. Solón ao cumprimentar o imperador o chamou de vossa excelência, mas Pedro II manteve-se impassível. Chamou-o em seguida de vossa alteza e finalmente de vossa majestade.
O Major falou: "Venho da parte do Governo Provisório, entregar respeitosamente a Vossa Majestade esta mensagem. Não tem Vossa Majestade uma resposta a dar?"
O imperador: "Por ora não."
Solón: "Então posso retirar-me?"
E por fim, Pedro II falou: "Sim."
A notícia do banimento levou as mulheres presentes a chorarem, enquanto os homens ficaram emocionados, com a exceção de Pedro II, que permanecia sereno e indiferente aos acontecimentos. O monarca decidiu viajar na tarde do dia seguinte, 17 de novembro e enviou uma mensagem escrita ao Governo provisório avisando que aceitava partir do país.
O Governo republicano temia que no dia 17, uma segunda-feira, ocorressem manifestações a favor do imperador. O tenente coronel Mallet foi enviado para avisar que a Família Imperial deveria partir imediatamente. Houve certa comoção até que Pedro II apareceu na sala e fez-se silêncio.
Ele perguntou: "Que é isto? Então vou embarcar a esta hora da noite?"
Mallet respeitosamente respondeu que o Governo pediu para que embarcasse de madrugada. Então ocorreu um diálogo entre ambos em o imperador teve a confirmação de Deodoro no golpe e exclamou por fim: "Então estão todos malucos!"
O imperador recusou-se a partir naquele momento alegando que não era um escravo que fugia no meio da noite. Mallet buscou persuadir Pedro II alegando que estudantes republicanos fariam manifestações contra a sua pessoa. O imperador revelou-se descrente: "Quem dá importância a estudantes?”
Neste exato momento, ouviram-se tiros do lado de fora. Mallet retirou-se do paço para descobrir o que havia ocorrido. Cerca de quinze imperiais marinheiros tentaram desembarcar dando vivas ao Imperador, mas foram rechaçados pelas tropas revoltosas e em seguida aprisionados. Mallet retornou ao prédio e afirmou a Pedro II que eram republicanos exaltados que tentavam atacar a ele e sua família. Assim, o imperador aceitou partir.
Quando Pedro II saiu do paço, os soldados do lado de foram apresentaram instintivamente as armas e ele correspondeu erguendo o seu chapéu. Alguns amigos mais próximos partiram com a Família Imperial por vontade própria para o exílio, incluindo André Rebouças e Franklin Dória, Barão de Loreto. Pouquíssimas pessoas viram a partida. Foram transladados para o vapor Parnaíba e em seguida para o navio Alagoas, de onde partiram para a Europa quase um dia depois, a uma hora da madrugada de 18 de novembro.
Antes de seguir definitivamente, Pedro II enviou uma mensagem curta ao seu fiel amigo Tamandaré, que permaneceu ao seu lado o tempo todo: "O que está feito, está feito. Resta estabelecer a ordem e consolidar as vossas instituições".
Ao saber da partida, Benjamin Constant falou: "Está cumprido o mais doloroso dos nossos deveres."
Depois, Rui Barbosa, relembrando o ocorrido, falou ao Major Carlos Nunes de Aguiar que estava ao seu lado assistindo de longe o navio levantar âncoras: "Você teve razão de chorar quando o imperador partiu".
Era "o fim da monarquia mas não do mito chamado Dom Pedro".
O governo chefiado por Deodoro "foi pouco mais que uma ditadura militar”.
O exército dominava tudo tanto no Rio de Janeiro quanto nos estados. A liberdade de impressa desapareceu e as eleições eram controladas por aqueles que estavam no poder". O regime republicano que se seguiu a monarquia deposta revelou-se extremamente instável.
Em "pouco mais de um século de existência, a República brasileira enfrentou doze estados de sítio, dezessete atos institucionais, seis dissoluções do Congresso, dezenove revoluções militares, duas renúncias presidenciais, três presidentes impedidos de tomar posse, quatro presidentes depostos, sete Constituições diferentes, quatro ditaduras e nove governos autoritários".

Exílio

Últimos anos
O ex-imperador e sua família foram exilados e mudaram-se inicialmente para Portugal (onde assistiram às exéquias do rei Luís I, falecido em 19 de outubro de 1889, à cerimônia de aclamação de seu filho e herdeiro Carlos I, bem como à de baptismo do infante D. Manuel, Duque de Beja e filho segundo do monarca português, nascido exatamente no dia da sua deposição, e do qual viria a ser padrinho de batizado) e a seguir para França.
A partir de 1890, até a sua morte, o imperador deposto viveu nas cidades de Nice e Paris.
Em Nice, viveu em uma casa alugada por sua filha até que esta se estabelecesse em uma propriedade de seu marido. Foi também em Nice que Pedro II recebeu a notícia da morte da Condessa de Barral.

Morte
Em 23 de novembro de 1891, Pedro II compareceu a Academia de Ciências pela última vez para participar de uma eleição.
Na manhã de 24 de novembro de 1889, anotou friamente em seu diário a notícia de que o presidente Deodoro da Fonseca havia renunciado: "10:30. O Deodoro demitiu-se."
Realizou logo mais um longo passeio pelo Sena em carruagem aberta, apesar da temperatura extremamente baixa.
Ao retornar para o hotel Bedford à noite, sentiu-se resfriado. A doença evoluiu nos dias seguintes até tornar-se uma pneumonia. Não houve celebração em seu aniversário no dia 2 de dezembro, com a exceção de uma simples missa, onde ficou acamado e teve apenas a companhia da filha, genro e netos. Contudo, recebeu a visita de diversos franceses e brasileiros que residiam em Paris que foram cumprimentá-lo.

Dom Pedro II, vestido com o uniforme de Marechal do Exército, em seu leito de morte.
O livro sob a cabeça simbolizava que sua mente repousa sobre o conhecimento mesmo na morte.Em 5 de dezembro de 1891.

Seu estado de saúde piorou repentinamente na manhã do dia 3. Outros parentes e amigos foram visitá-lo após saberem da gravidade da situação.
No dia 4 de dezembro de 1889, recebeu os últimos sacramentos do abade Rébours, vigário de Madeleine.
Entrou em agonia na noite do mesmo dia e faleceu as 0:35 da manhã do dia 5.
Suas últimas palavras foram:

"Deus que me conceda esses últimos desejos – paz e prosperidade para o Brasil…"

Estava tão enfraquecido que não sofreu qualquer tipo de dor.
Estavam ao seu lado sua filha Isabel, o Conde d´Eu, os netos Pedro, Luís, Antonio, Pedro Augusto e Augusto e suas irmãs Januária e Francisca, acompanhada de seus esposos.
Segundo o atestado de óbito a causa mortis foi uma pneumonia aguda do pulmão esquerdo.
Pedro II faleceu sem abdicar de sua coroa e sua filha Isabel tornou-se a herdeira do trono do Império brasileiro.
Ela beijou solenemente as mãos do pai e em seguida todos os demais presentes, inclusive dezenas de brasileiros que já se encontravam no local, beijaram sua mão, reconhecendo-a como a Imperatriz de jure do Brasil.
O Barão de Rio Branco, que estava presente, escreveu mais tarde:
"Os brasileiros presentes, trinta e tantos, foram desfilando um a um, lançando água benta sobre o cadáver e beijando-lhe a mão. Eu fiz o mesmo. Despediam-se do grande morto"
O senador Gaspar da Silveira Martins chegou logo após o falecimento e, ao ver o corpo do velho amigo, chorou convulsivamente.
Foi dispensada a autopsia e o corpo do Imperador foi embalsamado as 9 horas do dia 5 de dezembro, após injetarem seis litros de cloridrato de zinco e de alumínio em sua carótida.
Também foi feita uma máscara mortuária.
Pedro II foi vestido como o uniforme de Marechal do Exército, representando sua posição como Chefe das Forças Armadas brasileiras.
Em seu peito foram colocadas as fitas das diversas ordens de que fazia parte e em suas mãos, um crucifixo de prata enviado pelo Papa Leão XIII.
Duas bandeiras brasileiras foram colocadas em suas pernas para cobri-las.
Enquanto preparavam o corpo de Pedro II, o Conde d´Eu encontrou no quarto um pacote lacrado e uma mensagem escrita pelo próprio Imperador:

"É terra de meu país, desejo que seja posta no meu caixão, se eu morrer fora de minha pátria".

O pacote que continha terra de todas as províncias brasileiras foi colocada dentro do caixão.
Foram utilizados três caixões: um de chumbo forrado de cetim branco com uma tampa de cristal, onde depositaram o corpo, e outros dois que revestiram o primeiro: um carvalho envernizado e outro de carvalho recoberto de veludo negro.

Funeral
Poucas horas após a morte de Pedro II, milhares de pessoas compareceram ao hotel Bedford, dentre elas, o Presidente do Conselho, Freycinet e os ministros da Guerra e da Marinha.
Em apenas um dia, mais de 2 mil telegramas haviam sido enviados para o hotel com mensagens de condolências.
O presidente francês Sadi Carnot, que estava em viagem pelo sul do país, enviou todos os membros da Casa Militar para prestarem homenagens ao falecido monarca.
A princesa Isabel desejava realizar uma cerimônia discreta e íntima para o enterro de Pedro II.
Contudo, aceitou o pedido do Governo francês de realizar um funeral de Chefe de Estado.
Para evitar incidentes políticos, o Governo decidiu que o enterro seria oficialmente realizado pelo fato do Imperador ser grã-cruz da Legião de Honra, mas com as pompas devidas a um monarca.
Todos os pedidos feitos pelo governo republicano brasileiro para não se realizar qualquer tipo de funeral oficial ou de apresentar publicamente a bandeira imperial foram simplesmente ignorados pelo governo francês.
Os caixões contendo o corpo de Pedro II saíram do hotel Bedford na noite de 8 de dezembro com destino a Igreja da Madeleine.
Oito militares franceses transportaram os caixões, cobertos pela bandeira imperial, sendo assistidos por mais de cinco mil pessoas.
A carruagem utilizada fora à mesma dos enterros do cardeal Morlot, do Duque de Morny e de Adolphe Thiers.

O caixão de Pedro II sendo carregado sobre as escadarias da igreja da Madeleine em direção a estação de trem, 1891.

No dia seguinte, milhares de personalidades compareceram a cerimônia realizada em Madeleine.
Além da família de Pedro II, estavam:
Amadeo, ex-rei da Espanha, Francis II, ex-rei das Duas Sicílias, Isabella II, ex-rainha da Espanha, Philippe, Conde de Paris, e diversos outros membros da realeza européia. Também estavam presentes o General Joseph Brugère, representando o Presidente Sadi Carnot, os presidentes do Senado e da Câmara, assim como senadores, deputados, diplomatas e outros representantes do governo francês.
Quase todos os membros da Academia Francesa, do Instituto de França, da Academia de Ciências Morais e da Academia de Inscrições e Belas-Artes também participaram. Entre os presentes, estavam: Eça de Queiroz, Alexandre Dumas, fils, Gabriel Auguste Daubrée, Jules Arsène Arnaud Claretie, Marcellin Berthelot, Jean Louis Armand de Quatrefages de Bréau, Edmond Jurien de la Gravière, Julius Oppert, Camille Doucet e outros. Representantes de outros governos, tanto do continente americano, quanto europeu se fizeram presentes, além de países longínquos como Turquia, China, Japão e Pérsia, com a exceção do Brasil.
Em seguida os caixões foram levados em cortejo até a estação de trem, de onde partiria para Portugal. Apesar da chuva incessante e da temperatura extremamente baixa, entre 200 mil a 300 mil pessoas assistiram ao evento.
As tropas militares francesas que fizeram parte do cortejo eram compostas por 80 mil homens.
Duas carruagens levavam quase 200 coroas de flores.
Nelas, estavam escritas mensagens homenageando o Imperador, tais como: "A D. Pedro, Vitória R.I.",
"Dos Voluntários da Pátria ao grande Imperador por quem se bateram Caxias, Osório, Andrade Neves e tantos outros heróis.",
"Um grupo de brasileiros estudantes em Paris.",
"Tempos felizes em que o pensamento, a palavra e a pena eram livres, que o Brasil libertava povos oprimidos…" (enviada pelo Barão de Ladário, Marquês de Tamandaré, Visconde de Sinimbu, Rodolfo Dantas, Joaquim Nabuco e Taunay),
"Ao grande brasileiro benemérito da Pátria e da Humanidade. Ubique Patria Memor."(enviada pelo Barão do Rio Branco),
"Os Rio-Grandenses ao rei liberal e patriota." e
"Um negro brasileiro em nome de sua raça".
A viagem prosseguiu até a Igreja de São Vicente de Fora, próximo a Lisboa, onde o corpo de Pedro II foi depositado no Panteão dos Braganças em 12 de dezembro de 1889, entre os de sua madrasta Amélia e de sua esposa, Teresa Cristina.
Em todos os locais que os caixões passaram, tanto na França, quanto como na Espanha, e por último, em Portugal, foram realizadas homenagens.
Como sempre, com a exceção do Governo brasileiro republicano.

Repercussão à morte do Imperador
Os membros do governo republicano brasileiro, "temerosos da grande repercussão que tivera a morte do imperador", negaram a possibilidade de qualquer manifestação oficial. Contudo, o povo brasileiro não ficou indiferente ao falecimento de Pedro II, a "repercussão no Brasil foi também imensa, apesar dos esforços do governo para abafar. Houve manifestações de pesar em todo o país: comércio fechado, bandeiras a meio pau, toques de finados, tarjas pretas nas roupas, ofícios religiosos".
De acordo com o dr. João Mendes de Almeida, em artigo escrito em 7 de dezembro de 1891: "A notícia do passamento de S. M. o Imperador D. Pedro II vem pôr à prova os sentimentos da nação brasileira com a dinastia Imperial. A consternação tem sido geral".
Foram realizadas "missas solenes por todo o país, seguidas de pronunciamentos fúnebres em que se enalteciam D. Pedro II e o regime monárquico", de maneira que a "República se calou diante da força e do impacto das manifestações".
A polícia foi enviada para impedir manifestações públicas de pesar, "provocando sérios incidentes […] enquanto o povo se solidarizava com os manifestantes".
Uma reunião popular com o objetivo de homenagear o falecido imperador foi realizada no dia 9 de dezembro de 1889, tendo sido organizada pelo Marquês de Tamandaré, Visconde de Ouro Preto, Visconde de Sinimbu, Barão de Ladário, Carlos de Laet, Alfredo d'Escragnolle Taunay, Rodolfo Dantas, Afonso Celso e Joaquim Nabuco.
Até mesmo os antigos adversários políticos de Pedro II elogiaram o monarca deposto, mesmo que "criticando sua política, ressaltavam sempre seu patriotismo, honestidade, desinteresse, espírito de justiça, dedicação ao trabalho, tolerância, simplicidade". Quintino Bocaiúva, um dos principais líderes republicanos, falou:
"O mundo inteiro, pode-se dizer, tem prestado todas quantas homenagens tinha direito o Sr. Dom Pedro de Alcântara, conquistadas por suas virtudes de grande cidadão".
Alguns "membros de clubes republicanos protestaram contra o que chamaram de exagerado sentimentalismo das homenagens, vendo nelas manobras monarquistas. Foram vozes isoladas".
A reação no exterior foi igualmente simpática ao monarca.
O New York Times do dia 5 de dezembro elogiou Pedro II, considerando-o "o mais ilustrado monarca do século" e afirmando que "tornou o Brasil tão livre quanto uma monarquia pode ser".
The Herald escreveu: "Numa outra era, e em circunstâncias mais felizes, ele seria idolatrado e honrado por seus súditos e teria passado a história como ‘Dom Pedro, o Bom’".
The Tribune afirmou que seu "reinado foi sereno, pacífico e próspero".
The Times publicou um longo artigo: "Até novembro de 1889, acreditava-se que o falecido Imperador e sua consorte fossem unanimemente adorados no Brasil, devido a seus dotes intelectuais e morais e seu interesse afetuoso pelo bem-estar dos súditos […] Quando no Rio de Janeiro ele era constantemente visto em público; e duas vezes por semana recebia seus súditos, bem como viajantes estrangeiros, cativando a todos com sua cortesia".
O Weekly Register, por sua vez: "Ele mais parecia um poeta ou um sábio do que um imperador, mas se lhe tivesse sido dada a oportunidade de concretizar seus vários projetos, sem dúvida teria feito do Brasil um dos países mais ricos do Novo Mundo". O periódico francês
Le Jour afirmou que "ele foi efetivamente o primeiro soberano que, após nossos desastres de 1871, ousou nos visitar. Nossa derrota não o afastou de nós. A França lhe saberá ser agradecida". Sobre o monarca, o
The Globe asseverou que ele "era culto, ele era patriota; era gentil e indulgente; tinha todas as virtudes privadas, bem como as públicas, e morreu no exílio".

Legado

Post Mortem
A monarquia "caiu quando atingia se ponto mais alto de popularidade" entre a maior parte da população brasileira. Indiferentes aos novos heróis republicanos, como Tiradentes, os brasileiros se mantinham apegados a figura do Imperador popular, pois o consideravam "um herói da gente [povo], um filho da terra". Pois, pelo "físico, pelo temperamento, pelas circunstâncias, ninguém estava mais apto do que D. Pedro II a encarnar o tipo simbólico de pai do povo". Esta imagem era ainda maior forte perante a população afro-descendente que acreditava que a monarquia "continuava estranhamente a representar, mesmo que metaforicamente, a libertação". Os afro-brasileiros demonstravam o seu sentimento de lealdade ao monarca de maneiras sutis, através de tatuagens da coroa imperial no corpo.

Para os brasileiros, o Imperador Pedro II é a representação típica da figura paterna sábia, benevolente, austera e honesta.
Pelas cidades do país eram cantadas músicas populares que refletiam o sentimento geral: "Saiu d. Pedro Segundo/ Para o reino de Lisboa./ Acabou-se a monarquia/ O Brasil ficou a toa", assim como "A mãe do Deodoro disse: "Este filho já foi meu/ Agora tá amaldiçoado/ De minha parte e de Deus".
Pois entre "os grandes – e poucos – nomes de nossa história que têm espaço no imaginário popular, está certamente a figura de Dom Pedro II. Sua imagem é a de um governante sábio, benevolente, austero e honesto". Era "como se uma nova mística se abatesse sobre a população, vinculando a má sorte da República, e os problemas de ordem política e econômica, à partida de d. Pedro II." Pedro II era visto como um herói popular, e aos poucos seria "reintroduzido lentamente como um herói oficial".
Surpreendentemente, entre os republicanos surgiu um forte sentimento de culpa, "que se tornava mais e mais evidente após a morte de d. Pedro". Na "memória, a monarquia estava ainda viva, assim como um sentimento de remorso". Os republicanos "reconsideravam o longo banimento e ponderavam sobre a severidade da atitude". Acreditavam que Pedro II merecia ter tido um fim melhor. Ocorreu que muitos "homens responsáveis pela República passaram a ver nos tempos do Império a época feliz, a idade de ouro, para sempre acabada". Surgiu "um sentimento de que houve um tempo em que o Brasil era mais respeitável, mais honesto, mais poderoso". Havia uma "estranha insistência em elogiar D. Pedro II e o regime monárquico" em "vários políticos republicanos", inclusive os "de maior projeção". Não que desejassem a restauração, mas acreditavam que a República brasileira poderia aprender com os acertos do regime deposto. Assim, Pedro II "se tornava, paradoxalmente, um modelo dos ideais republicanos". Para "os republicanos, d. Pedro aparecia como o melhor deles; para os monarquistas o elogio era, claro, outro".
Após a morte do monarca, os apelos pelo retorno de seu corpo ao país se tornaram comuns ao longo dos anos.
O jornal A Cidade do Rio de Janeiro afirmou que "o Brasil é tão grande que não pode lhe negar os minguados palmos de um pedaço de terra" e exigiu: "Mandem-no buscar".
A Gazeta da Tarde afirmou que Pedro II merecia um funeral oficial no país.
Em 1895, Afonso Celso escreveu no Comércio de São Paulo: "os despojos de D. Pedro não podem continuar a jazer em território estrangeiro".
Em 1906, Olavo Bilac demandou: "A pátria reclama o teu corpo e há de tê-lo".
O Jornal do Comércio, por outro lado, acreditava que "um dia talvez, quando as paixões tiverem perdido a sua agudez, hão de descansar aqui os seus restos mortais".

O Fim do Banimento
Um projeto de lei na Câmara de Deputados Federais que autorizava o translado do corpo de Pedro II e sua esposa, e que contava com o apoio de republicanos históricos, foi arquivado frente à exigência da Princesa Isabel de que permitira tal somente se o banimento de sua família fosse extinto.
A inauguração de uma estátua do Imperador em Petrópolis em 5 de fevereiro de 1911, contou com a participação de mais de mil e quinhentas pessoas, inclusive com os membros do governo federal.
Diversas estátuas do monarca foram inauguradas ao longo dos anos seguintes por todo o país.
Logo em seguida um manifesto escrito em conjunto pelos ex-presidentes do Conselho de Ministros do Império, Lafaiete, Ouro Preto e João Alfredo declarou que "atento o amor que os brasileiros conservam aos seus soberanos, convém à transladação para cá dos venerandos restos mortais que estão lá em São Vicente de Fora".


A estátua de Pedro II inaugurada em Petrópolis em 1911.

Um novo projeto de Lei que revogaria o banimento foi discutido e votado na Câmara em 1913. O deputado federal e republicano Irineu Machado que participou das discussões alegou que havia "pretextos fúteis" que negavam "justiça à memória do imperador". Outro deputado, Martim Francisco de Andrada afirmou que "D. Pedro II saiu pobre, deixando o país rico; não era justo que se manifestassem contra, os que estão ricos e deixam o país pobre." Por sua vez, o deputado Pedro Moacir acreditava que o retorno dos restos mortais seria "à perpétua gratidão da posteridade, teria este, o de ter sido o mais clemente, o mais tolerante de todos os monarcas de seu tempo". O deputado Maurício de Lacerda aproveitou a oportunidade para realizar um desabafo que havia se tornado comum: "acentue que agora é que estão desaparecendo os traços da obra política dele [do Imperador] – a moralidade." No Senado, contudo, o projeto foi recusado graças a intervenção do caudilho e republicano radical Pinheiro Machado.
Em 1914, entretanto, seria de Rui Barbosa , o último dos republicanos que realizaram o golpe de 1889 (e também quem ordenou o banimento ), que viria o mais famoso discurso em homenagem a Dom Pedro II:
"A falta de justiça, Srs. Senadores, é o grande mal da nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo nosso descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação. […] De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. Essa foi a obra da República nos últimos anos. No outro regime [na Monarquia], o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre, as carreiras políticas lhe estavam fechadas. Havia uma sentinela vigilante [Dom Pedro II], de cuja severidade todos se temiam e que, acesa no alto, guardava a redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça e da moralidade"
Apenas dois anos mais tarde, em 1916, o presidente Venceslau Brás autorizou o retorno dos corpos e da extinção do banimento, mas optou por esperar para formalizar o ato após o término da I Guerra Mundial.
Seu sucessor, Epitácio Pessoa, assinou a lei (com uma pena de ouro oferecida pela Associação Brasileira de Imprensa) em 3 de setembro de 1920, que revogava finalmente o banimento e permitia o translado dos corpos.
Rui Barbosa falou que os "que fizeram a república federativa não têm reivindicações contra as cinzas do velho imperador, cujas virtudes eram muito maiores do que os seus defeitos".
E concluiu: "Na própria galeria republicana há, portanto, um lugar, e grande, para D. Pedro II".

O Imperador retorna para casa
Em 1920, o encouraçado São Paulo trouxe para o Brasil os féretros imperiais.
O governo republicano português concedeu a Pedro II a exumação com honras de Chefe de Estado e o mesmo tratamento recebeu ao chegar ao Brasil.
O idoso Conde d´Eu, ao lado de seu único filho sobrevivente, Pedro de Alcântara, acompanhou o translado.
Sua esposa, a princesa Isabel, estava idosa e enferma e não pôde vir. Morreria um ano depois sem ter visto a terra natal.
O presidente Artur Bernardes declarou feriado nacional e em todo o país festejou-se o retorno do Imperador.

Tumba de Pedro II no interior da Catedral de Petrópolis.

Para a solenidade principal no Rio de Janeiro veio o conselheiro Antônio Prado, o único ministro do Império ainda vivo.
Milhares de pessoas assistiram ao evento. Os "velhos choravam, muitos ajoelharam-se, todos batiam palmas, não se distinguia mais republicanos e monarquistas”.
“Eram brasileiros”.
Contudo, "a recondução oficial da figura de D. Pedro como herói nacional se daria mesmo em 1922, na grande festa de comemoração do centenário da independência do Brasil" quando o monarca foi bastante comemorado.
Três anos mais tarde, os brasileiros espontaneamente comemoram o Centenário de Pedro II.
Havia uma clara "desproporção entre o entusiasmo gerado pelas festividades em torno do natalício de D. Pedro e o pouco-caso pelo aniversário da República, que completava, então, 36 anos". O presidente Artur Bernardes reconheceu a popularidade do monarca e afirmou que não recusaria "ao Imperador a justiça que se lhe deve. Ele amou o Brasil e enquanto teve forças e energia procurou servi-lo rodeando-se dos melhores elementos de época". Dom Pedro II se tornou, novamente, o "Pai da Pátria".
Seu corpo seria mantido temporariamente na antiga Catedral do Rio de Janeiro até o término da construção da Catedral de Petrópolis.
O enterro definitivo ocorreria somente em 5 de dezembro de 1939, quando o ditador Getúlio Vargas utilizou a oportunidade em benefício próprio para angariar popularidade (tal qual Mussolini em relação ao funeral de Anita Garibaldi em 1931), para inaugurar a capela mortuária na catedral de Petrópolis onde os restos mortais do Imperador e de sua esposa foram depositados.


7 comentários:

  1. Excelente esse seu trabalho sobre D. Pedro II, talvez nossa figura histórica mais injustiçada pelo esquecimento e "desimportância" que lhe foi dada pelas escolas e pela imprensa, destarte provavelmente tenha sido até hoje nosso melhor governante. Parabéns.

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  2. meus parabens..realmente um belo trabalho.para mim com certeza no maior governante do Brasil desde sempre. injustiçado com certeza nuna tentativa de apagar da historia suas contribuições magnificas para brasil,em todos os sentidos. no campo político, social, cultural etc... evitando assim comparações óbvias, com os governantes que se seguiram no periodo pós monarquia.ditadores inescrupulosos e manipuladores do povo por razão de interesse próprio.( como alias ainda é até hoje) um mal dos regimes republicanos! um abraço ao amigo.

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  3. PARABENS. GOSTARIA QUE NOS FALASSE SOBRE AS OBRAS QUE O IMPÉRIO DEIXOU.

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  4. meus sinceros parabens!!!! que blog interessante! espero que a normalidade constitucional retorno ao brasil!

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  5. Se a monarquia estivesse presente nos dias de hoje no Brasil, acredito que seriamos outro pais, pois os ensinamentos do Imperador colocava, o povo em 1º lugar, o que não é caso do regime pós monárquico.Tenho orgulho de ser monarquista e a cada dia que descubro coisas novas mais louvo o império.
    Deus salve a família imperial.

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  6. A Monarquia seria a salvação do Brasil, seria o bálsamo que amoleceria os endurecidos sentimentos de patriotismo dos brasileiros, seria a lança que extirparia esse câncer de corrupção que a cada dia corrói o nosso erário e desmoraliza nossa sociedade.
    A exemplo do colega Andrey, também tenho orgulho de ser monarquista. Deus Salve a família imperial!!!

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