- Com esta série não é pretendido fazer história, mas sim é visado, ao lado das imagens, que poderão ser úteis aos leitores, a sintetizar em seus acontecimentos principais a vida no Brasil Império, antes e depois, inserida na História.

Não se despreza documentos oficiais ou fontes fidedignas para garantir a credibilidade; o que hoje é uma verdade amanhã pode ser contestado.

A busca por fatos, dados, informações, a pesquisa, reconhecer a qualidade no esforço e trabalho de terceiros, transformam o resultado em um caminho instigante e incansável na busca pela História.

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Em História, não podemos gerar Dogmas que gerem Heresias e Blasfêmias e nos façam Intransigentes.

Acompanhe neste relato, que se diz singelo; a História e as Transformações do Brasil e do Brazil.

Poderá demorar um pouquinho para baixar, mas vale à pena

jpmcomenta@gmail.com

sábado, 28 de janeiro de 2012

Nomes do Brasil


Nomes do Brasil

- Uma das características da chegada de portugueses e espanhóis ao continente atualmente chamado de América foi a incerteza em relação à natureza da coisa.

Eram as Índias, era um mundo novo, uma ilha, um continente?

- Cristóvão Colombo achava que eram as Índias Ocidentais,
- Pedro Alvarez Cabral pensou que era uma ilha,
- Américo Vespúcio desconfiou que seria um continente novamente descoberto.

- A incerteza em relação ao todo reproduziu-se em relação às partes, sobretudo àquelas habitadas por povos nômades com baixo grau de organização social.

- Foi o caso da parte visitada por Pedro Alvarez Cabral em 1500.

- Ao longo dos séculos XVI e XVII, esta terra foi batizada com vários nomes. A disputa sobre como grafar “Brasil” estendeu-se até o século XX. E até hoje se discute a origem do nome.

- Difícil imaginar outro país com tão grande dificuldade de decidir até mesmo seu próprio nome.

- A nova terra era e foi denominada:
Pindorama (antes de 1500),
Ilha (Terra) de Vera Cruz (1500),
Terra de Santa Cruz (1501),
Terra Papagalli (1502),
Mundus Novus (1503),
América (1507),
Terra do Brasil (1507),
Índia Ocidental (1578),
Brazil (século XIX),
Brasil (século XX).

- Assim que chegaram ao território brasileiro em 1500, os viajantes portugueses estiveram diante de uma terra que inicialmente para eles era uma ilha. Após outras expedições e do reconhecimento territorial, os lusitanos perceberam que estavam diante de uma área de proporção continental. Iniciava-se, então, uma discussão simbólica e importante acerca do nome a ser dado para a terra recém-descoberta.

- Há uma polêmica entre historiadores quanto ao nome “Brasil”. Há uma interpretação tradicional que vincula este nome à árvore pau-brasil, largamente explorada no início da colonização por conta da pigmentação avermelhada de sua madeira, que era usada para tingir tecidos.

Aqueles que trabalhavam com a extração de pau-brasil foram chamados, desse modo, de "brasileiros".

- Entretanto, outras investigações apontam para uma antiga lenda medieval, que circula na Península Ibérica, que se referia à “Ilha Brasil”. Assim como a ilha perdida de Atlântida, a Ilha Brasil também era um lugar mitológico, que alimentava o imaginário medieval, e estaria situada no Atlântico, tendo sido representada diversas vezes em cartografias da Idade Média.

- A despeito da versão estritamente correta para o nome “Brasil”, o fato é que seu uso se tornou notório e se sobrepôs às outras denominações.

Outros nomes menos conhecidos atualmente também eram populares ao Brasil, como:

- Nova Lusitânia, se dando ao fato de ser a primeira terra de outro continente descoberta pelos lusitanos (portugueses),
- Cabrália, referente a Pedro Álvares Cabral.

- Outros navegadores ibéricos, como Vicente Yáñez Pinzón e Duarte Pacheco Pereira já realizaram expedições na costa da região hoje conhecida como "Brasil" antes de Pedro Alvarez Cabral, embora não tenham batizado especificamente.
Os nomes acima foram frequentemente utilizados no período pré-colonial.

BRAZILL
BRAZIL
BRASIL

- Sabemos que nem sempre o país teve o nome “Brasil”, e que esse já foi alvo de transformações gramaticais, como a mudança da grafia com “z” (Brazil) para o atual, com “s”, e a retirada de duas letras “ll” no final para uma letra “l”.


Hy Brazil
Pindorama do re-descobrimento

- Quando encontrado pelos portugueses em 1500, estima-se que a costa oriental da América do Sul era habitada por cerca de dois milhões de nativos, do norte ao sul.

- A população ameríndia era repartida em grandes nações indígenas compostas por vários grupos étnicos entre os quais se destacam os grandes grupos:
- Tupi-guarani,
- Macro-jê,
- Aruaque.


- Os primeiros eram subdivididos em guaranis, tupiniquins e tupinambás, entre inúmeros outros. Os tupis se espalhavam do atual Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte de hoje, sendo "a primeira raça indígena que teve contato com o colonizador e decorrentemente a de maior presença, com influência no mameluco, no mestiço, no luso-brasileiro que nascia e no europeu que se fixava".

- As fronteiras entre estes grupos e seus subgrupos, antes da chegada dos europeus, eram demarcadas pelas guerras entre os mesmos, oriundas das diferenças de cultura, língua e costumes. Guerras estas que também envolviam ações bélicas em larga escala, em terra e na água, com a antropofagia ritual sobre os prisioneiros de guerra.

- Embora a hereditariedade tivesse algum peso, a liderança era um status mais conquistado ao longo do tempo, do que atribuído em cerimônias e convenções sucessórias.

- A escravidão entre os índios tinha um significado diferente da escravidão européia, uma vez que se originava de uma organização socioeconômica diversa, na qual as assimetrias eram traduzidas em relações de parentesco.

1500

O chamado Descobrimento

Em 22 de abril de 1500, a terra a que Pedro Álvares Cabral aportou era chamada pelos habitantes com quem travou conhecimento de Pindorama ou Terra das Palmeiras. O capitão Cabral permaneceu por dez dias em terra. Viu gentes estranhas, nem pretas nem brancas, que caminhavam totalmente nuas pelas praias, tinham furos nos beiços em que enfiavam ossos, estavam armadas de arcos e flechas. Viu ainda muitos papagaios e uma terra cheia de palmeiras e outras árvores.

- Pero Vaz de Caminha, afirma em sua carta que mandou ao rei D. Manuel que Pedro Álvares Cabral inicialmente deu à terra o nome de Terra de Vera Cruz.

- No mesmo documento, corrige para Ilha de Vera Cruz, indicando a incerteza sobre a geografia da região, visto que os portugueses também acreditavam que a aquelas terras compunham parte de uma ilha que estava entreposta no Atlântico, separando a Europa das Índias.
Só não houve incerteza quanto ao termo “Vera Cruz”.

Nota:
- Pedro Álvares Cabral era cavaleiro da Ordem de Cristo, cuja bandeira trazia uma grande cruz. Essa bandeira lhe fora entregue por D. Manuel antes da partida da frota e mais tarde foi içada no mastro da nave principal e colocada ao lado do Evangelho durante a primeira missa celebrada em uma ilhota da nova terra.

Pindorama
- Esse nome foi mais usado no período anterior à chegada dos portugueses ao Brasil (1500).

- Os nativos – chamados de “índios” pelos portugueses –, denominaram aquela terra como “Pindorama”, que em língua tupi-guarani significa “terra das palmeiras”.

- Segundo Theodoro Sampaio, o termo da língua tupi pode ser traduzido como “o país das palmeiras”. A denominação continuou sendo usada pelos nativos, por muito tempo. Provavelmente, designava apenas parte do litoral do Nordeste.

Nota:
- O poeta modernista brasileiro Oswald de Andrade, um dos organizadores da Semana de Arte Moderna de 1922, em seu “Manifesto antropófago”, faz referência a essa denominação tupi com o objetivo de reabilitar a cultura indígena à identidade brasileira.

- Na Língua Guarani, uma língua oficial do Paraguai, o Brasil é chamado de "Pindorama". Este era o nome que os índios davam à região, significando "terra de palmeiras".

Nomes utilizados pelos Portugueses

- Os seguintes nomes foram utilizados inicialmente por Pedro Álvares Cabral e outros navegadores:

Monte Pascoal
- O primeiro nome concebido do Brasil, na ocasião desconhecido continente, quando avistaram terra firme pela primeira vez.

Ilha de Vera Cruz
- Denominação presente na Carta de Pero Vaz de Caminha ao Brasil, idealizado após os portugueses pisarem no continente,

Terra da Vera Cruz
Em 22 de abril de 1500, segundo a Carta de Pero Vaz de Caminha, esse foi o primeiro nome dado por Pedro Álvares Cabral.

Ilha de Vera Cruz
Em 01 de maio de 1500, nome usado por Pero Vaz de Caminha na assinatura de sua Carta.

Período Inicial (1501-1530)

Em 1501, o primeiro nome da terra durou pouco. Ao tomar conhecimento da descoberta, D. Manuel tratou de apressar seu casamento com a infanta de Espanha e enviou Gonçalo Coelho para confirmar o achado. Além de confirmar, Gonçalo Coelho informou que a nova terra era grande demais para ser uma ilha.

- Na volta, carregou o navio com pau-brasil e papagaios.

Em 29 de julho, D. Manuel escreveu aos reis católicos Fernando e Isabel, agora seus sogros, informando sobre a descoberta da terra a que Pedro Álvares Cabral dera o nome de Terra de Santa Cruz.

Nota:
- El-rei trocou Ilha por Terra e Vera Cruz por Santa Cruz. O novo nome foi logo adotado.

- Com a expedição de Gonçalo Coelho que os portugueses, tendo melhor conhecimento do tamanho do território, criaram outros nomes para a região, como “Terra dos papagaios” e “Terra de Santa Cruz”, sendo esta última nomenclatura criada pelo rei português D. Emanuel.   

Terra de Vera Cruz (de 1500 a 1501)
- Nome provisório de referência cristã.

Ilha da Cruz
No início de 1501, aparece no regimento de D. Manuel entregue a João da Nova, que deveria fazer escala no Brasil, à caminho da Índia.

- O mesmo nome, ou com variações como ylha da † ou ylha da Cruz, aparece em outros textos portugueses até 1507.
A cruz referida foi aquela erguida em Porto Seguro para a Segunda Missa.

Terra Nova (1501)

Terra dos Papagaios (1501)
- Essa denominação foi feita, principalmente por italianos, desde 1501, e depois na França. A denominação está em alguns mapas feitos até os anos 1520.

Terra de Santa Cruz ou simplesmente Santa Cruz (1501 a 1503)
- Nome concebido mais tarde, que reflete o contexto de propagação da fé cristã.

Em 29 de julho de 1501, esse nome foi registrado na carta, em espanhol, do rei Dom Manuel, que informou aos Reis Católicos a descoberta do Brasil.

Em 1505, o rei D. Manuel cita aos Reis Católicos de Espanha em outra carta:

"...á qual terra puz o nome de Santa Cruz: e isto foi porque na praia arvorou uma cruz muito alta. Outros chamam-lhe terra nova ou novo mundo".

Em 1640, o nome Terra de Santa Cruz continuava sendo usado, como indica o Atlas de João Teixeira Albernaz.

Terra Santa Cruz do Brasil (1505)

Terra do Brasil (1505)

Brazil (1503 a 1824)
- Sua origem é incerta, mas o nome era usado séculos antes da descoberta do Brasil.
Nome dado pelos portugueses em função da grande quantidade de árvores de pau-brasil existentes na região do litoral brasileiro.

- A palavra Brasil deriva de brasa, pois esta árvore possui uma seiva avermelhada, cor de brasa.

Brasil

- Não se sabe, ao certo, quando o nome “Brasil” começou a ser atribuído à “Santa Cruz”, designando as terras descobertas por Pedro Álvarez Cabral. Talvez, pelos primeiros mercadores da preciosa madeira.

- A referência de que uma carta de João Empoli, de 1504, tenha realizado essa conexão foi descartada por Afrânio Peixoto (História do Brasil, 1944), que observou erros de tradução.

- Clemente Brandenburger (em A nova Gazeta da terra do Brasil, 1922) também descarta uma referência de historiadores do século XIX de que um diário de bordo registrou Terra de Brazil, em 1505/6. O artigo original foi encontrado em 1895, em Augsburg, e data de 1514.

- Forram possivelmente os franceses que começaram a falar na “terre du brésil”. A partir de 1511, já se encontra alguns textos portugueses referindo-se à Terra do Brasil.

Em 1511, o primeiro mapa conhecido a colocar o nome Brasil, designando a América Austral, foi o Planisfério de Jerônimo Marini.

- Existiram também variações como: - Brasill, Brrasil, Brasyll, Brasyl e outras. As grafias Brasil e Brazil (com s e com z) foram usadas por portugueses e brasileiros até o início do século XX.

América

- O Brasil tem mais a ver com a origem desse nome do que qualquer outro país do Novo Mundo. Não foi erro de cartógrafo, como querem alguns.

Em 1507, ao confeccionar seu monumental planisfério, o alemão Martin Waldseemüller batizou uma parte da América do Sul em homenagem a Américo Vespúcio. O nome AMERICA foi colocado em cima do Brasil e era o único topônimo regional dessa parte do Continente. As terras descobertas por Cristóvão Colombo tinham outros nomes, dados pelos espanhóis.

- Após acompanhar a primeira expedição exploratória ao Brasil, em 1501, Américo Vespúcio publicou os primeiros textos conhecidos em que se afirma que aquelas terras seriam um “Novo Mundo” e não parte da Ásia (Índias), como se pensava até então. Para Martin Waldseemüller, Américo Vespúcio foi quem descobriu que se tratava de um novo continente e colocou o nome AMERICA ao lado dos levantamentos da expedição em que ele participou, quando chegou a essa conclusão, não por acaso, o Brasil.

- Após ler os textos de Américo Vespúcio sobre sua viagem na costa brasileira, Martin Waldseemüller colocou o nome AMERICA em cima do Brasil, em homenagem ao navegador florentino.

No século XVII, o nome “Brasil” já era usado para ser referir a tais terras, ainda que não oficialmente.

O nome “Brasil” só se consolidou no século XIX.

Período Colonial (1530-1815)

Colônia do Brazil do Reino de Portugal
A partir de 1530, quando o Brasil tornou-se uma colônia de Portugal, esse era seu nome mais comum.
Às vezes, Principado do Brazil e Vice-reino do Brazil também eram utilizados.

Província de Santa Cruz
- O português Pero de Magalhães Gandavo escreveu o primeiro livro de História do Brasil conhecido, com o título “Historia da Província Santa Cruz” a que vulgarmente chamamos “Brasil...”, publicado em 1576. Gandavo era um homem culto e provedor da Fazenda, em Salvador, com acesso à burocracia portuguesa.

- Entretanto, de 1572 a 1578, o Brasil estava dividido em dois, com duas capitais, o que torna a denominação de Província de Santa Cruz, para todo o Brasil, um tanto confusa.

Em 1548, não facilita o fato de que, Dom João III, em seu Regimento, dado a Thomé de Sousa, referia-se as Capitanias e povoações das terras do Brazil.
O nome Santa Cruz simplesmente não pegou.

Província / Estado

- Dos séculos XVI ao XVIII, o Brasil aparece ora como província, ora como estado, em textos da época. Parece que os reis de Portugal e os próprios brasileiros davam pouca importância aos nomes oficiais da América Lusitana.
Um bom exemplo está no Atlas de Albernaz, cartógrafo oficial de Portugal, que registrou no seu Atlas de (1640), que "Brazil" era o nome vulgar da Terra de Santa Cruz, sem indicar se era província ou estado.

- Rocha Pitta, em sua Historia da America Portugueza (1730) chamou de províncias as capitanias do Brasil, muito antes que elas assim fossem oficialmente chamadas no início do século XIX.

Em 03 de março de 1550, o Provedor-mor da Fazenda Antônio Cardoso de Barros registrou em uma provisão:

“...Villa da Victoria Provincia do Espirito Santo Capitania de Vasco Fernandes Coutinho...”

Província do Brasil
- Segundo Jaboatão, em seu Novo Orbe Seráfico Brasilico, ou Chronica dos Frades Menores da Província do Brasil, publicado em 1761, o nome Província de Santa Cruz foi mudado para Província do Brasil. Jaboatão observa desgostoso que "...a indiscreta politica dos homens, ou a sua imprudente ambição mudou depois em o de Provincia do Brasil, mostrando sem o querer, que fazia mais estimação do valor destes páos vermelhos, de que dependem os seus lucros temporaes, do que do inestimável preço daquelle sagrado Madeiro,..."

- Por Sagrado Madeiro, Jaboatão referia-se à grande “Cruz” levantada em Porto Seguro para a realização da Segunda Missa, em 1º de maio de 1500.

Estado do Brazil
Em 1548, em sua carta a Caramuru, Dom João III refere-se ao Estado do Brazyl.

Em 06 de outubro de 1612, a condição de estado para a América Lusitana tornou-se oficial com o Regimento passado a Gaspar de Sousa, nomeado Governador do Brasil. Essa condição também é atestada no Livro que dá Razão ao Estado do Brasil, um documento oficial publicado naquele ano, em Portugal.

Em 1621, o Brasil foi dividido em dois estados pela terceira vez:

- Estado do Maranhão (depois Estado do Maranhão e Grão-Pará), com capital em São Luís,
-Estado do Brasil, com capital em Salvador.

- Essa divisão ocorreu durante a União Ibérica, quando não havia mais preocupação com o Meridiano de Tordesilhas.

Em 1772, o Estado do Grão-Pará e Maranhão foi dividido em dois estados, ficando a América Lusitana com três estados.
1808
Chegada da Família Real, Rio de Janeiro

Chegada da Família Real Portuguesa

Em maio de 1808, entretanto, o primeiro livro da Imprensa Régia no Brasil, publicado, “Relação dos Despachos Publicados na Corte...”, faz referência, em sua folha de rosto, aos Estados do Brazil, dando a entender que o nome “Brazil” era usado para toda a América Lusitana.
Era mesmo isso, Brasil era o nome genérico, informal, da América Lusitana e outros documentos o comprovam.

Reino do Brazil do Reino Unido de Portugal, Brazil e Algarves
- Após a transferência da nobreza portuguesa para o Brasil (1815-1822).

Em 1815, anos após a transferência da Família Real para o Rio de Janeiro, o Brasil foi elevado à condição de Reino, como parte do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, nome este é oficializado e passou a ser o nome frequentemente utilizado.

Independência do Brazil

Império (1822-1889)

Império do Brazil (1824 a 1891)
Em 1822, após a Independência do Brasil ser proclamada pelo Príncipe Regente Pedro de Alcântara (D. Pedro I) ordenou a elaboração de uma nova constituição.

Em 1824, promulgada a Carta Magna, ficou definido o novo nome do país, fazendo referência ao sistema imperial de governo e reconhecida em 1825.

- O Império do Brazil foi o primeiro estado brasileiro independente, e por consequência, o primeiro a ter um nome definitivamente oficial.

- Note que o nome é "Império do Brazil" e não "Império Brasileiro".

Proclamação da República

República (1889 em diante)

Estados Unidos do Brazil (1891 a 1969)
Em 1889, com a Proclamação da República, e com a primeira constituição republicana, de 1891, o nome passou a ser “Estados Unidos do Brazil” – pois era necessário retirar a referência ao sistema monárquico, mas com nítida inspiração nos Estados Unidos da América.

- A denominação do País, como república, dada na folha de rosto da Constituição promulgada em 24 de fevereiro de 1891.
Em seu preâmbulo, o nome Republica (sem acento) é inserido, ficando “Republica dos Estados Unidos do Brazil”.

- A expressão "Estados Unidos" reforçava a unidade territorial e o sistema federativo.

República Federativa do Brasil (1967 até os dias de hoje)
Em 1967, com a constituição elaborada durante a Ditadura Militar, o nome passou a ser “República Federativa do Brasil”, por conta do sistema federativo então já consolidado.

- Este nome adotado antes da junta militar de 1969, assumir o poder foi por motivos desconhecidos.

Em 1988, o nome “República Federativa do Brasil” foi mantido pela constituição cidadã, reforçando assim o termo que faz referência ao sistema republicano.

Nomes que não foram oficialmente adotados

- Mesmo após a adoção do nome "Brasil", a denominação oficial do Estado brasileiro ainda mudou algumas vezes. Durante o período do Brasil Colônia, ainda foram usados os nomes "Principado do Brasil", "Vice-reino do Brasil" e "Reino do Brasil".

- Referidos por alguns historiadores:
Brasil Colônia,
Principado do Brasil e
Vice-Reino do Brasil.

Colônia

- O Brasil não era juridicamente uma colônia de Portugal. Essa denominação ganhou popularidade entre alguns historiadores no início do século XX, quando o mundo era repleto de colônias de países europeus. Portugal tinha colônias na África e na Ásia, resultado de uma redefinição política de seus domínios, no século XIX, quando o Brasil já era independente.

- No século XVI, o Brasil era uma província portuguesa e foi elevado à condição de Estado já no século XVII, sendo Estado até 1815, quando foi elevado a Reino. Os brasileiros eram também súditos do Rei, como os portugueses nascidos em Portugal. A história nos conta, entretanto, que existiam claras preferências dadas aos nascidos em Portugal, tanto no comércio, quanto nos cargos públicos. Além disso, existiam muitas restrições a atividades comerciais e intelectuais no Brasil, o que levou os brasileiros à Guerra da Independência.

Nos primeiros anos do século XVI, os demais países europeus não reconheciam a divisão do mundo feita por Portugal e Espanha. Em muitos casos adotavam seus próprios nomes às regiões descobertas.

Principado

De 1645 a 1815, o herdeiro da Coroa portuguesa recebia o título de “Príncipe do Brasil”. Parecido com o que ocorre no Reino Unido (Príncipe de Gales).

Vice-Reino

- O Brasil teve vice-reis, mas eram títulos nobiliárquicos ou administrativos. Não se conhece documentos oficiais que façam referência a um Vice-Reino do Brasil.

Etimologia

- As raízes etimológicas do termo "Brasil" são de difícil reconstrução. O filólogo Adelino José da Silva Azevedo postulou que se trata de uma palavra de procedência celta (uma lenda que fala de uma "terra de delícias", vista entre nuvens), mas advertiu também que as origens mais remotas do termo poderiam ser encontradas na língua dos antigos fenícios.

Brasileiro

- Na época colonial, cronistas da importância de João de Barros, frei Vicente do Salvador e Pero de Magalhães Gândavo apresentaram explicações concordantes acerca da origem do nome "Brasil". De acordo com eles, o nome "Brasil" é derivado de "pau-brasil", designação dada a um tipo de madeira empregada na tinturaria de tecidos. Na época dos descobrimentos, era comum aos exploradores guardar cuidadosamente o segredo de tudo quanto achavam ou conquistavam, a fim de explorá-lo vantajosamente, mas não tardou em se espalhar na Europa que haviam descoberto certa "ilha Brasil" no meio do oceano Atlântico, de onde extraíam o pau-brasil (madeira cor de brasa).

- Os habitantes naturais do Brasil são denominados “brasileiros”.

- Há ainda a possibilidade do uso do gentílico brasiliano para designar os naturais da República Federativa do Brasil.

Em 1706, o termo gentílico “brasileiro” é registrado em português e se referia inicialmente apenas aos que comercializavam pau-brasil.

- Passou depois a ser usado informal e costumeiramente para identificar os nascidos na colônia e diferenciá-los dos vindos de Portugal.

Em 1824, na primeira constituição brasileira, que o gentílico "brasileiro" passou legalmente a designar as pessoas naturais do Brasil.

Outros Gentílicos

- Há ainda a possibilidade do uso de outros gentílicos como:
- brasiliano,
- brasílico,
- brasílio, para designar os naturais do Brasil.
- brasiliense (esse último também atribuído aos habitantes de Brasília-DF).

Teorias

- Todas as tentativas de se buscar as raízes para o nome “Brasil”, são também especulativas.
O autor Edgardo Otero apresenta uma pesquisa que postula que existem três vertentes que procuram explicar a origem do nome Brasil.

Pau-brasil

- O nome proveniente da árvore Pau-brasil, chamado assim por causa de sua cor vermelha, que lembrava brasas de fogo; A origem derivada da madeira já era defendida na época colonial, onde cronistas da importância de João de Barros, Frei Vicente do Salvador e Pero de Magalhães Gandavo apresentaram explicações concordantes acerca da origem do nome "Brasil". De acordo com eles, o nome "Brasil" deriva de "pau-brasil", a designação de um tipo de madeira empregada na tinturaria de tecidos.

- Na época dos descobrimentos, era comum aos exploradores guardar cuidadosamente o segredo de tudo quanto achavam ou conquistavam, a fim de explorá-lo vantajosamente, mas não tardou em se espalhar na Europa que haviam descoberto certa "ilha Brasil" no meio do Atlântico, de onde extraíam o pau-brasil.
Essa teoria é oficial e ensinada nas escolas brasileiras e portuguesas.

- Os navegantes começaram a denominar o território de Brasil por causa dessa árvore que durante as três primeiras décadas foi o principal motivo de viagens dos portugueses à região encontrada por Cabral. Portanto, o nome Brasil fixou-se no imaginário dos viajantes e dos colonizadores e prevaleceu sobre as outras nomenclaturas. 

- O nome atribuído à madeira vermelha também é mais antigo que a descoberta da América Lusitana. Existem, por exemplo, variedades diferentes dessa árvore na África, na Ásia e na Oceania (o pau brasil do Brasil é a Caesalpinia echinata).

Em 1501, na descoberta pela expedição de Gonçalo Coelho, de pau brasil nas margens de um rio perto de Porto Seguro, batizado de “Rio de Brasil”. Acredita-se que seja algum rio entre Porto Seguro e Trancoso. Entende-se, assim, que o nome “brasil” já era associado à madeira vermelha, antes de ser associado à América Lusitana.

No início do século XX, a polêmica em relação ao nome do território que hoje se chama Brasil voltou à tona na escrita de alguns estudiosos após o processo de colonização da América Portuguesa, autores como Adolfo Varnhagen e Capistrano de Abreu contestaram a versão original de que o nome Brasil teria surgido em virtude da extração de pau-brasil.

- Na concepção de Capistrano, a origem do termo relaciona-se à existência de uma ilha imaginária na costa da Irlanda. Essa ilha irlandesa era um local cercado por misticismo e sua existência real não foi comprovada.

Ilha Brazil (Hy Brazil)

- O nome proveniente de uma ilha mítica chamada Brazil (com z). Essa lenda teria surgido entre os Celtas que diziam ser uma ilha no meio do oceano que pegava fogo constantemente. Esse local era cercado por mistérios e as tradições célticas afirmavam que o rei “Brasal” fixou moradia nela após sua morte. Dessa forma, poetas relatavam que essa ilha coberta de bruma não era de fácil acesso, e o simbolismo em volta dela continuava vivo.

- Por volta de 1339, muitos documentos da época mostram que já existia essa ilha no meio do Oceano Atlântico a oeste da ilha dos Açores, porém a localização exata variava entre galegos e germânicos.

Nota:
- O nome Brazil deu origem ao sobrenome de uma família na Idade Média e ainda hoje presente na Irlanda.

- Como os portugueses tinham a representação desta curiosa ilha em seus mapas, alguns escritores do século XX, como Gustavo Barroso, defenderam a tese de que o nome do Brasil estaria relacionado originalmente a esta ilha, e não à extração de pau-brasil como se acreditava.

Brasile

- O nome proveniente da derivação de "Balj ibn Bishr", primeiro chefe muçulmano a conquistar Andaluzia (na Espanha). Este famoso guerreiro teve seu nome pronunciado de diversas formas e, com o passar dos anos, seu nome ficou para a história como "Brasile".

Açores

- Estudos arqueológicos recentes demonstram que povos do Mediterrâneo estiveram em ilhas do arquipélago dos Açores, na Idade do Bronze. Inscrições em rochas indicam que as ocupações continuaram até, pelo menos, dois mil anos atrás, possivelmente por fenícios ou cartagineses. Os portugueses chegarem lá, no século XIV.

- Cartas do editor alemão Valentin Ferdinands, estabelecido em Lisboa, em 1495, indicavam o nome “Brasill” para a ilha Terceira do arquipélago dos Açores.
Nessa ilha existe o Monte Brasil, um vulcão extinto.

- O nome “brasil” deriva possivelmente de brasa, talvez como sinônimo de braseiro. Os Açores possuem 26 vulcões ativos. Também, no latim medieval, “brasile” significava ter aspecto de brasa, razão por que, os italianos chamam nosso “País de Brasile”.

- Mapas de 1325 e 1329 registravam ilhas no Atlântico com o nome de “Bracile”, que se acredita serem os Açores. Esses registros são posteriores aos primeiros empreendimentos portugueses no Atlântico, durante o reinado de Dom Dinis (1279-1325), quando se acredita que os Açores foram descobertos.

Antilhas

- Cristóvão Colombo, em sua segunda viagem (1493-1496), faz referência a “brasil”, como uma das riquezas trazidas das Índias. Américo Vespúcio, em carta de julho de 1500, relata que na Ilha dos Gigantes (Antilhas) a maioria das árvores eram de “brasil”.

- O Cantino, um mapa português anônimo de 1502, indica o “Río de brasil”, junto a Porto Seguro e o nome “Brasill” é atribuído a uma das Antilhas. A denominação foi seguida por Martin Waldseemüller, só que o cartógrafo alemão adotou apenas a grafia com um “l”.

Mapa Cantino
O Rio



- O Cantino é o primeiro mapa do Brasil conhecido. O “Rio de Brasil” é o primeiro registro do nome Brasil em nosso território.

Transcrição de Mapa de Cantino, 1502
Mapa de Cantino (1502) Contexto do Cartógrafo - Mapa encomendado por Hercules d'Este, duque de Ferrara.
- Fornecido por Alberto Cantino, espião italiano.
- Informaçoes das rotas de navegação portuguesas e espanholas.
- Objetivo governamental. - Bases em medições realizadas por chineses (alta precisão nas medidas longitudinais)
- Modificações feitas posteriormente, com novas navegações.
- África pela primeira vez completa em um mapa.
- China nunca havia sido representada em mapa por ocidentais. - 10 meses de trabalho.
- 3 folhas de pergaminho
- 1050 x 2200 mm.
- Iluminuras (coloridas).
- Abrange 257 graus em longitude. Técnicas Contexto de outros mapas Qual a relação de Cantino com outros mapas do mesmo autor/instituição que produziu o mapa? Qual a relação do conteúdo do mapa de Cantino com o de outros mapas da época? Conteúdo Primeiro a retratar Brasil, Groenlândia e Flórida.
Meridiano de Tordesilhas.
Cálculo longitudinal.
Representação do Equador e Trópicos.
Sem escalas.
Sistema de Rosa dos ventos. Mapa de Colombo (1490) Mapa de Cavéri (1506) Representação do Equador e dos trópicos (anterior a Cantino) Mapa de Pierre d’ Ailly (1482) Mapa de Waldseemüller (1507) Representação do Equador e dos trópicos (posterior a Cantino) Mapa anônimo (1502) Inovações Inspirou um modelo de mapa-múndi aos cartógrafos futuros
Representa a superfície terrestre em seu conjunto
Apresenta os hemisférios ocidental e oriental lado a lado. - Autoria do planisfério
- A família D'este Hércules D'este, o Duque de Ferrara Qual sua relação com outros planisférios? - Contexto histórico da época Henricus Martellus (1489) Martin Behaim (1492-1493) Juan de la Cosa (1500) Waldsemüller (1507) Contexto Social Estratégias iconográficas de análise Topônimos
(1) Representa a Groenlândia com uma bandeira de Portugal.
(2) “Terra Del Rey de Portugall” representando a Terra Nova com os pinheiros do Canadá.
(3) “Este he o marco dantre Castela e Portuguall”- Linha de Tordesilhas dividindo a esfera da terra entre Portugal e Espanha.
(4) Açores.
(5) Portugal Continental.
(6) África.
(7) Arquipélago Cabo Verde. (8) Ilha Spanhola, hoje Haiti e S. Domingos.
(9) “Ilha Yssabella”, atual Ilha de Cuba.
(10) Península da Flórida.
(11) “Las Antilhas del Rey de castella”. Nesta frase o nome “antilhas” está escrito em português e não em espanhol (“antilles”).
As verdadeiras Antilhas são: Terra Nova, Nova Escócia e Ilha do Príncipe Eduardo, no Canadá. (12) “Toda esta terra he descoberta per mandato del Rey de Castella” (Toda esta terra foi descoberta por mandado do Rei de Castela).
(13) Brasil. Golfo chamado de Fremosso, no ponto onde a linha de Tordesilhas passa pelo litoral norte brasileiro. Verso do planisfério "Carta da navigar per le Isole nouam trovate in le parte de l'India: dono Alberto Cantino al S. Duca Hercole".
("Carta náutica das ilhas novamente descobertas na região da Índia: dado por Alberto Cantino ao Sr. duque Hercule"). A nomenclatura usada é quase toda portuguesa, sendo apenas os oceanos, trópicos, Círculo Ártico e Pólo Sul escritos em latim. Precisão do continente africano.
Índia peninsular.
Costa indiana próxima à China.
Perfil das Índias Ocidentais
Costa oriental da Am. do Norte.
Polêmica da Flórida.
Costas da Venezuela, Guianas e Brasil.
Ilha Brasilis. Observações representativas Relações de poder
Centralidade
Hierarquia icônica
Meridiano de origem
Tradução exemplar, porém manipulada. Retórica simbólica Apêndice iconográfico Sistema de 21 rosas-dos-ventos coloridas, de 32 rumos, um deles a Leste e outro a Oeste.
Rosa-dos-ventos em destaque no continente africano, constituindo o centro do planisfério e contendo a flor-de-lis apontando para o norte.
Seis troncos de léguas. Bandeiras de Portugal
– 1 escudo azul
- 5 bolas em forma de cruz
- fundo vermelho
- 7 castelos amarelos.
Bandeira branca com cruz vermelha:
- Cruz de São Jorge (Inglaterra)
- Cruz de São Patrício (Irlanda)
Bandeira branca com a cruz amarela
(Cruz de Santo André/Escócia)
2 bandeiras de Portugal estão representadas:
- uma na altura da Ilha de Fernando de Noronha,
- outra na altura de Porto Seguro (onde os portugueses aportaram no Brasil depois de “descoberto”). América Espanhola
- 3 bandeiras dos reinos de Leão e Castela.
Brasil
- 3 araras vermelhas, que simbolizam a presença de ouro.
Jerusalém
- Destaque com a representação de um castelo imenso.
- Importância dessa localidade para a cristandade.
Torre de Babel (Babilônia)
- Bandeira árabe.
- Também aparece representada no Egito (norte da África). Veneza (única cidade europeia representada)
- Mar Adriático.
- Bandeiras azuis e vermelhas com uma lua crescente, do Império Turco Otomano.
Região da Guiné
- 4 papagaios (habitantes negros)
- 4 araras (presença de ouro)
Serra Leoa
- Leão em dourado, segurando uma bandeira de Portugal.
- Ordem da Cruz de Cristo.
Fortaleza de São Jorge da Mina
- Objetivo de escoar e defender o ouro (enviado do interior para o litoral).

- Primeiro depósito de escravos da Idade Moderna.

Outras denominações:

Em 07 de setembro de 1822, como Estado soberano, o "Reino Independente do Brasil" declara-se independente do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

Em 12 de outubro de 1822, o nome foi trocado para "Império do Brasil".

- Assim o Brasil ficou até a proclamação da República, quando a designação oficial passou a ser "República dos Estados Unidos do Brasil".

Em 24 de janeiro de 1967, data na qual a Constituição brasileira de 1967 foi votada, o atual nome "República Federativa do Brasil" foi escolhido e perdura na atualidade.

Como outros países chamam o Brasil:

Brazil (países de língua inglesa),
Brésil (países de língua francesa),
Brasile (Itália),
Brasilien (países de língua alemã, Dinamarca),
Brazylia (Polônia),
Brazilėjė (Lituânia),
Brazílie (República Tcheca),
Бразилия (Rússia),
ब्राज़िल (Índia),
巴西 (China).

Citações:

Para Martin Waldseemüller, o Brasil era também uma das ilhas das Antilhas, como mostrado em um outro mapa seu (fragmento embaixo, à esquerda). Nomenclatura parecida foi usada pelos portugueses no Cantino, em 1502 (fragmento, à direita), na Ilha do Brasill.


Carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei de Portugal


A Terra dos Papagaios
No Cantino, as araras são o maior destaque ilustrativo do Brasil.
O Brasil foi referido, principalmente pelos italianos, como a Terra dos Papagaios nos primeiros anos após sua descoberta. Entretanto, era normalmente uma referência alegórica.


O Brasil no Planisfério de Jerônimo Marini (1511). Este é o primeiro registro conhecido em que a Terra de Santa Cruz recebe o nome da madeira vermelha. O sul está em cima e o autor ainda acreditava que o Brasil era parte da costa oriental da Ásia. Colombo, também acreditava que o Brasil estava nas Índias. No início do século XVI, alguns cartógrafos ainda confundiam o Brasil com a Austrália.


O Río de Brasil, junto a Porto Seguro, registrado no Cantino, de 1502. A expedição de Gonçalo Coelho achou “pau brasil” em suas margens e o batizou com o nome de Rio de Brasil. Essa é a primeira associação conhecida da Terra de Santa Cruz com a madeira vermelha.


Re-Descobrimento Brasil


Acima, cédula de 500 Réis, da época do Império do Brasil.


Cédula de dois mil Reis, de 1918, da República dos Estados Unidos do Brazil.
A grafia Brazil (com z) conviveu com a grafia com s desde o século 16.


A partir de 1920, as moedas passaram a adotar apenas a grafia de Brazil com "s".

Brazil o Paraíso na Terra

- São muitas as interpretações que, ao longo dos séculos, a Humanidade fez do texto bíblico do Gênesis, sobre a localização do Paraíso de que Adão e Eva foram expulsos. Todas coincidem em que seria um lugar muito difícil de atingir, mas não impossível, especialmente com a ajuda divina.

- Seria um lugar de agradabilíssimo e permanente clima temperado, situado no Oriente, talvez em lugar bem alto para que não fosse alcançado pelas águas do Dilúvio Universal, cercado por grande extensão de terra ou de água que dificultassem ao homem atingi-lo. Se situado em terra, dele sairiam quatro grandes rios (Fison, Gion, Heidequel e Eufrates), em direção aos pontos cardeais.

- Além de pássaros cantando durante o ano inteiro, árvores sempre carregadas de frutos existiriam grandes quantidades de minérios e pedras preciosas. Os quatro rios teriam origem comum em uma grande lagoa, que seria dourada por ali se depositar o ouro carregado dos terrenos vizinhos.

- Esse mito inicialmente situava o Paraíso Terrestre em algum ponto entre o centro da África e o Subcontinente Indiano, sendo o Nilo possivelmente um dos quatro famosos rios (o Gion), enquanto o Ganges (o bíblico Fison) seria a saída fluvial oriental do Paraíso - relacionando-se ainda com essa lenda os rios Tigre (que seria o bíblico rio Heidequel) e o Eufrates, que banham a Mesopotâmia.

- Um dos primeiros locais do Paraíso Terrestre ficaria em algum ponto, que mostra o Rio Nilo e o Egito em primeiro plano, tendo acima a Península do Sinai delimitada pelos golfos de Suez e Akaba (convergindo à  direita para o Mar Vermelho), e à esquerda o Mediterrâneo, sendo visíveis ainda a cidade do Cairo, o Canal de Suez. Na parte superior, vê-se o Mar Morto (entre Israel, Palestina e Jordânia), os desertos da Síria e do Noroeste do Iraque.

- O mito viaja para Oeste – Misturado com as epopéias gregas, com a história das colunas de Hércules (que seriam as laterais do Estreito de Gibraltar, por onde o Mediterrâneo se liga ao Atlântico) e da montanha de Atlas que sustentaria o céu, podendo ser vista de tais colunas, o Paraíso, já em forma insular, foi depois transportado para as Ilhas Canárias, não por acaso chamadas Ilhas Afortunadas, e que já seriam conhecidas desde o tempo dos primeiros navegadores fenícios que se aventuraram no Atlântico.

Por volta do século X, essa lenda começou a ganhar forma mais definida na Irlanda, e perduraria por mais 600 anos, com inúmeras versões, conhecidas principalmente como Navigatio Sancti Brandani, em que São Brandão noticia a existência de uma ilha povoada de aves falantes (... e lembre-se que no Paraíso todas as aves falavam, emudecendo em conseqüência do Pecado Original).

Em 1467, como no mapa de André Benincasa, a mítica Ilha de São Brandão, por ele atingida após 40 dias e noites de navegação, aparece às vezes na forma de um arquipélago, que inclui certa ilha do Brasil ou Braçile, também referida em 1367 na carta marítima de Pizzigano, que inclui a Ysola de Braçir entre as chamadas ilhas Benaventuras.

- Tal ilha do Brasil, e toda a mitologia céltica de São Brandão, não teriam relação - segundo Sérgio Buarque de Holanda - com "a presença em certas ilhas atlânticas de plantas tais como a urzela ou o sangue-de-drago, que dão um produto tintorial semelhante, na cor purpurina, a outro que, pelo menos desde o século IX, era conhecido no comércio árabe e italiano sob os nomes de brasil e verzino".

Continua o historiador:
- Segundo já o mostrou decisivamente Richard Hennig, aparenta-se o topônimo antes às vozes irlandesas Hy Bressail e O'Brazil, que significariam ilha afortunada. Essa, melhor do que outras razões, poderia explicar a forma alternativa de O brasil e Obrasil que aparece em vários mapas. Até em cartas portuguesas como a de Lázaro Luís, datada de 1563, vê-se essa designação obrasil atribuída à ilha mítica. Em outra, de Fernão Vaz Dourado - existente na Biblioteca Huntington e composta, segundo parece, pelo ano de 1570 -, já se transfere, sob a forma de O Brasil, encimando as armas de Portugal (...) para a própria terra que descobriu Pedro Álvares Cabral. Aliás, antes de 1568, em mapa do mesmo autor, incluído no atlas Palmela, temos o nome hobrasill, juntamente com o do cabo de Santo Agostinho, aplicado a terras compreendidas no Brasil atual. Curioso que a nova naturalização americana do designativo não impeça que, no referido atlas, continue esse obrasill a indicar uma ilha misteriosa localizada a Sudoeste da Irlanda e representada por um pequeno círculo vermelho atravessado de uma raia branca.

"Nascido de uma inspiração religiosa ou paradisíaca, esse topônimo, se não o mito que o originou, perseguirá teimosamente os cartógrafos, revelando uma longevidade que ultrapassa a da própria Ilha de São Brandão. Com efeito, representada pela primeira vez em 1330 (ou 1325) na carta catalã de Angelino Dalorto, ainda surge mais de cinco séculos depois, em 1853, numa carta inglesa de Findlay, com o nome de High Brazil Rocks, isto é, Rochedos do Brasil ou de Obrasil, tal como nos mapas medievais e quinhentistas", cita ainda Sérgio Buarque.

- O autor de Visão do Paraíso comenta, em outro ponto dessa obra, que "não há motivos para se pôr em dúvida que fenícios e cartagineses tivessem efetivamente alcançado alguma parte das Canárias atuais e do grupo da Madeira", relembrando comparações de vários pesquisadores de que a ilha citada por Aristóteles como situada para o ocidente das colunas de Hércules seria precisamente a Ilha da Madeira.

- Por outro lado, Richard Hennig, em sua antologia de viajantes antigos e medievais às terras desconhecidas, recolhe notícias da presença de certas matérias corantes raras nas ilhas atlânticas. A cidade de Tiro tinha célebre indústria de púrpura que possivelmente devia sua fama ao uso da urzela das ilhas Canárias.

- A vinculação histórica das Canárias com as Ilhas Afortunadas tem duas outras razões: para o historiador Kiepert, o nome de Makaron Nesoi, atribuído tardiamente pelos gregos ao arquipélago, correspondia literalmente à forma latina de Insulae Fortunatae, que seria uma deturpação fonética da primitiva designação fenícia do mesmo lugar (Ilha de Macário, ou seja, de Melkert, o deus local de Tiro). Lembre-se ainda que o Melkert fenício chegou a ser identificado com Hércules, a cuja história se prende a do pomo das Hespérides, que por sua vez se relaciona com as ilhas ocidentais.

- Humboldt aventa a hipótese de que o pico de Tenerife (que emerge do oceano, alcançando 3.710 metros de altitude) seria o primitivo monte Atlas citado por Homero, e que em dias claros pode ser visto desde o africano Cabo Bojador, sendo apontado como a mais ocidental das colunas que - segundo mitos egípcios - suportavam a abóbada celeste.

Paraíso sulamericano - Com o avanço dos descobrimentos marítimos ibéricos, e a percepção de que numa Terra redonda o Oriente bíblico poderia estar inclusive no Ocidente (ou as cartas geográficas poderiam ser desenhadas de ponta-cabeça, de forma que os locais imaginados para o Éden ficariam em posição nobre, na parte superior), aliada às maravilhas do Novo Mundo descritas pelos navegadores, o Paraíso Terrestre e todo o conjunto de lendas que o cerca foi rapidamente transportado para o interior da América do Sul.

- A nova localização reunia todas as características descritas no Éden: - clima temperado, vegetação luxuriante, fauna exuberante o ano todo (com muitas espécies desconhecidas e associáveis à mitologia paradisíaca), a aparente pureza de alma dos indígenas, os quatro rios (Orinoco, Amazonas, São Francisco e Prata). Espécimes da flora como a sensitiva, e da fauna como o louva-a-deus, o beija-flor e o colibri, a jibóia que troca de pele (associada à serpente bíblica), a anhuma (comparada ao unicórnio) apenas reforçavam a idéia da proximidade com as regiões paradisíacas.

- E os papagaios, além de terem também status de aves-do-paraíso (ao lado do rouxinol e da mítica fênix), apresentavam em alguns casos as mesmas cores dos até então só encontrados na Índia (o papagaio de coleira vermelha, que existia no famoso Reino cristão do Preste João - que seria próximo ao rio Ganges, antes de ser trasladado nos relatos portugueses para a Abissínia/Etiópia), o que Cristóvão Colombo usou como argumento para sua tese de que tinha alcançado tão distante região.

Em 1501, o Brasil já foi denominado Terra dos Papagaios e o fascínio dessas aves sobre os navegadores é bem demonstrado neste mapa elaborado por Cantino, em 1502 - aqui parcialmente reproduzido, com a região Nordeste e a linha conservado na Biblioteca Universitária de Modena, na Itália.

- A própria forma de coração do continente sulamericano, destacada pelo historiador e geógrafo Antonio de León Pinelo, conselheiro real de Castela, na obra El Paraíso en el Nuevo Mundo, provaria que os primeiros homens nasceram em seu interior, habitando a América do Sul até o Dilúvio Universal, quando Noé construiu sua arca na vertente ocidental da cordilheira dos Andes, com cedros e madeiras fortes. Segundo seu relato, Noé rumou em sua Arca diretamente dos Andes peruanos para a Ásia e, depois de propagar-se ali a nova espécie humana, voltou ao Novo Mundo.

- E se o Éden era cercado por ricas muralhas, não seriam novos indícios de sua proximidade o ouro, a prata e as pedras preciosas descobertos pelos espanhóis nos montes do Peru? - Peru que, nas descrições da época, quase chegava ao Atlântico e à Bacia do Prata, pouco espaço deixando ao Brasil dos portugueses em certas cartas geográficas. Como o cosmógrafo e matemático italiano João Batista Gésio, que define a América Portuguesa como "terra continuata con el Peru".

Fins do século XVI, num mapa, o de Arnoldus Florentinus, o Peru ocupava quase toda a América do Sul, com espaços mínimos para os vizinhos Chile, Castilla del Oro e Brasilia.

Em 1612, o Brasil também foi descrito no Livro que Dá Razão do Estado do Brasil,  como apenas a "parte oriental do Peru, povoada na costa do mar Etiópico".

Em 1545, na carta de mestre Pedro de Medina, o Peru já quase se confunde com toda a América do Sul, o mesmo ocorrendo na que Alonso Peres elaborou em 1640.

- Consultados os indígenas, a respeito dos caminhos para se chegar ao Eldorado, à Fonte da Juventude, à Lagoa Dourada, ao próprio Paraíso, estes acabaram reunindo um pouco de suas próprias lendas nativas às fantásticas histórias trazidas pelos navegadores. O mesmo São Tomé - que viveu e foi sepultado em Meliapor, na Índia - deixou assim pegadas e marcas de seu bastão gravadas em milagrosas rochas sulamericanas desde a Bahia até o Paraguai, sendo que seu caminho pela capitania de São Vicente até as terras do atual Paraguai é bastante citado nas crônicas da época.

- Porém, o que mais queriam os navegadores portugueses era estabelecer um caminho por terra entre o litoral brasileiro e as riquíssimas regiões peruanas, ainda mais após a descoberta espanhola das minas de Potosi, em 1545. Para maior controle da Coroa, uma vez que a capital da colônia estava em Salvador, as primeiras expedições partiram da Bahia. Com a transferência da sede administrativa para o Rio de Janeiro, novas expedições foram feitas a partir dessa região.

- Mas, bem antes de Martim Afonso se instalar em São Vicente, já era conhecido o caminho do Peabiru, que, com uma das ramificações partindo do litoral vicentino (outra delas começaria na Ilha de Santa Catarina), atingiria os contrafortes dos Andes - onde as montanhas nevadas, com certos efeitos luminosos causados pelo Sol sobre a neve, se transformavam facilmente em montanhas de encostas douradas, de ouro, confirmando assim os mitos do Paraíso Terrestre e da Lagoa Dourada.

- Desde São Vicente - Em sua obra Visão do Paraíso, toda ela dedicada à análise desses mitos especialmente na época dos Descobrimentos, conta Sérgio Buarque de Holanda que "a possibilidade de se acharem pelo caminho de São Paulo as mesmas riquezas que tinham sido procuradas a partir de Porto Seguro, do Espírito Santo e da Bahia ficara demonstrada, aliás, desde que Brás Cubas, conforme já foi notado, trouxera ou fizera trazer do sertão mostras de ouro, além de recolher pedras verdes de suas mesmas propriedades, que corriam, como se sabe, até o limite ocidental da demarcação lusitana, ou seja, até as raias do Peru. E, em 1574, segundo um documento divulgado por Jaime Cortesão (Pauliceae Lusitana Monumenta Historica, I, págs. XCLX e CI), certo Domingos Garrucho (ou Garocho?), morador na capitania de São Vicente, e possivelmente em Santos, onde devera ter conhecido Braz Cubas, recebeu patente de mestre de campo do descobrimento da lagoa do Ouro".

- Além das referências sobre caminhos possíveis para se chegar a esses lugares fantásticos, dadas pelos degredados e pelos indígenas, São Vicente tinha uma outra vantagem sobre os pontos litorâneos mais ao Norte: - a menor distância entre o litoral e os Andes, encurtando bastante a viagem. De fato, os antecessores dos primeiros bandeirantes teriam - mesmo com todas as adversidades - chegado por terra aos rios da Prata/Paraná e São Francisco, senão ao território inca peruano. Assim pensou Dom Francisco de Sousa, "nomeado capitão-general de São Vicente, Espírito Santo e Rio de Janeiro, ou melhor, quando ainda governador-geral do Brasil".

Em 1553, chegava a Lisboa a notícia levada por Tomé de Sousa, atribuída a certo mameluco do Brasil que o acompanhava, que pretendia ter andado no Peru, de onde tornara por terra à costa do Brasil e afirmava que tal percurso poderia ser feito em muito poucos dias. Em 1560 e no ano anterior, tinham-se realizado as expedições de Brás Cubas e Luís Martins, a partir do litoral vicentino, e "de uma delas há boas razões para presumir que teria alcançado a área do São Francisco, onde recolheu amostras de minerais preciosos. Marcava-se, assim, um trajeto que seria freqüentemente utilizado, no século seguinte, pelas bandeiras paulistas", refere Sérgio Buarque de Holanda.

- O historiador Capistrano de Abreu tentou identificar tal mameluco citado por Tomé de Sousa como sendo Diogo Nunes, provavelmente natural da capitania de São Vicente, que por volta de 1554 ofereceu a Dom João III curiosos Apontamentos sobre uma viagem ao Peru, relatando que seria possível "ir por São Vicente, atravessando pelas cabeceiras do Brasil, tudo por terra firme". Nesse ponto, contradiz outro historiador, Varnhagen, que acreditou ser o espanhol Diogo Nuñes de Quesada o autor de tal documento.

Antes de setembro de 1554, um documento aparentemente definitivo sobre o tema seria a relação que Martin de Orue escreveu (conservada no Arquivo de Índias de Sevilha), com o trecho "del peru vyno por el año pasado un pasajero natural portugues que se dize domyngo nunes natural de Moron ques Junto ala Raya de Castilla el qual trujo de veynte a treynta myll ducados este andando persuadiento al Rey por uma conquysta por el Brasil para por ally entrar a las espaldas de cuzcol [...]". Com as abreviaturas usadas na época e o pouco esmero de Orue na transcrição de nomes portugueses, não é difícil a Sérgio Buarque de Holanda apontar que Domingos e Diego sejam o mesmo prenome do viajante natural de Mourão (Moron), junto à raia de Castela, na Espanha.

- Sérgio Buarque cita por sua vez o Archivo de Indias (Sevilha), conforme cópia da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro:
"[...] traxo consigo vn ombre hijo de vn portugues ~q lo ubo de vna mujer del brasil el qual se crió por la tierra del brasil adelante y ~q el dho ombre dize que ha estado en d peru y ~q del peru vino alli al brasyl por tiérra y ~q esta muy çerca de aquello y ~q donde estan los portugueses en el peru y ~q creis ~qlo que este ombre dize deue ser en la demarcaçion de sua mag.de el brasyl em muy pocos dias por tierra yran y ~q ay mas mynas de oro e plata ~q en y tenesys por çierto que juntamente con los que alla tiene en el brasyl lleguen al cauo esto que dize ese ombre y tengoos en seruiº el aviso que dello nos days que ha sydo açertado [...]".

- Ele observa a respeito que "este ofício do príncipe, datado de Valladolid aos 17 de novembro de 1553, responde à carta de Luís Sarmiento de 8 do mesmo mês e ano." Luís Sarmiento de Mendoza era embaixador espanhol em Lisboa.

- São também citadas as narrativas de Anthony Knivet sobre como seria bem mais curto o trajeto do litoral vicentino (que abrangia Cananéia, um dos pontos de entrada dos expedicionários) ao Serro de Potosi. Outro inglês - Thomas Griggs, tesoureiro do navio Minion of London, mandado ao Brasil em 1580 por uma companhia londrina de aventureiros - informava que certa parte do Peru estaria situada "por água ou terra a doze dias apenas" da vila de Santos. Seu testemunho confirma as informações do compatriota John Whithall, então morador em Santos, que atraíra a atenção dos aventureiros londrinos.

- Não por acaso, Santos e São Vicente passaram subitamente a despertar grande interesse entre mercadores, navegantes e piratas ingleses, que pensaram em estabelecer na ilha vicentina um trampolim para a conquista das minas espanholas de Potosi, já que São Vicente era pouco fortificada e bastante abastecida de víveres que sustentariam "infinitas multidões" de conquistadores.

- Desinteresse - Enquanto isso, os paulistas estavam mais interessados na caça aos índios para escravização que na busca de riquezas minerais, e convencidos de que, se o ouro e as esmeraldas fossem encontrados, imediatamente a Metrópole reforçaria seu controle sobre São Paulo, tirando sua liberdade de ação. Assim, havia um amplo desinteresse, quando não um verdadeiro boicote, à busca dessas riquezas pelas terras paulistas.

No século XVI, a propósito, vale recordar que, os diamantes (incolores) eram considerados desinteressantes, tendo muito maior valor as esmeraldas, verdes, estas bem mais procuradas, pelo papel importante que tinham nas visões paradisíacas (eram encontradas no bíblico rio Fison), em que a tais pedras verdes eram atribuídas virtudes sobrenaturais, como a identificação de venenos e resistir a quaisquer malefícios, garantindo ainda a castidade de suas portadoras e sendo um símbolo da vida eterna.

- A cidade de Sabará foi fundada pelo bandeirante Borba Gato nas montanhas de Sabarabuçu

- O comércio de escravos indígenas era mais compensador que a busca de lendárias riquezas, e o insucesso de várias expedições ao Peru, algumas massacradas por indígenas hostis, não animavam muitas tentativas.

Em 1600, por volta, registram-se algumas entradas em busca dessas riquezas, especialmente da lendária lagoa dourada de Paraupeba ou Paraupava (nas montanhas de Sabarabuçu ou Sabaroasu - topônimo proveniente de Taberaboçu, forma corrompida do tupi Itaberaba e seu aumentativo Itaberabaoçu, significando "serra resplandecente", onde começariam importantes rios, como o São Francisco, o Prata e o Amazonas - que se acreditava estarem interligados a ela, pelo fato de serem rios caudalosos e perenes.

- Tal lagoa - que explicaria o fato desses rios serem ainda mais caudalosos no verão, quando se esperaria que secassem devido ao calor - estaria no território do atual estado de Goiás ou em Minas Gerais, onde inclusive existe ainda o assim denominado sítio de Paraopeba (e o Rio Paraopeba é um dos principais afluentes do alto curso do Rio São Francisco).

- Assim acreditava João de Laet, que reproduziu em sua obra as observações do compatriota Guilherme Glimmer "acerca de uma viagem que pudera empreender em 1601, quando morador na capitania de São Vicente, e que até hoje representa o único documento conhecido sobre o percurso da bandeira confiada ao mando de André de Leão. As origens dessa expedição prendem-se, de acordo com o testemunho de Glimmer, ao fato de ter recebido Dom Francisco de Sousa de certo brasileiro, pela mesma época, amostras de uma pedra de cor tirante ao azul, de mistura com grãos dourados. Submetida ao exame dos entendidos, um quintal dessa pedra chegara a dar nada menos do que trinta marcos de prata pura."

- A respeito, Sérgio Buarque cita a Historia Naturalis Brasiliae, pág. 263: "Is narrat eo tempore quo ipse in Praefectura S. Vicentii degeret, venisse ad illas partes à Praefectura Bahiae Franciscum de Sousa; acceperat enim à quodam Brasiliamo mettalum quoddam, è montibus Sabaroason, ut serebat, erutum, coloris cyanei sive caelestis arenulis quibusdam aurei coloris interstictum quod unu à minerariss esset provatum, in quintali triginta marcas puri argenti continere deprehensum fuit".

- Depois de aludir às expedições de Aleixo Garcia e do espanhol Cabeza de Vaca, pelo caminho iniciado em Cananéia, nos primeiros anos do século XIV, o autor de Visão do Paraíso observa ser "provável que a via de São Vicente a Assunção, aberta aparentemente pelo ano de 1552 ou pouco antes, fosse um dos galhos da mesma estrada. Não há prova de que antes da vinda dos europeus fosse correntemente usada, em todo o seu curso, pelos Tupi vicentinos. Ao menos em certa informação que, depois de 1554, escreveu do Paraguai Dona Mencia Calderón, a viúva de Juan de Sanabria, diz-se que 'de São Vicente se podia ir até Assunção por certo camiño nuevo que se habia descubierto'."

"Esse novo caminho - continua Sérgio Buarque -, descrito no livro do célebre aventureiro alemão Ulrico Schmidl, que em 1553 o percorreu de regresso ao Velho Mundo, foi largamente trilhado naqueles tempos, em toda a sua extensão, pelos portugueses de São Vicente, em busca dos Carijó, e ainda mais pelos castelhanos do Paraguai, que vinham à costa do Brasil ou pretendiam ir por ela à Espanha, até que os mandou cegar Tomé de Sousa no mesmo ano de 1553. Com alguma possível variante, deve ser uma das trilhas que no século seguinte percorrerão numerosos bandeirantes de São Paulo para seus assaltos ao Guairá".

Referências:

Adaptado por Jaime Muller
Me. Cláudio Fernandes,
Wikipédia,
SANTOS, Fabrício Barroso dos. "Origem do nome Brasil"; Brasil Escola. Disponível em . Acesso em 28 de novembro de 2015.

Mina de Prata em Potosi, na atual Bolívia, em estampa de Theodor de Bry e Matthäus Merian
Reprodução de Americae Praeterita Eventa, de Helmut Andrä e Edgard de Cerqueira Falcão,

Editora da Universidade de São Paulo, 1966, São Paulo/SP

domingo, 8 de janeiro de 2012

Dom Pedro II - Parte I (em Montagem)



Um breve dispêndio sobre este grande estadista
Liberdade 
Liberdade

O Imperador é o defensor perpétuo do Brasil


Sua Majestade Imperial
Dom Pedro II
Imperador do Brasil
O Magnânimo

"Nenhum monarca desceu do trono com tanta dignidade e moral tão elevada quanto Pedro II. Foi um soberano inatacável, cultivava o direito, a justiça e a tolerância como pontos básicos de seu governo. Recusou uma pensão que a República lhe oferecera, jamais acusou aos que o traíam e nunca, no exílio, deixou um só momento de interessar-se pelos problemas da Pátria distante. Protetor das artes e das letras, fomentador da imigração, difusor da instrução pública, amigo do progresso, Pedro II ainda hoje merece o respeito e a admiração dos brasileiros."


“Viva a sua Majestade o Imperador”


-Simplesmente -
Sr. Alcântara

Ordem:      2.º Imperador do Brasil
Cognome:  O Magnânimo
Início do Reinado:                  07 de Abril de 1831 (05 anos)
Término do Reinado:   15 de Novembro de 1889 (64 anos)
Aclamação:         18 de Julho de 1841, Capela Imperial, Rio de Janeiro, Brasil
Predecessor:         D. Pedro I
Sucessora:  Princesa Isabel - Não foi proclamada
                   Proclamação da República no Brasil
Pai:  D. Pedro I
Mãe:          D. Leopoldina de Áustria
Data de Nascimento:    02 de Dezembro de 1825
Local de Nascimento:   Rio de Janeiro - Brasil
Data de Falecimento:    05 de Dezembro de 1891 (66 anos)
Local de Falecimento:   Paris - França
Consorte:                      D. Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias
Príncipe Herdeiro:               Princesa Isabel do Brasil (filha)
Dinastia:                      Bragança

Dom Pedro II do Brasil, nome completo:
- Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga;
(Rio de Janeiro (Brasil), 02 de dezembro de 1825 — Paris (França), 05 de dezembro de 1891), 

Chamado O Magnânimo, foi o segundo e último Imperador do Brasil de facto e direito.

Dom Pedro II
“Fala do Trono” na abertura da Assembléia Geral em 03 de maio de 1872 
obra de Pedro Américo de Figueiredo e Melo, 1872


Trono Imperial do Brasil
Está Vazio

É vitorioso na verdade,
o Clube da Maioridade.
Ele antecipa a sagração
do segundo Rei da nação.

Com apenas 14 anos,
Dom Pedro assume os planos.
Acaba-se com a Regência,
no poder da adolescência.

Por 48 anos estaria,
à frente da Monarquia
o nosso Dom Pedro II.

Ele trouxe na realidade,
muita prosperidade
ao reinado mais longo do mundo.
por Gilson Lustosa de Lira

Introdução
Os primeiros republicanos legaram à historiografia brasileira uma imagem de D. Pedro II como um governante omisso, desinteressado e absolutista em relação às questões nacionais.

Neste particular, Rachel Aparecida Bueno da Silva faz um contraponto:
"Ainda realizando uma leitura da obra de Schwarcz (1999), não podemos deixar de nos ater a duas questões, que de certa forma se confrontam no tocante à instrução pública durante o império: se existia o interesse pessoal de D. Pedro II pela educação (demonstrado inclusive nas Falas do Trono), ao mesmo tempo, há o fato de que o sistema de governo era parlamentar e inexistia uma centralização e concentração absoluta de poder. Os primeiros republicanos – e mesmo a maior parte dos autores que estudam a transição do Império para a República – aludem a uma centralização política e um poder de decisão pessoal do monarca, expresso pela prerrogativa do uso do poder moderador, o qual é bastante relativo: não existiu uma constância na utilização das prerrogativas do trono e, no auge do império, o imperador foi bastante parcimonioso na utilização de seus poderes constitucionais.

Na verdade, passados mais de 100 anos da Proclamação da República, podemos nos questionar o quanto de ideológico existia nas colocações dos primeiros republicanos. Estes imbuídos que estavam da vontade de consolidar um regime recém inaugurado e prover a devida justificativa teórica para a mudança da forma e do sistema de governo: de Monárquico para Republicano e de Parlamentar para Presidencialista.

Dom Pedro II (Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 1825 – Paris, 5 de dezembro de 1891), alcunhado o Magnânimo, foi o segundo e último monarca do Império do Brasil, tendo reinado o país durante um período de 49 anos.
Nascido no Rio de Janeiro, foi o filho mais novo do Imperador Dom Pedro I do Brasil e da Imperatriz Dona Maria Leopoldina de Áustria e, portanto, membro do ramo brasileiro da Casa de Bragança.

A abrupta abdicação do pai e sua viagem para a Europa tornaram Pedro imperador com apenas cinco anos, resultando em uma infância e adolescência tristes e solitárias. Obrigado a passar a maior parte do seu tempo estudando em preparação para imperar, ele conheceu momentos breves de alegria e poucos amigos de sua idade. Suas experiências com intrigas palacianas e disputas políticas durante este período tiveram grande impacto na formação de seu caráter.

Pedro II cresceu para se tornar um homem com forte senso de dever e devoção ao seu país e seu povo. Por outro lado, ele ressentiu-se cada vez mais de seu papel como monarca.

Com Dom Pedro II, praticamente, começou a história do Brasil independente. Há quase 200 anos ele nascia no Palácio São Cristovão. Imperador ainda menino, ele recebeu todas as responsabilidades de uma jovem nação quando ainda tinha 15 anos de idade.

Herdando um Império no limiar da desintegração, Pedro II transformou o Brasil numa potência emergente na arena internacional. A nação cresceu para distinguir-se de seus vizinhos hispano-americanos devido a sua estabilidade política, a liberdade de expressão zelosamente mantida, respeito aos direitos civis, a seu crescimento econômico vibrante e especialmente por sua forma de governo: uma funcional monarquia parlamentar constitucional.

O Brasil também foi vitorioso em três conflitos internacionais (a Guerra do Prata, a Guerra do Uruguai e a Guerra do Paraguai) sob seu reinado, assim como prevaleceu em outras disputas internacionais e tensões domésticas.

Pedro II impôs com firmeza a abolição da escravidão apesar da oposição poderosa de interesses políticos e econômicos.

Apesar de não haver desejo por uma mudança na forma de governo da maior parte dos brasileiros, o Imperador foi retirado do poder num súbito golpe de Estado que não tinha maior apoio fora de um pequeno grupo de líderes militares que desejam uma república governada por um ditador.

Pedro II havia se cansado da posição de Imperador e se tornado desiludido quanto as perspectivas do futuro da monarquia, apesar de seu grande apoio popular.

Ele não permitiu qualquer medida contra sua remoção e não apoiou qualquer tentativa de restauração da monarquia. Passou os seus últimos dois anos de vida no exílio na Europa, vivendo só e com poucos recursos.

O reinado de Pedro II veio a um final incomum — ele foi deposto apesar de altamente apreciado pelo povo e no auge de sua popularidade, e algumas de suas realizações logo foram desfeitas visto que o Brasil deslizou para um longo período de governos fracos, ditaduras e crises constitucionais e econômicas.

Os homens que o exilaram logo começaram a enxergá-lo como um modelo para a república brasileira. Algumas décadas após sua morte, sua reputação foi restaurada e seus restos mortais foram trazidos de volta ao Brasil como os de um herói nacional. Sua reputação perdurou até o presente.


Os historiadores enxergam Pedro II numa visão extremamente positiva, sendo considerado por vários o Maior Brasileiro.

Com Dom Pedro II, o Brasil conheceu os seus primeiros trens, bondes, navios a vapor, a estrada de rodagem organizada, a iluminação a gás. As primeiras usinas de eletricidade. O início da colonização por imigrantes, a extinção da escravidão, o surgimento da riqueza do café. Foi um tempo em que obteve a pacificação nas Províncias brasileiras e o país soube sair com altivez de suas questões internacionais. 

Pedro II governou de 1840, quando foi antecipada sua maioridade, até 1889 ano em que foi deposto com a proclamação da república brasileira.
Além dos registros históricos e jornalísticos da época, Pedro II deixou à posteridade 5.500 páginas de seu diário registradas a lápis em 43 cadernos, além de correspondências, que nos possibilitam conhecer um pouco mais do seu perfil e pensamento.

Ele é, ainda hoje, um dos políticos mais admirados do cenário nacional, e é lembrado pela defesa à integridade da nação, ao incentivo à educação e cultura, pela defesa à abolição da escravidão e pela diplomacia e relações com personalidades internacionais, sendo considerado um príncipe filósofo por Lamartine, um neto de Marco Aurélio por Victor Hugo e um homem de ciência por Louis Pasteur e ganhando a admiração de pensadores como Charles Darwin, Richard Wagner, Henry Wadsworth Longfellow e Friedrich Nietzsche.

Durante a sua administração como imperador, o Brasil viveu um período de estabilidade e desenvolvimento econômico e grande valorização da cultura, além de utilizar o patriotismo como força de defesa à integridade nacional. Apesar de, muitas vezes, demonstrar certo desgosto pelas intensas atividades políticas, o último imperador do Brasil construiu em torno de si uma aura de simpatia e confiança entre os brasileiros.

Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro.

"Não restará uma jóia na Coroa,
Mas nenhum nordestino morrerá de fome."
Pedro II”

Príncipe Imperial
Em 02 de dezembro de 1825, Pedro nasceu às 2h30 da manhã, no Paço de São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro capital do Império.

Batizado em homenagem a São Pedro de Alcântara, seu nome completo era Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga.

Pelo seu pai, o Imperador Pedro I, ele era membro do ramo brasileiro da Casa de Bragança e seu nome era precedido pelo honorífico "Dom" ("Senhor" ou "Lorde") desde o nascimento.

Seus avós paternos eram Dom João VI, rei de Portugal, Brasil e Algarves, e Dona Carlota Joaquina, infanta da Espanha, enquanto seus avós maternos eram Francisco I da Áustria, último sacro imperador romano-germânico, e Maria Teresa, princesa das Duas Sicílias.

Foi neto do rei português Dom João VI e sobrinho de Dom Miguel I. Sua mãe foi a Arquiduquesa Maria Leopoldina da Áustria, filha de Francisco II, último monarca do Sacro Império Romano-Germânico.

Por sua mãe, Pedro era sobrinho de Napoleão Bonaparte e primo carnal dos Imperadores Napoleão II de França, Francisco José I de Áustria-Hungria e Dom Maximiliano I do México.

Brasão de Príncipe Imperial do Brasil
1825-1831

O jovem Príncipe era descendente:
- dos reis de Portugal, tais como Afonso Henriques, Dom João I e Dom João IV,
- os reis da França, como Hugo Capeto, Felipe IV, o Belo, São Luís e Luís XIV, o Rei Sol,
- dos reis da Espanha, como Fernando II e Isabel, os Reis Católicos, e Filipe II,
- dos Imperadores Romano-Germânicos, tais como Otto I, o Grande, Frederico Barbarossa e Carlos V,
- dos Imperadores Romanos do Oriente, como Aleixo I Comneno, João II Comneno, Isaac II Angelos, Miguel VIII Paleólogo, Leo VI e Constantino IX,
- dos reis da Inglaterra, como Guilherme, o Conquistador, Alfredo, o Grande e Eduardo III,
- dos reis dos Francos, como Meroveu, Clóvis, Pepino, o Breve e principalmente, de Carlos Magno, restaurador do Império Romano, e de todas as demais Casas Ducais, Reais e Imperiais da Europa.



Nascimento
Em 02 de dezembro de 1825, seu nascimento foi comemorado com festas durante três dias no Rio de Janeiro. Sendo o único filho homem do Imperador Dom Pedro I a sobreviver à infância, tornou-se o herdeiro da coroa imperial do Brasil, com o título de "Príncipe Imperial".

Alegoria ao nascimento de Dom Pedro II
obra de Jean-Baptiste Debret

Herdeiro do Trono 
 Em 06 de agosto de 1826, como único filho do sexo masculino legítimo de Pedro I a sobreviver a infância, foi oficialmente reconhecido como herdeiro do trono brasileiro com o título de Príncipe Imperial.

Batizado
Em de dezembro de 1825, foi batizado em homenagem a São Pedro de Alcântara, seu nome completo era Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga.

A Mãe
Sua mãe, a Imperatriz Dona Leopoldina, já se encontrava com a saúde abalada e morreria em 1826.
Mas tornou-se órfão de mãe com pouco mais de um ano de idade, o Visconde de Barbacena considerou-o, na infância, um “menino magrinho e muito amarelo”, que sofria constantemente de febres e ataques convulsivos.

- Do pai, recebeu carinho e afeto, revelando uma grande ternura pelo filho e dizia com orgulho:
“Meu filho tem sobre mim a vantagem de ser brasileiro.”
Verdadeiramente, o pequeno príncipe era antes um símbolo, por ser considerado “genuinamente brasileiro".
Pedro com 1 ano - 1826

Nesses primeiros tempos, Pedro só foi notícia três vezes:
- Quando nasceu (02/12/1825),
- No dia do batizado (09/12/1825),
- Ao ser reconhecido oficialmente como “herdeiro presuntivo da coroa do império brasileiro” (02/08/1826).
De resto, era uma criança como as outras, que aprendeu a andar, falar e a brincar pelos corredores do Palácio.

A Madrasta

Dois anos e meio após a morte de Leopoldina, o Imperador casou-se com Amélia de Leuchtenberg. O Príncipe Pedro passou pouco tempo com sua madrasta; no entanto, criaram um relacionamento afetuoso e mantiveram contato até a morte dela em 1873.

Dificuldades do Governo de D. Pedro I
Seu Pai
Em 1826, em meio a dificuldades financeiras e várias e desgastantes rebeliões localizadas, D. Pedro I instalou a Câmara e o Senado vitalício.
Porém um fato provocou desconforto geral e o seu declínio político no Brasil. Com a morte de D. João VI, decidiu contrariar as restrições da constituição brasileira, que ele próprio aprovara, e assumir, como herdeiro do trono português, o poder em Lisboa.

- Foi a Portugal e, constitucionalmente não podendo ficar com as duas coroas, instalou no trono a filha primogênita, Maria da Glória, como Maria II, de sete anos, e nomeou regente seu irmão, Dom Miguel.
Porém sua indecisão entre o Brasil e Portugal contribuiu para minar a popularidade e, somando-se a isto o fracasso militar na Guerra da Província Cisplatina (1825-1827) atual Uruguai, os constantes atritos com a assembléia, o seu relacionamento extraconjugal (1822-1829) com Domitila de Castro Canto e Melo, a quem fez viscondessa e depois Marquesa de Santos, o constante declínio de seu prestígio e a crise provocada pela dissolução do gabinete.

- O soberano acusado de despotismo em detrimento das práticas liberais e de favorecer os interesses portugueses no Brasil independente.
Afinal, o povo e a tropa, reunidos no Campo de Santana, exigiram a demissão do ministério imperial.
Dom Pedro I respondeu aos manifestantes com a única saída que lhe pareceu viável.

Abdicação de D. Pedro I

Em 07 de abril de 1831, após quase nove anos como Imperador do Brasil, abdicou do trono em favor de seu filho Pedro, então com cinco anos de idade.

Abdicação do Pai
Em 1831, a vida do Príncipe Pedro sofreria uma mudança abrupta.

Em 07 de abril de 1831, à uma hora da madrugada, D. Pedro I anunciou:
- “Usando do Direito que Hei Mui Voluntariamente Abdicado na Pessoa de Meu Mui Amado Filho, o Senhor Dom Pedro de Alcântara”.

O imperador deixava a coroa e precisava partir:
- “Retiro-me para a Europa e deixo o país que tanto amei e amo ainda.”
Amanhecia, - antes de embarcar procurou o sucessor. Queria falar-lhe, despedir-se dele. Mas nem isso foi possível. Permaneceu algum tempo no quarto do filho e depois partiu sem dizer nada. O novo soberano dormia em seu berço com um sorriso feliz de uma criança de 5 anos.

Do pai, recebeu carinho e afeto, revelando uma grande ternura pelo filho e dizia com orgulho:

"Meu filho tem sobre mim a vantagem de ser brasileiro".


Verdadeiramente, o pequeno príncipe era antes um símbolo, por ser considerado "genuinamente brasileiro".

Ascensão
- Ao acordar, na manhã, o Príncipe Pedro, com 5 anos, encontrou sobre sua cama a coroa imperial de seu Pai, que já havia partido junto à Madrasta.

Com a ajuda de D. Mariana Carlota de Verna Magalhães Coutinho, que carinhosamente o Príncipe Pedro chamava de “Dadama”, escreveu uma carta de despedida ao Pai.

Pedro aos 5 anos - 1830

- Pedro I, que se encontrava na fragata britânica “Warspite”, respondeu ao filho emocionado, chamando-o:
 “Meu querido filho, e meu Imperador”.

As Irmãs
Além do Príncipe herdeiro Pedro, ficaram no Brasil três irmãs:

- Dona Januária Maria Joana Carlota Leopoldina Cândida Francisca Xavier de Paula Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Áustria, Condessa d' Áquila, Princesa Imperial do Brasil e Infanta de Portugal (por seis meses).
(Rio de Janeiro, 11 de março de 1822 — Nice, 13 de maio de 1901, 79 anos), era filha do imperador Dom Pedro I e da imperatriz D. Leopoldina de Áustria,
Consorte: Luís Carlos de Bourbon-Duas Sicílias,
Teve 4 filhos: Luiz, Maria Isabel, Felipe, Mário

Dona Januária Maria

- Dona Paula Mariana Joana Carlota, Princesa do Brasil,
(Rio de Janeiro 17 de fevereiro de 1823 — Rio de Janeiro, 16 de janeiro de 1833, 9 anos), filha de D. Pedro I e da imperatriz D. Leopoldina

Dona Paula Mariana

- Dona Francisca Carolina Joana Leopoldina Romana Xavier de Paula Micaela Rafaela Gabriela Gonzaga de Bragança e Áustria – a irmã “Chica”
(Rio de Janeiro, 02 de agosto de 1824 — Paris, 27 de março de 1898, 74 anos), foi a quarta filha do imperador D. Pedro I e da Imperatriz D. Leopoldina de Áustria,
Consorte: Francisco Fernando de Orléans, Príncipe de Joinvile,
Teve 2 filhos:    Francisca de Orléans, Pedro de Orléans.

Dona Francisca Carolina

No pequeno príncipe depositaram as esperanças, como diziam num manifesto:
- “já temos Pátria, temos um monarca, símbolo da união e da integridade do Império. Que, educado entre nós, receba quase no berço as primeiras lições de liberdade americana, aprenda a amar o Brasil que o viu nascer, o fúnebre projeto de anarquia e da dissolução das províncias, que se apresentou aos nossos olhos, desapareceu de um golpe e foi substituído por uma cena mais risonha.”

- A Constituição de 1824 previa que, durante a menoridade do sucessor, o Império deveria ser governado por um Regente que fosse um parente mais próximo ao Imperador. Como no caso não havia quem preenchesse tais quesitos, a Constituição previa a composição de uma Regência Trina Provisória, em caráter interino, para que o Executivo não ficasse acéfalo.

Em 07 de abril de 1831, a Regência Provisória tomou posse no mesmo dia da abdicação de D. Pedro I, começando por reintegrar o último ministério deposto pelo Imperador, conceder anistia para todos os presos políticos, estancar as agitações populares na busca da manutenção da ordem e das instituições.

- No Paço do Senado, Francisco de Lima e Silva, Vergueiro e o Marquês de Caravelas acabavam de ser designados para governar em seu nome, como uma “Regência Trina”.

A Aclamação de D. Pedro
Em 09 de abril de 1831, um dos primeiro atos da Regência foi apresentar ao povo o novo imperador.
Ocorreu a aclamação oficial de Pedro II como novo Imperador do Brasil. Foi levado na carruagem ao lado da camareira mor D. Mariana de Verna até o Paço da Cidade no Rio de Janeiro, em choque devido à ausência do pai e da madrasta e completamente aterrorizado com a multidão que o cercava e pelo barulho causado pelos tiros da artilharia.

Um assustado Pedro II foi exibido ao lado das irmãs numa das janelas do paço sobre uma cadeira para que pudesse observar a sua aclamação pela multidão, trazia um lenço branco na mão, e “Dadama” lhe dizia ao ouvido:
- “Cumprimente, cumprimente”.
Os brasileiros de todo o país simpatizavam “com a figura do pequeno órfão que deveria governá-los um dia”.
A multidão gritava:
- “Viva o imperador, viva Dom Pedro II.
O espetáculo foi seguido por tiros de artilharia que assustaram ainda mais a criança de apenas cinco anos de idade e deste trauma infantil que provavelmente resultou em parte na aversão do monarca a pompa do poder.

Aclamação de Dom Pedro II - Paço Imperial - RJ

- Quando criança, o Príncipe Dom Pedro recebeu uma grande influência por parte do pai e também de seus mestres quanto a sua visão em relação às demais etnias e culturas existentes no mundo. Em um período onde era comum o entendimento científico de que existia de fato uma separação racial entre brancos, negros e amarelos, o Imperador sempre demonstrou um profundo ceticismo quanto a tal teoria e nunca se deixou convencer pela tese de diferenciação racial.

Tropas em Aclamação ao Imperador Menino - Paço Imperial - RJ

Em 13 de abril de 1831, somente, o ex- imperador D. Pedro I, seu pai partiu do Brasil, mas não se viram e nem voltariam a se rever.
A distância dos filhos e a incerteza quanto à sua segurança atormentava Pedro I.
O menino Pedro, por sua vez, sofreria com a falta do Pai e da Madrasta, a quem considerava como mãe, e como conseqüência agravaria ainda mais o seu comportamento costumeiramente reprimido.

A Infância do menino Pedro
O jovem monarca teve uma infância triste e solitária. Era considerado precoce, dócil e obediente, mas sempre chorava e nada parecia o agradar, era apenas uma criança.
“Não foi criado com luxo e tudo era muito simples”.
Levantava-se as 07h00min em ponto, vestia-se e fazia suas orações matinais.
Às 08h00min almoçava na presença do médico, que examinava a quantidade e a temperatura dos alimentos reais.
Depois descansa até as 09h00min, preparando-se para as aulas.
Ás 09h00min chegava o primeiro mestre.
Eles se sucediam até 11h30min, tomando as lições do imperador.
Depois podia brincar de amarelinha, ou qualquer jogo que quisesse. Só tinha permissão para encontrar as irmãs após o almoço e somente por uma hora, que não podiam lhe fazer companhia.


As 13h30min, “Dadama” o chamava para lavar-se e se arrumar. Meia hora depois jantava assistido pelo médico, o camarista e a camareira-mor, que deviam entreter a conversação, tendo o cuidado de que ela verse sobre objetos científicos ou de beneficência.
Após o jantar recomendava-se ao imperador, não saltar, não dormir, nem estudar.
Passeava todos os dias pelos jardins do Palácio, exceto quando chovia. O passeio começava às 16h30min no inverno, às 17 horas no verão, e prolongava-se até a noitinha.
Os exercício a pé ou a cavalo, deviam ser moderados, pois o imperador não podia fatigar-se.
Tinha poucos amigos de sua idade, e o único que manteve até a idade adulta foi Luís Pedreira do Couto Ferraz, futuro Visconde do Bom Retiro. Contudo, recebeu carinhos de D. Mariana de Verna que o criou como um filho e de Rafael (o mordomo) que o carregava nos ombros e permitia que o príncipe Pedro se escondesse em seu quarto para escapar dos estudos.
Na maior parte do tempo ficava com os empregados do palácio que só tinham permissão para falar consigo quando interrogados.
A criação que recebeu o transformou numa pessoa tímida e carente e para fugir da realidade fez dos “livros um mundo à parte, em que podia isolar-se e proteger-se”.
Por trás das pompas da monarquia, da aparência de auto-suficiência, “pode ter vivido um homem infeliz, mas um “grande homem”.

Pedro II na infância

A rígida Educação de Dom Pedro II
Cuidadores
O Imperador Pedro I escolheu três pessoas para cuidar de seus filhos ao partir do país, o Príncipe D. Pedro e suas três irmãs que ficaram no Brasil.
A primeira foi José Bonifácio, a quem nomeou “tutor” de seus filhos, posição esta confirmada em seguida pela Assembléia Geral.
A segunda foi D. Mariana de Verna Magalhães Coutinho que já ocupava o cargo de “aia” desde o nascimento de Pedro II.
A terceira foi o afro-brasileiro Rafael, veterano da Guerra da Cisplatina, empregado no Paço de São Cristóvão e homem de confiança de Pedro I, a quem pediu para que tomasse conta do filho, e de fato o fez, até o fim de sua vida em 1889.

José Bonifácio - 1º  Tutor da Família Imperial

José Bonifácio foi quem escolheu os primeiros professores:
Luis Alexis Boulanger, caligrafia e geografia,
Pedro Renato Boiret, francês,
Simplício Rodrigues de Sá, desenho,
Lourenço Lacombe, dança,
Fortunato Mazziontti, música.

O Príncipe D. Pedro começou a estudar sob a orientação da “camareira-mor” D. Mariana Carlota de Verna Magalhães Coutinho, mais tarde Condessa de Belmonte.

Em dezembro de 1833, José Bonifácio não pôde ficar no cargo por muito tempo, e foi destituído. Suas relações com a Regência liberal tornaram-se insustentáveis devido ao seu papel como líder dos restauradores que desejavam o retorno de Pedro I, não como Imperador, mas como regente até a maioridade de seu filho.

- A Assembléia Geral nomeou para substituir-lo Manuel Inácio de Andrade Souto Maior Pinto Coelho, Marquês de Itanhaém, que era senador do Império do Brasil (1844 a 1867), como “tutor” da Família Imperial Brasileira, tendo sido o responsável pela educação do Príncipe Dom Pedro desde o início de sua adolescência.
O Marquês de Itanhaém fora escolhido pelo fato de ser considerado submisso e manipulável. Era um homem de inteligência, dita, medíocre, mas honesto e teve sabedoria o suficiente para providenciar ao pequeno Imperador uma educação extraordinária.

2º Tutor de Família Imperial

Manteve os mesmos professores que já lecionavam ao Príncipe Pedro e suas irmãs quando José Bonifácio era tutor. A exceção coube ao Frei Pedro de Santa Mariana que foi nomeado para ocupar o lugar do Frei Antônio de Arrábida (que também educou Dom Pedro I na infância). Frei Pedro Mariana atuou como um diretor geral dos estudos de Pedro II e também lhe ensinou latim, religião e matemática. Foi uma das poucas pessoas além de sua família que Pedro II nutriu uma grande afeição.
O Marquês de Itanhaém e Frei Pedro Mariana educaram Pedro II para que considerasse todos os seres humanos como iguais, para que fosse imparcial e justo, para que fiscalizasse os funcionários públicos, inclusive os ministros, que não tivesse favoritos e que sempre se preocupasse com o bem público. Ambos tinham como objetivo:
- “Formar um monarca humano, sábio, justo, honesto, constitucional, pacifista, tolerante. Isto é, um governante perfeito, dedicado integralmente as suas obrigações, acima das paixões políticas e dos interesses privados”.

Sendo um “monarca constitucional”, sua educação era acompanhada atentamente pela Assembléia Geral que exigia por parte do Marquês de Itanhaém relatórios acerca de seu progresso nos estudos.
Enquanto isto, o Príncipe Pedro era mantido completamente alheio ao que se passava fora do Palácio, inclusive quanto a questões políticas e a anarquia generalizada no país.

Dom Pedro, Dona Francisca e Dona Januária, de Félix Émilie Taunay (1795-1881)
- Como muitas outras imagens do imperador criança, nesta Pedro está cercado de globos, livros e cadernos. Estudava e preparava-se para ser o futuro imperador.

A educação de Pedro II começou quando ainda era herdeiro do trono, quando já sabia ler e escrever em português aos cinco anos de idade. Seus primeiros professores foram Mariana de Verna e Frei Antonio de Arrábida.

Ao tornar-se Imperador já possuía os mais diversos mestres ilustres de seu tempo, o jovem imperador instruiu-se em disciplinas diversas, desde línguas, história, filosofia, astronomia, geografia, ciências naturais, música, caça, equitação e esgrima.

Dentre eles, estavam Félix Taunay e Luís Alves de Lima e Silva (filho do regente Francisco de Lima e Silva), professores de francês e esgrima, respectivamente, pelos quais teria uma amizade e admiração que perduraria por toda a vida.
Pedro II passava o dia inteiro estudando e apenas duas horas eram destinadas a diversão, acordava as seis e meia da manhã e começava os estudos as sete e continuava até as dez da noite, quando iria para cama.
Às vezes Frei Pedro Mariana tinha que apagar a luz para impedir que o adolescente Príncipe Pedro ficasse lendo a noite toda.

O carmelita Frei Pedro de Santa Mariana e Souza mais tarde Bispo de Crisópolis, que ensinou a doutrina Católica, Latim e Matemática.
Seu professor de Francês era o Padre Renato Boiret.
De Alemão era Roque Schuch.
De Inglês era Nathaniel Lucas.
De Francês era Félix Émile Taunay.
De Dança foram Joseph Lacombe e Lourenço Lacombe.
Desenho e Pintura respectivamente Simplício Rodrigues de Sá.
De Esgrima, nada mais nada menos que Luiz Alves de Lima e Silva o futuro Duque de Caxias.
Cândido José de Araújo Viana, professor de Português e Literatura, mais tarde ele se tornaria o Marques de Sapucaí, (titulo conheço em virtude da avenida de mesmo nome na qual se realizam os desfiles das Escolas de Samba no carnaval do Rio de Janeiro).

“Tinha-se um grande cuidado para que D. Pedro II fosse o oposto do Pai, tanto na educação, quanto no caráter e também na personalidade.”

- Veja as determinações do Marques de Itanhaém para a educação do Príncipe Imperial Dom Pedro:

Instruções para serem observadas pelos Mestres do Imperador em sua Educação Literária e Moral”

Artigo 1
Conhece-te a ti mesmo. Esta máxima... Servirá de base ao sistema de educação do Imperador, e uma base da qual os Mestres deverão tirar precisamente todos os corolários que formem um corpo completo de doutrinas, cujo estudo, possa dar ao Imperador idéias exatas de todas as coisas, a fim de que Ele, discernindo sempre do falso o verdadeiro, venha em último resultado a compreender bem o que é a dignidade da espécie humana, ante a qual o Monarca é sempre homem, sem diferença natural de qualquer outro indivíduo humano, posto que sua categoria civil o eleve acima de todas as condições sociais.

Artigo 2
Em seguimento, os Mestres, apresentando ao Seu Augusto Discípulo este planeta que se chama terra, onde nasce, vive e morre o homem, lhe irão indicando ao mesmo tempo as relações que existem entre a humanidade e a natureza em geral, para que o Imperador, conhecendo perfeitamente a força da natureza social, venha a sentir, sem o querer mesmo, aquela necessidade absoluta de ser um Monarca bom, sábio e justo, fazendo-se garbo de ser o amigo fiel dos Representantes da Nação e o companheiro de todas as influências e homens de bem do País.

Artigo 3
Farão igualmente os Mestres ver ao Imperador que a tirania, a violência da espada e o derramamento de sangue nunca fizeram bem a pessoa alguma...

Artigo 4
Aqui deverão os Mestres se desvelar para mostrarem ao Imperador palpavelmente o acordo e harmonia da Religião com a Política, e de ambas com todas as ciências; porquanto, se a física estabelece a famosa lei da resistência na impenetrabilidade dos corpos, é verdade também que a moral funda ao mesmo tempo a tolerância e o mútuo perdão das injúrias, defeitos e erros; essa tolerância ou mútuo perdão, sobre revelar a perfeição do Cristianismo, revela também os quilates das almas boas nas relações de civilidade entre todos os povos, seja qual for sua religião e a forma do seu governo...

Artigo 5
Lembrem-se, pois os Mestres que o Imperador é homem; e partindo sempre dessa idéia fixa, tratem de lhe dar conhecimentos exatos e reais das coisas, sem gastarem o tempo com palavras e palavrões que ostentam uma erudição estéril e prejudicial, pois de outra forma virá o seu discípulo a cair no vicio que o Nosso Divino Redentor tanto combateu no Evangelho, quando clamava contra os doutores que invertiam e desfiguravam a lei, enganando as viúvas e aos homens ignorantes com discursos compridos e longas orações, e se impondo de sábios, embora sendo apenas uns pedantes faladores.

Artigo 6
Em conseqüência os Mestres não façam o Imperador decorar um montão de palavras ou um dicionário de vocábulos sem significação, porque a educação literária não consiste decerto nas regras da gramática nem na arte de saber por meio das letras; em conseqüência os Mestres devem limitar-se a fazer com que o Imperador conheça perfeitamente cada objeto de qualquer idéia enunciada na pronunciação de cada vocábulo...

Artigo 7
Julgo, portanto inútil dizer que as preliminares de qualquer ciência devem conter-se em muito poucas regras, assim como as evidencias e doutrinas gerais. Os Mestres não gastem o tempo com teses nem mortifiquem a memória do seu discípulo com sentenças abstratas; mas descendo logo às hipóteses, classifiquem as coisas e idéias, de maneira que o Imperador, sem abraçar nunca a nuvem por sonho, compreenda bem que o pão é pão e o queijo é queijo.
Assim, por exemplo, tratando das virtudes e vícios, o Mestre de Ciências Morais deverá classificar todas as ações filhas da soberba distinguindo-as sempre de todas as ações opostas que são filhas da humildade. E não basta ensinar ao Imperador que o homem não deve ser soberbo, mas é preciso indicar-lhe cada ação, onda exista a soberba, pois se assim não o fizer, bem pode acontecer que o Monarca venha para o futuro a praticar muitos atos de arrogância e altivez, supondo mesmo que tenha feito ações meritórias e dignas de louvor, e isto por não ter, em tempo, sabido conhecer a diferença entre a soberba e a humildade.

Artigo 8
Da mesma sorte, tratando-se das potências e das forças delas, o Mestre de ciências físicas fará uma resenha de todos os corpos computando os grãos de força que tem cada um deles, para que venha o Imperador a compreender que o poder monárquico se limita ao estudo e observância das leis da Natureza... e que o Monarca é sempre homem e um homem tão sujeito, que nada pode contra as leis da Natureza feitas por Deus em todos os corpos, e em todos os espíritos.

Artigo 9
Em seguimento ensinarão os Mestres ao Imperador que todos os deveres do Monarca se reduzem a sempre animar a Indústria, a Agricultura, o Comércio, as Artes e a Educação; e que tudo isto só se pode conseguir estudando o mesmo Imperador, de dia e de noite, as ciências todas, das quais o primeiro e principal objeto é sempre o corpo e a alma do homem; vindo, portanto a achar-se a Política e a Religião no amor dos homens. E o amor dos homens é que é o fim de todas as ciências; pois sem elas, em vez de promoverem a existência feliz da humanidade, ao contrário promovem a morte.

Artigo 10
Entendam-me, porém os Mestres do Imperador. Eu quero que o meu Augusto Pupilo seja um sábio consumado e profundamente versado em todas as ciências e artes e até mesmo nos ofícios mecânicos, para que ele saiba amar o trabalho como principio de todas as virtudes, e saiba igualmente honrar os homens laboriosos e úteis ao Estado. Mas não quererei decerto que Ele se faça um literato supersticioso para não gastar o tempo em discussões teológicas como o Imperador Justiniano; nem que seja um político frenético para não prodigalizar o dinheiro e o sangue dos brasileiros em conquistas e guerras e construção de edifícios de luxo, como fazia Luís XIV na França, todo absorvido nas idéias de grandeza; pois bem pode ser um grande Monarca o Senhor D. Pedro II sendo justo, sábio, honrado e virtuoso e amante da felicidade de seus súditos, sem ter precisão alguma de vexar os povos com tiranias e violentas extorsões de dinheiro e sangue.

Artigo 11
Sobretudo, recomendo muito aos Mestres do Imperador, hajam de observar quanto Ele é talentoso e dócil de gênio e de muita boa índole. Assim não custa nada encaminhar-lhe o entendimento sempre para o bem e verdade, uma vez que os Mestres em suas classes respectivas tenham, com efeito, idéias exatas da verdade e do bem, para que as possam transmitir e inspirar ao seu Augusto Discípulo.
Eu não cessarei de repetir aos Mestres que não olhem para os livros das Escolas, mas tão somente para o livro da Natureza, corpo e alma do homem; porque fora disto só pode haver ciência de papagaio ou de menino de escola, mas não verdade nem conhecimento exato das coisas, dos homens, e de Deus.

Artigo 12
Finalmente, não deixarão os Mestres do Imperador de lhe repetir todos os dias que um Monarca, toda a vez que não cuida seriamente dos deveres do trono, vem sempre a ser vitima dos erros, caprichos e iniqüidades dos seus ministros, cujos erros, caprichos e iniqüidades são sempre a origem das revoluções e guerras civis; e então paga o justo pelos pecadores, e o Monarca é que padece, enquanto que seus ministros sempre ficam rindo-se e cheios de dinheiro e de toda sorte de comodidades. Por isso cumpre absolutamente ao Monarca ler com atenção todos os jornais e periódicos da Corte e das Províncias e, além disto, receber com atenção todas as queixas e representações que qualquer pessoa lhe fizer contra os ministros de Estado, pois só tendo conhecimento da vida pública e privada de cada um dos seus ministros e Agentes é que cuidará da Nação. Eu cuido que não é necessário desenvolver mais amplamente estas Instruções na certeza de que cada um dos Mestres do Imperador lhe adicionará tudo quanto lhe ditarem as circunstâncias à proporção das doutrinas que no momento ensinarem.
“E confio, grandemente na sabedoria e prudência do Muito Respeitável Senhor Padre Mestre Frei Pedro de Santa Mariana, que devendo ele presidir sempre a todos os atos letivos de Imperador como seu Primeiro Preceptor, seja o encarregado de pôr em prática estas Instruções, uniformizando o sistema da educação do Senhor Dom Pedro II, de acordo com todos os outros Mestres do Mesmo Augusto Senhor”.
Paço da Boa Vista no Rio de Janeiro, 02 de dezembro de 1838.

Marquês de Itanhaém
Tutor da Família Imperial

Nota:
- Estas instruções estão atualizadíssimas, e deveriam ser passadas para cada mestre de nosso País, e que cada criança deveria ser educada para ser um homem de bem, ou melhor, um monarca do bem.

O Tutor relatava:
- “Sua Majestade Imperial lê e escreve muito bem, traduz as línguas inglesa e francesa, aplica-se, além disso, à geografia, à música, dança e desenho, nisto faz progressos admiráveis, por ser o estudo que mais o deleita. Apesar de aplicar-se a muitos ramos, não é fatigado pelos mestres, que exigem com parcimônia as lições que as forças e idade do Augusto permitem”.

A Regência
O período que se seguiu a aclamação foi provavelmente o mais conturbado da história do Brasil independente. Como não poderia exercer as prerrogativas reservadas somente ao Imperador Constitucional até que atingisse a maioridade, uma regência foi criada para atuar em seu lugar.
- A primeira regência fora formada como um triunvirato, sendo um de seus membros o Brigadeiro Francisco de Lima e Silva, o mesmo homem que havia apresentado o Príncipe “bebê” Pedro ao Governo.


As lutas entre as facções políticas resultaram em uma regência instável e quase anárquica. Os liberais que haviam derrubado D. Pedro I logo se desmembraram em dois grupos: - os “liberais moderados” (monarquistas constitucionais que mais tarde se tornariam o Partido Liberal e Conservador) e os “republicanos” (uma pequena minoria, mas extremamente radical e revoltosa). Havia também os restauradores que eram anteriormente conhecidos como “Bonifacios”.
Diversas rebeliões ocorreram pelo país durante a regência:
- Rebelião de Santa Rita (1831),
- Revolta do Ano da Fumaça (1833),
- Cabanada (ou Guerra dos Cabanos, 1832-34) visavam o retorno de Pedro I ao poder, e contavam com a participação de pessoas comuns, inclusive ex-escravos e até mesmo escravos.

Em 24 de setembro de 1834, com a morte de D. Pedro I eliminou as aspirações dos restauradores.
Novas rebeliões ocorreram após a descentralização política e administrativa criada promulgação do Ato Adicional em 1834. Esta emenda constitucional acirrou os conflitos entre os grupos políticos, que sabiam que quem tivesse controle das províncias, teria poder sobre a máquina eleitoral e política.
Os grupos que perdiam as eleições rebelavam-se e tentavam tomar o poder a força. Contudo, todas defendiam o trono do Príncipe Imperial Pedro (Pedro II), tais como:
Cabanagem (1835-40),
Sabinada (1837-38),
Balaiada (1838-41), apesar de algumas terem declarado a secessão das províncias como repúblicas independentes (enquanto Pedro II fosse menor).

- O período que se seguiu a aclamação foi provavelmente o mais conturbado da história do Brasil independente.

- Como não poderia exercer as prerrogativas reservadas somente ao Imperador Constitucional até que atingisse a maioridade, uma regência foi criada para atuar em seu lugar.

- A primeira Regência fora formada como um triunvirato, sendo um de seus membros o Brigadeiro Francisco de Lima e Silva, o mesmo homem que havia apresentado o Príncipe “bebê” Pedro ao Governo.

- As lutas entre as facções políticas resultaram em uma regência instável e quase anárquica.
Os liberais que haviam derrubado D. Pedro I logo se desmembraram em dois grupos:
- Os “liberais moderados” (monarquistas constitucionais que mais tarde se tornariam o Partido Liberal e Conservador),
- Os “republicanos” (uma pequena minoria, mas extremamente radical e revoltosa).
Havia também os restauradores que eram anteriormente conhecidos como “Bonifacios”.

Diversas rebeliões ocorreram pelo país durante a regência:
- Rebelião de Santa Rita (1831),
- Revolta do Ano da Fumaça (1833),
- Cabanada (ou Guerra dos Cabanos, 1832-34) visavam o retorno de Pedro I ao poder, e contavam com a participação de pessoas comuns, inclusive ex-escravos e até mesmo escravos.

Em julho de 1831, a Regência Trina Permanente foi eleita pela Assembléia Geral, permanecendo até abril de 1835.

Em 24 de setembro de 1834, com a morte de D. Pedro I eliminou as aspirações dos restauradores.
Novas rebeliões ocorreram após a descentralização política e administrativa criada promulgação do Ato Adicional em 1834. Esta emenda constitucional acirrou os conflitos entre os grupos políticos, que sabiam que quem tivesse controle das províncias, teria poder sobre a máquina eleitoral e política.
Os grupos que perdiam as eleições rebelavam-se e tentavam tomar o poder a força. Contudo, todas defendiam o trono do Príncipe Imperial Pedro (Pedro II), tais como:
- Cabanagem (1835-40),
- Sabinada (1837-38),
- Balaiada (1838-41), apesar de algumas terem declarado a secessão das províncias como repúblicas independentes (enquanto Pedro II fosse menor).

Em 07 de abril de 1835, nas eleições para a primeira regência una, saiu-se vencedor o Padre Diogo Antônio Feijó, antigo ministro da justiça da Regência Trina Permanente, e um dos líderes da facção progressista.

Em outubro de 1835, o regente Feijó assumiu, a situação do país era extremamente delicada.

- A exceção coube a Revolução Farroupilha (ou Guerra dos Farrapos, 1835-45), que iniciou-se como mais uma disputa entre grupos políticos na província de Rio Grande do Sul, mas logo evoluiu para uma rebelião separatista financiada pelo ditador Dom Manuel Rosas.


 Lanceiro Negro

 Tropas Farrapas

- Entretanto, a maior parte da população da Província do Rio Grande de São Pedro, assim como as maiores e mais prósperas cidades, permaneceu "mui leal" ao Império.

Em 1837, com o avanço dos cabanos no Pará e dos farrapos no Sul, o Padre Feijó pediu à Câmara dos Deputados que aprovasse a elevação dos efetivos militares do governo, a fim de sufocar os movimentos. Seu pedido não foi aprovado, e o regente, diante da impossibilidade de exercer o cargo, acabou por renunciar.

- Araújo Lima líder da facção regressista e presidente da Câmara dos Deputados assumiu provisoriamente a regência.
Com a regência de Araújo Lima embora interina, sobe ao poder o Partido Conservador.

Em 1838, na eleição para a escolha do novo regente, saiu-se vitorioso o próprio Araújo Lima, devendo o seu mandato prolongar-se até 1842.

- Entretanto, toda a habilidade do líder conservador não foi suficiente para abafar a Revolução Farroupilha, nem mesmo para evitar uma série de revoltas surgidas em todo o país, destacando-se, principalmente, a Sabinada e a Balaiada.
A primeira, ao lado da Cabanagem no Pará, foi debelada ainda em seu governo.

- Por mais esforços que fizessem, os homens públicos do Brasil não encontravam a fórmula da conciliação.
D. Pedro II só poderia ser declarado maior ao atingir 18 anos de idade.
A Regência, por sua vez, mesmo com o nome de permanente, seria um posto ambicionado e, portanto, motivadora de intermináveis conflitos.

O Partido Liberal, imediatamente, começou a se movimentar para arranjar uma solução política para a Nação, e que, ao mesmo tempo, o colocasse novamente no poder.

Em abril de 1840, por proposta do senador José Martiniano de Alencar, pai do romancista José de Alencar, foi criada a Sociedade Promotora da Maioridade, originalmente uma sociedade secreta que logo se tornou pública, passando a se chamar apenas Clube da Maioridade.
Antônio Carlos de Andrada foi escolhido presidente, aproximando-se cada vez mais dos palacianos.

Usando de atitudes demagógicas, Antônio Carlos de Andrada levou a campanha para as ruas, levando o povo a apoiar o projeto.
Valendo-se do momento oportuno, conseguiu assumir a liderança da massa que se dirigiu ao Senado, aclamando a Maioridade.
A pressão popular, liderada pela vanguarda liberal, foi tão grande e os seus resultados poderiam ser imprevisíveis.

Em 23 de julho de 1840, D. Pedro foi emancipado. O futuro imperador do Brasil contava apenas com 15 anos de idade.rande do Sul, mas logo evoluiu para uma rebelião separatista financiada pelo ditador Dom Manuel Rosas.

Amigos de Pedro
Por ser um homem naturalmente tímido e avesso a intimidades, o monarca possuía poucos e sinceros amigos.
Um deles era Rafael, negro e veterano da Guerra da Cisplatina e trabalhava no Paço como seu criado particular (e fora homem de confiança de D. Pedro I). Tendo tido uma infância solitária e triste, um dos atenuantes para Pedro II foi o carinho recebido por parte de Rafael, que servira de certa forma como um pai que o pequeno Bragança não tivera. A amizade de ambos viria a perdurar até o fim do regime monárquico e Rafael inclusive o acompanhou em uma de suas viagens ao exterior (Rafael, então um octagenário, viria a falecer em 15 de novembro de 1889, ao saber que Dom Pedro II seria exilado).
Também são conhecidas suas relações com o veterano da guerra do Paraguai, Cândido da Fonseca Galvão, figura quase folclórica no Rio de Janeiro, líder da comunidade de negros livres da cidade, conhecido como Dom Obá II, da África.

Cândido da Fonseca Galvão ou dom Obá II d´África

O engenheiro André Rebouças, também negro, tinha grande trânsito junto à Família Imperial, e, após a proclamação da República, auto exilou-se em solidariedade.

André Rebouças


O Jovem
Após o passeio vespertino, o imperador lia. A princípio pequenos contos; à medida que ganhava forças físicas e intelectuais, recebia permissão para dedicar-se a leituras mais profundas.
Seu dia se encerrava às 22 horas após a ceia e as orações da noite.

Pedro II aos 12 anos - 1837

Maioridade
O período regencial, antes do início do reinado de Dom Pedro II, foi o período mais problemático na história do Brasil. Diversas rebeliões e tentativas de secessão ocorreram, e apesar do sucesso que o governo regencial fora capaz de obter debelando-as, para muitos, inclusive para o povo brasileiro, a única forma de pôr fim definitivo ao caos e restaurar a ordem seria declarando Dom Pedro II maior de idade antes do tempo.


Pedro aos 14 anos

- Os liberais começaram a luta pela maioridade do imperador, movimento chamado de “Maiorista” encontrou apoio na opinião pública.

Em 21 de julho de 1840, Antônio Carlos de Andrada , irmão de José Bonifácio, apresentou para discussão um projeto lacônico: - “O Sr. Pedro II é declarado maior desde já”.
Os conservadores adiaram as sessões da Assembléia, tentando impedir que o projeto de Antônio Carlos de Andrada  fosse votado.
A Regência não acreditava que um rapaz de apenas catorze anos de idade pudesse obter sucesso onde os mais experientes governantes fracassaram, apesar de toda a educação que recebeu.

De acordo com o historiador Roderick J. Barman,


"eles haviam perdido toda a fé em sua habilidade para governar o país por si só. Eles aceitaram Pedro II como uma figura de autoridade cuja presença era indispensável a sobrevivência do país." O povo brasileiro também apoiava a diminuição da maioridade, e consideravam Pedro II "o símbolo vivo da união da pátria"; esta posição "deu a ele, aos olhos do público, uma autoridade maior do que a de qualquer regente."

- Uma demonstração clara do desejo de tornar imperador maior de idade foi o surgimento de uma quadrinha popular cantada pela população da cidade do Rio de Janeiro nessa época:
"Queremos Pedro II
Embora não tenha idade!
A Nação dispensa a lei
E viva a Maioridade!"
O povo reuniu-se no Campo de Santana, comandado pelos líderes liberais. Na confusão completa, os partidos não sabiam o que fazer.

Em 22 de julho de 1840, o regente, Araújo Lima, se viu sem opção a não ser aceitar o império das circunstâncias e se dirigiu ao Paço Imperial; a rotina do Príncipe Pedro foi interrompida. Uma comissão composta por membros de ambas às facções queria falar-lhe. Haviam resolvido submeter à questão ao jovem monarca onde explicou a Dom Pedro:

- A situação crítica pelo qual o país passava e perguntou quando desejava ele assumir o Governo do Império brasileiro?


Ele respondeu timidamente que "sim" quando perguntado se desejaria que a maioridade fosse diminuida, e "já" quando indagado se desejaria que viesse a ter efeito naquele momento ou preferiria esperar até o seu aniversário em dezembro. 

- Pela primeira vez em quase quinze anos perguntavam-lhe alguma coisa, queriam que ele decidisse uma questão pública. 

Nota:
Diz-se que o jovem Príncipe teria respondido de forma direta e curta:
"Quero já!"
- No entanto, tratava-se de uma invenção dos maioristas para tornar o ato simbólico e deixar claro aos brasileiros que o adolescente estava preparado para assumir o seu devido lugar. Dom Pedro de fato não proferiu tal frase, tão distante do seu caráter retraído e tímido. Limitou-se a pedir a opinião do regente e então aceitou a proposta. Posteriormente viria a negar diversas vezes ter dito a famosa frase e muito menos de ter sido partícipe do plano dos deputados maioristas.

No dia seguinte, em 23 de julho de 1840, a Assembléia Geral (o parlamento brasileiro) declarou formalmente Pedro II maior aos 14 anos de idade.

Lá, a tarde, o jovem Príncipe prestou o juramento de ascensão. 

A Pergunta - 1839

Aclamação
A decretação oficial da maioridade do monarca foi recebida com enorme alegria pelo povo brasileiro. 
Pela segunda vez (a primeira, quando seu pai abdicou), o Príncipe Imperial D. Pedro foi aclamado por cerca de 8 mil pessoas que se reuniram no Paço da Cidade para saudá-lo.
Começava o Segundo Reinado.

Em 02 de dezembro de 1840, no “dia de seu aniversário”, alguns meses após ser declarado maior de idade e sob grande manifestação popular ocorrem grandes eventos por todo o país com direito a festas e cortejos.O mesmo ocorre no primeiro ano de “aniversário da Maioridade”. O Imperador registrou em seu diário:
- "Quanto me custa um cortejo, como mói! - Mas ele é sinal de gratidão de meus amados súditos. Devo recebê-lo com boa cara."

Sagração  
Em 18 de julho de 1841, foram marcadas a sagração e coroação de D. Pedro II.
A cidade do Rio de Janeiro foi cuidadosamente embelezada para a cerimônia.


Coroação 



Coroa e Cetro Imperial, símbolos da Monarquia no Brasil.

Coroas dos Imperadores D. Pedro I e D. Pedro I

À esquerda: - Primeira coroa do primeiro imperador do Brasil, D. Pedro I.
Está desmontada, para efeito da elaboração da coroa do segundo imperador do Brasil.

Á direita: - A coroa de D. Pedro II.
Pedras preciosas e outros adereços foram retiradas da primeira coroa para a montagem da segunda, por falta de recursos à época.


Brasão de Imperador do Brasil
1831-1889

O Imperador D. Pedro II  
foi Aclamado,Coroado e Consagrado
D. Pedro II, empereuer du Brésil
Imagem oficial do monarca, em seus indisfarçáveis dezesseis anos, distribuída por jornais do Brasil e do mundo.


Em 24 de julho de 1841, as festas encerraram, depois de muitos dias, com um grande baile de gala no Paço da Cidade.

Imperador do Brasil
Foi colocado no trono aos 15 anos, um jovem louro, alto e de olhos azuis. Os políticos disputavam o poder, ferozmente, achando que seria fácil dominá-lo.

D. Pedro II - 1842

- A princípio, seu governo representou o triunfo do Partido Liberal sobre o Conservador, mas, um ano depois, este voltou à carga, com medidas reacionárias que deixaram clara sua disposição de retomar a cúpula do poder — com a criação do Conselho de Estado e a reforma do código de processo criminal — e que suscitaram a Revolução Liberal de 1842, circunscrita a Minas Gerais e São Paulo.

Consolidação
O fim da regencia facciosa estabilizou o governo. Com um legítimo monarca no trono, a autoridade foi revestida numa única e clara voz. Pedro II percebia o seu papel como o de um árbitro, mantendo seus conceitos pessoais de lado para não afetarem o seu dever de desemaranhar disputas políticas partidárias.

O jovem monarca era dedicado, realizando inspeções diárias pessoais e visitas a repartições públicas. Seus súditos eram impressionados com a sua aparente auto-confiança, apesar de que sua timidez e falta de desenvoltura eram vistas como defeitos.

Seu jeito reservado de falar apenas uma ou duas palavras a cada vez tornavam conversações diretas extremamente difíceis. Sua natureza taciturna era manifestação de uma prevenção quanto a relações próximas que tinha origem nas experiências de abandono, intriga e traição que vivenciou na infância.

Facção Áulica 
Por trás das cenas, um grupo de servos palacianos de alto nível e notáveis políticos tornou-se conhecido como "Facção Áulica" (e também "Clube da Joana") por estabelecerem influência sobre o jovem Imperador—e algum eram de fato próximos, como Mariana de Verna.

Pedro II foi usado com maestria pelos áulicos para eliminar seus inimigos (reais ou imaginários) através da remoção de seus rivais. Acesso a pessoa do monarca por políticos rivais e as informações que este recebia eram cuidadosamente controladas.

Uma rodada contínua de negócios de governos, estudos, eventos e aparições pessoais, utilizadas como distrações, mantiveram o Imperador ocupado, isolando-o efetivamente e impedindo-o de perceber a extensão do quanto estava sendo explorado.

O Segundo Reinado
Contrastando com o período conturbado da Regência, seu reinado foi de paz interna, uma vez encerrada a Guerra dos Farrapos, que se iniciara em 1835, e vencidas a Revolução Liberal de 1842 em São Paulo e Minas Gerais, a Praiana em 1848 de Pernambuco. Introduziram-se novas instituições, invenções e apoiou-se a cultura, foi o seu aprendizado político.

Bandeira do Império do Brasil

- A princípio deixou-se envolver pela facção áulica, composta pelos freqüentadores da Corte, que se insinuavam nas preferências reais.
Mas aos poucos Pedro II enfronhava-se nas lutas partidárias, conhecia os meandros da administração e os áulicos iam sendo afastados.
Aplicava-se inteiramente aos negócios de Estado, levantando-se às 6 horas da manhã. Procurava-se manter-se acima dos partidos, exercendo a risca as funções que a Constituição lhe atribuía, como o poder “moderador”.

- Aos poucos, o País se pacificava, a monarquia constitucional e a unidade das províncias tornavam-se sólidas e indiscutíveis.

- Sua administração foi marcada por transformações de ordem social e econômica, decisivas para a história do país, tais como a Guerra do Paraguai e a Abolição da Escravidão.
No governo de Pedro II prevaleceu a tentativa freqüente de manter o poder e a ordem frente à crise social, agravada a partir de meados do século XIX, quando passou a enfrentar o descontentamento de grupos sociais oposicionistas que pregavam a derrocada da monarquia.

- Desejava tornar o Brasil uma nação representativa internacionalmente no cenário político e cultural.
Pedro II deu ao Brasil 49 anos de paz interna, prosperidade e progresso. Durante o seu reinado foi aberta a primeira estrada de rodagem, a União e Indústria; correu a primeira locomotiva a vapor; foi instalado o cabo submarino; inaugurado o telefone e instituído o selo postal.

A partir de 1887, quando sua diabetes se agravou, acarretando outros problemas de saúde, D. Pedro II afastou-se aos poucos do poder.

- Em determinado momento, seu governo entrou em conflito com os elementos mais conservadores da sociedade. Naquela época, as forças sociais mais importantes e que davam sustentação ao Império eram a aristocracia rural, formada pelos senhores de escravos, o Exército e a Igreja.

- As dificuldades da economia, agravadas com os gastos decorrentes da Guerra do Paraguai e, principalmente, a abolição da escravatura, colocaram a aristocracia rural contra o Imperador.

As forças liberais que o apoiavam passaram a achar que ele já estava velho e ultrapassado, e que não era mais capaz de promover rapidamente as reformas que o país almejava.

- Deposto, foi prisioneiro do Paço da Cidade, para onde viera, descendo de Petrópolis, na esperança de sufocar o movimento republicano.
O governo provisório deu-lhe 24 horas para deixar o país, e assim o fez, deixou o país e foi com a Família para Portugal (17/11/1889), chegando a Lisboa - Portugal em 07 de dezembro e seguindo para a cidade do Porto, onde a Imperatriz D. Teresa Cristina morre de desgosto no dia 28 de dezembro de 1889.

O Imperador Magnânimo e Mecenas ao cabo de proveitoso reinado, recebe a República como um movimento natural da evolução brasileira, deixando a pátria estremecida, formulando “ardentes votos por sua grandeza e prosperidade”.

O Casamento Arranjado
Preocupados com a taciturnidade e imaturidade do Imperador, os áulicos acreditavam que um casamento poderia melhorar o seu comportamento e sua personalidade.

O jovem imperador teve de enfrentar desde cedo o próprio casamento. Convinha que ele assegurasse a secessão do trono, e Bento da Silva Lisboa (filho do Visconde de Cairú) foi enviado à Europa, com a missão de encontra uma noiva para o monarca.

Enviaram-se emissários para a Europa com resultados pouco satisfatórios.
A tarefa não foi fácil. Consultada a casa real da Áustria não quis enviar nenhuma de suas princesas, pois tinham as lembranças das desventuras de Dona Leopoldina da Áustria.

Na década de 1840, poucas princesas européias estavam dispostas a se arriscar numa enorme viagem rumo ao Hemisfério Sul.
A primeira questão foi a da sucessão, pois as leis da sucessão davam o trono a uma mulher apenas na ausência de filho varão.

Conseguiu-se afinal uma prima distante, do ramo napolitano da Casa Real Espanhola, onde reinavam como reis das Duas Sicílias.
O bisavô de Pedro II, Carlos IV da Espanha, era irmão de Fernando I das Duas Sicílias, avô da Princesa Theresa Cristina que se dispôs a se tornar imperatriz¸ quase quatro anos mais velha que seu futuro marido.
A circunstância de ser a noiva mais velha que ele o assustava, mas tinha a esperança de que Theresa Cristina “se parecesse com sua irmã Januária”.

Princesa Tereza Cristina
Obra de José Correia Lima (1814-1857)

- Segundo é dito, este foi o retrato recebido por Dom Pedro II quando já se acertara seu casamento com a princesa das duas Sicilias.
A futura imperatriz do Brasil já porta uma esfinge do imperador em seu peito, bem como ao fundo da imagem nota-se a Cidade de Nápoles e o vulcão Vesúvio em plena erupção.

Casamento por Procuração
- O casamento para D. Pedro II não era simplesmente um arranjo político, através dele, o imperador esperava uma companheira que quebrasse a rotina solitária que lhe haviam imposto desde a infância.

Em 30 de maio de 1843, a cerimônia foi realizada na Capela Real Palatina, em Nápoles, D. Pedro II se casou por procuração.

Casamento por procuração da Princesa Tereza Cristina - Sicília
Obra de Alessandro Cicarelli -1846

Em 03 de setembro de 1843, a Princesa Theresa Cristina chegava ao Brasil na fragata “Constituição”.

Desembarcava no Rio de Janeiro. Dom Pedro a esperava no porto.

A Decepção 
Viu descer do navio uma moça de traços comuns, apagados, andando com dificuldade. Sabia não ter atrativos, era tímida, o rosto triste. Não correspondia a descrição que dela tinham feito.

Ao vê-la pessoalmente o Imperador aparentou estar claramente decepcionado. A pintura que havia recebido era claramente uma idealização; a Theresa Cristina real era baixa, um pouco acima do peso, coxa e apesar de não ser feia, também não era bonita. Ele fez pouco para esconder sua desilusão.

Um observador afirmou que ele deu às costas a Theresa Cristina, outro disse que ele estava tão chocado que precisou sentar, e é possível que ambos tenham ocorrido.

Naquela noite Pedro II chorou e reclamou para Dna Mariana de Verna:

- Enganaram-me, “Dadama”, enganaram-me.

Foram necessárias horas para convencê-lo de que o dever exigia que ele seguisse em frente com o matrimônio.

Em 05 setembro de 1843, no dia seguinte, uma celebração nupcial, com a ratificação dos votos tomados por procuração e o conferimento de uma benção nupcial.

O imperador casou-se com a princesa Theresa Cristina Maria, após outras negociações mal sucedidas junto às cortes da Áustria, Espanha e Rússia.

D. Tereza Cristina
Obra de Vitor Meireles

Casamento no Brasil 
Em 04 de setembro de 1843, no Rio de Janeiro, Dom Pedro se casa com Theresa Cristina Maria de Bourbon-Duas Sicílias, após outras negociações mal sucedidas junto às cortes da Áustria, Espanha e Rússia. 

D. Pedro II e D. Tereza Cristina no casamento

Dona Theresa Cristina
D. Theresa Cristina, nascida em Nápoles em 14 de março de 1822 e morta em 28 de dezembro de 1889 no Porto - Portugal, estando sepultada em Petrópolis, no Brasil, desde 1925.
Era filha caçula de Francisco, Duque da Calábria, futuro Francisco I das Duas Sicílias (1777-1830) e de sua segunda esposa Maria Isabel de Bourbon, quinta filha de Carlos IV Rei da Espanha, portanto, irmã de Carlota Joaquina de Bourbon.

D. Theresa Cristina trouxe um dote de dois milhões de francos.
Tiveram quatro filhos.

D. Tereza Cristina

- Dom Pedro cometera uma injustiça com Dona Teresa Cristina. Faltava-lhe beleza, mas sobravam-lhe candura e bondade de caráter.
Embora o impacto inicial predomine por muito tempo, acabaram por viverem juntos por 46 anos, até a morte da imperatriz.

Filhos 
O casal teve quatro filhos, todos nascidos antes da metade do século. Um ano depois de casado, eram pais de Afonso, nascido em 1845 (achado morto no berço em 1847, sem razão aparente).

Em 1845, nasce seu filho primogênito Dom Afonso, Principe Imperial, e morre em 1847 no Rio de Janeiro.

Em 29 de julho de 1846, às 18h26min da tarde, nascia Dona Isabel (Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança), morre em 1921 na França.
D. Isabel viria a ser a primeira e única mulher que governou o Brasil até o século XXI.

Princesas Isabel e Leopoldina

Em 1847, nasce sua segunda filha Dona Leopoldina Tereza, nasce em 1847.

D. Leopoldina - 1851

Em 1848, nasce seu segundo filho Dom Pedro Afonso, agora como Principe Imperial, morre em janeiro de 1850 no Rio de Janeiro.

Depois de perder o segundo filho, o casal viu que não mais poderia ter outros.
O imperador resignou-se e fez da filha primogênita, D. Isabel a Princesa Imperial, herdeira oficial.

Família Imperial - 1857

Isabel e Leopoldina - 1855

Princesas Isabel e Leopoldina - 1865


A Corte
D. Pedro reinava, sobre uma corte de poucas festas, trabalhadora, séria, “austera”.
Aboliu gradualmente muitas cerimônias que antes mostravam pompa, abriu a Família Imperial ao contato mais próximo com seus súditos.

Beija-mão
Obra de Debret

O “beija-mão”, porém, perdurou por muito tempo, apesar do cerimonial já abolido em outros países.
D. Pedro II era tido, sobretudo no exterior, como “governante liberal”.


Vida Doméstica da Familia Imperial
O casamento de Pedro II e Theresa Cristina começou mal. Com maturidade, paciência, e o nascimento de seu primeiro filho, Afonso, o relacionamento melhorou. Mais tarde Theresa Cristina teve outros três filhos: Isabel, em 1846; Leopoldina, em 1847; e por último, Pedro, em 1848.
Contudo, ambos os meninos morreram na infância, o que devastou o Imperador. Além de sofrer como pai, sua visão do futuro do Império mudou completamente.

Apesar de sua afeição por suas filhas, ele não acreditava que a Princesa Isabel, apesar de sua herdeira, teria qualquer chance real de prosperar no trono. Ele acreditava que o seu sucessor precisava ser um homem para que a monarquia fosse viável. Ele passou cada vez mais a enxergar o sistema imperial como inexorávelmente preso a si, que não sobreviveria a sua morte.
Isabel e sua irmã Leopoldina receberam uma educação excepcional, apesar de não terem sido preparadas para governar sobre a nação. Pedro II excluía deliberadamente Isabel da participação nos negócios e decisões de governo.

Por volta de 1850, Pedro II começou a ter casos discretos com outras mulheres. A mais famosa e duradoura dessas relações envolveu Luísa Margarida de Barros Portugal, Condessa de Barral, com quem ele formou uma relação de amizade romântica e íntima, mas não adúltera, depois que a nomeou aia de suas filhas em novembro de 1856. Por toda a sua vida, o
Imperador manteve a esperança de encontrar a sua alma gêmea, algo que ele sentia ter sido roubado de si ao ser obrigado a casar por razões de Estado com uma mulher pelo qual ele nunca teve paixão.

Isto é apenas um dos exemplos que ilustram a dupla personalidade do Imperador: uma que era "Dom Pedro II", que levava com afinco o seu dever no papel de Imperador que o destino havia lhe imposto, e outra que era "Pedro de Alcântara", que considerava o cargo imperial um fardo ingrato e que estava mais feliz nos mundos da literatura e da ciência.

Pedro II era o que atualmente se considera um trabalhador compulsivo, e sua rotina era exigente. Ele normalmente acordava a sete da manhã e não dormia antes das duas da madrugada do dia seguinte. Seu dia inteiro era reservado aos negócios de Estado e o pouco tempo livre disponível era gasto lendo e estudando.

O Imperador vestia diariamente uma simples casaca, calça e gravata pretas. Para ocasiões especiais ele usava o uniforme de gala e só aparecia vestido com o manto imperial e portando a coroa e cetro duas vezes ao ano na abertura e encerramento da Assembléia Geral.

Pedro II obrigava políticos e funcionários públicos a seguirem seus exemplos de padrões exigentes. O Imperador exigia que os políticos trabalhassem oito horas por dia e adotou uma política exigente de seleção de funcionários públicos baseada na moralidade e mérito. Para estabelecer o padrão, ele vivia de forma simples.

Ele também recusou as reiteradas propostas para aumentarem o valor de sua lista civil (Rs 800:000$000 por ano, ou cerca de $405,000 ou £90,000 em 1840) desde 1840, quando representava 3% dos gastos públicos, até 1889, quando havia caído para 0,5%.

Ele recusava luxo, uma vez explicando:

"Também entendo que despesa inútil é furto a Nação".

Segundo Reinado – Seu Governo
Em 1845, no final da Guerra dos Farrapos, os liberais dominaram a situação, mas os conservadores logo reconquistaram a liderança e, em conseqüência de sua atuação, deflagrou-se a insurreição Praieira de 1848, em Pernambuco.

- Bailes e eventos de corte cessaram após 1852. 

- Dom Pedro com 23 anos e já pai de Afonso, Isabel, Leopoldina e Pedro, o imperador não era mais um mero observador dos acontecimentos: - começara um amplo trabalho de conciliação política apartidária, nas nomeações dos integrantes do Conselho de Estado e dos presidentes de província.

D. Pedro aos 24 anos - 1849

Em 1850, Dom Pedro ainda não completara 25 anos, mas seu Império já estava consolidado e suas concepções políticas amadurecidas.

D. Pedro aos 25 anos - 1850

Encarnou esse espírito conciliador Honório Hermeto Carneiro Leão, mais tarde Marquês de Paraná, que dobrou a resistência do Partido Conservador.

Honório Hermeto Carneiro Leão

- Tal comportamento político propiciou, na década de 1860, a criação da “Liga Progressista”, que cindiu a ala conservadora e permitiu a Zacarias de Góis e Vasconcelos, à frente do Conselho de Ministros e realizar importantes reformas no final do período.

Zacarias de Góis e Vasconcelos

- Imperador Constitucional
Mesmo com o poder moderador que a Constituição lhe atribuía, essa perspectiva não seduziu Pedro II. Manteve-se fiel ao espírito da lei, desligado dos partidos, intervindo como árbitro nas questões mais críticas. Optou, sempre, pela moderação.
Ambos os partidos políticos do Império representavam a aristocracia rural e possuíam programas semelhantes.
O imperador desempenhava suas funções constitucionais com firmeza, mas sem se deixar levar pela paixão. Mesmo quando a oposição (qualquer que fosse) se empenhava em atacá-lo pessoalmente.

D. Pedro II

- A Escravidão
Sua visão quanto à “escravidão” e a própria condição do “negro” no mundo moderno fora afetada por sua criação. E assim percebera, não só como apreciador da ciência, mas também como cristão e governante, o grave erro que seria manter o regime escravocrata no Brasil.

Em 04 de setembro de 1850, seu esforço revelou-se frutífero e foi promulgada uma lei que tornou o “Tráfico de Escravos ilegal no Brasil”.
Entretanto, sabia perfeitamente que seria impossível abolir a escravidão de uma forma simples e direta, pois acreditava que tal ato viria a causar uma guerra civil semelhante a que ocorreu nos EUA em 1860 e desestabilizaria irremediavelmente a economia brasileira, levando o país ao colapso.
Dessa forma, Dom Pedro realizou um projeto de extinguir a escravidão por etapas, a iniciar por uma iniciativa pessoal sua, que ao ser declarado maior de idade recebeu como parte de sua herança pouco mais de quarenta escravos e mandou libertar todos.

No início da década de 1860, o monarca manifestou o seu interesse em levar a cabo o seu projeto de abolição gradual da escravidão, pois obtivera sucesso em eliminar a principal fonte de novos escravos: a importação.
Agora desejava extinguir outra fonte: - “o nascimento de novos escravos”.
E deixou claro em carta:
- “A emancipação dos escravos, conseqüência necessária da abolição do tráfico (negreiro), não é senão uma questão de forma e de oportunidade. Quando as circunstâncias penosas (referia-se à Guerra do Paraguai) em que se encontra o país o permitirem, o Governo Brasileiro considerará objeto de primeira importância a realização daquilo que o espírito do Cristianismo há muito reclama do mundo civilizado.”

Senhor e seus Escravos

De fato, a sua vontade de libertar os nascituros não fora proveniente do conflito contra o Paraguai, e sim grandemente retardada pelo mesmo.

Há medida que os cafezais se estenderam para o Oeste paulista (na direção de Campinas), os altos rendimentos das novas terras e a dificuldade crescente de mão-de-obra escrava levaram os fazendeiros a utilizar desde o início do trabalho livre na lavoura. O próprio Governo paulista passou a incentivar a imigração dos colonos.
Assim, enquanto a grande lavoura tradicional do café, algodão e açúcar resistia às transformações, no Oeste paulista os novos cafeicultores eram a favor à abolição.
A existência do Império, com um poder central forte, também lhes parecia prejudicial, impedindo uma influência política à altura do seu crescente poderio econômico. Por isso, propunham um sistema federativo que desse grande autonomia às províncias.
Mas, de modo geral, as cidades foram o foco da agitação abolicionista. Aliás, o movimento pela emancipação dos escravos foi fenômeno essencialmente urbano, mesmo quando se estendeu as senzalas. O desenvolvimento das vias férreas, o aparecimento das primeiras empresas industriais, companhias de seguros e organismos de crédito, o incremento do comércio varejista e o aumento das funções públicas, criaram, nas cidades, setores da população com interesses distintos da agricultura escravocrata. Dessas novas camadas saíram às principais panfletários da Abolição e da República.
A emergência das novas forças políticas foi acompanhada pelo declínio da organização imperial.

Revelou sua idéia publicamente na “Fala do Trono” de 1866, sendo duramente atacado não só pelos políticos, mas também pela sociedade em geral, que alegavam que tal ato seria um “suicídio nacional” como recordaria mais tarde Joaquim Nabuco.

Em 18 de setembro de 1871, mais uma vez logrou sucesso e, terminado o conflito, uma nova lei foi promulgada concedendo “liberdade a todos os filhos nascidos de escravas” a partir daquela data, coube a Princesa Isabel assinar a nova lei.
Com estas duas medidas foram às aspirações dos políticos liberais, mas o trono começou a perder o apoio dos fazendeiros mais tradicionais.
Seu próximo projeto foi à libertação dos escravos sexagenários: - “tal idéia não fora concebida tendo em vista uma emancipação ampla, mas sim, concluir um trabalho longo que iniciara com a extinção do tráfico”.
Não havendo mais escravos a nascer, e os idosos sendo libertados, seria questão de tempo até que a escravidão deixasse de existir em território nacional, ao mesmo tempo em que não abalaria a economia e permitiria aos agricultores buscarem formas alternativas de mão-de-obra.
Em 1882, a nação recebera com desdém o Decreto que libertava os escravos de mais de sessenta anos. Queria-se a liberdade total, sem mais demora.

Entre 1880 a 1885, revezaram-se sete ministérios e nenhum conseguiu resolver por interesses próprios o problema servil.
A questão servil não se restringia mais aos círculos político-partidários. O povo participava ativamente e a agitação cresceu quando os próprios escravos começaram e fugir em massa das fazendas.
O Exército recusava-se a caçar os escravos fugidos.

Em 28 de setembro de 1885, fora o Imperador quem escolheu Manuel Dantas e em seguida, após a queda deste, Antônio Saraiva, que conseguiu promulgar a Lei dos Sexagenários.

Em 1886, os militares incompatibilizaram-se com vários parlamentares depois de uma discussão sobre a disciplina e os deveres militares.

- Liberdade, Liberdade
Em 1888, a Princesa Isabel, uma abolicionista, pressionada por uma oligarquia latifundiária forte, demitiu o gabinete do Barão de Cotegipe e seu sucessor, João Alfredo, preparou o Decreto que abolia a escravidão no Brasil.

Assinatura por Sua Alteza Real Princesa Isabel "Regente do Império" 
 Lei Áurea - 15h15min de 13 de Maio de 1888

A Princesa Isabel assinou consciente de estar incompatibilizando o trono com os fazendeiros escravocratas.

Lai - Áurea - 15 de Maio de 1888

13 de Maio de 1888 - Paço Imperial

Missa em Ação de Graças pela abolição
Realizada 03 dias depois de promulgada a Lei Áurea
(vê-se a Princesa Isabel e o Conde D'Eu ao fundo)
Rio de Janeiro - 16 de Maio de 1888

 Missa campal de Ação de Graças
Reúne a Princesa Isabel
Junto a vinte mil pessoas que celebram a Abolição
Rio de Janeiro - 17 de Maio de 1888.

Dom Pedro II não teve participação na promulgação da “Lei Áurea” ocorrida três anos depois por sua filha e herdeira, Dona Isabel, por estar em viagem a Europa. Mas ao ouvir a notícia da extinção completa da escravidão em solo brasileiro, um sonho alentado desde sua juventude, proferiu emocionado em seu leito de enfermo:
"Grande Povo! Grande Povo!”

Quando Dom Pedro, regressou ao Brasil, o fato estava consumado.

"Mesmo assim, tornou-se a figura mais popular do país com a abolição”.

O historiador Heitor Lyra em sua biografia acerca do imperador, “História de Dom Pedro II”, V.3, asseverou:
- “O inspirador da campanha (abolicionista), o estrategista dela, a alma do movimento, aquele que buscara o general (Presidente do Conselho de Ministros) e o colocara na frente das hostes (Assembléia Geral), que lhe armara o braço e o prestigiara na avançada, com uma decisão sempre firme, constante, fiel, - fora o Imperador.”

D. Pedro II - 1888

O papel de protagonista de Dom Pedro II na campanha abolicionista seria com o passar do tempo, praticamente esquecido em prol de sua filha mais velha, sendo o monarca relegado ao papel de coadjuvante, se não de um mero espectador dos acontecimentos.
A tolerância do Imperador não se restringia somente aos “Negros”, mas também aos “Muçulmanos”, pois acreditava que a paz mundial seria sempre uma utopia, enquanto não se estabelecesse uma sincera conciliação entre o Ocidente e o Oriente.
O mesmo se estendia aos “Judeus”, outro povo perseguido no mundo, como na vez em que respondeu ao seu amigo Gobineau a razão de não existir leis no Brasil contra os mesmos:
- “Não combaterei os judeus, pois de sua raça nasceu o Deus da minha religião.”

- Liberdade de Expressão no Brasil
Durante o Império nunca o Brasil desfrutou de tanta liberdade de expressão quanto no Segundo Reinado. Até mesmo injúrias ao monarca eram publicadas, não admitindo ele que fossem punidas ou que os jornais que as divulgavam fossem processados ou fechados. Com efeito, no Brasil republicano proíbe-se o anonimato nos órgãos de imprensa, que era aceito no período imperial.



O Imperador defendia a liberdade de imprensa por convicção e não por conveniência.

- Liberdade do Império com o Republicanismo
Em dezembro de 1870, o republicanismo como movimento constante surgiu no Brasil no Rio de Janeiro com o lançamento de um manifesto assinado por 57 pessoas e a criação do Clube Republicano. Era uma “minoria insignificante de letrados”.
Não constava no manifesto qualquer repúdio ou desejo de extinção da escravidão.

Convenção de Itu - 1870
Foi redigido o Manifesto Republicano
Imagem: Grandes Personagens da Nossa História, Editora Abril Cultural, São Paulo/SP,
1973, volume III, página 662

O Partido Republicano Paulista em São Paulo, que afirmava que a escravidão deveria ser tratada pelos partidos monarquistas. Boa parte dos republicanos paulistas eram fazendeiros proprietários de escravos. 

Nota:
Quase 20 anos antes do advento da República, os ideais republicanos já fermentavam na sociedade brasileira.
Foi assim que a partir da Convenção de Itu, realizada em 1870 na cidade de Itu, no interior paulista - e do Manifesto Republicano então redigido.
Em 16 de abril de 1873 surgiu em Itu o Partido Republicano Paulista (PRP), com o objetivo de reunir a elite agrária em torno do projeto republicano.
Com sucesso: dos 133 convencionais presentes no primeiro encontro, 78 eram fazendeiros, 12 eram negociantes, dez eram advogados e oito eram médicos.

A maior parte dos republicanos tinha por objetivo esperar a morte de Pedro II e por meios pacíficos (como um plebiscito, por exemplo), impedir o reinado da Princesa Isabel.
Os republicanos não desejavam qualquer “reajuste social” (como melhorar a condição de vida dos ex-escravos) e não “eram revolucionários no sentido profundo do termo”. O movimento republicano “teve evolução lenta e irregular, concentrado nas províncias ao sul da Bahia”, mais precisamente nas províncias de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Era “um grupo extremamente reduzido”, com “precária a organização nas províncias” e “nenhuma coesão, sem a menor sombra de ligação”.
O único grupo republicano que possuía alguma notoriedade era o Partido Republicano Paulista, que conseguiu eleger apenas dois deputados gerais em 1884 e nenhum na última legislatura do Império em 1889.

Na década de 1880, “angariou simpatizantes em número menor que o abolicionismo, e num ritmo mais lento”.

Em 1888, seu número aumentou, com a adesão de fazendeiros donos de escravos que se sentiram injustiçados pela extinção da escravidão sem qualquer tipo de indenização.

Em 1899, ainda assim, os “republicanos declarados eram provavelmente uma pequena minoria”.

Caricatura feita por Angelo Agostini ridicularizando o desinteresse de Dom Pedro II pela política.

Como “os próprios republicanos reconheciam, o partido não tinha tamanho, organização e apoio popular suficientes para derrubar o regime monárquico”. O republicanismo “não chegou, em tempo algum de seu desenvolvimento, a galvanizar a alma nacional. Jamais teve o condão de provocar um entusiasmo forte e de arregimentar todas as forças que se divorciavam do trono”.
Mesmo com uma propaganda radical e com a pouca interferência das autoridades, o Partido Republicano que atuava desde 1870 era pequeno. Sua propaganda louvava repúblicas como os Estados Unidos, a França e Argentina, mas convenientemente ignoravam monarquias progressistas como o Reino Unido, Espanha e as nações escandinavas.

Em 1889, seus membros eram alguns “discursadores de praça pública e escrevinhadores de jornais. Estava longe de poder desenvolver uma propaganda que pudesse abalar, os alicerces do trono”. No “processo político do segundo império, o partido republicano tem um papel tão apagado e tão secundário que poderia mesmo ser esquecido, que não se alteraria a ordem de raciocínios em que se pretendesse explicar os motivos da desagregação do regime”. Foi a crise entre os militares e o Governo, “de origem e evolução muito diversas” do republicanismo, que foi o principal fator para a queda do trono, onde estavam na hora certa o Sr. Benjamin Constant e Quintino Bocaiúva.
Pedro II, contudo, não se importou com o “Manifesto Republicano” de 1870.
O Marquês de São Vicente, então Presidente do Conselho de Ministros, sugeriu ao Imperador que fosse proibido o ingresso de republicanos na carreira pública, prática comum nas monarquias.
Pedro II respondeu:
- “Sr. São Vicente, o país que se governe como entender e dê razão a quem tiver.”
O presidente censurou o monarca:
- “Vossa Majestade não tem direito de pensar por este modo. A Monarquia é um dogma da Constituição, que Vossa Majestade jurou manter; ela não está encarnada na pessoa de Vossa Majestade.”
Mas o Imperador não se importou e respondeu:
- “Ora, se os brasileiros não me quiserem para seu Imperador, irei ser professor!”

O Imperador sempre se recusou a proibir que republicanos tivessem cargos públicos e inclusive empregou Benjamin Constant como professor de matemática de seus netos. Permitia as manifestações de republicanos, fossem em jornais, comícios, reuniões ou partidos, e isentou os deputados republicanos de jurarem fidelidade a coroa.
A Liberdade de Imprensa, que constituía uma das bases do regime, continuava a permitir as críticas mais ferozes, as caricaturas mais ignóbeis contra o regime e seus homens públicos.
Pedro II era intransigente na defesa da irrestrita liberdade de expressão que existia no Brasil desde 1822.
Era acusado de ser excessivamente tolerante em relação aos republicanos, mas “não deu atenção as varias advertências no sentido de que sua ação minava as bases políticas da monarquia”.
Em 1889, Pedro II revelou a Saraiva que não se importaria se o país se tornasse uma república.
O tal indiferentismo apregoado ao Imperador pela sorte do regime foi também um dos fatores que mais contribuíram para o desprestígio e, portanto, para a queda da Monarquia.

- Igreja Católica
Desde o período colonial, a Igreja Católica era uma instituição submetida ao Estado. Isso significava, entre outras coisas, que nenhuma ordem do Papa poderia vigorar no Brasil sem que fosse aprovada pelo Imperador, ao que se dava o nome de “Padroado”.

- Agricultura
A agricultura ainda era o pilar principal da economia do Império. Introduziu a produção Cafeeira, o que promoveu o crescimento da economia brasileira e a variação de culturas.
Iniciou a imigração de europeus para a substituição gradual do trabalho escravo nas lavouras.

- Industrialização
O imperador incentivou a industrialização do país, participando pessoalmente da seleção de pedidos de privilégio industrial. Vários empreendimentos se formaram.

- Estradas de Ferro
Foi o responsável pela introdução do trem no Brasil, através da concessão dada ao Visconde de Mauá para a construção da Primeira Estrada de Ferro do Brasil.

Em 30 de abril de 1854, inaugurou a Estrada de Ferro Rio/ Petrópolis, fundada por Irineu Evangelista de Souza, Visconde e depois Barão de Mauá, patrono do Ministério dos Transportes.
A primeira locomotiva a vapor do Brasil foi batizada de “Baronesa”, em homenagem à esposa do Barão de Mauá, Dona Maria Joaquina.

Em 1858, o Barão de Mauá inaugurou a Estrada de Ferro Dom Pedro II (que após a proclamação da república foi renomeada Estrada de Ferro Central do Brasil).

A Estrada de Ferro Mogiana inaugurada por Dom Pedro II.
Sua construção inscreve-se na história da expansão da cultura do café em direção ao interior da então Província de São Paulo, constituindo-se, inicialmente, por um simples prolongamento da ferrovia então existente, até Mogi-Mirim e de um ramal para Amparo, com um seguimento até as margens do rio Grande.
A proposta original, entretanto, de estender seus trilhos até Goiás, ao norte, nunca ocorreu.

1 - Bento Quirino dos Santos, um dos fundadores da Cia. Mogiana.
2 - Manuel José Gomes, Visconde de Soutello. Foi diretor da Cia. Mogiana por mais de 20 anos. Foi vice-consul de Portugal em Amparo.
3 - Joaquim Francisco C. Andrade, Barão de Ibitinga, Diretor da Cia. Mogiana.
4 - Antonio de Queiroz Telles, Conde de Parnaiba. Pioneiro fundador da Cia. Mogiana, sendo presidente de 1873 a 1886.

- Turismo
Encantado com a vista panorâmica do alto do morro do Corcovado no Rio de Janeiro, de onde se pode avistar inclusive a belíssima Lagoa Rodrigo de Freitas, D. Pedro II sugeriu um caminho para facilitar o acesso ao local, a Estrada de Ferro do Corcovado, “sendo esta a primeira obra construída exclusivamente destinada ao turismo na América Latina.”

Em janeiro de 1882, contrariando a maior parte da população, que achava mais confiável ir em lombo de um cavalo ou mula, o imperador redigiu um decreto autorizando a construção da ferrovia, a Estrada de Ferro do Corcovado.
Apesar do trecho curto, 3.829 metros (na época era a menor via férrea da América Latina), o projeto demorou dois anos para ficar pronto.
Os engenheiros João Teixeira Soares e Francisco Pereira Passos recebem de D. Pedro II a permissão para construírem e explorarem a Estrada de Ferro do Corcovado.
A construção foi feita em duas etapas:

Em 1884, primeiro ficaram prontas as estações Cosme Velho e Silvestre;

Em 1885, em seguida, Paineiras e Alto do Corcovado, seu trajeto final passou então a ter 3.800 metros de extensão, inaugurada pelo próprio Imperador, que fez a primeira viagem junto à Princesa Isabel e sua comitiva.
Nesse mesmo momento inaugura-se também o Hotel das Paineiras.

Descrição da ferrovia:
- “Parte da Rua do Cosme Velho, sobe pelo lado direito do vale do Silvestre e à esquerda do Morro do Inglês, transpõe o mesmo vale sobre um viaduto com três vãos, cruza na cota de 218 metros o caminho da Carioca (Silvestre) e desenvolve-se pela encosta da margem direita do rio de mesmo nome, atravessa dois ou três vales secundários em pontes de 20 metros de vão cada uma. Atinge as Paineiras na cota de 465 metros, segue pelo dorso do Corcovado e, finalmente, atinge a cota dos 60 metros, tendo o seu ponto terminal à esquerda do cume desse morro.”

- O Telégrapho e o Cabo Submarino
D. Pedro decretou a construção das primeiras Linhas Telegráficas do país.
Em 1874, instalou o cabo submarino da Europa para o Brasil no Rio de Janeiro.

- O Telephone
Em 1876, um escocês que vivia nos Estados Unidos apresentou aparelho para se falar à distância na Exposição Internacional de Filadélfia.
Ninguém deu atenção ao professor e pesquisador de métodos de dicção. Nem mesmo os juízes responsáveis por escolher os melhores inventos. Pensativo e solitário diante do aparelho, o inventor ficou surpreso ao ouvir saudação tão calorosa:
- “Meu caro professor Bell, folgo muito em reencontrá-lo.”

Alexander Graham Bell era o nome do inventor. E quem o cumprimentava era um monarca estrangeiro, Pedro II, que Graham Bell havia conhecido dias antes, durante visita oficial do imperador do Brasil à escola onde lecionava para surdos-mudos.
O interesse de Pedro II, cercado de assessores, finalmente chamou atenção para o invento de Graham Bell. Entusiasmado, Graham Bell convida o visitante ilustre para testar o invento.
Graham Bell estendeu um fio de um lado a outro da sala, e colocou Dom Pedro na extremidade onde ficava a parte receptora do aparelho e dirigiu-se ao transmissor.
Pedro II fica numa extremidade. - Na outra, Graham Bell.
Segundos de silêncio.
Todos aguardam a reação.
Na ocasião, ele citou o clássico de William Shakespeare em Hamlet:
- “Ser ou não ser”
De repente, ouvindo o chamado de Graham Bell, Pedro II teria exclamado:
“Meu Deus, isto fala!”

Ficou fascinado e encomendou alguns aparelhos para poder se comunicar entre as suas residências.
Um ano depois, Bell e seu sogro fundavam nos Estados Unidos a primeira companhia telefônica do mundo.
O Imperador fez uma encomenda de 100 aparelhos para o Brasil, tornando o Brasil o segundo país do mundo a empregar o Telefone.

A expressão Telefone (tele=distância e fone=falar)

Na Cidade de Petrópolis (Região Serrana do Rio de Janeiro) existe, um pouco antes de se chegar ao centro da cidade, uma ponte chamada de “Ponte Fones” este nome é em função de Dom Pedro ter mandado instalar ali uma caixa com um aparelho telefônico rudimentar.

O telefone chega ao Brasil, portanto um ano após a exposição da Filadélfia.
Graham Bell fabricou o primeiro aparelho especialmente para Pedro II, que o instalou no Palácio Imperial de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, hoje Museu Nacional, no Rio de Janeiro.

O aparelho utilizado era uma verdadeira engenhoca pesada e incômoda, que não tardou a ser substituída por uma versão mais prática:
O “telephono”, desenvolvido em 1877, pela Western e Brazilian Telegraph Company.
A imprensa recebeu a inovação como:
“O instrumento transmissor e ao mesmo tempo receptor de sons, tendo meio palmo de comprimento e constando de um pequeno cubo de madeira de cerca de uma polegada de diâmetro e três de extensão, com uma rodela de duas a três polegadas de diâmetro.”
(A Província de São Paulo, de 1º de dezembro de 1877)

O espírito inovador e a grande visão futurista de D. Pedro II, no entanto, não deixariam o sonho esmorecer.

- Repartição Hidrográfica
Em 02 de fevereiro de 1876, é auspicioso para a Hidrografia Brasileira. Por decreto do Governo Imperial é criada a Repartição Hidrográfica, que tem como primeiro Diretor o Capitão-de-Fragata Antonio Luiz von Hoonholtz – Barão de Teffé, sendo Ministro da Marinha o Conselheiro Luiz Antonio Pereira Franco.

Poucos dias antes (26 de janeiro de 1876), havia sido criada a Repartição de Faróis que, mais tarde, seria integrada à Repartição Hidrográfica.
Em 07 de novembro de 1891, são reunidas as três Repartições em uma única, a Repartição da Carta Marítima.
O período que vai de 1876 a 1891, é marcado pela elaboração de esboço de plano de levantamento da costa brasileira idealizado pelo Barão de Teffé, pelo levantamento do Porto de Santos (Barão de Teffé), pela publicação no Rio de Janeiro, do Tratado de Geodésia, do Capitão-Tenente José Cândido Guillobel, pela determinação da posição de Cabo Frio, a cargo do Capitão- Tenente Francisco Calheiros da Graça, sendo empregado, pela primeira vez, em nossa Marinha, o Telégrafo Elétrico, na transmissão de sinais horários.

- Serviço Metereológico
Em 04 de abril de 1888, é criada a Repartição Central Meteorológica.

Em 1896, tendo início no Império, a Repartição de Hidrografia passa a chamar-se Superintendência da Carta Marítima.

Em 12 de abril de 1898, o Capitão-Tenente Américo Brazílio Silvado elabora as primeiras Instruções Meteorológicas da Diretoria de Meteorologia da Superintendência da Carta Marítima, que marcou as atividades de nosso primeiro serviço meteorológico nacional, sistemático. Ainda nesse ano, são elaboradas as primeiras cartas isobáricas de superfície.

- Transposição do Rio São Francisco
Durante o reinado de Dom Pedro II, foi concebido o primeiro projeto de transposição do Rio São Francisco, visando a minimizar os efeitos do clima semi-árido no Sertão Nordestino, devido às Grandes Secas do final do século XIX.

- Barragem do Cedro
O Açude do Cedro está localizado no Boqueirão do Cedro, município de Quixadá, província do Ceará, a cerca de 180 km de Fortaleza.
Este projeto foi a primeira iniciativa governamental no Brasil contra o fenômeno das prolongadas secas, é uma das maiores barragens do Brasil.
D. Pedro II foi quem deu a ordem de realização. Porém a conclusão deu-se no período Republicano.

- Imperial Estação Agronômica
A 27 de junho de 1887, por decisão do Imperador Dom Pedro II, surgia a Imperial Estação Agronômica, mais tarde chamada de Instituto Agronômico, Imperial Estação Agronômica de Campinas (1887) - Instituto Agronômico do Estado de São Paulo (1897) - Instituto Agronômico.
A sede da instituição começou a ser construída, ainda em 1887, em um terreno comprado pelo Governo Imperial, localizado no bairro do Guanabara, em Campinas. A Imperial Estação Agronômica de Campinas inaugurou seus trabalhos em 1º de novembro de 1888 com a implantação do laboratório de análises.

Para organizar a Estação Agronômica foi contratado o químico austríaco Franz Josef Wilhelm Dafert, que apresentou em julho de 1887, ao Governo Imperial, a proposta de um modelo de estabelecimento, na qual afirmava que instituições como esta “se ocupam de investigações no domínio da agricultura, sob o ponto de vista químico, não se limitando só a isto sua atividade” (Relatório apresentado ao Ministro da Agricultura, Commercio e Obras Públicas por F.W. Dafert- 1888. Apud MELONI, 1999, p.46).

A Educação no seu governo
Dada a pequena estrutura educacional herdada da época em que seu avô, D. João VI, governava no Brasil, Dom Pedro II criou e reformulou escolas e faculdades.

Fundou em 21 de outubro de 1838, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro - IHGB, inspirado no “Institut Historique” de Paris.
O monarca nutria um profundo interesse pelas questões diretamente relacionadas ao desenvolvimento da Educação, especialmente a educação pública, em nosso país, tendo se detido em expor o tema, inúmeras vezes.

Em 03 de maio de 1889, na última “Fala do Trono”, retomou a questão sob o viés institucional, propondo a criação do Ministério da Instrução e reforçando a diretriz constitucional (1824) da criação do Sistema Nacional de Instrução. Além disso, são várias as posturas e as falas em que encontramo-lo envolvido com a questão, como ressalta Lilia Moritz Schwarcz:
- “Interessado na educação, o imperador freqüentava concursos nas escolas de Medicina, Politécnica, Militar e Naval. Isso sem falar do Colégio Pedro II, a grande predileção do monarca.”
[…] era D. Pedro quem, em carta a José Bonifácio, o Moço, orgulhava-se de dizer:
“Eu só governo duas coisas no Brasil: a minha casa e o Colégio Pedro II.”
[…] esse colégio, o único que de certa forma, escapava ao ensino excessivamente livresco, anti-científico e pouco abrangente da época.
Com efeito, apesar de obrigatória, a instrução primária era insuficiente: as escolas, poucas, estavam quase todas centralizadas na Corte. O monarca parecia, porém, desconhecer essa realidade e concentrar-se, sobretudo, no “seu colégio”, como costumava dizer, onde assistia a provas, selecionava professores e conferia médias.
Em seu diário escreveria D. Pedro II:
“Se não fosse imperador do Brasil quisera ser mestre-escola, uma opção que condizia ao menos com a representação que mais se divulgava.”

- Instituições de Ensino
O esforço educacional, embora prejudicado pelas inúmeras deficiências, trouxe resultados.
É equivocado dizer que o Brasil naquela época não havia universidades, não havia sim a amplitude de oportunidades para o seu ingresso. Mas pode-se dizer que, pela ação de Dom João VI, fora criada a Faculdade de Medicina da Bahia, em 1792.

Em 1827, logo após a independência, deu-se a criação da Faculdade de Direito de Olinda e de São Paulo. Igualmente pode-se dizer que, até mesmo antes da chegada de seu avô Dom João VI, sua bisavó, Dona Maria I, ordenou a criação e instalação, na cidade do Rio de Janeiro, da Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho
(atual Instituto Militar de Engenharia-IME), sendo esta a primeira escola de engenharia das Américas e a terceira do mundo.

Em 1869, havia 3.516 escolas primárias no Império, freqüentada por 115.735 crianças. A quantia era ainda pequena, considerando-se que naquela ocasião existiam 1.902.424 crianças livres em idade escolar, mas de qualquer modo as necessidades nacionais iam sendo suprimidas, formando-se paulatinamente uma camada de profissionais liberais e funcionários.

Em 1870, até o início da segunda metade do século XIX poucos foram os estabelecimentos educacionais que puderam contribuir de modo decisivo para a difusão da cultura.
Destaca-se na área do ensino superior, os cursos de Medicina (Rio de Janeiro, Salvador) e de Direito (São Paulo, Recife), e na área de ensino médio, o Colégio Pedro II (Rio de Janeiro), que durante muito tempo foi o colégio padrão para todo o Brasil.
No fim do Império foram fundados mais dois importantes centros de ensino superior; a Escola Politécnica (Rio de Janeiro) em 1874, e a Escola de Minas (Ouro Preto), 1875.

Embora já existissem colégios oficiais do governo para o ensino médio, este ensino foi feito principalmente em colégios particulares, pois a preocupação do governo concentrou-se no ensino primário, que foi declarado obrigatório.
O Jardim de Infância foi instituído no Brasil e o número de escolas elementares aumentou, sem no entanto conseguir atender ao crescimento da população.
Faltavam professores devido à ausência quase total de “Escolas Normais”, conforme assinalado em relatórios sobre a deficiência no setor educacional no trecho do relatório do Ministro Paulino de Souza:
- “Se o Brasil, como muitos pretendem, conta não menos de 8 milhões de habitantes livres, temos que existe um estabelecimento de instrução por 2.019 habitantes, e que a freqüência está na razão de 1 para 36. Estes algarismos brandam alto, que julgo excusado pedir para este assunto a atenção da Assembléia Geral Legislativa.”
Além dos esforços dirigidos para possibilitar uma educação escolar completa (primária, secundária, superior), o governo preocupou-se também com áreas específicas de ensino: escolas para formação de técnicos agrícolas, para a formação de oficiais do exército e da marinha, e escolas para atendimento de pessoas cegas, surdas e mudas (Instituto de Menos Cegos, 1854, Instituto de Surdos-Mudos, 1857).
Mesmo no exílio, Pedro II continuou a contribuir para a cultura nacional através da doação de sua coleção particular de documentos e peças de arte.

- Colégio Pedro II
Para se ter uma idéia, o Colégio D. Pedro II - a única instituição a realizar os exames que possibilitavam o ingresso nos cursos superiores - era mantido com recursos próprios pelo Imperador, e ele mesmo também selecionava os professores, assistia às provas e conferia as médias.

Apesar de seus esforços em promover a cultura - como é bem retratado com as instituições no Rio de Janeiro, como Colégio Pedro II, o Imperial Observatório, o Museu Nacional, o Arquivo Público, a Biblioteca Nacional, o Laboratório do Estado, o Jardim Botânico e a Academia Imperial de Belas Artes - de resto, a desatenção com a educação era a realidade encarada pela maior parte do país, no qual parecia não haver interesse por parte dos dirigentes das províncias (estados) na formação de um povo esclarecido, que com certeza era omitido do próprio Imperador.

- A Proteção e Criação de Instituições
Pedro II foi o fundador, mantenedor e incentivador de inúmeras instituições científicas no Brasil, entre as quais se destacam além do já citado Observatório Astronômico, o Instituto Baiano de Agricultura, o Instituto Agronômico de Campinas, o Museu Paraense, o Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, a Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional e a Escola de Minas de Ouro Preto.

Dom Pedro - Protetor da Cultura
A presença ativa do Imperador estava em todos os assuntos relacionados com a ciência, a tecnologia e a educação. Fazendo o papel de mecenas, o interesse de Dom Pedro II pelas ciências o levou a buscar a companhia de cientistas, tanto no Brasil como no exterior, e a participar de todos os acontecimentos culturais e científicos mais importantes do país.

Ajudou de várias formas, o trabalho de vários cientistas como Martius, Lund, Agassiz, Derby, Glaziou, Seybold....
Financiava vários profissionais como agrônomos, arquitetos, professores, engenheiros, farmacêuticos, médicos, pintores, etc.
Um exemplo famoso é o de Guilherme Schuch, futuro Barão de Capanema.
Em 1841, D. Pedro II enviou-o para a Áustria, a fim de estudar engenharia, pagando a viagem, roupas, e destinando uma mesada regular até terminar seus estudos no Instituto Politécnico.

Apreciador da literatura e das artes incentivou a criação das Escolas Normais, dos Liceus de Artes e Ofícios, do Conservatório Dramático Brasileiro e Conservatório Imperial de Música.
Criou e coordenou o Instituto Histórico Brasileiro e apoiou os estudos de artes plásticas com doações de bolsas e prêmios, financiados pelo próprio soberano, de viagem à Europa para os alunos da Academia Imperial de Belas Artes.

Foi um dos colaboradores na construção do teatro de Richard Wagner em Bayreuth.

Parte do seu ordenado era destinado ao patrocínio dos estudos de muitos brasileiros, como Carlos Gomes - o grande compositor brasileiro, autor da célebre ópera “O Guarani” - em Milão, Itália, isto foi graças a intervenção junto ao imperador da Condessa de Barral, é que Carlos Gomes conseguiu matrícula no Conservatório de Música de Francisco Manuel da Silva o compositor do “Hino Nacional Brasileiro”, este conservatório é que deu origem a atual Escola Nacional de Música.

D. Pedro e a relação com a Ciência
Dom Pedro jurara fidelidade à Igreja Católica porque assim exigia a Constituição imperial de 1824. Porém, na verdade,
"era ele um viajante em busca da resposta da vida”.
Um livre pensador fascinado pela filosofia. Onde houvesse possibilidade de novos conhecimentos, viesse de onde viesse, lá estava o seu interesse. (...) Com a mesma facilidade com que participava com naturalidade e interesse, de festejos que envolviam crendices de africanos e mulatos, manifestava curiosidade pelos estudos iniciados da Maçonaria. Também manifestava interesse pelo Espiritismo, pela Homeopatia, como igualmente pelo Judaísmo (é o que narra o livro "Dom Pedro II e a Princesa Isabel, Uma Visão Espírita-cristã do Segundo Reinado", publicação da Editora Lorenz).

Pedro II era apaixonado por inovações cientificas, desde muito jovem foi sócio-correspondente de dezenas de instituições científicas, entre as quais o prestigiado Instituto da França.

Manteve correspondência com diversas personalidades proeminentes da época, tendo se encontrado com alguns durante suas viagens ao exterior, entre os quais Nietzsche e Emerson, além de escritores famosos, como Lewis Carrol, Júlio Verne e Victor Hugo, com quem teve um célebre encontro em Paris.
O poeta francês Lamartine o denominava “Príncipe Filósofo”.
Eça de Queiroz dizia que ele mostrava uma “Rara Ilustração”.

Amigo de Camille Flammarion, um dos maiores astrônomos da época, empenhou-se em equipar e reorganizar o atual Observatório Nacional, tornou-se um destacado centro de pesquisas. Sua paixão pela astronomia, a ciência preferida, valeu-lhe constantes caricaturas na imprensa brasileira, ilustrando-o acompanhado de sua luneta.

Dom Pedro foi um dos colaboradores na fundação do Instituto Pasteur em Paris, e seu primeiro financista em que Louis Pasteur trabalhou para solucionar os problemas de surto como a raiva.
Pasteur o reconheceu com um “homem de ciências”. D. Pedro admirava as pesquisas de Pasteur, muito antes que o cientista fosse reconhecido na França, tendo inclusive convidado-o para morar no Brasil.

Assim era Dom Pedro II
De espírito liberal, não só ajudou a cultura, mas todos os setores da sociedade. Muito se tem a falar deste grande personagem de nossa história, nesta pequena síntese do apaixonado cidadão por nosso país e pela cultura. D. Pedro II foi sem dúvida um intelectual. Desejava tornar o Brasil uma nação representativa no cenário internacional.

- Conhecimento
Dom Pedro, lia Homero e Horácio no original. Discursava em grego e latim, e ainda entendia a língua dos nossos índios (tupi-guarani) e o provençal. Também estudou hebraico e árabe. Seus conhecimentos eram algo de incomum, pois gostava de matemática, biologia, química, fisiologia, medicina, economia, política, história, egiptologia, arqueologia, arte, helenismo, cosmografia e astronomia.
Em seu diário escreveria:
- “... e não fosse imperador do Brasil quisera ser mestre-escola. Não conheço missão mais nobre do que essa: - dirigir as inteligências môças e preparar os homens do futuro.”

Dom Pedro aprenderia ao longo da vida a falar e escrever em Português, Latim, Francês, Alemão, Inglês, Italiano, Espanhol, Grego, Árabe, Hebraico, Sânscrito, Chinês, Provençal e Tupi-Guarani.

Pedro II foi uma figura ímpar, era um monarca fora dos padrões da época.
Amado e elogiado, criticado e censurado, o imperador do Brasil era um homem extremamente culto, uma personalidade singular que merece um lugar de destaque na galeria dos grandes vultos do século XIX.

A base de tudo na vida de D. Pedro está na estrutura Familiar e a sua Educação.

Na opinião do escritor Victor Hugo, Dom Pedro era o “neto de Marco Aurélio”, ou seja, a perfeição dos imperadores.

Para o primeiro-ministro da Inglaterra vitoriana, sir William Gladstone:
- “Dom Pedro II é um modelo para todos os soberanos do mundo, pelo seu zelo no cumprimento dos seus altos deveres..., é o que definiríamos como um bom soberano, um exemplo e uma bênção para sua nação.”

O compositor Carlos Gomes, autor da ópera O Guarani (1870), certa vez admitiu publicamente:
- "se não fosse o imperador, eu não seria Carlos Gomes".

É grande a lista de personalidades que o reverenciaram a figura de Dom Pedro II.
Basta apenas citar os nomes do biólogo Charles Darwin, do escritor americano Henry Longfellow, do cientista Louis Pasteur, do músico e compositor Richard Wagner e do poeta italiano Alexandre Manzoni, entre os que o elogiaram.

- O Liberal
Embora não seja reconhecido, Dom Pedro II contribuiu bastante para a liberdade de imprensa. No reinado de Dom Pedro II não havia presos políticos, nem censura à imprensa.
A liberdade era tanta, que circulava até um jornal pregando a derrubada da monarquia.
Mesmo assim, Pedro II fez questão de manter a liberdade de imprensa, apesar de freqüentemente choverem caricaturas ridicularizando-o com certo “desinteresse” quanto a assuntos administrativos.

Em entrevista com o jornalista gaúcho, imigrante alemão Carl Von Koseritz (Jornalista e político alemão, naturalizado brasileiro, lutou pela abolição da escravidão e por uma política adequada de colonização), o Imperador fez a seguinte declaração:
- “Senhor Koseritz, aproveito a ocasião para dizer-lhe que o estimo, pois sei que o senhor é um homem esforçado que trabalha pelo bem desse país, mas gostaria que o senhor não fosse mais injusto comigo. Não penso em levar a mal as críticas sobre os meus atos. As censuras são úteis e necessárias, mas com justiça, porque eu posso errar como qualquer homem. Somente as injustiças pessoais devem ser evitadas.”

A Diferença:
- A imprensa sofreu as conseqüências do chamado “Decreto Rolha”, considerado por alguns historiadores como a primeira lei de segurança nacional do país no início da República. O decreto 295 de 29 de março de 1890, decorrente do primeiro, aplicava-se a “todos aqueles que derem origem a falsas notícias e boatos dentro ou fora do país ou concorram pela imprensa, por telegrama ou por qualquer modo, para pô-los em circulação”.

- O Fotógrafo
Nas suas viagens pelo exterior, a maioria de estudo e pesquisa, levava consigo uma comitiva de especialistas nos temas locais e também um fotógrafo, responsável por registrar sua passagem pelos diversos locais que visitava. Foi assim que o imperador começou a se interessar pela fotografia.

Em 16 de Janeiro de 1840, a fotografia chegou ao Brasil pelas mãos do abade Louis Compte, capelão do navio-escola francês (corveta franco-belga L’Orientale) que aportou de passagem pelo Rio de Janeiro. Ele trouxe a novidade de Paris para a cidade, introduzindo a DAGUERREOTIPIA no país.
Realizou três demonstrações do funcionamento do processo e apresentou o daguerreótipo ao Imperador D. Pedro II.

“Foi à primeira demonstração no Brasil e na América Latina.”

Em 21 de janeiro de 1840, D. Pedro II (aos 14 anos de idade), entusiasmado com a nova invenção apresentada por Compte, encomenda um equipamento de “Daguerreotipia” em Paris.

Em março de 1840, adquiriu um aparelho, comprando-o diretamente de Felicio Luzaghy, por 250 mil réis, adquiriu seu próprio equipamento, oito meses antes que outros similares fossem finalmente comercializados no país sendo então o primeiro brasileiro a praticar fotografia.

Tornou-se assim, o “primeiro fotógrafo brasileiro” com menos de 15 anos de idade!

Mais tarde, como um grande colecionador e verdadeiro mecenas dessa arte atribuiu títulos e honrarias aos principais fotógrafos atuantes no país. Promoveu a arte fotográfica brasileira e difundiu a nova técnica por todo o país.

Em 08 de março de 1851, foi o primeiro soberano do mundo a conceder uma honraria a um fotógrafo, ao atribuir o título de Photographos da Casa Imperial à dupla Buvelot e Prat.

O maior e mais diversificado acervo de fotografia oitocentista constituído por um particular é, justamente, a coleção que foi reunida durante vários anos pelo Imperador D. Pedro II.
Oficialmente, ele é considerado o “primeiro deguerreotipista brasileiro”; fazia imagens de paisagens e de pessoas.

Como colecionador, constituiu o maior acervo privado das Américas durante o século XIX, a base para o estudo da história da fotografia no Brasil, reunindo ainda imagens de grandes pioneiros internacionais.

Em 1889, quando de seu exílio do país, após a Proclamação da República, antes que os republicanos dessem fim ao patrimônio, doou seu acervo fotográfico para a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, que o preserva, desde 1892, com o título de Coleção Thereza Christina Maria.

Uma pequena explicação sobre a Coleção Tereza Christina:
- A coleção fotográfica mencionada no parágrafo acima é outra coleção com o mesmo nome da “Coleção Tereza Cristina” exposta quase permanentemente no Museu Nacional (Museu Nacional/UFRJ - Quinta da Boa Vista, São Cristóvão - Rio de Janeiro), esta coleção foi organizada no século XIX a partir de duas origens distintas:

- Uma parte do acervo veio do Real Museo Borbonico (hoje Museo Nazionale Di Napoli), com peças presenteadas pelo irmão da imperatriz Teresa Cristina, Fernando II Rei das Duas Sicílias.
- Outra parte veio da própria Imperatriz que financiou e promoveu escavações arqueológicas na localidade de “Veio”, outrora município romano de origem etrusca.

- O Egiptólogo e a Imperatriz Arqueóloga
O estudo pelo antigo Egito foi objeto de fascínio dos dois imperadores brasileiros. Motivado pelo interesse pessoal e pelos objetos deixados pelo pai, que até adquiriu uma múmia rara da região de Tebas.

Em 1870, D. Pedro II, um poliglota e estudioso, foi o primeiro governante brasileiro a viajar ao Egito.

Em seu acervo constavam três múmias femininas, sendo uma delas, a sacerdotisa “Sha-Amon-em-su” (a cantora sagrada de Amon), que é uma das oito do mundo que se encontra com os braços enrolados separados do corpo, e seu sarcófago ainda está lacrado. Graças a um exame de tomografia, foi constatado que a múmia possui todos os amuletos de ouro, incluindo o escaravelho azul.

A imperatriz Dona Teresa Cristina trouxe como dote mais de 700 itens, distribuídos entre vasos de cerâmica, lamparinas e estatuetas de terracota, objetos de bronze, esculturas em pedra, frascos de vidro e outros, a coleção Grego-romana.

Outros elementos da coleção, como os vasos etruscos, foram encontrados durante as escavações arqueológicas promovidas pela própria Imperatriz em suas terras, integrando seu dote de casamento.  As peças datam de um período histórico que se estende do Séc. VII a.C. ao Séc. III d.C.

Em 1853, por intermédio de D. Theresa Cristina que seu irmão Fernando II, Rei das Duas Sicílias, mandou para o Brasil peças de vários sítios arqueológicos da Itália, a maioria de Herculano e Pompéia.

O Imperador contribuiu com diversas peças de arte egípcia, fósseis e exemplares botânicos, entre outros itens, obtidos por ele em suas viagens.
Desta forma, o Museu Nacional se modernizou e tornou-se o centro mais importante da América do Sul em História Natural e Ciências Humanas.

- O Astrônomo
O Imperador mantinha contato estreito com muitos nomes ilustres da época, como Camille Flamarion e Victor Hugo, com os quais dividia a paixão pela Astronomia. Fundou bibliotecas, museus, observatórios astronômicos e meteorológicos em várias partes do país, algumas vezes, mantendo-os com recursos pessoais.

Em 1827, era criado o Imperial Observatório do Brasil por decreto de D. Pedro I, no Rio de Janeiro, mas só começara a funcionar quase vinte anos depois.
D. Pedro II deu forma e alma à instituição, cedendo os próprios instrumentos que utilizava em seu observatório particular na Quinta da Boa Vista, para que o Imperial Observatório pudesse iniciar suas atividades.

Sua Majestade ansiava por desenvolver um observatório astronômico moldado nos mais modernos, como o famoso observatório de Nice, onde foi descoberto o “Asteróide 293”, chamado Brasília, em homenagem ao Imperador, quando do seu exílio em Paris.
O Imperial Observatório trouxe-lhe muitas realizações

Em janeiro de 1887, o próprio Imperador, bom em matemática, fez estimativas do comprimento da cauda de um cometa, como ficou registrado na revista francesa "L’Astronomie", publicada até hoje.
D. Pedro II estava sempre em contato com os astrônomos do Imperial Observatório e discorria com rara competência sobre diversas questões científicas. Ele tinha um apartamento privativo neste observatório, onde passava várias noites fazendo observações junto com esses astrônomos.

Em fins de 1889, um grande telescópio por ele encomendado e pago, como sempre do seu próprio bolso, sequer chegou a ser desembarcado no porto do Rio de Janeiro, por ordem dos republicanos, após o grande golpe de 15 de novembro de 1889. Foi um mergulho ao mundo das trevas. O que seria o maior telescópio da América do Sul e mapearia os céus do Hemisfério, foi enviado de volta para a Europa.

Contudo, a dedicação do Imperador foi recompensada: - o dia de seu nascimento, 02 de dezembro, se tornou Dia Nacional da Astronomia.

- O Poeta
Sua obra poética, filiada à estética romântica, constitui-se dos livros Poesias de S. M. O Senhor D. Pedro II (1889) e Sonetos do Exílio (1898).

Em 1932, foram publicadas suas Poesias Completas.

- O Ecologista
Pioneiro das preocupações ecológicas, em 1861, ordenou o replantio com espécies nativas da “Mata Atlântica da área da Floresta da Tijuca”, devastada pelo cultivo de café, o que comprometeu as nascentes dos rios e alterou o equilíbrio climático da época.

Em 1862, iniciou o replantio de toda a vegetação nativa do maciço da Tijuca, atual Floresta da Tijuca no Rio de Janeiro, a maior floresta urbana do mundo.

Muito preocupado com a ecologia, construiu um Jardim Botânico na cidade de Manaus, na Província do Amazonas, Museu Botânico de Manaus.

Em 1883, foi fundado o Museu Botânico de Manaus, tendo como seu único diretor e administrador o naturalista João Barbosa Rodrigues. A região já era conhecida dele desde 1872, quando começou as suas primeiras pesquisas na Amazônia reunindo e classificando plantas e objetos indígenas como os muiraquitãs. Consta que a verdadeira fundadora do Museu Botânico foi a Princesa Isabel, de quem Barbosa Rodrigues contava com seu apoio e admiração. Barbosa Rodrigues, embora republicano, nunca deixou de ser apoiado pelo Governo Imperial. D. Pedro II, segundo consta, o admirava, também, tanto que muitas vezes esteve presente durante suas conferências. O Museu, infelizmente, teve vida efêmera. Sete anos depois (1889) Barbosa Rodrigues era destituído do cargo e o Museu extinto por ordem do governador do Amazonas, o Capitão Augusto Ximeno de Valleroy. O Museu chegou a ter sua própria revista denominada Vellosia, que cessou de ser publicada no quarto volume. No último relatório da instituição, feito pelo seu genro, Campos Porto, e publicado na Revista Vellosia, consta que Barbosa Rodrigues deixou, ao sair de Manaus, um herbário com 10.000 exsicatas e 1.260 objetos indígenas amazônicos diversos. Infelizmente, não se sabe até hoje o destino dessa preciosa coleção. Foi jogado fora ou, então, acabou se decompondo por falta de cuidado, o que não ocorreu com sua Biblioteca, que foi melhor conservada e transferida para o Colégio Estadual do Amazonas. O acervo dessa Biblioteca era de grande valor científico.
Contava com obras raras como a “Flora brasiliensis de Martius, Viagem de D'Orbigny, as coletâneas de Linnaea, Buffon, Adansonia, Castenaux, Prodromus de Candolle” e outras obras clássicas mais de interesse para o estudo da flora amazônica.
Esse precioso acervo encontra-se, hoje, no INPA. Na lombada de alguns livros encadernados ainda se pode ver o nome da instituição impresso com o título nominativo “MUSEU”.

- A Primeira Expedição à Antártica
Em 1882, fato pouco conhecido, é que financiou a primeira expedição brasileira à Antártida, com propósitos de coletar informações científicas, o que causou grande protesto da imprensa e de diversos políticos no Brasil.

Primeira Atividade Científica Nacional fora do País, foi dividida em duas expedições brasileiras que iriam observar a passagem de Vênus pelo disco solar:
- Uma, chefiada pelo Capitão-de-Fragata Antonio Luiz von Hoonholtz, na região equatorial;
- Outra, com a Corveta Parnayba, na região subantártica, sob o comando do Capitão-de-Fragata Luiz Filippe de Saldanha da Gama, levando o astrônomo Luiz Cruls e baseada em Punta Arenas, no Chile, a corveta Parnayba atingiu os arredores do estreito de Drake.
Como conseqüência dessa expedição, o Brasil passou a ser membro consultivo do Tratado da Antártica. E realizou a primeira carta náutica brasileira da Região Antártica.

As Guerras e Conflitos
Em 1850, a guerra contra Rosa e Oribe, no Uruguai.

Em 1854, a guerra contra Aguirre.

Em 1865, a Guerra do Paraguai contra Solano Lopez comparada aos demais conflitos seriam apenas exercícios militares. O conflito durou cinco anos e o Paraguai foi afinal vencido. Mas a guerra introduziu uma série de novos elementos na política nacional, que transformariam o Império.
O primeiro desses elementos foi a mudança na composição do exército. Antes da guerra, a verdadeira força militar brasileira concentrava-se na guarda nacional, formada por homens da elite econômica do País. O exército constituiu-se de maneira muito mais democrática, pois seus membros eram originários de todas as camadas sociais. Pela crescente necessidade de homens para a luta, milhares de escravos foram emancipados e incorporados a tropa. Com essa formação, o exército, apenas encerrada a guerra, tendeu a assumir uma posição favorável a abolição da escravatura. O contato com as repúblicas do Prata levou também muitos de seus membros a aderir ao pensamento republicano.
A famosa frase pronunciada no Parlamento do Império: - “o Brasil é o café”.
O produto correspondia a 70% das exportações brasileiras.

As Críticas ao Imperador
Critica-se o Imperador pelo fato de seu apoio ter-se dado no plano do mecenato, tendo auxiliado essas instituições com seus recursos privados, sem procurar vinculá-las ao aparelho do Estado, o que fez com que perdessem a continuidade com a sua deposição, e somente muito mais tarde se recuperassem. Não se deve esquecer, entretanto, que tais iniciativas não tinham um segmento social que o apoiasse, diferentemente do caso dos Estados Unidos e da Europa da época, pois não tinha e não recebia apoio político para a melhoria da cultura de seu povo, pois a elite da época queria a estagnação para controle do império e seus cidadãos.

Uma vez acuram-no de dedicar mais tempo à ciência do que às questões políticas do Império, e ele deixou clara a sua posição: - “Dizerem que eu pretendo ser sábio é tão infundado quanto  acusaram-me de aspirar ao poder pessoal, e, depois, os compromissos dos deveres a meu cargo não me deixam muita folga para estudar.”

O Dia a Dia do Imperador
- No primeiro sábado de cada mês recebia todo o corpo diplomático.

- Aos sábados, concedia audiência pública recebendo a todos, ricos, pobres, nobres e plebeus.

- Todas às quintas-feiras o Imperador tinha o hábito de jantar com a Princesa Isabel, no Palácio Guanabara (no Bairro das Laranjeiras, Rio de Janeiro), para onde seguia com a Imperatriz às 04h00min da tarde, escoltado pela Guarda Imperial.

Nota:
- Não era previsto no protocolo que os guardas seriam alimentados pela cozinha do palácio, acontece que o Imperador desconhecia este fato.

- Certo dia, um soldado da guarda estava com fome e resolveu arranjar alguma coisa para comer. Foi aos fundos do palácio e entrou na sala de jantar. Pegou umas bananas, e quando ia apanhar também uma garrafa de vinho deu de cara com o Imperador. Colocou sobre a mesa as bananas, fez continência e disse:

- Vossa Majestade me perdoe. Estava com fome, vi estas bananas e não me contive.

- Por que não esperou o jantar, seu guarda?

- Saiba Vossa Majestade que aqui não nos fornecem jantar, e os que não têm dinheiro para comprar alguma coisa passam fome.

O Imperador ficou consternado, mas nada disse. Pouco depois veio o jantar do palácio para os guardas, e daí em diante nunca mais isto se repetiu.

A Amante
Muitos pesquisadores consideram a Condessa de Barral o grande e verdadeiro amor do imperador. Além de cartas de amor com referências a "noites especialíssimas" os dois trocavam seus diários entre si. Infelizmente só sobraram os textos escritos pelo imperador, os da condessa desapareceram e admite-se a hipótese de terem sido queimados por Dom Pedro. Nunca houve identificação intelectual entre o imperador e a imperatriz, já com a Condessa de Barral era diferente, ambos eram “amantes” das artes e letras, algumas vezes Pedro escrevia a ela em francês e a Condessa fazia correções nos textos do imperador.

Registrando em seu diário, a primeira vez em que viu a condessa, e se referindo à forma como ela fez a reverência a frente dele, Pedro diz:
- "... ela fez a reverência de forma soberanamente submissa... transformava a reverência em obra de arte."

- Condessa de Barral
A Condessa de Barral, Condessa da Pedra Branca por parte de pai, Marquesa de Monferrat por casamento, era baiana, porém fora criada na Europa, filha do diplomata Domingos Borges de Barros (Visconde de Pedra Branca).
No Brasil e na Europa foram famosas suas festas e saraus regados a boa música e conversas intelectuais.

Foi casada com o fidalgo francês Chevalier de Barral que também era Visconde de Barral, filho do Conde de Barral que também era o Marquês de Monferrat; casou por amor, pois já havia recusado um casamento por conveniência arranjado pela família.

Provavelmente só após a morte do marido, em 1868, que a condessa se tornou amante do imperador. Até então, o tom das cartas mostra um relacionamento platônico.

Em sua casa na Rue D'Anjou em Paris freqüentaram grandes nomes da cultura, dentre eles nada mais nada menos que Frederic Chopin.

Dom Pedro II no Brasil trocava correspondência com Louis Pasteur, Alexander Graham Bell, Richard Wagner dentre outros, ou seja a afinidade entre eles era enorme.

Esta relação entre Dom Pedro e a Condessa de Barral, rendeu uma peça teatral chamada Os Olhos Verdes do Ciúme, texto de Caio de Andrade; e Jô Soares utiliza Dom Pedro e a condessa como argumento histórico para o livro e o filme “O Xangô de Baker Street”. (no livro e no filme ele trata a personagem como Maria Luiza e lhe atribui o título de baronesa).

O Diário do Imperador
Nas mais de cinco mil páginas de registros de seu diário, observamos algumas referências:




- O Afér do Sr. Alcântara
Registrando em seu diário, a primeira vez em que viu a Condessa de Barral, e se referindo a forma como ela fez a reverência a frente dele, Pedro diz:
- “ ...ela fez a reverência de forma soberanamente submissa... transformava a reverência em obra de arte.”

Condessa de Barral

- Viagem ao Nordeste
Entre os anos de 1859 e 1860, o Imperador faz uma viagem antológica pelo nordeste brasileiro incluindo o Rio São Francisco. Atravessou grande parte do território nacional, do Rio de Janeiro à Paraíba, muitas vezes montado em lombo de burro ou a bordo embarcações rudimentares e frágeis. Quando passou pela Bahia, escreveu em seu diário:
- “Na fazenda dos Olhos d’água fiquei mal acomodado na senzala – nome que convém à casa que aí há – mas sempre arranjei cama em lugar de rede e dormiria bem, apesar das pulgas, cujas mordeduras só senti outro dia de manhã, se não fosse o calor, e a falta de água que é péssima aí, tardando a de Vichy, que vinha na bagagem pela falta de condução.”

- Nos Estados Unidos
Em 1876, Dom Pedro II aproveitou para passear pelos Estados Unidos, onde se encantou com os arranha-céus, os trens e o desenvolvimento da agricultura; esteve na companhia do presidente americano Rutherford Hayes e escreveu no seu diário:
- “Seu aspecto é grosseiro. Pouco fala. A Nora é muito amável. A Mulher feia e vesga faz o que pode para ser amável. O Filho parece rapaz muito inteligente.”

Rutherford Hayes Family

- Ser Outra Pessoa
Dom Pedro chegou mesmo a declarar, em seu diário:
- “Que nascera para consagrar-se "às letras e às ciências e, a ocupar posição política, preferiria a de presidente da república, ou ministro, à de imperador.”

- Pedro na Palestina
Trecho do diário de viagem D. Pedro II à Palestina, em 29/11/1876:
           
- “Saí as 5 ½ (05h30min). A Imp.(Imperatriz), como não podem ir as liteiras a S. Sabbas e mesmo não entram Sras. no convento, segue o caminho de antes de ontem partindo mais tarde... O caminho daí até perto de S. Sabbas é terrível, atravessando-se gargantas horrivelmente pitorescas... Ao chegar ao convento caminha-se ao longo do Cedrón, cujas ribanceiras de pedra têm centenas de pés de altura... Os edifícios do convento estão agarrados à ribanceira direita do rio que se lança no Mar Morto... Receberam-me com repiques desde que me avistaram, e à entrada com duas tochas acesas. Os frades, que são 60, estavam me esperando. O que mais me agradou no convento, cuja regra é a de S. Basílio – são gregos cismáticos –, foi como os melros, que se abrigam nos buracos da ribanceira oposta, vêm comer na mão dos frades.”

“Num pequeno quarto, havia manuscritos dos Evangelhos e Sermões... Custou a obter do frade que falava francês, que deixasse o Henning examinar a outra coleção de livros de uma torre onde ele achou alguns manuscritos, apesar do frade asseverar que só existiam impressos. Tal repugnância poder-se-á explicar pela vergonha que eles tenham de não haverem aproveitado, por ignorância, as riquezas literárias que possuam... O convento é, por assim dizer, um meschakid de edifícios aproveitando as grutas do rochedo... Num canto mais abençoado, levanta-se uma palmeira bastante alta, mas que se curva para trás como que precisando de encosto na parede. Os frades deram-me doce, água e café e à 1 ¾ (13h43min) parti. O caminho daí em diante não é tão pitoresco. Às 3 ¼ (15h30min) já via Jerusalém, subia sempre mais ou menos atravessando diversas vezes o Cedrón, ou seguindo para dentro do seu leito até Jerusalém.”

- A Negra Eva
Das inúmeras viagens por todo o território nacional que o imperador fez, a propósito de suas posições sobre a escravidão, registro aqui a seguinte passagem:

Numa viagem ao interior de Minas Gerais, o Imperador observou, no meio da multidão que o cercava, uma negra que fazia grande esforço para se aproximar dele, mas as pessoas à sua volta não deixavam. Compadecido, ordenou que a deixassem passar:
- Meu senhor, meu nome é Eva, uma escrava fugida, e vim aqui pedir a Vossa Majestade a minha liberdade.

O Imperador mandou tomar nota dos dados necessários, e prometeu que a libertaria quando regressasse a corte. E realmente mandou entregar a negra o documento de alforria.

Algum tempo depois, estando em uma das janelas do Palácio de São Cristóvão, viu um guarda tentando impedir que uma negra idosa entrasse. Sua memória incrível reconheceu imediatamente a ex-escrava mineira, e ordenou:
- Entre aqui, Eva!

A negra seguiu, entrou, e entregou ao imperador um saco de abacaxis, colhidos na roça que plantara depois de liberta.

A Apinéia do Imperador
De acordo com os pesquisadores, D. Pedro II era obeso e naquela época não havia muita preocupação em controlar a obesidade, já era sabedor que tinha diabetes. A pesquisa aponta que o imperador dormia durante o dia em inúmeras situações, como no teatro e em palestras, o que teria ocorrido com grande freqüência e durante muitos anos.
Naquela época não se conheciam as doenças que levam à sonolência diurna excessiva, uma vez que o conhecimento desse tipo de distúrbio ocorreu na segunda metade do século XX com o avanço da tecnologia.
Havia, portanto, uma causa orgânica para a sonolência excessiva do imperador. Esse achado contraria a versão mais usada na época pelos opositores de D. Pedro II que diziam, e publicavam em inúmeras charges, que ele dormia demais por não se importar com o Brasil.

Viajando Viajante
Na segunda metade de seu reinado, entre 1871 e 1888, D. Pedro II fez três grandes viagens internacionais, associadas a seu desejo de expandir conhecimentos – e, em alguma medida, de escapar do enfadonho exercício do poder. Os passeios incluíram América do Norte, Europa, África e Oriente Médio.
Somadas todas as viagens, ele ficou fora do Brasil pouco mais de três anos e meio. Além de seus diários de viagem, o monarca deixou um imenso acervo de fotografias dos lugares, prédios e monumentos que visitou.
Nas várias viagens ao exterior visitou América do Norte, a Rússia, a Grécia e vários outros países da Europa, sempre pagando suas próprias despesas.

Em Alexandria, Egito, existe uma Igreja Greco-Melquita Católica (Rito Bizantino) dedicada a São Pedro, construída por um emigrante libanês no Egito, Conde Miguel Debbane (1806-1872) e Cônsul Honorário do Brasil em Alexandria.
A igreja foi construída em 1868, em honra de Dom Pedro II, e em 1871 o Imperador visitou Alexandria e a igreja.
Ainda nos dias de hoje são celebradas missas em memória do Imperador e do Conde Miguel Debbane.

O historiador José Murilo de Carvalho, que escreveu a biografia do imperador (D. Pedro II – Ser ou não ser, editora Companhia das Letras), considera essas viagens, grandes pistas para desvendar a personalidade real de Pedro de Alcântara, que, embora sentasse em um trono, era um homem simples e amante das artes.
Fora do Brasil, ele podia se dar ao luxo de ser um apreciador comum de conferências, espetáculos e lugares históricos.

- A Primeira Viagem Internacional
A 25 de maio de 1871, faz sua primeira viagem internacional; não era muito simples para ele se ausentar do Brasil, ele tinha que pedir autorização a Câmara, e os políticos relutavam em conceder.

Em 12 de junho de 1871, quando desembarcou em Lisboa, ocorreu o seguinte episódio, havia a necessidade de quarentena para todos os viajantes provenientes das Américas, ele foi informado que essa medida não se aplicava a ele, então teria dito:
- Porque não? a ordem não é para todos? E assim ele ficou sob quarentena como todos os demais passageiros.

- Segunda Viagem Internacional
Em 1876, fez a sua segunda e mais longa das viagens ao exterior, durou 18 meses, a Imperatriz Theresa Cristina teve problemas de saúde e foi atendida na Europa pelo famoso médico neurologista Jean Martin Charcot, que foi professor de Freud.
Nessa mesma viagem, Dom Pedro II aproveitou para passear pelos Estados Unidos, onde se encantou com os arranha-céus, os trens e o desenvolvimento da agricultura; esteve na companhia do presidente americano Rutherford Hayes e escreveu no seu diário:
“Seu aspecto é grosseiro. Pouco fala. A nora é muito amável. A mulher feia e vesga faz o que pode para ser amável. O filho parece rapaz muito inteligente.”

Em maio de 1876, Dom Pedro compareceu na Exposição Internacional Comemorativa ao Centenário da Independência dos Estados Unidos na Filadélfia (EUA), comprou passagem em navio de linha regular, como sempre fazia quando viajava; recusava o cruzador como escolta que o Parlamento lhe oferecia, e viajava em navio de passageiros.
Quando o navio se aproximou das águas territoriais norte-americanas, uma esquadra americana o esperava, para escoltá-lo até o porto.
D. Pedro era convidado oficial do Governo Americano.
O presidente americano Ulisses Grant fez questão de que o Imperador brasileiro cortasse junto com ele a fita de abertura, inaugurando a exposição.

Nessa mesma viagem visitou Rússia, Criméia, Constantinopla e Atenas. Visitou também o Líbano, Síria e Palestina, a bordo do navio de bandeira brasileira “Aquiíla Imperial”; mesmo estando com uma comitiva de cerca de 200 pessoas, não foi gasto um centavo do dinheiro público.
Segundo o livro “Líbano - Guia Turístico e Cultural”, em sua estada no Líbano, de 11 a

Em 15 de novembro de 1876, em Beirute ficou hospedado no hotel “Hotel Belle Vue”.
Pedro o Imperador escreveu a seu amigo, o Embaixador francês Joseph Gobineau, que ficara em Atenas, Grécia:
- “Tudo vai bem... A partir de hoje começa um mundo novo. O Líbano ergue-se diante de mim com seus cimos nevados, seu aspecto severo, como convém a essa sentinela da Terra Santa...”

Uma curiosidade:
- Durante 127 anos nenhum outro chefe de estado brasileiro esteve no Oriente Médio, só em 2003 o Presidente da República Luis Inácio Lula da Silva esteve por lá para viagens para acordos comerciais.

- Terceira Viagem Internacional
A saúde de Pedro II havia piorado consideravelmente e em 1887 os ataques de febre havia se tornado comum. Seus médicos pessoais sugeriram uma viagem a Europa para tratamento médico.
Ao embarcar, foi saudado por uma multidão, que gritava:
“Viva Sua Majestade o Imperador do Brasil!”

Em 30 de junho de 1887, partiu com a esposa Dona Teresa Cristina e o neto Pedro Augusto (filho da Princesa Isabel).
Mais uma vez sua filha Isabel tornou-se Regente em seu lugar. Permaneceu pouco tempo em Portugal e foi para Paris onde se hospedou como de costume no Grande Hotel.
Lá recebeu as visitas de Pasteur, Ambroise Thomas, Levaseur, François Coppée, Dumas Filho, Arsène Houssaye, Guerra Junqueira, de dois netos de Victor Hugo, dentre outros.
Em uma conversa com Houssaye o imperador lamentou a coroa de espinhos que carregava.
Pedro II visitou seu velho amigo Michel Eugène Chevrel que estava então com 102 anos de idade.
O monarca foi examinado pelos médicos franceses Charles-Édouard Brown-Séquard, Jean-Martin Charcot e Michel Peter que recomendaram uma visita as estações de cura em Baden-Baden.
Permaneceu em Baden-Baden por 2 meses e lá encontrou-se com velhos conhecidos como Guilherme I da Alemanha e Leopoldo II da Bélgica. Também visitou o túmulo de sua filha Leopoldina em Coburgo.

Em 08 de outubro de 1887, retornou a Paris com a saúde aparentemente reabilitada e encontrou-se com suas irmãs Januária e Francisca.
De lá partiu para Itália onde foi convidado para um jantar com o Rei da Itália, Rainha Vitoria da Inglaterra e a Rainha da Sérvia.
Em Florença inaugurou a obra “Independência ou Morte” do pintor brasileiro Pedro Américo na presença da Rainha da Inglaterra, da Rainha Sérvia e do Rei do Wurtemberg.
Em Milão encontrou-se com Cesare Cantù.

Em 03 de maio de 1888, a saúde do imperador piorou dramaticamente, foi acometido de uma pleurite (inflamação da pleura, tecido que envolve os pulmões), chamaram Jean-Martin Charcot de Paris que ao chegar injetou na veia do monarca cafeína, resultando numa melhora de seu estado de saúde. É levado para Aix-les-Bains, onde permaneceu em tratamento e passou duas semanas entre a vida e a morte, chegando a receber a extrema-unção.

Em 22 de maio de 1888, apenas, que recebeu a notícia de que a “escravidão havia sido abolida no Brasil”.
Estava deitado na cama extremamente fragilizado e com a voz fraca e lágrimas nos olhos falou:
- “Grande povo! Grande povo!”

- O retorno do Imperador ao Brasil
Em 22 de agosto de 1888, Pedro II retornou ao Brasil e desembarcou no Rio de Janeiro.
“O país todo o recebeu com um entusiasmo jamais visto. Da corte, das Províncias, de toda parte, chegavam-lhe provas de carinho e de veneração. A emoção dos que o viram desembarcar, alquebrado, magro, o corpo curvado, as pernas fracas, foi a mais profunda”.
Os alunos da Escola Militar escalaram o Pão de Açúcar e colocaram uma faixa gigantesca onde estava escrito “Salve”.

O Imperador na Feira Universal de 1876
Em maio de 1876, o imperador Dom Pedro II compareceu na Exposição Internacional na Filadélfia comemorativa ao Centenário da Independência dos Estados Unidos, comprou passagem em navio de linha regular, como sempre fazia quando viajava; recusava o cruzador como escolta que o Parlamento lhe oferecia, e viajava em navio de passageiros.
Quando o navio se aproximou das águas territoriais norte-americanas, uma esquadra americana o esperava, para escoltá-lo até o porto.
D. Pedro era convidado oficial do Governo Americano.
O presidente americano Ulisses Grant fez questão de que o imperador brasileiro cortasse junto com ele a fita de abertura, inaugurando a exposição.

- Exposição Universal de 1876
The Philadelphia Centennial Exposition, 1876, ten years after the close of the American Civil War, and during the second term of President Ulysses S. Grant was intended to celebrate the centennial of the Declaration of Independence in the city of our nation’s birth. It also charted the course for rapid American industrial expansion. In the great hall of industry, visited by many thousands, a single huge Corliss Steam engine ran 13 acres of through more than a mile of shafts.
The engine had a 44 inch bore, 10 foot stroke, was more than 45 feet tall, had a fifty-six ton, thirty foot diameter, twenty-four inch face flywheel, and produced 1,400 Horse Power at 36 RPM.

No dia 10 de maio de 1876, abre, na Filadélfia, Pensilvânia (EUA), a primeira Exposição Mundial dos EUA, para comemorar o centenário da assinatura da declaração de independência que aconteceu em 1776, também na Filadélfia.
Oficialmente chamada “International Exhibition of Arts, Manufactures and Products of the Soil and Mine”, a exposição era absolutamente gloriosa.
Foi montada em Fairmount Park, ao longo do rio Schuylkill. As instalações foram projetadas por Hermann Schwarzmann.
Foram construídos mais de 200 edifícios novos no interior de um recinto que media mais de quatro quilômetros de comprimento.
No interior dos edifícios os visitantes podiam ver enormes máquinas a vapor em funcionamento, animais exóticos e objetos vindos de todo o mundo (participaram 44 países). Juntamente com uma celebração do poder científico e industrial, um mundo já globalizado mostrava-se e deixava-se tocar no seu esplendor. Para ter uma idéia, basta pensar que o edifício principal, uma elegante estrutura em ferro e vidro, tinha 580 metros de cumprimento e cobria uma área de 81.000 metros quadrados.

Para anunciar a abertura da “Exposição do Centenário”, sinos soaram sobre toda a Filadélfia. Estava presentes à cerimônia o presidente dos Estados Unidos, Ulysses Grant e sua esposa e Dom Pedro II, Imperador do Brasil com sua esposa.
A cerimônia terminou no pavilhão de máquinas e equipamentos com Grant e Dom Pedro dando a partida no motor a vapor “Corliss Steam Engine” que fornecia energia para a maioria dos outros equipamentos da exposição.

Bananas foram oficialmente apresentados ao público americano em 1876 na Exposição do Centenário, embrulhadas em papel de alumínio, eram consideradas um tratamento exótico e vendido por 10 centavos.
Antes dessa data, bananas vieram para a América no convés de navios com os marinheiros levaram algumas hastes para casa depois viajar no Caribe.

Alguns dos produtos mostrados ao público pela primeira vez na exposição de Filadélfia foram:
Alexander Graham Bell e o Telefone,
Remington tipográficas Machine (máquina de escrever),
Heinz e o katchup,
Wallace-Farmer Dynamo Electric, precursor (luz elétrica), entre outros.

A exposição contou com 9 milhões de visitantes (quando a população dos EUA era de 46 milhões) na época, entretanto os visitantes foram contados novamente a cada vez que entraram na mostra.

Um escocês que vivia nos Estados Unidos, o professor Graham Bell apresentou um aparelho para se falar à distância.
Ninguém deu atenção ao professor e pesquisador de métodos de dicção.
Nem mêsmo os juízes responsáveis por escolher os melhores inventos. Pensativo e solitário diante do aparelho, o inventor ficou surpreso ao ouvir saudação tão calorosa:
“Meu caro professor Bell, folgo muito em reencontrá-lo.”
Era Dom Pedro II que começou a fazer perguntas sobre a novidade, assim ele conseguiu despertar interesse e aceitação dos juízes do concurso de invenções da exposição para o aparelho (não é claro, mas parece que Dom Pedro era um dos juízes), seu invento, uma coisa chamada “Telephono”.
Ele já conhecia o professor, tendo assistido uma palestra sobre surdos-mudos ministrada por Graham Bell.
Os juízes da exposição (que ao final auferiam prêmios aos vencedores), começaram a se interessar.
O “telephono” (telefone) foi examinado. - Graham Bell estendeu um fio de um lado a outro da sala, e colocou Dom Pedro na extremidade onde ficava a parte receptora do aparelho e dirigiu-se ao transmissor, após um momento de total silêncio o Imperador do Brasil que tinha o receptor ao ouvido exclamou de repente:
- Meu Deus, isto fala!

O Imperador ficou fascinado e fez uma encomenda de 100 aparelhos para o Brasil, tornando o Brasil o segundo país do mundo a empregar o “Telephono” e a primeira encomenda de Graham Bell.
Um ano depois, Graham Bell e seu sogro fundavam nos Estados Unidos a primeira companhia telefônica do mundo.

- A Participação do Brasil  na Exposição
Além de D. Pedro II, a obra, “A Primeira Missa no Brasil”, de Victor Meirelles (1861), após participar da exposição em Paris, o quadro foi um dos escolhidos para representar o Brasil na Exposição Universal da Filadélfia, em 1876.

Nota:
- As duas viagens foram seguramente a causa da primeira restauração da obra, já em 1878.

A Popularidade do Imperador
Não se viu tal demonstração de entusiasmo popular dirigido ao imperador nem mesmo nas celebrações de sua maioridade em 1840, ou na “Questão Christie” em 1864, ou na partida para o Rio Grande do Sul em 1865 durante a Guerra do Paraguai, ou mesmo com a vitória na Guerra da Tríplice Aliança em 1870.

A “julgar pelas manifestações gerais de simpatia que acolheram o Imperador e a Imperatriz por ocasião de sua chegada da Europa, nesse inverno de 1888, nenhuma instituição política podia pretender estar tão forte quanto a Monarquia no Brasil”.

Até mesmo os ex-escravos manifestavam lealdade à monarquia e se opunham veementemente aos republicanos, a quem chamavam de “os paulistas”.

A “Monarquia parecia estar no auge da popularidade”.

Pedro II havia atingido o ponto de sua maior popularidade entre os brasileiros.
O fim da escravidão resultou no apoio explícito dos ricos fazendeiros de café (que de fato detinham o poder político, econômico e social no país) ao republicanismo.
Apesar de não haver no Brasil qualquer desejo pela mudança na forma de governo, os republicanos passaram a pressionar o Exército e seu principal líder, o Marechal Deodoro da Fonseca, a derrubar a monarquia.

Continua na Parte II